Crítica | O Último Duelo

A glória falida dos homens

Fazia tempo que não via uma trama medieval tão interessante como esta. Com direção de Ridley Scott, a obra investiga, de forma bastante intrigante, o último julgamento travado por um duelo mortal na França. Por trás do ocorrido, também conhecemos a verídica história de uma mulher que expôs um caso de estupro em 1386, época em que poderia ser condenada à morte se a denúncia não fosse verdadeira.

Com roteiro de Matt Damon, Ben Affleck e da sempre fantástica Nicole Holofcener, o filme se divide em três capítulos. Cada um deles, dedicado a contar a versão dos três envolvidos no caso, que já sabemos, previamente, terminará em um duelo. A trama registra o instante em que Marguerite (Jodie Comer) decide expor o fato de ter sido abusada sexualmente pelo escudeiro Jacques le Gris (Adam Driver), que em épocas passadas, foi grande amigo de seu atual marido, o cavaleiro Jean de Carrouges (Matt Damon). Os dois homens são levados para o combate e deixar com que a morte decida a justiça.

O recurso de mostrar cada lado da história é muito bem empregado. Apesar de mostrar muitas vezes o mesmo evento, o roteiro é esperto o bastante para sempre se renovar, sempre trazer uma carta nova na manga. Sabiamente, o texto deixa claro que a verdade se encontra na versão de Marguerite. E isso, em momento algum, tira o brilhantismo ou a tensão da trama, pelo contrário. Ao se aprofundar no olhar feminino, “O Último Duelo” desenha na tela um conflito potente, porque é a palavra de uma única mulher contra todos. É doloroso enfrentar essa jornada pelos olhos dela, porque é a única que perde, a única a ser julgada. A atriz Jodie Comer está fantástica aqui e nos faz sentir esse peso que carrega.

A sequência do duelo é incrível. É eletrizante, violenta e a prova de que aquele Ridley Scott de “Gladiador” ainda existe. A genialidade deste instante está em nos fazer vibrar quando já não existem mais lados para torcer. Conhecemos cada uma das versões da história, e a cada mudança de perspectiva, mudamos nosso olhar sobre determinado personagem, sobre cada situação. O texto é bastante crítico e atual ao apontar que, ao fim, mesmo quando é a palavra de uma mulher que está em jogo, tudo é sobre a honra e glória dos homens, sobre a postura deles diante dos outros. E isso dói de assistir.

“O Último Duelo” é uma grande surpresa de 2021. Além do excelente roteiro, a produção vem caprichada. As cenas de batalhas, as locações, cenários, figurinos. Tudo chega em estado grandioso e deslumbrante, marcando um dos melhores trabalhos de Ridley Scott dos últimos tempos. Um filme que tem alma, tem força e nos envolve com seus ótimos conflitos.

NOTA: 9,0

País de origem: Estados Unidos, Reino Unido, Irlanda do Norte
Ano: 2021
Título original: The Last Duel
Duração: 152 minutos
Disponível: Star+
Diretor: Ridley Scott
Roteiro: Nicole Holofcener, Ben Affleck, Matt Damon
Elenco: Matt Damon, Adam Driver, Jodie Comer, Ben Affleck, Alex Lawther

Crítica | Amor, Sublime Amor

A homenagem tediosa de Spielberg

Sempre fiquei com o pé atrás com esse remake. Revisitar um clássico do cinema é sempre um passo muito arriscado. A questão é que dessa vez temos um diretor competente à frente de tudo isso e Steven Spielberg, que nunca dirigiu um musical para o cinema, surge como se tivesse feito isso a vida toda. É espantoso a qualidade técnica que ele alcança, entregando um filme majestoso e, também, uma homenagem ao original de 1968 e ao compositor Stephen Sondheim, um dos maiores nomes do teatro musical.

“Amor, Sublime Amor”, de fato, parece uma imensa peça de teatro filmada. Seja pelos cenários, ambientações e iluminação, tudo remete a algo feito em estúdio fechado, construído para aquela encenação. Visualmente belo, o longa também chama a atenção pelas ágeis coreografias e pelas surpreendentes movimentações de câmera que passeiam por aqueles espaços.

No entanto, ainda que tudo seja lindo de se ver, a obra segue engessada nessa intenção de homenagem, de respeitar o que um dia foi criado. Spielberg faz uma revisita tão correta que entendia. Sou um grande admirador de musicais e sempre vi o gênero como algo que explode na tela, que inspira e nos faz acreditar no inacreditável. “Amor, Sublime Amor” não traz nada disso. É apenas um quadro bem pintado, mas tão sóbrio e calculado que nunca ganha vida. Tudo bem filmado sim, mas nenhuma cena me fez vibrar ou sentir algo além do tédio.

Confesso que nunca gostei do original e sigo não gostando aqui, ainda que eu ache essa versão menos pior. A trama das gangues na Nova York da década de 50 ainda continua muito datada, onde o roteiro insiste em equiparar, de forma equivocada, a luta dos porto-riquenhos em solo americano, com os jovens brancos imigrantes que estão perdendo oportunidades. E esse retorno à trama ainda me soa completamente fora da validade. Ao menos, acerta ao trazer um elenco, de fato, diverso. A clássica história de amor de Tony e Maria funciona pela entrega dos dois jovens atores Rachel Zegler e Anson Elgort, mas força bastante em situações como quando transam depois de uma grande tragédia familiar. Fica difícil torcer pelos dois. Destaque também para os coadjuvantes Ariana DeBose e Mike Faist, que aqui roubam a cena.

Entendo e respeito a opinião de todos que estão amando a produção. Queria muito fazer parte desse time. Infelizmente, é uma obra que não funciona para mim. Tecnicamente impecável, mas que me causa muito mais cansaço do que paixão.

NOTA: 6,5

País de origem: Estados Unidos
Ano: 2022
Título original: West Side Story
Duração: 156 minutos
Disponível: Star+
Diretor: Steven Spielberg
Roteiro: Tony Kushner
Elenco: Rachel Zegler, Ansel Elgort, Mike Faist, Ariana DeBose, Rita Moreno, Corey Stoll

Crítica | Belfast

Muito Barulho Por Nada

Admirador de Shakespeare e Agatha Christie, Kenneth Branagh se firmou no cinema com suas tantas adaptações e sua visão sobre alguns clássicos da literatura. É bem-vindo então, quando ele (tenta) revelar um lado mais pessoal, recriando sua infância em Belfast. O diretor e roteirista escreve aqui sua carta de amor à cidade e a todos aqueles moradores que precisaram partir dali para terem uma vida melhor. Uma obra feita com muito sentimento sim, mas sem um bom roteiro para amarrar suas boas intenções, ainda que tenha vencido, injustamente, o Oscar.

Filmado em preto e branco, vivenciamos um recorte na vida do pequeno Buddy ao lado de sua família em Belfast. Ele não tem dimensão dos problemas que ali o cercam, brincando pelas ruas sem nunca entender do que são constituídos aqueles tantos muros. Branagh pincela os conflitos religiosos da Irlanda da década 60 sob o olhar ingênuo de uma criança. É bastante compreensível, por essa ótica, que ele não se aprofunde em seus temas. Por outro lado, devido a isso, passamos pelo filme sem nos conectar a nada, avistando de longe, sem nos importar com o que nos é contado.

A primeira cena revela um combate civil depois de uma brincadeira entre as crianças na rua. Uma cena estranha, apressada, sem muita emoção. A sequência seguinte mantém esse mesmo esquema e por aí vai. Branagh vai juntando fragmentos curtos, frases soltas, instantes que até possuem uma certa comoção, mas não nos atinge. São sentimentos do qual não fomos apresentados e ficamos ali só assistindo. Um recorte de belos eventos, mas oco e infértil. Pouco se constrói ali e, como consequência, termina da forma como começou, sem dizer nada.

