5. Decisão de Partir
de Park Chan-wook

Não tão mirabolante como os trabalhos anteriores de Park Chan-wook, mas ainda assim, altamente interessante e intrigante. Acompanhamos um detetive obcecado por solucionar um crime milimetricamente bem planejado, enquanto se vê seduzido pela esposa da vítima e também a principal suspeita. Ele costura um thriller envolvente, bem filmado e com uma dupla de protagonistas bastante complexa. Eles possuem uma relação que nos perturba e nos deixam apreensivos sobre como tudo vai terminar.
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4. Oppenheimer
de Christopher Nolan

Com “Oppenheimer”, Christopher Nolan entrega uma de suas obras mais maduras. Assim como seus trabalhos anteriores, temos aqui uma experiência sensorial e que dificilmente será esquecida. Com excelente ritmo, seguimos suas três horas de duração com o coração na mão, mergulhando neste jogo intenso que o diretor propõe. Seja a montagem acelerada, a trilha sonora constante (e magistral) de Ludwig Göransson ou o som elevado. Todos os elementos que compõem essa potente orquestra de Nolan nos deixam a sensação de estarmos presenciando algo épico. Essa imersão nos aproxima do protagonista e dos dilemas éticos que ele precisa enfrentar. O filme termina e nos deixa em estado de êxtase por termos presenciado algo tão imenso, ao mesmo tempo em que nos comove e nos provoca medo.
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3. Compartment No. 6
de Juho Kuosmanen

Iniciar um filme sem qualquer informação prévia é uma dádiva. Tudo o que fui encontrando aqui foi me surpreendendo e não por ter reviravoltas, mas pelo simples fato de ser exatamente o que eu não esperava dele. Me deparei com uma obra que falou diretamente comigo e na sensação de estar deslocado, de perceber que não cabemos em qualquer espaço. Apesar da melancolia, a produção traz esperança ao falar sobre os encontros imprevisíveis da vida, sobre nos deparar com pessoas que nos preencham, que nos permitam ser nós mesmos. É assim que “Compartment No.6” vai se revelando um romance nada óbvio, através de um texto singelo e inesperadamente tocante.
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2. Os Banshees de Inisherin
de Martin McDonagh

Com um elenco e texto brilhante, “Os Banshees de Inisherin” gira inteiramente sobre a separação entre dois amigos de longa data e a confusão de sentimentos que nascem a partir de então. Apesar de contar com um humor afiadíssimo – sim, é possível dar boas risadas aqui – existe uma atmosfera melancólica que permeia por toda esta excêntrica jornada. A verdade é que é fácil se identificar com essa solidão que a obra retrata. Com essa estranha dor de não fazer mais parte da vida de alguém que até ontem nos completava. De querer entender os sentimentos dos outros e buscar, mesmo que nos momentos difíceis, ser gentil com o próximo. Porque gentileza também é um legado. E dos mais duradouros.
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1. As Oito Montanhas
de Felix Van Groeningen e Charlotte Vandermeersch

Existem filmes tão poderosos que nos preenchem de uma forma inexplicável. Posso dizer que “As Oito Montanhas” é um desses e me atingiu profundamente. Ao narrar a história de uma amizade que atravessou o tempo, a obra nos leva a vivenciar uma experiência imersiva, tocante e que ecoa em nossa mente mesmo depois de acabar. Emociona ao falar sobre desencontros, sobre as oportunidades perdidas e as experiências que nunca tivemos a chance de ter. Os sentimentos apresentados são fortes e nos abraçam pela identificação, por nos fazer refletir sobre o curso de nossas próprias vidas e nossas escolhas. Seja por nos lembrar de nossa infância, das amizades, das memórias que guardamos de nossos pais, seja por essa dor de achar que nunca encontraremos nosso lugar no mundo. “As Oito Montanhas” é um filme glorioso e que tem o poder de conversar conosco de diversas formas, mesmo em seu silêncio.
