Vestido Maldito

Retorno do diretor Peter Strickland, depois do elogiado “The Duke of Burgundy”, que aqui cria uma atmosfera única e fascinante dentro do terror. A trama é centrada em um vestido amaldiçoado e item desejável de uma loja de departamentos que traz consequências assustadoras para aqueles que o compram.

Há uma certa comicidade em toda sua concepção e é ótimo quando o filme não se leva tão a sério. Strickland desenha um universo um tanto quanto fascinante aqui, onde através de elementos gráficos tão fortes e de referências visuais certeiras – explorando o retrô – torna possível nossa imersão a sua fantasia. A brilhante trilha sonora composta pela banda Cavern of Anti-Matter, só enriquece a experiência.

No entanto, mesmo com suas qualidades gritantes, “Vestido Maldito” morre muito antes de acabar. O grande equívoco aqui é separar a trama em dois capítulos, principalmente quando a parte final é completamente sem brilho, onde o roteiro jamais justifica sua existência. É assim que o filme que nasce com uma grande premissa cava um buraco que não consegue mais se reerguer. Falta, ainda, um texto que unisse todos esses bons elementos que tem em mãos e construísse algo melhor estruturado, sem que parecesse apenas um refinado rascunho. O resultado final é frustrante porque suas ótimas ideias não chegam a lugar algum.

NOTA: 5

  • Duração: 118 minutos
    Disponível: Prime Video
    Direção: Peter Strickland
    Elenco: Marianne Jean-Baptiste
    , Fatma Mohamed, Richard Bremmer, Gwendoline Christie

Borat: Fita de Cinema Seguinte

Quatorze anos depois, “Borat: Fita de Cinema Seguinte” não poderia ter vindo em hora mais oportuna. O ator Sacha Baron Cohen retorna com seu glorioso repórter do Cazaquistão para revelar o atual caos em que vivemos. Ele volta aos Estados Unidos para dar um presente ao vice-presidente Mike Pence e finalmente ganhar o respeito de Trump, beneficiando sua nação depreciada. Devido alguns incidentes, ele decide presenteá-lo com a própria filha.

Em período de eleição, o longa vem com timing perfeito, usando do humor nonsense do personagem para escancarar o ridículo de tantos discursos conservadores que dão palco e ascensão para governantes patéticos. É um texto provocativo, que ainda consegue extrair reações reais de suas “vítimas”, causando um certo impacto pelos absurdos que expõe. 

Um filme repleto de boas sacadas, onde o diretor Jason Woliner consegue amarrar bem o documentário com a trama ficcional que constrói ali. É brilhante sua virada final que envolve ainda a pandemia do coronavírus e a relação do repórter com sua filha, interpretada pela ótima Maria Bakalova. É uma piada que confronta, que incomoda e justamente por isso é tão necessária.

NOTA: 8,5

  • Duração: 95 minutos
    Disponível: Prime Video
    Direção: Jason Woliner
    Elenco: Sacha Baron Cohen, Maria Bakalova

Crítica: Get Duked

Produzida por Tobey Maguire, a comédia “Get Duked!” é absurdamente insana. Pode afastar grande parte do público pelo nível elevado de brisa, mas pode surpreender positivamente também, o que é o meu caso. Trata-se de um produto original, revigorante e um prato cheio para os admiradores do humor ácido britânico.

A divertida trama gira em torno de um grupo de jovens infratores que são indicados à completar uma tradicional caminhada para ganhar um prêmio, símbolo de uma readequação social. No entanto, nas altas montanhas que caminham, passam a ser alvos de aristocratas que matam por puro esporte, eliminando, assim, aqueles indivíduos que arruinam a integridade da espécie.

Com roteiro ágil e ótimas sacadas, o filme é um experimento inventivo, que diverte sem deixar de passar suas poderosas mensagens. No meio de seu sarcasmo, o longa acerta essa ferida da alta sociedade que se sente ameaçada quando pessoas menos privilegiadas passam a ganhar oportunidades. Como é bom e raro encontrar comédias assim! Bizarro, inteligente e insanamente adorável.

NOTA: 8

  • Duração: 87 minutos
    Disponível: Prime Video
    Direção: Ninian Doff
    Elenco: Samuel Bottomley, Viraj Juneja, Rian Gordon, Lewis Gribben