“Belfast” acaba ganhando força pelas ótimas atuações, com destaque para Caitriona Balfe. A beleza das imagens também chama atenção, entregando sequências visualmente fascinantes. Infelizmente, Branagh perde a chance de revelar um pouco de si, onde se mostra muito mais preocupado com um bom enquadramento do que com a honestidade de seus relatos. É nítido que ele tem muito carinho por sua infância, mas infelizmente, seu texto que traduz tudo isso é fraco, revelando um compilado de memórias genéricas em um Oscar Bait esquecível.

NOTA: 6,0

País de origem: Reino Unido, Irlanda do Norte
Ano: 2021
Duração: 97 minutos
Diretor: Kenneth Branagh
Roteiro: Kenneth Branagh

Elenco: Jude Hill, Caitríona Balfe, Jamie Dornan, Ciarán Hinds, Judi Dench, Lara McDonnell

Crítica | O Beco do Pesadelo

A ilusão que falta

O Oscar chegou ao fim, mas a maratona de assistir aos filmes ainda segue. “O Beco do Pesadelo” marca o retorno de Guillermo del Toro após vencer o prêmio de Direção e Melhor Filme em 2018. Haviam altas expectativas sobre o que ele faria com essa história, baseada no romance de 1946 e que já havia sido adaptada ao cinema em 1947. Ele, que sempre teve afeição aos contos de monstros, usa do terror para investigar a degradação (e transformação) do homem em uma época pós-guerra.

Bradley Cooper interpreta o ambicioso Stanton Carlisle e desde o início ele é uma grande incógnita. Chega, do nada, em um circo e, através de sua boa lábia e carisma, passa a aprender os truques e habilidades especiais daqueles excêntricos habitantes. Ele é uma página em branco sendo preenchida pelo talento dos outros. “O Beco do Pesadelo” nos revela a ascensão desse homem que, inebriado pelas tantas mentiras que aprendeu a contar, passa a acreditar nelas e no poder que podem lhe trazer.

Existem dois atos bem distintos aqui. O primeiro funciona melhor, quando conhecemos os bons personagens do circo. É ali que Willem Dafoe, Toni Collette e David Strathairn trazem o brilho que falta ao longa em sua outra metade. O filme, então, nos apresenta uma virada não muito bem-vinda e desinteressante. Tudo é uma escada para seu protagonista e esses degraus são extremamente frágeis. Nem mesmo a elegância de Cate Blanchett salva o caminho tedioso que passa a seguir.

Como um bom truque de mágica, Stanton ilude seu público, os faz acreditar em suas falcatruas para se dar bem. É justamente isso o que o roteiro de “O Beco do Pesadelo” não consegue. Jamais convence, jamais nos faz comprar seu universo. O texto da obra tem seu início e fim muito bem definidos, mas esqueceu de elaborar todo o resto. Essa relação cíclica, que une suas duas pontas, poderia ser seu brilhantismo, mas só o deixa previsível. É como se soubéssemos, desde o início, as consequências de tudo e as causas, infelizmente, são jogadas às pressas. Todos os seus potentes desdobramentos são lançados na tela sem muito zelo, com pouco desenvolvimento. E isso fragiliza demais a construção dos personagens e nesses laços que um tem com o outro.

“O Beco do Pesadelo” é visualmente fascinante, indicando um trabalho primoroso de direção de arte, com seus belos cenários e figurinos. Infelizmente seu encanto morre aí. A última cena até indica uma ótima sacada e uma excelente interpretação de Cooper, mas veio tarde demais. Ali, já pouco me importava como alguma coisa. O trabalho mais insosso de del Toro, cansativo e sem vida alguma.

NOTA: 6,0

País de origem: Estados Unidos, México, Canadá
Ano: 2021
Título original: Nightmare Alley
Duração: 150 minutos
Disponível: Star+
Diretor: Guillermo del Toro
Roteiro: Guillermo del Toro
Elenco: Bradley Cooper, Rooney Mara, Cate Blanchett, Toni Collette, Willem Dafoe, Richard Jenkins, Ron Perlman, David Strathairn

Crítica: Matrix Resurrections

Uma aula de como não retomar uma franquia de sucesso

Passei por uma maratona de “Matrix” antes de chegar nesse quarto capítulo, reassistindo os outros três que tão pouco recordava. O primeiro continua excelente, de fato, um marco. O segundo, assim como o terceiro também, traz grandes ideias jogadas em um roteiro sem muita intenção de desenvolvê-las, revelando, infelizmente, uma filosofia que soa profunda, mas é apenas vazia e preguiçosa.

É assim que, quase vinte anos depois, a criadora Lana Wachowski, agora sem Lilly, retorna ao universo por alguma razão que em duas horas não consegue justificar. E mais uma vez, sua obra pretende ser profunda com seus diálogos extremamente expositivos, quando, na verdade, é só algo tolo e descartável. O filme inteiro é um personagem precisando descrever para outro o que está acontecendo. A aventura nunca flui, apenas é explicada. Parece ter sido escrita por um adolescente fanfiqueiro, que não sabia se faria uma homenagem, um reboot ou só uma paródia mesmo. Uma forma vergonhosa de revisitar algo que tanta gente respeita e admira.

“Pegaram a sua história, algo que significava tanto para as pessoas como eu e transformaram em algo trivial (…) Onde mais enterrar a verdade senão dentro de algo tão comum como um videogame.” A roteirista, através da metalinguagem, busca criticar os grandes estúdios do cinema e essa facilidade que eles possuem em destruir algo com significado apenas para ter uma franquia lucrativa. O discurso de Lana é ousado e afrontoso sim, mas infelizmente se torna patético quando decide ilustrá-lo com uma produção tão genérica. Bater de frente com o cinema blockbuster Hollywoodiano e sua trivialidade entregando um filme trivial me soa apenas preguiçoso. Ela consegue o feito de transformar sua bela criação em uma longa piada de mal gosto e extremamente desrespeitosa com aqueles que admiram a saga. É esperto não entregar o que os fãs querem, mas é decepcionante quando a obra se camufla dentro daquilo que pretende criticar.

Para piorar a situação, o texto aqui é fraquíssimo, deixando o elenco pouco à vontade. Entendo que Keanu Reeves é uma persona adorável, mas que brochante é assistir algo com alguém que nitidamente não tem a menor vontade de estar ali. Com soluções tolas, “Matrix Resurrections” mais parece um episódio ruim de Sense8 (ou uma desculpa para juntar o elenco de novo). O belo visual até desperta nossa atenção, mas aí perde novamente com suas sequências pouco inspiradas de ação e confronto corporal, que nada nos lembra a agilidade presente nos capítulos anteriores.

Houve, no cinema recente, uma saturada necessidade de revisitar franquias de sucesso. Poucas vezes, porém, me vi diante de um retorno tão podre como este. Lana precisava ter se esforçado um pouco mais para fazer um filme ruim. Esse está abaixo disso. Está no nível insulto mesmo.

NOTA: 4,0

País de origem: EUA
Ano: 2021
Duração: 148 minutos
Disponível: HBO Max
Diretor: Lana Wachowski
Roteiro: Lana Wachowski
Elenco: Keanu Reeves, Carrie-Anne Moss, Jonathan Groff, Yahya Abdul-Mateen II, Jessica Henwick, Neil Patrick Harris, Jada Pinkett Smith, Priyanka Chopra Jonas, Lambert Wilson

Crítica | Mães Paralelas

dois filmes que não se encontram

Depois de tantos acertos na carreira, é inevitável não ficar empolgado com os retornos de Pedro Almodóvar. No auge de seus 70 anos, é lindo poder acompanhar esse seu cinema sempre aberto a tratar do universo feminino com tanta sensibilidade. Acontece que, apesar das cores fortes e estampas marcantes que ilustram seus cenários, poucas vezes sua arte foi tão pálida como aqui. “Mães Paralelas” tem boas intenções, mas falta um bom roteiro para unir todas elas.

