As 15 melhores atrizes de 2022

Finalizando a lista de melhores atuações de 2022 aqui na página, venho trazer esse post especial com as grandes atrizes que tivemos no ano.

Seja na comédia, no drama, no terror, essas mulheres brilharam demais no cinema. Separei, então, 15 atrizes que acredito que foram as melhores. Claro, precisei deixar excelentes atuações de fora, mas espero que gostem das selecionadas.

Lembrando que selecionei atuações apenas de filmes lançados entre janeiro e dezembro de 2022 aqui no Brasil, no cinema ou VOD, independente do lançamento original.

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15. Aubrey Plaza
(Emily the Criminal)

Aubrey Plaza é uma atriz que tem me surpreendido positivamente. Confesso que sempre achei que ela fazia a mesma coisa, sempre presa na figura mal humorada de April Ludgate (Parks and Rec). Mas aos poucos, tem revelado novas facetas e em “Emily The Criminal” ela prova que pode ir muito além. Seu humor está ali, mas há também muita força em sua presença e honestidade ao compor essa jovem comum que busca ter uma vida melhor, mesmo que para isso cometa alguns pequenos crimes. Vai de encontro aos seus objetivos sem rodeios e nos causa uma estranha identificação, justamente porque ela está cansada demais para aceitar as coisas como são.

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14. Taylor Russell
(Até os Ossos)

Taylor é uma jovem atriz que merece atenção. É sempre uma surpresa boa tudo o que ela esconde por trás dessa aparente doçura. Como protagonista de “Até os Ossos”, ela encanta, mesmo quando interpreta uma garota canibal. Maren está no fim da adolescência, buscando seu lugar no mundo e confrontando seus tantos medos internos. Taylor está fascinante em cena e encontra o tom certo para dar vida a um papel tão original.

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13. Kika Sena
(Paloma)

O grande sonho de Paloma é casar, mas para isso ela precisa enfrentar o grande preconceito por ser uma mulher trans. É uma jornada delicada e muito real. Nos atinge justamente por sabermos o quão possível é tudo isso acontecer, dessa mulher não podendo viver o amor como deseja. Kika Sena entrega toda sua verdade e nos comove.

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12. Mia Goth
(X – A Marca da Morte)

2022 foi o ano de Mia Goth, logo, não poderia deixá-la de fora dessa lista. É incrível como ela, mesmo com filmes menores, estourou a bolha e conquistou o grande público. “X” marca uma virada em sua carreira, deixando de lado qualquer dúvida que houvesse sobre seu talento. Ao interpretar duas personagens aqui, Pearl e Maxine, ela prova sua imensa versatilidade. Tem presença, carisma e tem tudo pra ser a nova queridinha do terror.

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11. Frankie Corio
(Aftersun)

É sempre surpreendente ver essas atuações brilhantes vindas de crianças. Frankie não parece uma atriz novata, tamanha naturalidade que entrega aqui. Sua parceria com o ator Paul Mescal é uma das mais adoráveis do ano. Os dois têm muita sintonia como pai e filha, graças ao enorme talento dos dois. A sequência em que ela é ignorada no palco ao cantar “Losing My Religion” é gigante, porque precisa encarar um misto de sentimentos. Tudo o que vem dela parece um improviso e é gostoso demais de acompanhar.

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10. Isabelle Fuhrman
(A Novata)

Para equilibrar a péssima oportunidade que teve de retornar em “A Órfã 2”, Isabelle nos agraciou com uma grande interpretação no ano. Na pele de Alex, uma caloura obcecada em ser a melhor na equipe de remo, a atriz brilha. A personagem se lança em uma busca incessante pela perfeição e Isabelle nos revela com muita intensidade essa confusão, desespero e solidão. Que venham outros papéis bons para ela!

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9. Viola Davis
(A Mulher Rei)

Viola é um evento. Qualquer coisa que essa mulher faça, estaremos lá aplaudindo. Em “A Mulher Rei”, ela se mostra muito confortável como essa heroína valente. Seja nas cenas em que é preciso uma entrega mais corporal, seja nos instantes mais dramáticos. Viola domina todos eles.

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8. Jessica Chastain
(Os Olhos de Tammy Faye)

Estava com o pé atrás com essa interpretação, mas quando vi entendi suas tantas premiações. Claro que sempre parece mais fácil o caminho da transformação do ator quando ele está carregado de maquiagem. Mas a verdade é que a transformação de Chastain vai muito além da aparência. Os trejeitos, postura, voz, não há nada ali que me lembre outra interpretação dela. Ela renasce para dar vida a Tammy Faye e todos os seus mais absurdos excessos. É difícil dar vida a uma figura caricata sem parecer imitação e ainda assim revelar verdade. E Chastain consegue esse feito.

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7. Penélope Cruz
(Competição Oficial)

Uma diretora durona e com métodos excêntricos de trabalho. Essa é Lola Cuevas, que Penélope Cruz da vida com tanta graça em “Competição Oficial”. É nítido que ela se diverte em cena e, como consequência, nos divertimos muito também. É um papel cômico, exagerado e estranhamente sedutor. Só podia ser Penélope aqui.

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6. Renate Reinsve
(A Pior Pessoa do Mundo)

É tão fácil se identificar com a trajetória de Julie em “A Pior Pessoa do Mundo”. Para quem já chegou nos 30 e sente que possui essa habilidade de se autodestruir, esse aqui vem como um soco. E que bom que temos Renate como protagonista, porque ela torna essa conexão possível. Há sensibilidade, leveza e muito sentimento em seus olhares, vindos de alguém que teve o coração partido diante das más escolhas da vida.

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5. Anamaria Vartolomei
(O Acontecimentoi)

Outra atriz novata aqui na lista, Anamaria surpreende em “O Acontecimento”, em um dos papéis mais difíceis do ano. Aqui ela interpreta Annie, uma jovem que, ao descobrir que está grávida, busca por realizar o aborto. A grande questão é que a trama ocorre nos anos 60, onde a informação é mais escassa e o tabu ainda maior. É extremamente forte tudo o que a protagonista enfrenta e a atriz se entrega por completo. Ela carrega em seus olhares toda a dor silenciosa que Annie não pode expressar. Um trabalho arrebatador.

