10. Mil e Um
de A.V. Rockwell

Belíssimo debute de A.V. Rockwell em uma obra que revela a conturbada relação de uma mãe com seu filho ao longo dos anos. É um cinema poderoso que me pegou desde o primeiro segundo e simplesmente não consegui desgrudar os olhos da tela até seu final esmagador. “Mil e Um” traz uma história de redenção que nunca procura o caminho mais fácil, onde a grandeza do roteiro está na coragem de construir uma protagonista tão humana. A atriz Teyana Taylor revela, com muita honestidade, as fragilidades e garra de sua personagem. O final é de uma sensibilidade que me devastou e me deixou sem ar por alguns instantes. É cru e avassalador ao falar sobre tempo, maternidade e abandono.
.

9. Assassinos da Lua das Flores
de Martin Scorsese

Martin Scorsese entrega mais um filme fantástico! O longa narra a origem do FBI, mas sob a perspectiva daqueles que são investigados. O texto também nos revela o massacre que assolou os Estados Unidos na década de 20 e eliminou silenciosamente as tribos indígenas. É revoltante porque nos faz lembrar que essa é a base de muitas nações. Acompanhamos, gradualmente, essa invasão e o embranquecimento que a cultura dos nativos sofreu ao longo dos anos. Scorsese, com suas rápidas movimentações de câmera, nos hipnotiza e adentramos a esse universo com facilidade. É um trabalho absurdo, grandioso e mais um épico memorável para sua carreira.
.

8. Godzilla Minus One
de Takashi Yamazaki

Quem poderia imaginar que um dos melhores filmes de 2023 seria sobre Godzilla? Depois de uma desastrada franquia norte-americana (que ainda não se encerrou) e tantos remakes e reboots, é natural não criar expectativa alguma quando se trata do monstro no cinema. É então que vem os japoneses, logo após o ótimo “Shin Godzilla”, e dão uma aula de como construir um blockbuster honesto. Muito além dos excelentes efeitos visuais e sonoros, o filme mostra ter um coração enorme e uma preocupação rara em desenvolver uma trama e bons personagens. Uma das maiores surpresas de 2023. É tenso, comovente e, ao fim, bate aquela vontade de levantar e bater palma.
.

7. Monster
de Hirokazu Koreeda

O mestre Koreeda volta a falar sobre temas comuns em seu cinema, como laços de amizade e família, em uma narrativa ousada, que envolve mistério e tensão. Ele desenha um quebra-cabeça intrigante, revelando sua história a partir de três pontos de vista diferentes: o de uma criança, de sua mãe e de seu professor. Cada um desses capítulos nos faz repensar a trama por completo, criando um jogo interessante de interpretação e nos levando a uma jornada afetuosa, potente e surpreendentemente devastadora.
.

6. Earth Mama
de Savanah Leaf

Existe uma linha tênue entre realidade e ficção neste belíssimo debute de Savannah Leaf. Ela nos faz encarar um turbilhão de emoções ao narrar a emotiva jornada de uma jovem que precisa provar para a assistência social de que está apta a cuidar de seus dois filhos pequenos, enquanto está grávida do terceiro. Uma obra que funciona quase como um manifesto, expondo as dores de mães pretas e todo um sistema e uma cultura que apenas aceita vê-las por baixo. Quem está cuidando dessas mulheres? Quem protege essas mulheres? É um relato potente, corajoso e que emociona profundamente.
.

Deixe uma resposta