O roteirista deixa registrado aqui seu manifesto político. Ao falar de herança, Almodóvar diz sobre a importância do resgate histórico na construção de nossa identidade. Ele revela a dívida que a Espanha tem com as mulheres que nunca puderam enterrar dignamente seus entes desaparecidos em tempos de guerra e os reflexos dessa ausência na vida de todas elas. Para desenhar isso, ele coloca em cena Janis, personagem brilhantemente defendida por Penélope Cruz, que decide buscar o corpo do bisavô. A história dessa mulher é uma repetição da de seus ancestrais. Ela carrega a herança de sua casa, mas também a tradição feminina de criar uma filha sem a presença do homem. Entender o passado é ter consciência sobre o presente e instrumento para poder mudar o futuro.

Em “Mães Paralelas”, o diretor constrói dois filmes que até se conectam diante de uma reflexão, mas que não fluem de forma harmônica. Um deles sempre precisa pausar para que o outro prossiga. Duas tramas não paralelas, que jamais caminham juntas. Almodóvar pincela o plot dos corpos enterrados ali no começo e volta ao final de maneira abrupta e sem muito cuidado. Já a história das mães, que se unem depois de realizarem o parto no mesmo dia, preenche grande parte da produção. Infelizmente, porém, o roteirista nunca revela ter muito apreço a ela, a construindo apenas para ilustrar um pensamento, sem jamais dar a alma que merecia. Existe um suspense fascinante ali entre as duas personagens centrais que nunca ganha vida, encerrando-se ainda de forma preguiçosa e sem emoção. Ele cria uma ideia novelesca que intriga, mas a finaliza de qualquer jeito, como se nada, além da escavação, tivesse realmente importância.

É assim que “Mães Paralelas” nunca empolga e nunca demonstra ter um propósito específico. É frustrante demais a maneira como finaliza a história das mães, sem ser justo com as personagens e nem com a belíssima entrega das duas atrizes. O fim até se esforça para ser poético, mas foi tudo guiado de forma tão morna até ali, que foi difícil comprar suas intenções. Tem muitos acertos sim, mas facilmente esquecemos.

NOTA: 6,5

País de origem: Espanha
Ano: 2022
Título original: Madres Paralelas
Duração: 120 minutos
Disponível: Netflix
Diretor: Pedro Almodóvar
Roteiro: Pedro Almodóvar
Elenco: Penélope Cruz, Milena Smit, Israel Elejalde, Rossy de Palma

Crítica | Licorice Pizza

O lado B da nostalgia

Paul Thomas Anderson foi responsável por realizar algumas obras-primas do cinema como “Magnólia” e “Sangue Negro” e, desde muito tempo, tornou-se um nome digno de atenção. Com este seu novo filme, o cineasta retorna ao ambiente que cresceu, a Los Angeles da década de 70, para celebrar a liberdade da juventude, enquanto passeia pelos bastidores do entretenimento, algo que rapidamente nos remete a um de seus melhores trabalhos: “Boogie Nights”. O humor ainda se mantém bastante presente, assim como capacidade de inserir diversos personagens em uma narrativa insana. Ainda que exista um certo brilhantismo em sua condução, esse seu resgate de outra época traz consigo uma visão de mundo que deveria ter ficado no passado mesmo.

A obra narra o encontro do jovem Gary Valentine, interpretado por Cooper Hoffman (filho do saudoso Philip Seymour Hoffman) com Alana, interpretada pela cantora Alana Haim (da banda Haim). Ele, que tem um forte dom para o empreendedorismo, decide apostar em uma série de negócios depois de perceber que sua carreira como ator fracassou. Alana é uma espécie de “parceira do crime”, que passa a auxiliá-lo em uma fase do qual não tem muitos planos para si. Um adolescente que quer ser visto como adulto e uma mulher adulta que não se encontra. O homem aqui é muito seguro, mesmo que esse tenha apenas 15 anos de idade (e o roteiro omita de nós como um garoto de sua idade tem tantos recursos para se dar bem na vida) e a mulher nunca parece evoluir, sempre perdida, confusa, presa nas escolhas de seu companheiro. Alana, tanto a atriz como a personagem, tem uma autenticidade que inunda a tela. Merecia voar, mas o texto é antiquado demais para isso. É assim que não consigo enxergar essa trama de “amadurecimento” que muitos apontam e vejo apenas um roteiro reforçando um pensamento machista sobre relacionamentos e como a mulher é vista dentro de um.

Paul Thomas Anderson revisita o passado mas esquece que nem tudo que ficou nos anos que passaram precisa ser trazido de volta. A nostalgia é linda sim, mas a sociedade retrógrada não e é uma pena que ele demonstre ter tanto apreço a isso. Em nenhum momento, o roteirista parece ter vergonha de seu humor datado, não evitando revelar um dos poucos personagens homossexuais de forma caricata, além de suas piadas xenofóbicas (vindas de um personagem que se retirado não faria falta) ou de naturalizar sua protagonista sendo assediada a todo tempo. O saudosismo é belo, mas o cineasta peca quando usa disso como desculpa para perpetuar comportamentos tão ultrapassados. Nada disso é engraçado e é triste que tenha sido um dia.

Teria sido incrível, ainda, se o filme focasse na história do casal imensamente carismático. Alana Haim e Cooper Hoffman são ótimos e trazem naturalidade e alma aqui, apesar do desconforto causado pela diferença de idade. Faltou o roteiro entender que o universo além deles não é tão interessante assim. Nunca é sobre eles e em uma sequência aleatória de eventos, a obra se perde e nos leva para cantos do qual pouco nos importamos. Seja pelos bastidores do mundo do entretenimento, das vendas ou da política, o texto nunca se encontra e cansa. “Licorice Pizza” até tem alguns momentos divertidos como os do “caminhão”, mas nada que acrescente na trajetória dos personagens ou que os leve para alguma outra direção. É assim que suas tantas “participações especiais” se tornam puro excesso e capricho do diretor. Que chatice toda a passagem de Sean Penn e Tom Waits. Serviu de alguma coisa tudo aquilo? É um trabalho repleto de referências, trazendo em cena figuras reais de Los Angeles mas que, infelizmente, nada agregam à narrativa.

Claro que apesar dos tantos pesares, a boa marca de Paul Thomas Anderson ainda está ali. Ele continua um grande diretor, trazendo cenas visualmente poderosas. Toda essa viagem no tempo é muito bem conduzida, seja pelos figurinos, cenários e principalmente pela potente trilha musical que traz nomes como Nina Simone, Paul McCartney e David Bowie. “Licorice Pizza” diverte mas é muito abaixo do que eu esperava vindo do diretor. Suas qualidades técnicas continuam impecáveis, mas é muito incômodo essa visão quadrada de mundo que ele tenta naturalizar com seu humor ultrapassado, mas que ele prefere vender como “nostalgia”.

NOTA: 6,0

País de origem: EUA
Ano: 2021
Duração: 133 minutos
Diretor: Paul Thomas Anderson
Roteiro: Paul Thomas Anderson
Elenco: Alana Haim, Cooper Hoofman, Ben Safdie, Bradley Cooper, Sean Penn

Os 25 melhores filmes de 2021

2021 acabou (já faz um tempinho) e como de costume aqui no blog, venho apresentar meus filmes favoritos do ano.