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4. Maeve Jinkings
(Carvão)

Maeve é uma das grandes atrizes do cinema nacional. Ela faz de Irene, do filme “Carvão”, um retrato honesto de tantas mulheres e tantas histórias brasileiras. Nas marcas de sua pele ao olhar vazio e distante. O sotaque que imprime muito humor, mas também muita força, muita garra. Maeve é aquela atriz que pode ser qualquer coisa e ela é incrível em tudo o que faz.

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3. Ana de Armas
(Blonde)

Muito delicado falar de Ana de Armas em “Blonde” porque se trata de um filme controverso. Um dos mais odiados e polêmicos de 2022. É fato que o retrato que o cineasta Andrew Dominik faz de Marilyn Monroe é desconfortavelmente misógino. Mas aí que entra a grandeza de Ana. Ela ilumina a obra. Incendeia. Sua transformação e entrega para o papel é comovente, porque ela se doa inteiramente. Existe um brilho a mais na atriz, um carisma diferenciado. Há algo nela que me faz lembrar as grandes estrelas do cinema. E Ana de Armas é uma dessas estrelas, das mais raras e especiais.

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2. Emma Thompson
(Boa Sorte, Leo Grande)

Emociona quando o cinema decide contar histórias de mulheres da terceira idade. Envelhecer como atriz não é fácil, porque sabemos que portas se fecham, porque Hollywood pouco se interessa pelo o que elas têm a dizer. É então que “Boa Sorte, Leo Grande”, uma aparente comédia romântica bobinha, abre essa porta. Permite que uma atriz, no auge de sua experiência, se desnude por completo. Emma Thompson abraça essa oportunidade com força e entrega uma das atuações mais honestas e importantes do ano. Como é bom vê-la aqui. Intensa, divertida, arrogante, espontânea e tudo o que pode caber de mais complexo dentro de uma mulher. Emma é gigante e o seu lugar só pode ser no topo.

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1. Michelle Yeoh
(Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo)

É muito estranho pensar que o fato de uma atriz asiática estar sendo ovacionada e premiada seja algo tão novo e revolucionário. Triste perceber que essa minoria seja tão desvalorizada no cinema e nunca tenha espaço para contar suas histórias. Uma das entrevistas que mais me emocionaram no ano foi de Michelle Yeoh dizendo que esperou sua vida inteira por esse papel. É sim o papel de sua carreira e é também aquele que escancara seu talento subestimado. Finalmente lhe deram voz para ser a mãe, a amante, a dona de uma loja. Tudo é possível nesse roteiro insano e Michelle se lança a essa montanha russa de sentimentos. Encara todas as oportunidades e entrega uma atuação formidável. Ela diverte, emociona e finalmente nos prova o quão grande ela é. Que muitos outros bons personagens venham para essa veterana! Ela merece o mundo!

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E para você? Qual foi a melhor atriz de 2022?

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Os 15 melhores atores de 2022

Continuando com a retrospectiva de 2022, venho apresentar os meus atores favoritos do ano.

Tivemos algumas grandes revelações de atores novatos, como também tivemos a chance de ver alguns veteranos brilharem novamente. Foi um ano bem interessante para as atuações masculinas, o que tornou bem difícil fechar essa lista em apenas 15 nomes.

Espero que gostem dos selecionados e comentem qual foi a favorita de vocês!

Lembrando que selecionei atuações apenas de filmes lançados entre janeiro e dezembro de 2022 aqui no Brasil, no cinema ou VOD, independente do lançamento original.

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15. Vincent Lindon
(Titane)

“Titane” é um filme bem maluco e precisava de um excelente ator para fazer essa insanidade funcionar. Vincent interpreta Vincent, um homem que injeta esteróides para salvar seu corpo do envelhecimento, enquanto luta pela dor de ter perdido um filho no passado. É um personagem ferido e que externaliza suas dores através de sua força e fúria. Uma performance marcante de um grande ator.

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14. Justin Chon
(Blue Bayou)

Justin também escreve e dirige o drama “Blue Bayou”, o que torna sua atuação ainda mais interessante. Ele é incrível em todas as funções que ocupa aqui e prova ser um talento a ser descoberto. É nítido o quão pessoal é esse projeto para o ator, que entrega muita honestidade em todos os seus dolorosos discursos. O final é arrebatador e ele nos destrói.

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13. Alexander Skarsgård
(O Homem do Norte)

Confesso que eu sempre esqueço que o Alexander é um grande ator. Toda vez que ele ressurge eu penso: “Ah, verdade! Ele atua muito bem mesmo”. Talvez porque ele já tenha se metido em projetos duvidosos, mas quando ele tem a chance de fazer algo realmente bom, o cara se destaca. Em “O Homem do Norte”, ele nos revela toda a garra de seu bravo protagonista, atormentado pelo passado, sedento por vingança. Sua presença é forte e nos carrega ao seu lado nessa jornada violenta.

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12. Peter Dinklage
(Cyrano)

Peter já havia dado vida a Cyrano nos palcos e agora tem a chance de mostrar ao grande público o carinho que tem pelo personagem. Um homem que, por acreditar não ser digno do amor, se esconde nas cartas que envia à sua donzela, fingindo ser outra pessoa e vivendo sempre distante da felicidade. Além de revelar ser um excelente cantor, afinal estamos falando de um musical, Peter faz de Cyrano uma figura adorável e apaixonante. Deposita ali muito sentimento e facilmente nos emociona.

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11. Dev Patel
(A Lenda do Cavaleiro Verde)

Gawain não tem nada de herói e é justamente isso que torna sua jornada tão interessante. Distante da bravura e lealdade que sempre lemos nas histórias sobre a Távola Redonda, ele é covarde, fraco e cheio de dúvidas. Ele é humano. Dev Patel faz de Gawain um indivíduo estranhamente fascinante, que caminha sempre atormentado por suas escolhas, pelo peso de ser quem é, receoso sobre o que o futuro lhe aguarda. 

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10. Oscar Martínez
(Competição Oficial)

No meio da insana e divertida metalinguagem de “Competição Oficial”, o ator argentino Oscar Martínez brilha como o ator Iván Torres, um renomado astro do cinema que precisa encarar um excêntrico ensaio para seu novo filme. Nesse tempo ele precisa se desconstruir e se desprender de seu enorme ego. Oscar nos convence ser essa persona amarga e obcecada pela perfeição. Um grande personagem entregue a um grande ator. Não poderia dar errado.

