a versão morna de guillermo del toro
Ter Guillermo del Toro à frente da adaptação de Frankenstein parece uma escolha natural. Afinal, o diretor sempre demonstrou um fascínio profundo por monstros e figuras marginalizadas. Apesar de imprimir um tom bastante pessoal à obra e propor algumas atualizações interessantes, o cineasta entrega um filme morno, que nunca chega a engrenar.
A principal mudança em relação ao clássico está na decisão de narrar a história sob duas perspectivas: a do cientista Victor Frankenstein (Oscar Isaac) e a de sua criação (Jacob Elordi). Essa escolha amplia a compreensão sobre os traumas e feridas que unem os dois, revelando o ciclo de dor e violência em que estão aprisionados.

No entanto, ao dar voz aos protagonistas para relatarem os acontecimentos, o roteiro recorre excessivamente à narração, explicando o que já está evidente em cena. Há momentos em que os personagens precisam até anunciar que vão contar uma história antes de, de fato, contá-la. O texto se apoia em frases de efeito e diálogos que tentam soar filosóficos, mas soam apenas pedantes. Essa fragilidade narrativa confere ao filme um ar reciclado, genérico e excessivamente didático, algo comum nas produções da Netflix.
Como era de se esperar da equipe de del Toro, a produção é deslumbrante. Os figurinos são um espetáculo à parte, e o trabalho de cenografia, cores e design impressiona pela riqueza de detalhes. Já o visual da criatura, embora bem executado, parece limpo demais, quase sem disfarçar os belos traços de Jacob Elordi.
É frustrante perceber o caminho que Guillermo del Toro tem trilhado em sua carreira. Sinto falta do diretor que ousava em ideias originais e autênticas. Aqui, tudo soa plástico e convencional. Falta paixão, falta tempero, falta vida neste filme que pretende justamente refletir sobre o que nos torna humanos.
NOTA: 6,5

País de origem: EUA
Ano: 2025
Duração: 149 minutos
Diretor: Guillermo del Toro
Roteiro: Guillermo del Toro
Elenco: Oscar Isaac, Jacob Elordi, Mia Goth, Felix Kammerer, Christoph Waltz