A pandemia ainda segue e desde 2020 estamos encontrando novas formas de nos conectarmos ao cinema. Grande parte desses filmes não chegaram à tela grande e o streaming se mostrou uma alternativa ainda muito relevante no nosso dia a dia, assim como o serviço de video on demand (VOD). Isso, por outro lado, acabou fazendo com que algumas obras passassem completamente despercebidas pelo público. Venho, então, de certa forma, com o intuito de destacar algumas produções que merecem mais atenção. 

Foi um ano que consegui assistir muita coisa e espero ter feito uma seleção justa. Lembrando que seleciono aqui apenas os filmes lançados entre janeiro e dezembro de 2021 aqui no Brasil. Espero que gostem dos selecionados e caso não tenham visto algum, já deixo aqui como dicas a serem achadas também.

Menções honrosas: Denis Villeneuve teve a ousadia de dar vida ao complexo universo de “Duna” e entregou um filme majestoso. Experimento musical de Leos Carax, “Annette” foge de qualquer obviedade do gênero. “Não Olhe Para Cima” conseguiu reunir um elenco estelar em uma sátira brilhante de Adam McKay. Fazer boa comédia é para poucos e por isso “Duas Tias Loucas de Férias” merece destaque.

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25. Em um Bairro de Nova York
de Jon M. Chu | EUA

“Em Um Bairro de Nova York” revitaliza com êxito o musical na tela grande. Fazia tempo em que não víamos um filme do gênero desta grandiosidade, que mais parece um milagre de como o diretor Jon M.Chu conseguiu encaixar tudo em uma única produção. É aquela obra que explode, que grita e nos faz querer sair dançando por aí. O hip-hop, em uma interessante mescla com salsa e bolero, atinge instantes de glória. Mais do que falar sobre sonhos, a música aqui vem como um manifesto político (e poético) contra essa marginalização de comunidades imigrantes nos Estados Unidos. Um filme que tem uma energia inesgotável, que vibra, que pulsa em cada pequeno detalhe.

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24. Judas e o Messias Negro
de Shaka King | EUA

Com uma trama que se inicia lá no final da década de 60, o longa traz grandes reflexões sobre desigualdade social, racismo e sobre a corajosa luta dos negros ao longo dos anos. “Judas e o Messias Negro”  traz uma estrutura já comum no cinema, a do infiltrado que se fascina por seu alvo. Ainda assim, o roteiro empolga e costura um suspense hipnotizante, principalmente pelas ótimas atuações do elenco e pela complexidade de sentimentos entregues ali. Uma história triste, revoltante e que causa um grande impacto em nós.

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23. A Filha Perdida
de Maggie Gyllenhaal | EUA

Estreia na direção da atriz Maggie Gyllenhaal, “A Filha Perdida” é uma adaptação do elogiado livro de Elena Ferrante. Lançado pela Netflix, o texto do filme é potente, foge da obviedade e ecoa em nossa mente, justamente porque ficamos remoendo tudo aquilo que não é claramente exposto. A obra acerta ao construir personagens complexas e em nenhum momento busca justificar suas ações ou julgar qualquer movimento questionável. Vem com coragem para discutir o peso da maternidade e esses sentimentos tão velados pela sociedade. As atrizes estão incríveis e o roteiro cria o palco para todas elas brilharem.

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22. O Esquadrão Suicida
de James Gun | EUA

Uma sequência de “Esquadrão Suicida” parecia o caminho mais tolo a ser seguido. É então que o projeto cai nas mãos certas e James Gunn reinicia com vigor a franquia, entregando um produto autêntico e extremamente eficiente. Não é apenas muito prazeroso de assistir como também comprova a esperteza de seu criador. Traz estilo sim, mas o grande acerto aqui se encontra no texto, que sabe dosar o humor, a dramaticidade e, principalmente, sabe como valorizar seus bons personagens. Encontramos aqui uma obra revigorante e feita de muito coração. A mais bela surpresa do ano e uma aula necessária de como conduzir um filme de super-herói.

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21. 007 – Sem Tempo para Morrer
de Cary Fukunaga | Reino Unido

Depois de quinze anos na pele de James Bond, Daniel Craig se despede neste filme que encerra com grande êxito os capítulos comandados pelo ator. Temos aqui uma obra que não descansa, que está sempre seguindo uma nova direção e jamais perdendo a empolgação ou nosso interesse. A relação entre todos os personagens é sempre muito bem conduzida pelo roteiro, que sabe dosar humor, seriedade e sentimentalismo. Uma bela homenagem ao querido agente secreto, que respeita sua trajetória e, principalmente, respeita o público que esteve ao seu lado nesses últimos anos.

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20. Amor e Monstros
de Michael Matthews | EUA

Como é prazeroso encontrar “Amor e Monstros” em pleno 2021. Sua pureza chega a ser nostálgica, estampando um sorriso tonto em meu rosto durante seus minutos. Roteiro esperto, personagens carismáticos e belas mensagens. O filme é, basicamente, sobre um jovem (Dylan O’Brien) que, em um mundo pós-apocalíptico dominado por monstros, decide traçar uma perigosa jornada para encontrar a namorada. Uma bela aventura à moda antiga e muito maior do que parece ser ou do que pretende ser. Um produto raro e um tanto quanto especial.

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19. Luca
de Enrico Casarosa | EUA

Os filmes da Pixar possuem um certo poder. Mesmo quando assumem a simplicidade, conseguem extrair algo grande dali e transbordam. Com “Luca” não é diferente. O protagonista é uma criatura marinha que consegue se passar por humano quando sai do mar e, assim, vai viver como um garoto comum, se camuflando na multidão e apagando sua própria identidade. O poder desta nova animação é usar de uma ideia tão simples para construir uma metáfora brilhante sobre homoafetividade. É uma trama sobre aceitação, respeito e entender que tudo bem ser diferente dos outros. É uma mensagem muito necessária e que pode trazer um impacto muito positivo para as crianças, além de dialogar com muitos adultos que enfrentaram essas tantas lutas na infância. 

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18. Loucos por Justiça
de Anders Thomas Jensen | Dinamarca

Uma grata surpresa de 2021, “Loucos por Justiça” vai muito além da história de luto e vingança do qual tão bem já conhecemos. É uma obra bem amarrada, que se mostra, aos poucos, bastante sensível. A grande graça aqui é acompanhar a relação de um grupo de homens comuns buscando por justiça. O roteiro é brilhante, esperto e navega bem por diversos gêneros. Ao fim, emociona sutilmente ao falar sobre esses laços de amizade e como eles revelam a imprevisibilidade milagrosa da vida.

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17. Mais Que Especiais
de Olivier Nakache, Éric Toledano | França

Inspirado em uma história real, o filme nos revela com sensibilidade a história real de dois homens que criaram duas organizações sem fins lucrativos para abrigar e dar assistência a pessoas com transtornos autistas severos. Interessante como a obra usa de uma narrativa de investigação para decifrar um ato de bondade, de altruísmo. As batalhas diárias vividas pelos protagonistas são mostradas em tom documental e comovem pela honestidade, construindo uma teia de afeto e de transformações milagrosas. “Mais Que Especiais”, ao fim, soa como uma bela celebração à vida, a apostar no próximo, a lutar pela inclusão do outro. Emociona porque fala com verdade, porque tem coração presente em cada instante.

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16. Raya e o Último Dragão
de Carlos López Estrada, Don Hall | EUA

Mais do que uma experiência agradável e empolgante, a animação da Disney traz reflexões necessárias. A trama coloca uma jovem guerreira em uma aventura para salvar sua comunidade e encanta pelo carisma dos personagens e pelo texto que está sempre trazendo elementos novos para a narrativa. “Raya e o Último Dragão” vem para nos lembrar sobre o quanto perdemos quando desistimos do mundo, quando não depositamos fé no próximo. Um voto de confiança é necessário porque ele traz poder, ele transforma e nos permite evoluir.