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9. Denzel Washington
(A Tragédia de Macbeth)

O veterano Denzel Washington tem a chance de ouro aqui. É aquele papel do sonho de qualquer profissional e ele agarra com bravura, estando sempre a altura do difícil texto que proclama. Como Lorde Macbeth, o ator nos relembra o tamanho de seu talento e fazia tempo que ele não tinha uma oportunidade tão rica como esta.

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8. Felix Kammerer
(Nada de Novo no Front)

É bastante desesperador acompanhar a guerra pelos olhos do soldado Paul. Se de início, ele é apenas um jovem sonhador, acreditando estar agindo como herói, assim que pisa nas trincheiras destroçadas, sua expressão se apaga. Felix entrega uma atuação brutal, intensa e que acaba dizendo muitos com seus olhares.

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7. Paul Mescal
(Aftersun)

Eu diria que é impossível não se envolver com o Paul Mescal em “Aftersun”. Impossível não ficar com ele na mente, muito tempo depois que o filme termina. Seu personagem nos envolve e, ao fim, nos faz revirar tudo o que vimos para tentar entendê-lo melhor, buscar detalhes que nos passaram despercebidos. É como se ele fosse próximo de nós. Um ente querido, um amigo do qual recordamos com carinho. Uma performance muito singela, comovente. Paul é uma revelação.

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6. Javier Bardem
(O Bom Patrão)

Me vi com um sorriso nervoso enquanto assistia “O Bom Patrão”. É um retrato poderoso e extremamente atual sobre o mundo corporativo. Como chefe de uma fábrica de balanças, Javier nos faz sentir um turbilhão de emoções. É uma mistura de asco e raiva, mas também de admiração por ver um ator veterano tão entregue e tão à vontade no papel. É desconfortavelmente cômico, real e ele nos fisga. Ele faz aqui um protagonista incomum, onde nos deixa vidrados por suas ações inescrupulosas e torcendo por sua desgraça.

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5. Amir Jadidi
(Um Herói)

“Um Herói” atacou a minha ansiedade. A obra nos faz sentir sentimentos diversos diante de sua trama que corre como se a qualquer minuto uma bomba pudesse explodir. A poderosa presença de Amir Jadidi faz dessa experiência ainda mais intensa e emotiva. Há algo de muito único em seu olhar e sua postura. Ele é um cara comum, querendo recuperar sua vida depois de ser preso injustamente. Seu sorriso de alguém que quer sempre acreditar no melhor nos golpeia com força. Uma atuação delicada e extremamente humana.

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4. Antonio Banderas
(Competição Oficial)

Bandeira dá vida a Félix Rivero, um astro do cinema que está prestes a lançar um novo filme. Ele tem uma reputação a zelar e um método de atuação nada convencional. Banderas está à vontade no papel e nos diverte. Ele explora muito bem todas as possibilidades aqui e entrega uma performance espetacular. O monólogo dele quando inventa sofrer de uma doença terminal é de arrepiar.

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3. Stephen Graham
(O Chef)

“O Chef” tem um roteiro eletrizante que não nos permite escapar nem por um segundo. Ficamos ali vidrados por cada passo dos atores, isso porque é filmado em um único take. É um desafio e tanto para o britânico Stephen Graham que não se pode dar o luxo da falha. É ele quem nos guia pelos espaços de um restaurante, vivendo a pressão de uma noite de trabalho. Ele precisa segurar os ânimos de todo mundo, manter aquele lugar de pé e ainda enfrentar seus tantos medos internos. Ele é um furacão.

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2. Franz Rogowski
(Great Freedom)

Um dos personagens que mais comoveram em 2022. Franz é um ator brilhante e me fez querer, a todo momento, entrar ali na tela e abraçá-lo e dizer que vai ficar tudo bem. Ele interpreta Hans, que em uma Alemanha pós-guerra, é repetidamente preso ao longo dos anos por ser homossexual. Um papel poderoso e que representa tantas histórias silenciadas. Me vi com os olhos marejados e com o coração apertado diante de sua presença. É belo e único o que ele faz aqui.

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1. Austin Butler
(Elvis)

Desde que vi as imagens e posteriormente o trailer, em nada Austin me convencia que poderia ser o Elvis Presley. Não só por não parecer fisicamente com o ícone da música, mas algo não encaixava. Ao final do filme eu estava trêmulo, simplesmente hipnotizado por aquela performance. É muito difícil fazer o Elvis porque ele é uma figura excêntrica e já foi alvo de muitas imitações. Distante de qualquer caricatura, Austin traz verdade. Traz sentimento. Não apenas pela voz e por seu rigoroso trabalho corporal, mas também por sua energia, por sua presença que ocupa os espaços e que nos faz acreditar, durante aqueles preciosos minutos, de que sim…ele é o Elvis.

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E para você? Qual foi o melhor ator de 2022?

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As 10 melhores atrizes coadjuvantes de 2022

Continuando com as listas de melhores do cinema de 2022 aqui no site, venho para revelar as 10 melhores atuações femininas em papéis coadjuvantes.

Confesso que foi uma lista difícil de fechar, porque ano passado tivemos várias atrizes que brilharam com personagens secundários. Infelizmente, acabei deixando algumas que amei de fora, mas fiquei feliz com as selecionadas e espero que gostem também.

Lembrando que selecionei atuações apenas de filmes lançados entre janeiro e dezembro de 2022 aqui no Brasil, no cinema ou VOD, independente do lançamento original

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10. Rachel Sennott
(Morte Morte Morte)

Enquanto reúne um grupo de jovens adultos em uma mansão para curtir um fim de semana, “Morte Morte Morte” satiriza com inteligência a geração Z. Apesar do ótimo elenco, é Rachel Sennott quem se destaca como Alice, uma garota que tenta convencer suas amigas a fazerem trends da Internet e a apreciarem sua carreira como podcaster. É sempre muito bom quando ela aparece em cena, principalmente porque ela sabe dosar o humor e desespero, engrandecendo a obra e a tornando ainda mais saborosa e inesperadamente divertida.

