Demorou, mas veio aí!

🎬 A lista com os meus filmes favoritos de 2024!

Foi um ano lindo para o cinema e eu não tenho dúvidas disso. Fazer essa lista foi bem difícil porque eu simplesmente não conseguia definir apenas 30 filmes. Para chegar nesse número, muitos outros que adorei, precisei deixar de fora.

Em 2024 tivemos um filme brasileiro que atravessou fronteiras. Uma animação tão bela como há muito tempo não víamos. Um filme de terror que estourou a bolha cinéfila, tornou-se admirado pelo público e crítica e desafiou a previsibilidade do cinema. Presenciei obras que me marcaram e que vou levar na memória.

Sempre bom deixar claro que, como toda lista de “Melhores”, não se trata de uma verdade absoluta. É uma lista pessoal, de acordo com aquilo que eu gosto de consumir. Cada um terá sua visão e cada um terá seus próprios favoritos. E essa é a beleza disso. Nem todo mundo gosta dos mesmos filmes e que bom que isso acontece.

Espero que gostem dos selecionados.

Deixe nos comentários qual foi o seu filme favorito de 2024! 👇

30. Alien: Romulus
de Fede Alvarez / EUA, Reino Unido

Nas mãos de Fede Alvarez, especialista no universo do terror, a franquia “Alien” ganha novo fôlego. Ele revitaliza a saga e resgata o que ela teve de melhor. Acompanhamos um grupo de jovens colonos lutando pela sobrevivência depois de descobrirem uma estação espacial abandonada. Existe um equilíbrio bom entre a tensão psicológica e claustrofóbica com a ação frenética. O roteiro respeita o original e explora o universo de “Alien” na máxima potência, resultando em um thriller repleto de boas ideias. É sombrio, intenso e, em vários momentos, aterrorizante.

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29. Here
de Bas Devos / Bélgica

Tive uma relação conflituosa com “Here”, preciso dizer. Durante todo o percurso do protagonista eu me perguntava: para onde este filme está indo? O que ele está querendo me dizer? Tudo parecia tão vago, aleatório e sem rumo. De alguma forma, porém, eu fui inundado por um estranho sentimento bom. A sensação de que eu estava vivenciando algo especial. De algo que eu precisava e nem sabia. Acho que perdemos o ócio. A tecnologia e o excesso de informação nos afastaram de tudo aquilo que é real. Foi então que me senti comovido. “Here” é um lembrete e dos mais necessários nesses novos tempos. Um convite a esperar, a sentir, a olhar para tudo aquilo que nos cerca e nem temos mais esse espaço em nossa rotina (ou julgamos não ter mais).

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28. Os Rejeitados
de Alexander Payne / EUA

Um professor rabugento, um aluno revoltado e uma cozinheira passam o feriado de fim de ano juntos dentro de uma escola. Três personagens completamente distintos mas que vão construindo um laço com o tempo. Todo o desenvolvimento aqui é lindo e muito bem escrito. É um filme que dá gosto de assistir, que até parece ter sido feito em outra época. Alexander Payne é um excelente diretor e faz desta intimista viagem, um acalento para o coração. Divertido, leve e cheio de muito afeto.

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27. Kneecap
de Rich Peppiatt / Irlanda

O cinema saturou as cinebiografias e é um grande alívio nos deparar com uma produção como “Kneecap”, que refaz a estrutura e constroi algo, finalmente, muito novo e audacioso. É sobre uma banda real, vivendo conflitos reais em uma trama de ficção. Uma experiência quase sensorial, que nos leva pelas batidas e pela agilidade do hip hop. Tem personalidade, autenticidade e música pulsando na veia. Não é apenas sobre um trio irlandês, mas também sobre a importância de se manter a língua de um país – dominado por uma cultura estrangeira – ainda viva. A arte pode ter este poder de resgatar as origens e lembrar uma sociedade do que ela é feita. “Kneecap” é, acima de tudo, uma manifestação política. É também uma obra potente, caótica e vibrante.