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15. Deserto Particular
de Aly Muritiba | Brasil

O grande filme nacional do ano, “Deserto Particular” entrega uma delicada história de amor no tempo dos desafetos. A trama envolve um policial que atravessa o país para encontrar uma mulher que só conhecia virtualmente. Esse encontro cara a cara desencadeia uma série de frustrações, medos e revela uma imensa necessidade do contato, de toque. Uma obra poética, sensível e que diz muito em seu silêncio. Emociona porque cria identificação, porque é cru e real. Porque é extremamente humano.

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14. Palmer
de Fisher Stevens | EUA

A obra se mostra bastante necessária ao nosso tempo ao falar de um tema um tanto quanto tabu ainda hoje: a homossexualidade na infância. O filme narra o interessante encontro entre um ex-presidiário (Justin Timberlake) e um pequeno garoto rejeitado por ser quem é. Belo a forma como o roteiro vai construindo essa relação, emocionando de forma honesta e arrebatadora. Não vem com discursos prontos sobre redenção, segundas chances ou sobre ser quem você deseja ser. As situações são apresentadas e se desenvolvem de forma natural, sem parecer pedante ou didáticas. Comove porque não clama por isso e porque é respeitoso o suficiente para tratar de temas delicados da maneira como precisávamos ouvir. “Palmer” é, acima de tudo, um filme gentil, terno e acolhedor.

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13. Bela Vingança
de Emerald Fennell | EUA

Uma obra que causa um extremo desconforto e que não é de fácil digestão. Carey Mulligan está incrível em cena e aqui ela dá vida à Cassandra, uma mulher misteriosa que frequenta bares à noite e se finge de bêbada para atacar homens assediadores que exploram a vulnerabilidade da mulher nessas condições. O roteiro é inteligente e sai constantemente do lugar comum ao falar sobre vingança e reformula por completo filmes que já abordaram o mesmo tema. Ao mesmo tempo em que é acidamente sedutor e divertido,  “Promising Young Woman” entrega um material doloroso, cruel e impactante.

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12. O Último Duelo
de Ridley Scott | Reino Unido

Com direção de Ridley Scott, a obra investiga o último julgamento travado por um duelo mortal na França. Apesar de ser um filme medieval, a trama é bastante atual ao falar sobre uma mulher vai contra toda a sociedade quando ela decide expor um caso abuso sexual. O filme se divide em três capítulos e retoma os mesmos eventos para revelar as diferentes perspectivas dos três personagens centrais. O texto é bastante crítico ao apontar que, ao fim, mesmo quando é a palavra de uma mulher que está em jogo, tudo é sobre a honra e glória dos homens, sobre a postura deles diante dos outros. E isso dói de assistir.

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11. First Cow
de Kelly Reichardt | EUA

Que experiência boa é ver “First Cow”. A diretora Kelly Reichardt entrega um produto especial e digno de apreciação. Ela narra com bastante carinho uma história de amizade entre dois homens em uma era de descobertas nos Estados Unidos de 1820. Sem pretensão, a trama estampa um sorriso em nosso rosto e encanta pela trajetória desses personagens.  “First Cow” é um conto tocante sobre pessoas tentando vencer na vida. É simples, contemplativo, envolvente e cativante.

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10. Tick, Tick… Boom!
de Lin-Manuel Miranda | EUA

Com “tick, tick…BOOM!”, Lin-Manuel Miranda faz sua declaração de amor aos musicais, enquanto homenageia seu grande ídolo, Jonathan Larson, a mente brilhante por trás de “Rent”. É uma obra especial e, ao mesmo tempo, dolorosa, porque Larson é a personificação dos sonhos, mas também da efemeridade da vida. Como é fácil ter 30 anos e se ver ali na tela. Mais do que os dramas de um artista frustrado, o longa é um retrato poderoso dessa geração ansiosa. Que teme não ter o tempo necessário, teme não conquistar quando todos ao redor estão desfrutando do sucesso. Andrew Garfield está incrível e rapidamente nos faz abraçar esses seus anseios e nos emociona.

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9. No Ritmo do Coração
de Sian Heder | Canadá

O francês “A Família Bélier” é ótimo sim, mas não deixa de ser surpreendente o fato desse remake ter dado tão certo. O longa conquista pela sensibilidade ao narrar a história de uma jovem (Emilia Jones) que fica dividida entre viver o grande sonho de sua vida e cuidar da família, onde todos são surdos. É forte esse dilema enfrentado pela protagonista porque nunca depende de decisões fáceis. Seguir seu sonho é quase como abandonar, rejeitar seu ninho. O roteiro é belíssimo e avança por essas nuances com delicadeza e sem frear essa capacidade de nos fazer chorar. “O Ritmo do Coração” é lindo e atinge nosso coração com força.

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8. Cruella
de Craig Gillespie | EUA

“Cruella” é um acontecimento. Alcança um nível tão alto de qualidade que torna todos os outros live-actions da Disney menos interessantes. É tudo o que os anteriores tentaram mas não conseguiram ser. Esse tem vida própria e não se contenta em ser apenas um favor confortável aos fãs. O filme tem como intuito mostrar os eventos antes daqueles que conhecemos em “101 Dálmatas” e a peculiar ascensão de sua adorável vilã. O filme, que tem excelente ritmo, é uma experiência revigorante de vingança, moda e punk.  “Cruella” é inventivo, tem personalidade e uma energia que vibra. Um espetáculo a ser apreciado.

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7. Nove Dias
de Edson Oda | EUA

Aquele tipo de filme com o poder de nos acolher e nos abraçar. A obra nos leva para uma realidade mística, onde um homem (Winston Duke) precisa entrevistar algumas almas durante nove dias para decidir qual delas é digna de viver. Sua trama nos faz pensar muito em nossa existência aqui na Terra e sobre o quanto somos peculiares a nossa forma. “Nove Dias” encanta pelas situações que narra e pela sensibilidade de falar sobre a vida. Nos toca porque fala diretamente com nosso coração e nos relembra o milagre que é estar aqui.

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6. Ataque dos Cães
de Jane Campion | Reino Unido, Austrália, Nova Zelândia

Com “Ataque dos Cães”, a renomada Jane Campion vem para contestar o faroeste e dar voz a sentimentos não explorados dentro do gênero em uma obra contemplativa e silenciosa. O filme nos mostra o embate entre um cowboy amargurado (Benedict Cumberbatch) e a nova família que seu irmão tenta construir. Quando as ações dos personagens nunca são claras, o longa se transforma em um suspense enigmático e estranhamente convidativo. As emoções são expressadas em pequenas ações, em detalhes e olhares. É assim que a obra se torna quase que uma experiência sensorial, porque nada vem de forma expositiva, mas ainda assim nos golpeia com força.

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5. Quo Vadis, Aida?
de Jasmila Žbanic | Bósnia e Herzegovina

“Quo Vadis, Aida?” é um drama que mexe com os nervos do público, sendo difícil sair ileso por tudo o que nos apresenta. A trama acontece nos anos 90, quando o exército Sérvio invade as fronteiras da Bósnia e nossa corajosa protagonista, dentro de um campo de refugiados, se desdobra para tentar proteger sua família. Temos aqui um filme devastador, dilacerante e que nos faz sentir a impotência diante de um genocídio. É sufocante, tenso e nos deixa sem chão ao fim. Como cinema, um exercício narrativo primoroso, repleto de sensações e que facilmente nos causa impacto.