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9. Lashana Lynch
(A Mulher Rei)

Lashana tem vindo em uma crescente em sua carreira e fico feliz de acompanhar essa sua evolução. Ela é tem presença e um carisma que preenche a tela. Em “A Mulher Rei” isso fica muito evidente. Na pele de Izogie, ela mostra força, mas sem esconder as fragilidades. É aquela coadjuvante que queremos sempre ver mais.

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8. Mia Wasikowska
(A Ilha de Bergman)

“A Ilha de Bergman” tem um roteiro bem interessante e, no meio de sua brilhante metalinguagem, acaba revelando um filme dentro de um filme. É assim que nasce a personagem de Mia Wasikowska, como uma criação da protagonista e um reflexo de seus desejos e receios. Quando ela entra em cena, o filme se transforma e se torna ainda maior. Ela se mostra muito vulnerável diante de uma paixão não correspondida e intensa diante de um amor que nunca acontece.

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7. Lucie Zhang
(Paris, 13º Distrito)

É simplesmente chocante saber que essa foi a estreia de Lucie Zhang. A atriz francesa encanta em “Paris, 13 Distrito” e não deixa nenhum sinal de ser uma novata. Ela rouba a cena e torna o filme seu. Sua personagem é carismática, divertida, mas também jamais esconde sua vulnerabilidade e sua sinceridade ao falar de amor. Ela está sempre buscando seu espaço e sempre permitindo se machucar. Vai de coração aberto às emoções da vida. Difícil não se apaixonar por sua Émilie.

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6. Mia Isaac
(Influencer de Mentira)

Mia Isaac foi uma das grandes revelações do cinema em 2022 e em “Influencer de Mentira” ela prova o quão longe ela pode ir. Gosto bastante da construção da personagem, que surge pequena, quase como um detalhe ali no meio do filme e vai crescendo, até percebermos que a história na verdade era sobre ela, o tempo todo. Mia vive uma adolescente traumatizada pelo passado violento e entrega uma performance muito delicada. Na cena final, ela realiza um monólogo intenso, emotivo e surpreende pela garra com que enfrenta o texto. Um momento grandioso.

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5. Vinette Robinson
(O Chef)

Confesso que não conhecia a atriz e foi uma surpresa enorme poder ver sua entrega como a cozinheira Carly no drama britânico “O Chef”. Filmado em um único take, é aquele filme que explora muito bem as atuações de todo o seu elenco, que precisa estar em sintonia a cada segundo. Vinette está ótima, sempre presente e crescendo em cena. Nos instantes finais vamos percebendo a bomba explodir e seus sentimentos extremamente aflorados diante da pressão de seu trabalho.

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4. Thuso Mbedu
(A Mulher Rei)

A personagem Nawi é uma peça essencial em “A Mulher Rei”. Ela é nosso olhar que adentra ao novo universo. É através dela que vamos conhecendo a vida daquelas mulheres guerreiras. Thuso é uma atriz jovem mas incrivelmente talentosa, que nos faz atravessar essa jornada ao seu lado e nos emociona diante de sua entrega. Há ternura, mas há também muita garra e força em seu poderoso olhar. Vale lembrar também que ela divide a cena com ninguém menos que Viola Davis, estando a altura da veterana.

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3. Keke Palmer
(Não! Não Olhe!)

É uma pena que as grandes premiações, em pleno 2023, ainda ignorem as atuações dentro do terror. Jordan Peele não apenas provou ser mestre no gênero, como também provou saber extrair ótimas interpretações de seu elenco. Keke está fantástica aqui, trilhando com perfeição entre a comédia e o pavor. É difícil dominar essas tantas oscilações do roteiro, mas ela é boa o suficiente para fazer tudo isso funcionar.

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2. Renata Carvalho
(Os Primeiros Soldados)

Renata é uma atriz trans brasileira e é lindo poder vê-la dominando o cinema nacional. Sabemos que há pouquíssimas oportunidades para talentos trans e por isso sua presença é tão importante. Ela vive uma artista que, junto com um grupo de amigos, precisa encarar a pandemia da AIDS no país da década de 80. É um relato ínfimo e poderoso, poético até eu diria. Renata brilha e domina as cenas, principalmente em um monólogo poderoso que externaliza suas dores e medo de morrer e ser esquecida e que encontrará força para sobreviver mesmo quando a sociedade ignora sua existência.

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1. Stephanie Hsu
(Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo)

Outra grande revelação de 2022 foi Stephanie Hsu em “Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo”. É uma chance de ouro que a atriz abraça com todas as forças. Isso porque ela tem a oportunidade de revelar todas as suas facetas. Vai da comédia ao drama em uma única sequência, além de mandar bem na ação também. Seja como a filha que busca encontrar o coração da mãe, seja da vilã obcecada por sua missão. Stephanie mergulha nessas tantas camadas que o brilhante roteiro permite e se mostra a coadjuvante mais completa que tivemos neste ano. É um papel riquíssimo e que ela domina com maestria.

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E para você? Qual foi a grande atriz coadjuvante de 2022?

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Os 10 melhores atores coadjuvantes de 2022

Esta semana, aqui no site, postarei algumas listas revelando minhas atuações favoritas de 2022. E para dar start nessa retrospectiva, vou começar pelas grandes performances masculinas em papéis coadjuvantes.

É incrível quando nos deparamos com aqueles personagens de suporte dentro da trama que acabam roubando a cena. Que por vezes, pela excelente entrega do ator, acabam se tornando maiores do que deveriam.

Selecionei, então, 10 atores coadjuvantes que, ao meu ver, se destacaram durante o ano!

Lembrando que selecionei atuações apenas de filmes lançados entre janeiro e dezembro de 2022 aqui no Brasil, no cinema ou VOD, independente do lançamento em seus respectivos países de origem.

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10. Theo Rossi
(Emily the Criminal)

Apesar do caráter duvidoso de seu personagem, a verdade é que nos afeiçoamos à Theo Rossi em “Emily The Criminal”. É ele quem vai guiar a protagonista a cometer pequenos crimes para sobreviver, mas ele também tem seus sonhos e um coração ainda muito vivo. Sua presença é carismática e estranhamente nos faz torcer por ele, ainda que duvidamos dele o tempo todo.