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26. O Quiosque
de Adam Rehmeier / EUA

Dois amigos criando planos mirabolantes para ganhar dinheiro. No meio disso, tem paixão, amizade, perdas e uma história adorável sobre amadurecimento. Impossível assistir “O Quiosque” sem um constante sorriso no rosto. Tudo flui de uma maneira tão gostosa de assistir, divertindo e encantando sempre na medida certa. 

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25. A Sala dos Professores
de İlker Çatak / Alemanha

O potente drama alemão nos coloca dentro de uma escola para participar de uma investigação. É uma experiência completamente imersiva, tensa e angustiante. O filme nos coloca para dentro das cenas e embarcamos tudo como se estivéssemos na pele da protagonista, uma professora que decide ir fundo para compreender os roubos que estão acontecendo naquele local. A trama é eletrizante e nos mantém atentos do começo ao fim.

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24. Wicked
de Jon M. Chu / EUA

Em um ano em que o cinema teve vergonha de ser musical, ter visto “Wicked” na tela grande foi como um grande presente. O filme celebra o gênero e tem imenso orgulho de ser exatamente o que é. Uma homenagem aos fãs e ao gênero, feito por pessoas que claramente amam esse universo. A história narra a amizade improvável entre Elphaba, a Bruxa Má do Oeste, e Glinda, a Bruxa Boa do Sul. Tudo na produção é encantador e mágico, o que faz esta adaptação ser digna da longa espera. Cynthia Erivo e Ariana Grande, juntas em cena, se tornam uma verdadeira potência.

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23. A Fragilidade do Gelo
de Anthony Chen / China, Singapura

Que experiência fascinante! Acompanhamos a relação entre jovens adultos, que vivem um triângulo amoroso, em uma pequena cidade na China. São indivíduos solitários, que se sentem perdidos, sem um lugar exato para chamar de lar e sem um futuro do qual vislumbrar. Justamente por isso é tão lindo este encontro. Presenciamos as conversas, as festas, os momentos íntimos de descontração e desejo. A necessidade que todos eles possuem de serem encontrados e se sentirem seguros dentro deste mundo particular que construíram para si mesmos.

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22. A Jovem e o Mar
de Joachim Rønning / EUA

“A Jovem e o Mar” retrata a história real da nadadora Gertrude Ederle (Daisy Ridley), a primeira mulher a atravessar o Canal da Mancha. Em sua busca incessante por recordes, ela desafiou um sistema que não reconhecia as mulheres como atletas. O filme segue a fórmula das cinebiografias, mas o faz com força e sensibilidade. É um clichê que funciona, não apenas pela narrativa bem construída, mas pela emoção que transmite. A combinação dos bons efeitos visuais, ritmo envolvente, trilha sonora marcante e personagens cativantes, nos faz vibrar a cada conquista. É uma jornada emotiva e prazerosa demais de assistir.

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21. Rivais
de Luca Guadagnino / EUA

O esporte no cinema quase sempre serviu para contar histórias de superação e que nos incentivam a vencer obstáculos. “Rivais” consegue escapar dessa obviedade ao usar o tênis como uma grande analogia aos relacionamentos. Nas mãos do diretor italiano Luca Guadagnino, tudo vira sobre desejo e tesão. Acompanhamos em cena o triângulo amoroso entre os tenistas Art (Mike Faist), Patrick (Josh O’Connor) e a treinadora Tashi (Zendaya). O roteiro é excelente e consegue construir indivíduos ao mesmo tempo desprezíveis e fascinantes. Além dos diálogos ásperos e deliciosamente crueis, o que nos prende é a química entre os três atores que é absurdamente gostosa.