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4. Val
de Ting Poo, Leo Scott | EUA

“Val” me acertou em cheio. Me fez sentir algo que nenhuma outra obra do ano me fez sentir. Com uma dor profunda no peito, terminei de vê-lo sem estruturas. O documentário nasce para ser uma cinebiografia do ator Val Kilmer, mas vai muito além daquela trajetória que já conhecemos de fama, ascensão e fracasso. Impressiona pelo imenso acervo e como registro de uma história, nos permite mergulhar na intimidade do ator, nas suas mais dolorosas lembranças. É o registro do tempo, do envelhecimento, das perdas. Do ídolo rejeitado. A obra distorce essa visão que temos dele e emociona ao falar sobre o homem que viveu por sua paixão pelo cinema, sobre o homem que viveu uma ilusão, que respira ainda hoje por seus sonhos.

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3. Druk – Mais uma Rodada
de Thomas Vinterberg | Dinamarca

Quatro amigos e professores, vivendo pela inércia da rotina, decidem provar uma tese de que, ao ingerirem uma quantidade específica de álcool todos os dias, se tornariam mais confiantes em suas ações. São homens de meia idade buscando esse renascimento, se reconectando com a juventude que deixaram para trás. O cineasta Thomas Vinterberg cria aqui uma obra ousada, que caminha por rumos delicados. Ele sabe como conduzir esse discurso sem cair em um campo perigoso e irresponsável, entregando um produto elegante, divertido e sutilmente comovente. Vinterberg faz um filme festivo quando teve uma grande perda em sua vida pessoal. “Druk” é seu grito de dor, sua força, sua razão de ainda estar em pé.

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2. Nomadland
de Chloé Zhao | EUA

Existe uma linha tênue que separa o documental e a ficção no cinema de Chloé Zhao. Em “Nomadland”, ela faz um registo bastante íntimo sobre a vida nômade através do singelo olhar de Fern, brilhantemente interpretada por Frances McDormand, que após enfrentar um colapso econômico em sua cidade, traça uma jornada sem destino pelos Estados Unidos. Ela é a soma de muitas conversas, encontros e ciclos que nunca se fecham. A diretora realiza um filme único e especial, que nos toca, nos fazendo viver, durante seus belos minutos, essa vida que não é nossa. Aqui tudo é história, tudo é sentimento e tudo é real. “Nomadland” é imenso.

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1. Meu Pai
de Florian Zeller | EUA, França, Reino Unido

Tenho uma relação muito pessoal com “Meu Pai”, porque parte dos dramas narrados aqui eu vivo dentro de casa. Por isso é um filme que me atingiu com muita força, porque aqueles tantos sentimentos fazem sentido para mim. A obra nos coloca para dentro de um apartamento, onde vemos de perto a difícil relação entre uma filha (Olivia Colman) e seu pai (Anthony Hopkins), que enfrenta o doloroso processo de perda de memória. O texto é honesto e nos conforta ao falar, com extrema precisão, sobre o Alzheimer. Me senti acolhido, compreendido talvez. É brilhante como o roteiro encontra para ilustrar essa confusão do pai. Nos coloca dentro de sua mente e nos faz duvidar junto com ele, sentindo essa mágoa por não ter mais controle de tudo o que muda, o que se altera, o que se apaga. “Meu Pai” nos choca porque nos lembra deste processo inevitável que é envelhecer e como isso, às vezes, pode ser cruel e solitário.

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E para você? Qual o melhor filme de 2021?

As 20 melhores cenas de 2021

Com mais um ano que se encerra, venho aqui no blog fazer aquela retrospectiva básica de tudo o que houve melhor no cinema. É assim que venho revelar as minhas cenas favoritas de 2021.

A ideia desse post é destacar 20 instantes que mais me marcaram, seja por um diálogo, uma atuação, seja pela direção primorosa que tiveram. Lembrando que os filmes elegíveis para a lista eram apenas aqueles lançados entre janeiro e dezembro do ano passado, aqui no Brasil, no cinema, streaming ou VOD.

Espero que gostem das selecionadas e caso lembrarem de outra cena que merecia estar aqui, deixem nos comentários.

[CONTÉM SPOILERS NOS TEXTOS]

20. Dança no túmulo
“Verão de 85” | direção: François Ozon

A história de amor de François Ozon tem vários momentos românticos, mas segue uma narrativa bem trágica. Depois da morte de sua grande paixão, o jovem Alexis, quase como se libertando do luto e desse peso que carrega, dança em sua homenagem em cima de seu túmulo. Ao som de “Sailing” de Rod Stewart, a cena é um lindo ode aos anos 80 e uma bela despedida desse casal que tinha tudo para dar certo.

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19. Lanchonete
“Coquetel Explosivo” | direção: Navot Papushado

O filme “Coquetel Explosivo” tem várias cenas de ação caprichadas, mas a melhor delas, felizmente, ficou para o final. O combate entre as “bibliotecárias” contra a gangue rival é revigorante e um espetáculo visual divertidíssimo. A música “It’s All Over Now Baby Blue” se encaixa perfeitamente na sequência. É sangue, slow motion e atrizes maravilhosas dando o sangue ali na porrada.

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18. Mav1s
“Amor e Monstros” | direção: Michael Matthews

Uma das grandes qualidades de “Amor e Monstros” é valorizar suas pausas e entender que elas são fundamentais para entendermos seus personagens. Em um momento muito doce que serve de grande ruptura ali na ação do filme, o protagonista (Dylan O’Brien) se depara com a robô Mav1s. Depois de uma conversa sincera, o rosto dela se transforma em uma tela, onde o jovem aventureiro consegue ver sua mãe, tendo finalmente a chance de se despedir. É um momento comovente, que termina de forma ainda mais agradável, quando águas-vivas flutuantes surgem no céu e Mav1s decide tocar “Stand By Me”.

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17. Musical da gaivota
“Duas Tias Loucas de Férias” | direção: Josh Greenbaum

Eu poderia fazer uma lista especial só das melhores cenas de “Duas Tias Loucas de Férias”. Escolho essa porque ela é um show bizarro e nonsense e representa muito bem o que o filme é. Na sequência, assistimos ao agente secreto Edgar, interpretado por Jamie Dornan (surpreendentemente divertido), fazendo o seu aleatório número musical após sentir seu coração partido pela vilã vivida por Kristen Wiig. Ele dança na praia, faz pirueta, rasga a camisa e tudo o que não faz o menor sentido. Uma delícia (em todos os sentidos).

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16. So May We Start
“Annette” | direção: Leos Carax

“”Annette” é um experimento audacioso dos músicos da banda Sparks. Nada nesse filme surge de forma óbvia e a primeira cena é o cartão de visitas dessa insana viagem. É metalinguagem pura, onde os próprios roteiristas do filme fazem um número musical – “So May We Start” -, ao lado dos atores, dando a largada inicial. Um prólogo nada convencional.

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15. A Guardiã de Ta Lo
“Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis” | direção: Destin Cretton

A cena em questão nos revela a chegada de Xu Wenwu (Tony Leung), pai do nosso herói Shang Chi, no Reino místico de Ta Lo. Ele, que usa dez pulseiras poderosas, entra em combate com a bela guardiã do local. Existe um nítido interesse amoroso entre os dois, o que torna a cena surpreendentemente poética no meio de uma produção da Marvel. É bonito esse contraste de efeitos especiais com os delicados movimentos das artes marciais. Funcionou e ficou incrível de se ver.

