Os 25 melhores filmes de 2021

2021 acabou (já faz um tempinho) e como de costume aqui no blog, venho apresentar meus filmes favoritos do ano.

A pandemia ainda segue e desde 2020 estamos encontrando novas formas de nos conectarmos ao cinema. Grande parte desses filmes não chegaram à tela grande e o streaming se mostrou uma alternativa ainda muito relevante no nosso dia a dia, assim como o serviço de video on demand (VOD). Isso, por outro lado, acabou fazendo com que algumas obras passassem completamente despercebidas pelo público. Venho, então, de certa forma, com o intuito de destacar algumas produções que merecem mais atenção. 

Foi um ano que consegui assistir muita coisa e espero ter feito uma seleção justa. Lembrando que seleciono aqui apenas os filmes lançados entre janeiro e dezembro de 2021 aqui no Brasil. Espero que gostem dos selecionados e caso não tenham visto algum, já deixo aqui como dicas a serem achadas também.

Menções honrosas: Denis Villeneuve teve a ousadia de dar vida ao complexo universo de “Duna” e entregou um filme majestoso. Experimento musical de Leos Carax, “Annette” foge de qualquer obviedade do gênero. “Não Olhe Para Cima” conseguiu reunir um elenco estelar em uma sátira brilhante de Adam McKay. Fazer boa comédia é para poucos e por isso “Duas Tias Loucas de Férias” merece destaque.

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25. Em um Bairro de Nova York
de Jon M. Chu | EUA

“Em Um Bairro de Nova York” revitaliza com êxito o musical na tela grande. Fazia tempo em que não víamos um filme do gênero desta grandiosidade, que mais parece um milagre de como o diretor Jon M.Chu conseguiu encaixar tudo em uma única produção. É aquela obra que explode, que grita e nos faz querer sair dançando por aí. O hip-hop, em uma interessante mescla com salsa e bolero, atinge instantes de glória. Mais do que falar sobre sonhos, a música aqui vem como um manifesto político (e poético) contra essa marginalização de comunidades imigrantes nos Estados Unidos. Um filme que tem uma energia inesgotável, que vibra, que pulsa em cada pequeno detalhe.

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24. Judas e o Messias Negro
de Shaka King | EUA

Com uma trama que se inicia lá no final da década de 60, o longa traz grandes reflexões sobre desigualdade social, racismo e sobre a corajosa luta dos negros ao longo dos anos. “Judas e o Messias Negro”  traz uma estrutura já comum no cinema, a do infiltrado que se fascina por seu alvo. Ainda assim, o roteiro empolga e costura um suspense hipnotizante, principalmente pelas ótimas atuações do elenco e pela complexidade de sentimentos entregues ali. Uma história triste, revoltante e que causa um grande impacto em nós.

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23. A Filha Perdida
de Maggie Gyllenhaal | EUA

Estreia na direção da atriz Maggie Gyllenhaal, “A Filha Perdida” é uma adaptação do elogiado livro de Elena Ferrante. Lançado pela Netflix, o texto do filme é potente, foge da obviedade e ecoa em nossa mente, justamente porque ficamos remoendo tudo aquilo que não é claramente exposto. A obra acerta ao construir personagens complexas e em nenhum momento busca justificar suas ações ou julgar qualquer movimento questionável. Vem com coragem para discutir o peso da maternidade e esses sentimentos tão velados pela sociedade. As atrizes estão incríveis e o roteiro cria o palco para todas elas brilharem.

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22. O Esquadrão Suicida
de James Gun | EUA

Uma sequência de “Esquadrão Suicida” parecia o caminho mais tolo a ser seguido. É então que o projeto cai nas mãos certas e James Gunn reinicia com vigor a franquia, entregando um produto autêntico e extremamente eficiente. Não é apenas muito prazeroso de assistir como também comprova a esperteza de seu criador. Traz estilo sim, mas o grande acerto aqui se encontra no texto, que sabe dosar o humor, a dramaticidade e, principalmente, sabe como valorizar seus bons personagens. Encontramos aqui uma obra revigorante e feita de muito coração. A mais bela surpresa do ano e uma aula necessária de como conduzir um filme de super-herói.

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21. 007 – Sem Tempo para Morrer
de Cary Fukunaga | Reino Unido

Depois de quinze anos na pele de James Bond, Daniel Craig se despede neste filme que encerra com grande êxito os capítulos comandados pelo ator. Temos aqui uma obra que não descansa, que está sempre seguindo uma nova direção e jamais perdendo a empolgação ou nosso interesse. A relação entre todos os personagens é sempre muito bem conduzida pelo roteiro, que sabe dosar humor, seriedade e sentimentalismo. Uma bela homenagem ao querido agente secreto, que respeita sua trajetória e, principalmente, respeita o público que esteve ao seu lado nesses últimos anos.