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20. Malu
de Pedro Freire / Brasil

Dirigido por Pedro Freire, “Malu” revela as cicatrizes de uma família formada por três mulheres. Ele constrói um conflito geracional poderoso em cena, enquanto essas três grandes personagens se confrontam. Arriscaria dizer que é um dos encontros mais incríveis entre três atrizes em cena que vi em muito tempo. Yara de Novaes, Carol Duarte e Juliana Carneiro Da Cunha estão formidáveis. Daqueles filmes nacionais que dão orgulho!

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19. Às Vezes Quero Sumir
de Rachel Lambert / EUA

Penso que este filme seja um tanto quanto improvável e encontra uma linguagem muito única para traduzir sentimentos difíceis de serem decifrados. Na trama, a protagonista Fran (Daisy Ridley) tem o costume de imaginar a própria morte. São pensamentos intrusivos que, de uma forma macabra, acabam sendo um lembrete de que ainda está viva. Apesar do tema pesado, o texto consegue – milagrosamente – ser sensível e divertido. A diretora Rachel Lambert entrega um trabalho de composição cênica notável ao conseguir traduzir em imagens esse mundo obscuro não verbalizado da personagem. Fala sobre a solidão colidindo com a necessidade de pertencimento. Um filme honesto, doloroso sim, mas inesperadamente empático.

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18. Rebel Ridge
de Jeremy Saulnier / EUA

Um ex-fuzileiro naval tem a simples missão de pagar a fiança de seu primo e resgatá-lo da prisão. No entanto, quando este plano dá errado, ele se vê preso em uma grande conspiração. De longe, parecia mais um filme de ação vazio da Netflix. Mas só de longe. Com uma direção extremamente segura de Jeremy Saulnier, o longa facilmente nos prende. Tem boas sacadas, cenas inspiradas e uma trama bastante envolvente. Ótimo também ver Aaron Pierre como protagonista. Tem talento, presença e tem tudo para despontar daqui para frente.

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17. Clube dos Vândalos
de Jeff Nichols / EUA

Um filme sobre homens que andam de moto. Quem poderia imaginar que isso resultaria em algo tão fascinante? “Clube dos Vândalos” navega entre os anos de 1965 a 1974, para investigar a ascensão e o declínio de um famoso clube de motoqueiros de Chicago. O roteiro descreve esses indivíduos quase como lendas. Como seres esquecidos que passaram por aqui e hoje já não temos notícias. Fazemos parte desta investigação e sentimos um certo prazer por desvendar este mundo secreto. Uma obra que revive memórias e resgata, por um olhar muito sensível, um período de transformações e frustrações. O elenco é excelente e faz desta jornada ainda mais interessante de acompanhar.

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16. O Mal Que Nos Habita
de Demián Rugna / Argentina

O longa argentino me deixou sem fôlego, impactado pelas cenas violentas que me pegaram de surpresa e, de certa forma, admirado por toda a mitologia criada. A obra subverte a lógica de filmes sobre possessão demoníaca, entregando algo original, conciso e bastante eficaz. O roteiro não decai e segura bem a evolução do caos que vai escalonando em cena, nos mantendo apreensivos sobre seus macabros desdobramentos. “O Mal Que Nos Habita” é um filme brutal, cruel e que acerta ao ir na contramão do cinemão do terror atual. É aquele tipo de obra que ficamos remoendo na cabeça, revirando as sequências e buscando seus significados. Digo que fiquei completamente imerso, principalmente porque, ao criar uma série de leis próprias, personifica o mal de uma forma palpável, nova e assustadora.

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15. A Natureza do Amor
de Monia Chokri / Canadá

Através de imagens belíssimas, somos convidados a embarcar em uma espécie de conto de fadas moderno. A trama gira em torno de uma mulher de 40 anos, casada e bem sucedida, que acaba se apaixonando por outro homem, de uma realidade muito distante da dela. “A Natureza do Amor” me prendeu em seus primeiros segundos e não consegui mais soltar a mão. Tem bom ritmo e uma tensão sexual que nos mantém completamente vidrados. Terminei de ver encantado por tudo e feliz por ver um filme de romance que, ao mesmo tempo em que não ignora a fantasia que o gênero proporciona, também dialoga perfeitamente bem com os novos tempos. Na era dos tantos estímulos, preocupações e desencantos.