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14. Te convido a passear
“Nove Dias” | direção: Edson Oda

“Nove Dias”, dirigido pelo brasileiro Edson Oda, é poesia pura. Na trama existe uma série de avaliações entre algumas almas para que as vencedoras recebam o direito de descer à Terra e viver. As que falham, ganham o direito de escolher uma experiência humana jamais vivida. Aqui, a personagem escolhe andar de bicicleta pelas ruas da cidade, ouvindo uma música lenta em seu fone de ouvido. Em uma vibe “Show de Trumam”, eles constroem o cenário perfeito para que aquele desejo se torne possível. É bonito e singelo demais.

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13. Fuga de Arlequina
“O Esquadrão Suicida” | direção: James Gunn

“O Esquadrão Suicida” veio para se redimir dos erros cometidos em 2016. O que a gente não esperava era encontrar um filme tão divertido e bom de se ver. Em um dos melhores instantes, a personagem Arlequina, vivida com muita leveza e graça por Margot Robbie, escapa após ter sido aprisionada. A sequência foi gravada em quatro dias e é um espetáculo! Depois de roubar as chaves somente com as pernas em um movimento acrobático, ela sai metralhando a todos. Muitas cores e flores surgem ao seu fundo em uma estética de brilhar os olhos. Ficou legal demais isso.

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12. Aline
“All Hands on Deck” | direção: Guillaume Brac

“Aline” é uma canção clássica francesa do músico Christophe lançada nos anos 60. Apesar de bastante popular, não me recordo de tê-la visto em uma cena tão gostosa como essa. Aqui, dois jovens que se conheceram durante um período de férias no sul da França, decidem cantar a canção em um karaokê. A cena nos encanta porque é um momento doce entre eles, mas principalmente porque sabemos que ela marca o fim e a despedida do sonho em que viveram juntos.

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11. 96.000
“Em um Bairro de Nova York” | direção: Jon M. Chu

Os números musicais de “Em Um Bairro de Nova York” são deslumbrantes e de uma energia admirável. Tem alma, barulho e ritmo que nos levam para dentro das cenas. No dia da revelação de um altíssimo prêmio na loteria, todos os moradores daquele agitado bairro vão passar uma tarde na piscina. Ali, eles cantam sobre seus sonhos e tudo o que 96 mil dólares poderiam comprar. Um instante divertido, com movimentos absurdos, muito bem captados pelo diretor e pela ágil montagem. A canção é ótima também e só engrandece esse instante dinâmico e incrivelmente bem coreografadas.

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10. Boho Days
“Tick, Tick… Boom!” | direção: Lin-Manuel Miranda

Mais uma cena musical para a lista! “Boho Days” é uma das canções mais simples de “Tick, tick…BOOM!” e ainda assim, sob o comando de ninguém menos que o gênio Lin-Manuel Miranda, temos uma sequência tão adorável de se ver. Há algo de espontâneo que contagia aqui, onde em uma reunião entre amigos em um apartamento apertado, todos os boêmios cantam para celebrar o simples fato de estarem ali juntos. O único defeito é ser curta demais, poderia ver longos minutos sem reclamar de tão gostoso que foi.

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9. Monólogo no deserto
“Nove Dias” | direção: Edson Oda

Difícil não sentir o impacto pelo final de “Nove Dias”. É tão poético que nos atinge em cheio, vai lá no nosso peito e nos abraça. Quando Emma, personagem de Zazie Beetz, é rejeitada na prova das almas, o entrevistador Will decide compensá-la realizando seu sonho, que nada mais é que vê-lo recitando seu monólogo da época em que era um jovem ator esperançoso na Terra. A cena é longa e o ator Winston Duke se entrega a um texto tão sensível. É ele resgatando sua fome de viver, de sentir-se humano novamente.

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8. Cuba
“007 – Sem Tempo para Morrer” | direção: Cary Fukunaga

Eu poderia fazer um abaixo-assinado por ter me sentido traído com a pequena participação de Ana de Armas no novo “007”. Ela merecia um filme só pra ela e sua Paloma. São cerca de 10 minutos em que ela fica em cena e consegue ser a melhor coisa do filme todo. E isso é um grande elogio porque o filme é incrível. Ela surge sedutora e carismática como uma agente que ajuda James em sua missão em Cuba. Que momento!! Eu poderia assistir no looping.

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7. Buscando oxigênio
“Passageiro Acidental” | direção: Joe Penna

O sci-fi espacial da Netflix tem muitos pontos negativos sim, mas se teve um momento que acertou em cheio foi nesse. Quando dois tripulantes da nave precisam sair para fora e buscar um tanque de oxigênio é adrenalina pura. Poucas vezes nesse ano eu fiquei sem ar e uma delas foi aqui. A cena é lenta e acontece quase que em tempo real, nos mantendo atentos a cada passo dado por eles. É um instante silencioso, o que nos deixa imensamente tensos, principalmente porque a vida dos personagens está totalmente dependendo dessa busca.

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6. O duelo
“O Último Duelo” | direção: Ridley Scott

A prova maior de que aquele Ridley Scott que conhecemos de “Gladiador” ainda vive. Toda a trama caminha para esse momento e ele é simplesmente épico. Tão bom quanto o filme todo merecia. Os dois cavaleiros duelam naquele que ficou conhecido como o último duelo até a morte ocorrido na França. Sabemos que um dos personagens principais irá morrer e isso definirá a “justiça”. É tenso e de tirar o fôlego. Incrivelmente bem filmada, ficamos vibrando por cada movimento. Scott foi, finalmente, um gênio novamente.

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5. Prisão
“Maligno” | direção: James Wan

“Maligno” nos presenteou com a revelação mais inesperada e divertida do ano. Uma reviravolta brilhante e que acontece em uma cena de deixar qualquer um boquiaberto. No instante em que finalmente descobrimos quem é Gabriel e o que atormenta a protagonista, ela está em uma prisão e permite que seu lado maligno se manifeste. Gabriel toma conta de sua consciência e vimos uma luta bizarríssima e violenta. Visualmente chocante, James Wan entrega um espetáculo de terror corporal aqui.

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4. Parada solicitada
“Anônimo” | direção: Ilya Naishuller

Bob Odenkirk interpreta um pacato pai de família que nunca revida as injustiças que vê ao seu redor. Eis que sua libertação acontece quando um grupo de homens passam a incomodar uma jovem dentro de um ônibus. Ele se irrita com aquilo e decide dar início a uma nova versão de si mesmo, espancando sem dó todos que cruzam seu caminho. Uma cena extremamente violenta, explícita e muito bem editada.

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3. Eu sou um revolucionário
“Judas e o Messias Negro” | direção: Shaka King

Esse diálogo deu a Daniel Kaluuya seu Oscar de Melhor Ator Coadjuvante. É de arrepiar quando acompanhamos o discurso fervoroso de Fred Hampton, líder dos Panteras Negras. Ele grita sobre ser um revolucionário e o quanto ele busca por uma virada na sociedade, uma vida justa para aqueles tão segregados. É chocante sua entrega ali, onde acreditamos na força e poder de suas palavras.

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2. O parto
“Pieces of a Woman” | direção: Kornél Mundruczó

Vanessa Kirby interpreta Martha, uma mulher que perde o filho logo após o parto. Nos primeiros 30 minutos, o diretor Kornél Mundruczó se dedica a mostrar esse momento desesperador, de nascimento e morte. E são minutos dilacerantes. A cena desse parto é forte, real e a opção de desse registro ser feita em um plano sequência foi certeira. Acompanhamos de perto todos os sentimentos daquela mulher aflita. Vanessa se doa por completo aqui, entregando uma atuação magistral.