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9. Anthony Hopkins
(Armageddon Time)

Poucas coisas funcionaram no drama “Armageddon Time” e a atuação de Anthony Hopkins definitivamente foi uma delas. É incrível o poder que o veterano tem em cena, transformando cada pequeno diálogo em um momento a ser apreciado. Ele engrandece a obra, sem muito esforço.

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8. Jean De Almeida Costa
(Carvão)

Atuações mirins tendem a ser pouco valorizadas no cinema. É uma pena porque existem aqueles naturalmente bons e que roubam a cena, mesmo em um elenco dominado por adultos. Esse é o caso do pequeno Jean de Almeida Costa que se destaca no filme “Carvão”. Filho da família onde a ação ocorre, ele arranca nosso riso fácil mesmo quando o humor não é o foco. Existe uma espontaneidade admirável, como se ele vivesse realmente aquela vida. Há muita força em seu olhar também.

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7. Paul Dano
(Batman)

Paul Dano é um dos atores mais subestimados do cinema atual. Ele sempre entrega atuações marcantes, mesmo quando seu papel é pequeno. Em “Batman”, ele faz de Charada um personagem altamente intrigante, que nos hipnotiza. Ele não busca uma caracterização estereotipada, revelando algo novo e que mexe com os nossos nervos. Uma pena que não apareça tanto, mas quando ele surge em cena, é impossível prestar atenção em outra coisa.

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6. Eddie Redmayne
(O Enfermeiro da Noite)

Nunca gostei muito do Eddie Redmayne, que pra mim sempre trouxe atuações exageradas e sempre fora do tom. Dito isso, me surpreende muito vê-lo em “O Enfermeiro da Noite”, onde ele finalmente entrega algo sutil, mas imensamente poderoso. Aqui ele interpreta o serial killer Charles Cullen, que assassinou dezenas de pacientes nos hospitais em que trabalhou. É um personagem complexo e que ele torna ainda mais interessante. Seus tantos trejeitos somem para dar vida ao personagem, que vai se transformando diante de nossos olhos, conforme a trama vai nos revelando sua verdadeira identidade. Uma composição certeira e assustadora.

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5. Brian Tyree Henry
(Passagem)

É curioso como “Passagem” prometia ser o retorno de Jennifer Lawrence e acabou sendo o palco para Brian Tyree Henry finalmente provar seu grande talento. Na pele do mecânico James, que auxilia na jornada pós traumática da protagonista, ele entrega uma atuação contida, mas comovente e delicada. Seus relatos trazem honestidade e facilmente acreditamos nas dores daquele frágil homem.

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4. Anders Danielsen Lie
(A Pior Pessoa do Mundo)

O palco de “A Pior Pessoa do Mundo” é todo da protagonista, mas é inegável que o charme e delicadeza do norueguês Anders Danielsen Lie chamam a atenção, principalmente na reta final da obra, quando seu personagem revela sofrer de uma doença terminal. Os discursos finais são imensamente comoventes devido a entrega do ator.

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3. Ke Huy Quan
(Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo)

Uma grande atuação que ninguém esperava encontrar no ano, vinda de um ator que por anos se manteve afastado dos holofotes. Muito provavelmente nem Ke Huy Quan acreditava no alcance que sua atuação teria em “Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo”. Devido ao riquíssimo texto da obra, ele tem a chance de viver todas as vidas possíveis aqui dentro e ele abraça com muito sentimento todas elas. Seu carisma e senso de humor enchem a tela, mas é seu coração que torna sua atuação tão grande. Ele se transforma em cada segundo e nos convence em todos eles.

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2. Sean Harris
(O Desconhecido)

Sean Harris é aquele ator que está no elenco de vários filmes, mas nunca nos damos conta. Não por ele ser esquecível, mas porque ele é bom demais e dificilmente conectamos uma interpretação sua a outra. Em “O Desconhecido”, ele dá vida à homem misterioso e principal suspeito de um assassinato. Sua presença traz um sentimento pesado, negativo, como se estivéssemos, de fato, observando os passos e ações de um criminoso. Sua composição é brilhante, nos amedronta e nos faz ter a certeza do grande ator que ele é (e ainda muito subestimado).

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1. Mark Rylance
(Até os Ossos)

É exatamente o tipo de papel que eu jamais imaginei o Mark Rylance fazendo e que, depois de assisti-lo, será difícil desvincular sua imagem a ele. O veterano é um camaleão e, ainda assim, ele nos surpreende aqui. Como o canibal Sully, ele nos provoca e nos faz ter um asco enorme por sua presença. Cada trejeito e cada detalhe de sua performance nos causa uma sensação ruim, de algo repugnante. Convence demais e, por isso, o primeiro lugar não poderia ser outro.

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E para você? Qual foi o grande ator coadjuvante de 2022?

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Crítica | O Menu

Um prato refinado e caótico

Pelo cardápio, esse prato parece saborosíssimo. Uma inusitada experiência gastronômica que envolve humor, tensão e crítica social. Todos os ingredientes para o sucesso estão ali, inclusive um bom elenco que o segure. É refinado e feito na medida para impactar a audiência, mas é aquele prato bonito que vai perdendo o sabor, tamanha a bagunça que entrega ali. “O Menu” é frustrante e decepciona ao servir uma trama tão vazia e pretensiosa.

Eu diria até que a primeira hora do filme funciona muito que bem. Tem uma base que remete a estrutura de “Midsommar”, quando um grupo de pessoas vai vivenciar uma cultura diferente e, enquanto notam as excentricidades assustadores do local, entendem que a saída já não é mais uma possibilidade. Temos um casal, Margot (Anya Taylor-Joy) e Tyler (Nicholas Hoult), que vão viajar de barco até uma ilha isolada, onde terão acesso, ao lado de um grupo de desconhecidos, ao renomado e exclusivo restaurante do Chef Julian Slowik (Ralph Fiennes). Entre as refeições, mortes e segredos serão morbidamente servidos.

Toda essa tensão inicial é muito bem guiada pelo diretor Mark Mylod. Vamos pescando situações estranhas que logo provam que algo de errado não está certo. Até que o filme precisa dar uma virada e nos impactar e é aí que a coisa começa a desandar. Acaba virando um circo caótico e de extremo mal gosto todo o caminho que passa a seguir, apelando para saídas tolas e sem muito sentido. Talvez se houvessem menos personagens, o roteiro conseguisse orquestrar melhor essa brincadeira. Mas, ao fim, as particularidades de cada um não altera em nada a história. Inclusive o passado dos protagonistas é bizarramente mal aproveitado.