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14. Anatomia de Uma Queda
de Justine Triet / França

“Anatomia de Uma Queda” é daqueles filmes que mexe com nossos ânimos. Impossível não ficar vidrado na história de Sandra (Sandra Hüller), uma mulher que vai ao tribunal quando se torna a principal suspeita de matar o próprio marido. É uma caça pela verdade e o excelente roteiro não entrega respostas fáceis. Nos coloca como investigadores e ficamos ali, atentos a cada fala e movimento. Estamos vendo o todo? Estamos sendo enganados? Justine Triet constrói um drama de tribunal como há muito tempo não víamos. A atuação de Hüller também é brilhante e faz a sessão valer ainda mais a pena.

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13. Love Lies Bleeding
de Rose Glass / EUA, Reino Unido

Com uma ambientação fascinante dos anos 80, “Love Lies Bleeding” é um thriller incomum. Traz uma história queer que envolve paixão, crime e vingança. Acompanhamos o romance entre uma gerente de academia (Kristen Stewart) e uma fisiculturista (Katy O’Brian) e como, após um ato de fúria, elas se veem presas em um esquema perigoso de chantagens, perseguições e muito sangue. Rose Glass desenha seu filme todo sobre contrastes, seja da força e fragilidade, da coragem e fraqueza, seja do real e do absurdo. Seja também de todos os gêneros que a cineasta consegue desenvolver tão bem dentro de sua obra, onde todos eles coexistem e crescem juntos. Tudo é possível aqui e o texto não tem medo algum do improvável.

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12. Greice
de Leonardo Mouramateus / Brasil, Portugal

Greice (Amandyra) é “amiga das circunstâncias, torna tudo o que é mentira em verdade, escreve de trás para frente”. É com essa descrição que somos apresentados a nossa intrigante protagonista, que estuda em Lisboa e, depois de ser acusada de cometer um acidente, se vê obrigada a retornar para Fortaleza. Uma jovem dividida entre dois lugares, construindo a própria história, em busca de sua identidade. Escrita e dirigida pelo cearense Leonardo Mouramateus, a obra encanta pelo bom humor e pelo roteiro bem amarrado, original e inesperadamente poético. É muito gostoso assistir um filme como “Greice” e sinto que era algo que fazia falta na produção nacional. É dinâmico, jovem, descompromissado e muito sagaz.

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11. Duna: Parte 2
de Denis Villeneuve / EUA

Como temos a sorte que “Duna”, que sempre foi vista como uma obra inadaptável, tenha caído nas mãos de Denis Villeneuve. O diretor trabalha com imenso respeito e cuidado à obra de Frank Herbert e vai além. Muito melhor que seu antecessor, esta segunda parte revela-se uma experiência cinematográfica formidável. Nas mãos do diretor, tudo é majestoso, imenso e ao mesmo tempo que nos desperta uma sensação de deslumbre e encantamento, também nos faz sentir vulneráveis diante de sua magnitude. Ele trabalha muito bem esta noção de dimensões, imprimindo um senso de urgência e realismo que tornam suas sequências ainda mais potentes. Um trabalho rico, rigoroso e raro nesse cinemão Hollywoodiano. Valeu demais a espera!

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10. O Bastardo
de Nikolaj Arcel / Dinamarca

Confesso que o cinema dinamarquês me compra fácil. Todo ano terá um representante do país por aqui e em 2024 foi a vez do excelente “O Bastardo”. A trama, que gira em torno de um soldado veterano que decide ganhar a vida plantando em um imenso solo infértil, é empolgante e nos mantém interessados até o fim. Tem bons desdobramentos e personagens que facilmente nos conquistam. Um épico muito bem conduzido, que nos emociona e nos faz vibrar pela vitória de nosso bravo protagonista. E tem Mads Mikkelsen. E por ele, sempre vale a pena.

