muito a cantar, nada a dizer
As cinebiografias invadiram o cinema e, como tudo que se repete em excesso, acabam saturando. Mesmo assim, eu tinha certa expectativa por “Um Completo Desconhecido”, especialmente por conta da direção de James Mangold. Afinal, ele foi o responsável por “Johnny e June”, filme que admiro bastante. No entanto, este novo projeto não se iguala às tantas outras biopics que inundam as telas. E não porque seja original, mas porque não há nada relevante a ser contado. Falta conteúdo até para ser romantizado ou dramatizado. O resultado é uma obra vazia, sobre uma trajetória da qual nada se pode aproveitar.
Bob Dylan é, sem dúvida, uma figura intrigante. Apesar de ter uma personalidade multifacetada, o filme concentra-se em um momento específico de sua juventude, na Nova York dos anos 60. Marcado por várias influências e uma rebeldia crescente, Dylan começa a perceber que sua música pode transcender o folk e as expectativas da mídia e do público. No meio dessa transformação, acompanhamos também seus relacionamentos amorosos e as vidas que foram tocadas por sua presença.

“Um Completo Desconhecido” soa mais como um “especial Bob Dylan” do que propriamente um filme. São 2h20 que nos largam ali ouvindo uma coletânea dos maiores hits do cantor. Entre uma música e outra, restam diálogos soltos e diversas participações especiais. Não há conflitos a serem resolvidos, nem interesse do diretor em extrair algo mais profundo da jornada do cantor. Tudo isso pode ser divertido para os fãs, que provavelmente cantarão junto, mas é um péssimo ponto de partida para quem deseja conhecer o homem por trás do mito, sendo tão informativo quanto uma página de Wikipedia. Até tenta falar sobre a contracultura e a “música protesto”, mas faz isso de forma rasa, sem coragem de aprofundar-se no tema.
Timothée Chalamet, embora dedicado, não tem a maturidade necessária para interpretar um papel como esse. Seu desempenho cai em uma caricatura exagerada e sem vida. Parece tão focado em reproduzir o forte sotaque de Minnesota que acaba ofuscando a essência do personagem. Monica Barbaro, também indicada ao Oscar, tem boa presença, mas assim como todos os outros atores, pouco pode fazer com o material disponível (pelo menos ela canta bem).
Como diretor, James Mangold parece perdido ao tentar explorar a trajetória de Bob Dylan, entregando um produto vazio, entediante e sem personalidade. “Um Completo Desconhecido” chega ao fim e pouco sabemos sobre o cantor. E, pior ainda, não nos provoca o desejo de investigar mais. Aqui, Dylan é retratado apenas como um jovem impetuoso, com seu violão e gaita, alheio aos sentimentos dos outros. Não há como ter empatia e nem interesse por algo que ele tenha a dizer.
NOTA: 5,0 / 10

País de origem: EUA
Ano: 2024
Duração: 141 minutos
Diretor: James Mangold
Roteiro: James Mangold, Jay Cocks, Elijah Wald
Elenco: Timothée Chalamet, Monica Barbaro, Edward Norton, Elle Fanning, Boyd Holbrook