Mesmo que o sarcasmo do texto divirta, a trama é decepcionante e não vai para lugar algum. O roteiro ainda tenta maquear seu vazio com uma pífia critica social de opressores e oprimidos, mas não cola. Anya Taylor-Joy tem presença e acaba fazendo a sessão um pouco mais interessante, assim como o sempre ótimo Ralph Fiennes. “O Menu” se esforça bastante para ser um Yorgos Lanthimos mas falta muita personalidade (e um bom roteiro) para isso. A cereja no topo desse bolo é o final mequetrefe. É brochante, preguiçoso e de uma tosquice sem igual.

NOTA: 6,5

País de origem: Estados Unidos
Ano: 2022
Titulo original: The Menu
Duração: 106 minutos
Disponível: Star+
Diretor: Mark Mylod
Roteiro: Seth Reiss, Will Tracy
Elenco: Anya Taylor-Joy, Ralph Fiennes, Nicholas Hoult, Hong Chau, Janet McTeer, John Leguizamo, Judith Light

Crítica | Glass Onion: Um Mistério Knives Out

Uma continuação divertida, mas bem menos inteligente do que acredita que seja

“Entre Facas e Segredos” foi um sucesso inesperado em 2019, o que fez com que seu criador, Rian Johnson, logo entregasse uma continuação, agora nas mãos da Netflix. Na época, ele havia recuperado com muito charme o clássico “whodunit” e aquelas histórias sobre qual dos personagens é o verdadeiro assassino. Aqui, mais do que trazer o detetive Benoit Blanc de volta, o diretor e roteirista teve a difícil missão de manter essa essência ainda viva. Infelizmente, ele entrega algo bastante inferior ao primeiro, principalmente porque no lugar do descompromisso, entra a necessidade da demanda, em um filme que se esforça demais para ser icônico.

Um excêntrico milionário convida um grupo de amigos, junto com o detetive Benoit, para um jogo onde todos deverão, em um fim de semana em sua ilha perticular na Grécia, desvendar seu fictício assassinato. Até que acaba ocorrendo uma morte, de fato, os fazendo questionar qual deles teriam reais motivos para dar um fim na vítima. O grande pecado de “Glass Onion”, porém, é não nos permitir fazer parte dessa investigação. Quando o crime acontece, logo o roteiro corre para nos explicar os porquês. Não há tempo para saborear os mistérios e o texto não se esforça em mudar nossas percepções sobre os personagens. Benoit deixa de ser detetive e passa a ser um mero narrador dos acontecimentos.

Apesar de uma pequena reviravolta em sua metade, o texto enfraquece quando centraliza sua trama em dois únicos personagens, Miles (Edward Norton) e Andi (Janelle Monáe), tornando todos os outros coadjuvantes peças inúteis desse tabuleiro. Mais do que um desperdício de um grande elenco, a trama perde o brilho quando já sabemos quem é a vítima e o vilão dessa história. Janelle, inclusive, está boa no papel, mas me parece muito surto toda essa aclamação que tem tido e já ser considerada uma das favoritas ao Oscar de atriz coadjuvante. No geral, pouco me convenci sobre essa relação e conexão que todos esses indivíduos possuem, principalmente porque nenhum deles (tirando a contagiante Kate Hudson e Norton) me parece confortável no papel. Não há aquela divertida sintonia que havia no elenco original. Falta carisma.

Sou péssimo com trocadilhos, mas “Glass Onion” é como uma cebola de vidro mesmo. De longe, parece uma peça requintada e cheia de camadas, mas de perto, podemos enxergar facilmente seu miolo e seus segredos. Não que um filme precise de reviravolta para ser bom, afinal o que importa é o caminho até chegar lá, mas essa sequência entrega um mistério pouco envolvente, com seus fracos personagens já muito demarcados em suas posições, sem nos permitir se deliciar com a investigação e resolução e sem ter espaço para nos fazer duvidar do caráter ou cada passo que eles dão. Aposta em situações bobas como falsa morte, irmã gêmea, entre outras coisas vindas de um roteiro pouco inspirado. Não nego que esse seja divertido sim e segura bem a atenção pela boa produção, mas é inferior em absolutamente todos os aspectos quanto ao primeiro filme.

NOTA: 6,5

País de origem: Estados Unidos
Ano: 2022
Titulo original: Glass Onion: A Knives Out Mystery
Duração: 140 minutos
Disponível: Netflix
Diretor: Rian Johnson
Roteiro: Rian Johnson
Elenco: Daniel Craig, Janelle Monáe, Edward Norton, Kate Hudson, Kathryn Hahn, Jessica Henwick, Madelyn Cline, Leslie Odom Jr., Dave Bautista

Crítica | Aftersun

Memória ferida

Demorei para conseguir escrever algo sobre esse filme, tamanho o baque que levei. Nenhum outro que vi em 2022 me despertou o que esse aqui conseguiu. Debute de Charlotte Wells na direção de um longa-metragem, ela realiza um cinema que transcende, que nos leva para um lugar imensamente íntimo, doce e, ao mesmo tempo, tão obscuro e doloroso. “Aftersun” terminou e me deixou paralisado, em completo estado de catarse. 

A verdade é que nada nos prepara para onde este filme chega. Talvez ele seja até maior do que a diretora pretendia ao início. Enquanto grande parte da projeção, estamos lidando com as férias de verão e o relacionamento entre uma filha, Sophie (Frankie Corio) e seu pai Calum (Paul Mescal), ao decorrer entendemos que se trata de uma história de reconciliação, de memória e luto. A trama toda acontece com uma leveza natural, entre conversas e situações corriqueiras. A grande potência aqui é que grande parte desses momentos são registrados com uma câmera durante a viagem. E esses instantes, congelados pelo tempo, ganham novos significados no futuro. 