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9. Pisque Duas Vezes
de Zoë Kravitz / EUA, México

O silêncio e o esquecimento sempre foram úteis para os homens e neste controle que eles têm sobre o mundo e que se mantém até hoje. É assustador quando percebemos que a ficção de “Pisque Duas Vezes” é ainda muito real e atual. Debute na direção da atriz Zoe Kravitz, ela entrega uma obra empolgante, surpreendentemente divertida e que nos faz vibrar por cada ação, mas principalmente por sua eletrizante virada. É aquele caso do “prometeu nada e entregou tudo”, afinal, ninguém esperava que esse filme seria tão bom quanto foi. Uma das mais gratas surpresas de 2024.

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8. 20.000 Espécies de Abelhas
de Estibaliz Urresola Solaguren / Espanha

Primeiro longa-metragem da diretora Estibaliz Urresola Solaguren, “20.000 Espécies de Abelhas” aborda um tema delicado com extremo zelo e sensibilidade. Fala sobre identidade de gênero na infância e encanta pela forma terna e bastante madura com que encara essa fase de descoberta e aceitação. Não minimiza a dor e os caminhos tortuosos, mas também não esconde seu olhar esperançoso. Existe em cena, também, um drama feminino muito bem orquestrado que, ao colocar três personagens se confrontando, constroi um potente conflito geracional. Uma obra corajosa, incrivelmente bem escrita e encantadora. Terminei de vê-lo em lágrimas e com o coração aquecido.

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7. Garra de Ferro
de Sean Durkin / EUA

Uma das experiências mais sufocantes e impactantes que tive em 2024. Fui sem saber nada sobre a história real contada em “Garra de Ferro” e recebi um golpe pesado na alma. O longa, escrito e dirigido por Sean Durkin, navega entre um drama doméstico e um inesperado conto de horror. Ele volta aos 80 para falar sobre uma família que foi lenda no esporte mas que acabou pagando um preço alto em sua incessante busca pela glória. Daqueles filmes que terminam e nos deixam em completo silêncio, devastados (e incrédulos) diante de uma vida repleta de tanta dor. É uma trajetória violenta de tantas formas, que nos deixa sufocados ao final. Acredito que nenhum outro filme no ano me deixou tão destruído como este aqui. 

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6. As Bestas
de Rodrigo Sorogoyen / Espanha, França

Antoine (Denis Menochet) deseja ter uma vida pacífica vivendo em um pequeno vilarejo, mas não é o que acontece, principalmente quando passa a ser perseguido pelos moradores do local. Umas das experiências mais interessantes que tive com cinema durante o ano. É um thriller fascinante, muito bem escrito e dirigido, que nos mantém tensos do início ao fim. Por diversos instantes, me vi perdendo o fôlego. Também possui uma virada boa, daquelas que não há como prever, seguindo um rumo bem diferente do que imaginávamos.

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5. Guerra Civil
de Alex Garland / EUA

A guerra fictícia filmada por Alex Garland poderia acontecer em qualquer lugar e em qualquer tempo próximo. Uma obra que vem com uma noção de conflito político e civil muito grande, expondo tudo de maneira extremamente crua e realista. Nos faz adentrar às cenas e sentir esse peso da urgência, da intensidade e do medo constante. É tenso e assustadoramente atual. Dividiu bem as opiniões e tudo o que é audacioso tem esse poder. Trata-se de um produto maduro, extremamente corajoso ao criticar o norte-americano, a xenofobia e o quão sem lógica pode ser um combate. Por muitos instantes me deixou sem ar, completamente paralisado.