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1. What a life
“Druk – Mais uma Rodada” | direção: Thomas Vinterberg

Thomas Vinterberg encerra sua obra com o mesmo gosto de um bom drink. Nos deixa entusiasmados pela beleza e força daquela cena, mas simultaneamente, deixa também um gosto amargo ao fim. Depois de perder um de seus amigos mais próximos pela bebida, o professor Martin (Mads Mikkelsen) celebra alcoolizado ao lado dos alunos. Ele dança freneticamente ao som de “What a Life”, com seus passos de ballet que relembram sua juventude. É sua celebração à vida. Ainda que seja um instante fascinante, essa alegria que “Druk” finaliza é um tanto quanto irônica. Ficamos felizes naquele minuto, mas não sabemos a dor que aquilo trará no amanhã. Genial!

Retrospectiva 2021: os destaques do ano

2021 marcou quase que uma retomada no cinema. A pandemia ainda segue, mas as salas voltaram a revelar números mais expressivos. Filmes como “Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa” e “007 – Sem Tempo Para Morrer” fizeram uma movimentação que há tempos não se via. Claro, filmes de super-heróis acabam tendo muito peso nesse momento delicado, pois são eles, ainda, o grande chamariz. A Marvel veio com força com filmes como “Viúva Negra” e obras que iniciaram sua tão aguardada “fase 4” como “Eternos”, “Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis” e o já citado Miranha. A DC foi mais discreta, mas acertou em cheio com “O Esquadrão Suicida”.

O Oscar, no início do ano, como sempre, dá a largada dos principais lançamentos do ano. “Nomadland”, “Meu Pai”, “Bela Vingança” e “Judas e o Messias Negro” foram os grandes destaques. A Disney também foi fundamental ao trazer animações de altíssimo nível como “Luca”, “Raya e o Último Dragão” e o mais recente, “Encanto”.

Por falar nisso, a plataforma da ratazana mercenária não foi muito bem, com poucas produções originais relevantes, diferentes da Netflix que chegou com tudo com alguns dos melhores filmes do ano como “Pieces of a Woman”, “Não Olhe Para Cima” e “A Filha Perdida”. A HBO Max, por sua vez, foi uma ótima adição nessa concorrência. A chegada da plataforma se provou necessária, ainda mais quando torna acessível títulos que acabaram de sair do cinema. É um passo e tanto. Prime Video, seguiu tímido. De qualquer forma, essas opções de streaming se tornaram ainda mais presentes na vida do cinéfilo.

Além da presença massiva do streaming em nossas vidas, outra coisa que marcou o ano foram os reboots e sequência de clássicos do cinema. Uma falta de originalidade, carência de novas ideias e uma forma de apelar para a nostalgia do público. Foi assim que tivemos o retorno de “Matrix”, “Halloween”, “Ghostbusters”, “Space Jam” e “A Lenda de Candyman”, além de sequências que ninguém pediu como “Invocação do Mal 3”, “O Homem nas Trevas 2”, “Um Lugar Silencioso – Parte II”.

2021 também marcou a volta triunfal dos musicais. “Tick, Tick…Boom”, “Em Um Bairro de Nova York”, “Amor, Sublime Amor”, “Querido Evan Hansen”, “Annette” e “Todos Estão Falando Sobre Jamie” provaram que foi o ano desse gênero. O faroeste também teve uma bela de uma reformulada com filmes como “First Cow”, “Nomadland”, “Cry Macho”, “Vingança e Castigo” e um dos melhores do ano: “Ataque dos Cães”.

Também tivemos retornos de cineastas consagrados como James Wan (Maligno), M.Night Shyamalan (Tempo), Wes Anderson (A Crônica Francesa), Denis Villeneuve (Duna) e Ridley Scott com a dobradinha “Casa Gucci” e “O Último Duelo”, além de Spielberg e Jane Campion em obras já citadas.

Tendo tudo isso em mente, venho aqui para enaltecer as produções que tivemos durante esse 2021. Criei uma premiação fictícia, reunindo em 16 categorias técnicas, filmes que merecem destaque e que acredito que foram os melhores em cada uma delas. Selecionei apenas filmes lançados no Brasil entre janeiro e dezembro aqui no Brasil, no cinema, streaming e VOD. Espero que gostem.

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1. Druk – Mais uma Rodada
2. Bela Vingança
3. Loucos por Justiça
4. Annette
5. Duas Tias Loucas de Férias
6. Falsos Milionários

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1. Meu Pai
2. Ataque dos Cães
3. A Filha Perdida
4. O Último Duelo
5. No Ritmo do Coração
6. Tick, Tick…Boom!

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1. Raya e o Último Dragão
2. Luca
3. A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas
4. Din e o Dragão Genial
5. Encanto
6. A Jornada de Vivo

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1. Duna
2. Nomadland
3. Ataque dos Cães
4. A Crônica Francesa
5. First Cow
6. Amor, Sublime Amor

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1. Duna
2. Pinóquio
3. A Crônica Francesa
4. A Vida Extraordinária de David Copperfield
5. Meu Pai
6. Cruella

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1. Cruella
2. Duna
3. A Vida Extraordinária de David Copperfield
4. Amor, Sublime Amor
5. O Último Duelo
6. Noite Passada em Soho

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1. Pinóquio
2. Duna
3. Casa Gucci
4. Maligno
5. O Esquadrão Suicida
6. Cruella

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1. Godzilla vs Kong
2. Duna
3. Free Guy: Assumindo o Controle
4. Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis
5. Amor e Monstros
6. O Esquadrão Suicida

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1. Duna
2. Godzilla vs Kong
3. 007 – Sem Tempo Para Morrer
4. Um Lugar Silencioso – Parte II
5. Finch
6. Tick, Tick…Boom!

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1. Meu Pai
2. Noite Passada em Soho
3. 007 – Sem Tempo Para Morrer
4. O Último Duelo
5. Tick, Tick…Boom!
6. Em um Bairro de Nova York

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1. Antonio Pinto (Nove Dias)
2. Gustavo Santaolalla (Finch)
3. Emile Mosseri (Minari)
4. Jonny Greenwood (Ataque dos Cães)
5. Kris Bowers (King Richard)
6. Nicholas Britell (Não Olhe para Cima)

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1. Second Nature (Não Olhe para Cima)
2. Guns Go Bang (Vingança e Castigo)
3. Redemption (Palmer)
4. So May We Start (Annette)
5. My Own Drum (A Jornada de Vivo)
6. Dos Oruguitas (Encanto)

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1. Ataque dos Cães
2. A Filha Perdida
3. Vingança e Castigo
4. No Ritmo do Coração
5. Não Olhe para Cima
6. Uma Noite em Miami

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1. Emilia Jones (No Ritmo do Coração)
2. Rachel Zegler (Amor, Sublime Amor)
3. Filippo Scotti (A Mão de Deus)
4. Fred Hechinger (A Mulher na Janela)
5. Rachel Sennott (Shiva Baby)
6. Adarsh Gourav (O Tigre Branco)

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1. Maggie Gyllenhaal (A Filha Perdida)
2. Florian Zeller (Meu Pai)
3. Nia DaCosta (Passando dos Limites / A Lenda de Candyman)
4. Emerald Fennell (Bela Vingança)
5. Edson Oda (Nove Dias)
6. Lin-Manuel Miranda (Tick, Tick… Boom!)
7. Benjamin Cleary (O Canto do Cisne)
8. Emma Seligman (Shiva Baby)
9. Rebecca Hall (Identidade)

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1. Chloé Zhao (Nomadland)
2. Jane Campion (Ataque dos Cães)
3. Thomas Vinterberg (Druk – Mais uma Rodada)
4. Paolo Sorrentino (A Mão de Deus)
5. Ridley Scott (O Último Duelo)
6. Kelly Reichardt (First Cow)
7. Kornél Mundruczó (Pieces of a Woman)
8. Jasmila Žbanić (Quo Vadis, Aida?)
9. Leos Carax (Annette)