“Aftersun”, então, é guiado pelo olhar de Sophie, já adulta, revisitando as lembranças com seu pai, durante suas férias na Turquia. É brilhante como a primeira aparição dela é pelo reflexo de uma TV e muito do que a diretora nos revela é uma imagem distorcida da realidade. Muito provável que ela, na fase atual, tenha a mesma idade de seu pai, durante os vídeos que assiste. Existe aqui uma metalinguagem fascinante, pois é como se Charlotte Wells estivesse ali, revivendo sua própria vida e usando da arte para expurgar o que antes estava preso. E é aqui que a obra vai além. Essa revisita que Sophie faz é muito mais do que para reencontrar aquela lembrança intocável, mas para abraçar aquela dor do passado, que só a idade a faz entender. 

Eu poderia simplesmente viver dentro desse filme, de tão adorável que ele é. As cenas entre os protagonistas são de uma ternura que inunda a alma. Gostoso demais ver Paul Mescal dividindo a cena com a jovem e talentosíssima Frankie Corio. Toda essa atmosfera dos anos 90 também é lindamente arquitetada pela produção, que nos faz voltar ao tempo e nos colocar ali dentro, compartilhando daquelas sensações e sentimentos. A trilha musical, que vai de David Bowie, R.E.M. e Blur, ajudam ainda mais nessa fantástica imersão. 

Dito isso, eu nunca mais irei ouvir a clássica “Under Pressure” da mesma forma. O que Wells constrói naquele momento não tem palavras para descrever. O final de “Aftersun” é um abraço entre presente e passado. Entre a memória ferida e a memória, enfim, compreendida. Esse instante é dolorosamente impactante e ecoa em nós. E é quando a diretora nos propõe o exercício de revirar o que acabamos de assistir e buscar os indícios que nos passaram despercebidos. O resultado dessa experiência é algo difícil de esquecer. Uma obra que me comoveu profundamente e me fez perguntar quando foi a última vez que vi um filme tão bom quanto este, porque ele faz tudo o que foi lançado recentemente parecer tão menor e insignificante. 

NOTA: 10

País de origem: Estados Unidos, Reino Unido e Irlanda do Norte
Ano: 2022
Duração: 96 minutos
Disponível: Mubi
Diretor: Charlotte Wells
Roteiro: Charlotte Wells
Elenco: Frankie Corio, Paul Mescal

Crítica | Avatar: O Caminho da Água

Pequeno demais para sua imensidão

Sou do time que sempre defendeu “Avatar”, grande sucesso de James Cameron e um dos filmes mais lucrativos da história. Ser clichê não era um problema quando o que apresentava era tão bem contado. Treze anos depois, temos a chance de retornar à Pandora em uma das sequências mais aguardadas dos últimos tempos. Sua existência era quase uma lenda. Quando vejo “O Caminho da Água” na tela grande, entendo a demora. O diretor e sua equipe entregam uma produção de brilhar os olhos, diante da beleza dos efeitos visuais e tudo o que a tecnologia hoje permite criar. Falta, porém, nesse roteiro escrito à seis mãos, conteúdo para preencher esse universo que é visualmente rico, mas pobre de ideias.

A grande novidade dessa sequência são os filhos de Jake e Neytiri e, de fato, eles trazem um frescor necessário para a franquia. São cativantes, principalmente aquela tão bem defendida pela veterana Sigourney Weaver. Existe emoção nesse laço familiar e o filme cresce nessas interações. Cresce ainda mais quando leva esses personagens a explorarem a região marítima e a conviverem com um novo clã de Na’vis. É belo tudo o que nos apresenta e, assim como o primeiro, este também se coloca como uma experiência visual, chocando pelo realismo dos detalhes e criando uma imersão praticamente esquecida no cinemão hollywoodiano.

Esse encanto e deslumbre causado pelos efeitos, porém, não ofusca a fragilidade do roteiro. Ter uma história simples não é problema, mas “Avatar 2” não vai além do básico, precisando ser prolixo para preencher sua desnecessária duração. É uma repetição de cenas, falas e situações que poderiam ser resumidas em um único instante, mas precisa se prolongar por puro capricho e megalomania de Cameron. E quando se tem 3 horas, tudo isso fica muito nítido. Seja as conexões com a natureza, as batalhas, a perseguição do vilão. É um looping eterno que não vai para lugar algum e, por já existir novas continuações, o texto nem se esforça em concluir suas subtramas.

A base de “Avatar” é o conflito humano com Pandora, mas aqui tudo vira um mero detalhe. Um momento é falado sobre repovoamento do planeta, em outro, a extração de uma substância que impede o envelhecimento. Nada disso é explorado e desaparece na trama para, no fim, simplesmente, se resumir a um vilão querendo vingança. Ao precisar “ressuscitar” seu antagonista para se ter um plot, o longa deixa ainda mais claro o quão pouco tem a dizer. Tem um universo mágico a ser explorado, mas a produção insiste nessa jornada infantil de perseguição, tão pobremente desenvolvida, que prefere se esquivar do aprofundamento de seus personagens e apelar tão fortemente ao maniqueísmo.

“Avatar” é uma franquia ambiciosa e James Cameron tem tato para comandar algo dessa dimensão. Sabe como conduzir a emoção do público e uma grande sequência de ação. É um acontecimento e que prova o quão ruim tem sido o uso dos efeitos atualmente. Cameron é um investigador e profissionais como ele são necessários para o cinema continuar a evoluir e a revelar novas soluções. Entendo a importância e relevância dessa produção, mas ainda me frustra o pouco esforço do roteiro em criar algo, de fato, novo e que não se contente tão facilmente ao básico. Empolga, diverte e emociona sim, mas falta conteúdo para justificar sua longa duração e algo além do reciclado para preencher seu universo tão belo.

NOTA: 7,5

País de origem: Estados Unidos
Ano: 2022
Titulo original: Avatar: Way of Water
Duração: 192 minutos
Disponível: cinema
Diretor: James Cameron
Roteiro: James Cameron, Rick Jaffa, Amanda Silver
Elenco: Jamie Flatters, Sigourney Weaver, Zoë Saldaña, Sam Worthington, Stephen Lang, Kate Winslet

Crítica | Pinóquio por Guillermo del Toro

A imperfeição dos detalhes

Pinóquio, criação de Carlo Collodi em 1883, sempre foi um personagem que despertou curiosidade do público e fascínio do cinema, que contou essa história em inúmeras adaptações. Ainda assim, é muito interessante poder chegar aqui e ver a visão de Guillermo del Toro, que deixa claro todo o amor e carinho que tem pela jornada do menino esculpido em madeira. É possível enxergar todo o suor da equipe nesse irreparável stop motion.