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4. Robô Selvagem
de Chris Sanders / EUA

“Robô Selvagem” é especial. Mais do que a melhor animação de 2024, é também uma produção que nos faz lembrar dos anos dourados do gênero. Quando a linguagem era universal e falava diretamente ao coração do público. Esta obra tem esse poder e nos leva facilmente às lágrimas. A trama coloca uma robô precisando sobreviver na selva e seguir com a única função da qual foi programada: ajudar os outros. O diretor Chris Sanders compreende o poder que os grandes clássicos tinham em nos atingir e replica esses bons conceitos em um produto que, positivamente, parece fora do seu tempo. Ele sabe que o que torna um filme realmente bom não se alinha às exigências do cinema atual. Essa coragem é o que falta para resgatar a sétima arte que parece presa em atender demandas, em vez de criar obras de qualidade.

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3. Ainda Estou Aqui
de Walter Salles / Brasil

Não lembro qual foi a última vez que presenciei uma produção nacional repercutir desta forma. Foi comovente assistir em uma sala cheia e, ao final, perceber o silêncio absoluto compartilhado por todos ali, imersos naquele mesmo sentimento. Adaptação do livro de Marcelo Rubens Paiva, “Ainda Estou Aqui” narra um episódio íntimo e doloroso do autor, enquanto resgata um período sombrio da história do Brasil. Vivenciar este filme é como folhear um álbum de fotografias antigas e ser transportado para o passado por um olhar afetuoso, impregnado de saudade. É também sentir esse vazio das lembranças que não foram possíveis de existir devido aos crimes deixados pela Ditadura. Walter Salles entrega um recorte imensamente comovente e escrito com uma sensibilidade rara. E ter uma atriz como Fernanda Torres no papel principal só enriquece ainda mais a experiência. Sua entrega é arrebatadora.

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2. A Substância
de Coralie Fargeat / EUA, França, Reino Unido

Coralie Fargeat usa do terror para fazer uma crítica feroz ao cruel culto à beleza estabelecido no mundo do entretenimento. O filme provoca e extrapola todos os limites possíveis (e é brilhante por isso). A história da atriz que decide usar uma substância para ter uma versão aprimorada de si mesma mexeu com os ânimos do público. A diretora constrói, por meio de imagens perturbadoras, uma experiência sensorial intensamente agressiva, nos surpreendendo com uma imaginação perversa e uma habilidade admirável de romper barreiras. “A Substância” se arrisca a todo instante, não tem medo de exceder ou de ruir. Me bateu a sensação rara de que estava testemunhando um marco, algo que ainda será muito comentado e discutido. São obras com essa audácia que levam o cinema para outra direção. E que alívio saber que ainda existe fôlego e pessoas com essa disposição e coragem.

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1. Vidas Passadas
de Celine Song / EUA

Celine Song, que escreve e dirige, narra uma jornada muito íntima e que, provavelmente, vai bater de uma forma diferente para cada um. E digo que aqui dentro me preencheu como eu não esperava, me fazendo chorar quando eu nem entendia o porquê. Perfeição é uma definição muito complexa dentro da arte, mas vou dizer que “Vidas Passadas” é um daqueles raros casos em que eu não mudaria absolutamente nada. Nem sequer uma vírgula. Tudo acontece por uma razão e cada pequeno detalhe está contando algo. E tudo flui, sempre, pelo melhor caminho possível, sem fraquejar, sem tropeçar, costurando ali uma bela sucessão de acertos. Celine escreve de uma forma muito pessoal e isso faz muita diferença. Há honestidade em cada linha e a sensação de que ela navega por uma lembrança que precisava de cura. Consegue extrair, também, muita naturalidade de cada situação, revelando uma história de amor madura, possível e extremamente realista. O filme narra o desencontro entre Nora (Greta Lee) e Hae Sung (Teo Yoo). Eles seguiram caminhos diferentes na infância e se reencontram, vinte e quatro anos depois, em uma semana que os faz reviver o passado e as escolhas que fizeram ao longo de suas jornadas. A obra me comoveu de uma forma muito intensa, além de ser incrivelmente gostosa de assistir. Fiquei fascinado por todos os diálogos, por todas as cenas. Por cada segundo.

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