A introdução de “Pinóquio” já emociona quando revela a relação de Gepeto com seu filho, entregando ali um tom melancólico que se mantém durante a obra. Tudo o que vem adiante é mágico, comovente e nos mantém atentos, não só pelo o poder da trama como pelo prazer de assistir esse cinema tão rigoroso de del Toro e Mark Gustafson. É chocante toda construção dos cenários, personagens e essa rigidez de até mesmo simular as imperfeições, tornando tudo extremamente realista. É arte em sua forma mais genuína.

Ao ganhar vida, Pinóquio tenta desbravar esse mundo novo do qual ele tem tanta curiosidade, mesmo que vá contra a pessoa que ele mais ama, seu pai. Ele comete alguns erros no caminho e precisa repará-los. “Ser um menino de verdade” nunca é um desejo seu e tornar-se humano acaba sendo uma consequência de suas ações e de seus sentimentos tão puros como amor e altruísmo. O roteiro desenha muito bem essas transições e como a transformação não vem apenas do protagonista, mas também na vida daqueles que o cercam, que são impactados por seus atos de bondade.

É interessante como toda essa jornada é vista pelo olhar do Grilo (incrivelmente dublado por Ewan McGregor), e como até mesmo ele, como narrador, tão acostumado a contar sobre a si mesmo, se permite ver a beleza do outro e tudo o que um menino de madeira tem a lhe ensinar. “Pinóquio” é sobre filhos imperfeitos e pais imperfeitos. É também sobre vida e morte e como tudo o que vivemos aqui é uma fração pequena diante desse mundo imenso, que começa e logo acaba. O que torna o protagonista humano também é compartilhar dessa previsibilidade de tempo, de viver e não saber quando é o fim.

NOYA: 8,5

País de origem: Estados Unidos, México
Ano: 2022
Titulo original: Guillermo del Toro’s Pinocchio
Duração: 117 minutos
Disponível: Netflix
Diretor: Guillermo del Toro, Mark Gustafson
Roteiro: Guillermo del Toro, Patrick McHale
Elenco: Gregory Mann, Ewan McGregor, David Bradley, Tilda Swinton, Ron Perlman

Crítica | Bardo, Falsa Crônica de Algumas Verdades

o ego do criador

Alejandro González Iñárritu conquistou o que pouquíssimos cineastas conquistaram: venceu o Oscar por dois anos consecutivos, por Birdman e O Regresso. Ele, que veio do México, alcançou prestígio e admiração nos Estados Unidos, mas nada disso apagou o fato dele nunca se sentir bom o suficiente ou de pertencer a algum lugar. Essas incertezas o trouxeram até aqui, em “Bardo”, seu novo trabalho e também seu filme mais pessoal. É o primeiro, desde “Amores Brutos” (2000), inteiramente filmado em sua terra natal. Apesar deste ser o confessionário de sua crise de meia idade, ele nos oferece um relato longo, entediante e que dificilmente alguém gostaria de ter acesso.

A escolha do título “Bardo” é bastante poética, logo que significa, na cultura budista, a existência entre a morte e o renascimento. Iñarritu se coloca navegando, em tom onírico, sobre este campo intermediário entre o fim e o recomeço. Seu alter ego é Silverio (Daniel Giménez Cacho), um jornalista e documentarista mexicano, considerado um “imigrante de primeira classe” por abordar os temas difíceis de seu país enquanto busca por uma vida de luxo nos Estados Unidos. Tudo isso gera muitos conflitos existenciais, o fazendo refletir sobre as próprias memórias, enquanto caminha pela história do México, analisando de perto a imensa desigualdade social e os tantos massacres que seu país enfrentou.

“Bardo” é uma experiência única e não necessariamente uma experiência boa. Nos desafia o tempo todo quando não oferece um plot que nos faça querer ir até o fim, apostando na excentricidade visual. É difícil encontrar forças para seguir adiante porque a obra nunca avança, se reiniciando a cada sequência. E a cada instante, é um novo convite se queremos ou não embarcar nessa jornada. A notícia ruim é que a trama nunca se torna interessante (nunca mesmo!). A notícia boa é que todas as cenas são de uma beleza indescritível e, sim, isso nos mantém, pela curiosidade do que vem a seguir. As cores, montagem, enquadramentos, é visualmente lindo tudo o que nos oferece. Ver na tela grande foi bom pela imersão que propõe e também porque ver em casa teria sido um sacrifício.

Infelizmente, apesar do deslumbre causado por sua estética, Iñárritu se mostra tão egocêntrico que se torna impossível criar algum apego aqui, justamente porque é tudo – absolutamente tudo – sobre ele. Mesmo quando fala sobre o México, é sobre ele. É narcisista ao ponto de fazer sua família suplicar seu nome em seu imaginário leito de morte. É como uma masturbação longa que o diretor bate para si mesmo enquanto olha no espelho. Existe até poesia quando fala sobre convicções falsas e como nossas memórias nos enganam, mas é uma pena como ele usa isso para justificar seu conceito, que teria funcionado melhor se ele não sentisse essa estranha necessidade de explicar a lógica por trás de sua aleatoriedade.

Ainda mais bizarro é quando o filme se acha esperto o bastante para se autocriticar, quando na verdade isso só o limita, o torna menos vivo em nós assim que termina. Provável que Iñárritu tenha se sentido muito genial ao “prever” o olhar do crítico sobre sua criação – e o quão vaga ela é – mas isso só revela o quão inseguro ele está e o quanto nem ele mesmo acredita no que propõe aqui. “Bardo” deve ter sido incrível nos sonhos do diretor, mas esse diário que ele tenta compartilhar com o público tem pouco coração, intimidade e quase nada de interessante a dizer. Resta apenas a soberba, o conhecimento pedante que ele tem sobre o mundo e o ego ferido de um homem privilegiado.

NOTA: 6

País de origem: México
Ano: 2022
Titulo original: Bardo, falsa crónica de unas cuantas verdades
Duração: 159 minutos
Disponível: Netflix
Diretor: Alejandro G. Iñárritu
Roteiro: Alejandro G. Iñárritu, Nicolás Giacobone
Elenco: Daniel Giménez Cacho, GriseldaSiciliani, Ximena Lamadrid