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20. Amor e Monstros
de Michael Matthews | EUA

Como é prazeroso encontrar “Amor e Monstros” em pleno 2021. Sua pureza chega a ser nostálgica, estampando um sorriso tonto em meu rosto durante seus minutos. Roteiro esperto, personagens carismáticos e belas mensagens. O filme é, basicamente, sobre um jovem (Dylan O’Brien) que, em um mundo pós-apocalíptico dominado por monstros, decide traçar uma perigosa jornada para encontrar a namorada. Uma bela aventura à moda antiga e muito maior do que parece ser ou do que pretende ser. Um produto raro e um tanto quanto especial.

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19. Luca
de Enrico Casarosa | EUA

Os filmes da Pixar possuem um certo poder. Mesmo quando assumem a simplicidade, conseguem extrair algo grande dali e transbordam. Com “Luca” não é diferente. O protagonista é uma criatura marinha que consegue se passar por humano quando sai do mar e, assim, vai viver como um garoto comum, se camuflando na multidão e apagando sua própria identidade. O poder desta nova animação é usar de uma ideia tão simples para construir uma metáfora brilhante sobre homoafetividade. É uma trama sobre aceitação, respeito e entender que tudo bem ser diferente dos outros. É uma mensagem muito necessária e que pode trazer um impacto muito positivo para as crianças, além de dialogar com muitos adultos que enfrentaram essas tantas lutas na infância. 

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18. Loucos por Justiça
de Anders Thomas Jensen | Dinamarca

Uma grata surpresa de 2021, “Loucos por Justiça” vai muito além da história de luto e vingança do qual tão bem já conhecemos. É uma obra bem amarrada, que se mostra, aos poucos, bastante sensível. A grande graça aqui é acompanhar a relação de um grupo de homens comuns buscando por justiça. O roteiro é brilhante, esperto e navega bem por diversos gêneros. Ao fim, emociona sutilmente ao falar sobre esses laços de amizade e como eles revelam a imprevisibilidade milagrosa da vida.

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17. Mais Que Especiais
de Olivier Nakache, Éric Toledano | França

Inspirado em uma história real, o filme nos revela com sensibilidade a história real de dois homens que criaram duas organizações sem fins lucrativos para abrigar e dar assistência a pessoas com transtornos autistas severos. Interessante como a obra usa de uma narrativa de investigação para decifrar um ato de bondade, de altruísmo. As batalhas diárias vividas pelos protagonistas são mostradas em tom documental e comovem pela honestidade, construindo uma teia de afeto e de transformações milagrosas. “Mais Que Especiais”, ao fim, soa como uma bela celebração à vida, a apostar no próximo, a lutar pela inclusão do outro. Emociona porque fala com verdade, porque tem coração presente em cada instante.

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16. Raya e o Último Dragão
de Carlos López Estrada, Don Hall | EUA

Mais do que uma experiência agradável e empolgante, a animação da Disney traz reflexões necessárias. A trama coloca uma jovem guerreira em uma aventura para salvar sua comunidade e encanta pelo carisma dos personagens e pelo texto que está sempre trazendo elementos novos para a narrativa. “Raya e o Último Dragão” vem para nos lembrar sobre o quanto perdemos quando desistimos do mundo, quando não depositamos fé no próximo. Um voto de confiança é necessário porque ele traz poder, ele transforma e nos permite evoluir.

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15. Deserto Particular
de Aly Muritiba | Brasil

O grande filme nacional do ano, “Deserto Particular” entrega uma delicada história de amor no tempo dos desafetos. A trama envolve um policial que atravessa o país para encontrar uma mulher que só conhecia virtualmente. Esse encontro cara a cara desencadeia uma série de frustrações, medos e revela uma imensa necessidade do contato, de toque. Uma obra poética, sensível e que diz muito em seu silêncio. Emociona porque cria identificação, porque é cru e real. Porque é extremamente humano.

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14. Palmer
de Fisher Stevens | EUA

A obra se mostra bastante necessária ao nosso tempo ao falar de um tema um tanto quanto tabu ainda hoje: a homossexualidade na infância. O filme narra o interessante encontro entre um ex-presidiário (Justin Timberlake) e um pequeno garoto rejeitado por ser quem é. Belo a forma como o roteiro vai construindo essa relação, emocionando de forma honesta e arrebatadora. Não vem com discursos prontos sobre redenção, segundas chances ou sobre ser quem você deseja ser. As situações são apresentadas e se desenvolvem de forma natural, sem parecer pedante ou didáticas. Comove porque não clama por isso e porque é respeitoso o suficiente para tratar de temas delicados da maneira como precisávamos ouvir. “Palmer” é, acima de tudo, um filme gentil, terno e acolhedor.

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13. Bela Vingança
de Emerald Fennell | EUA

Uma obra que causa um extremo desconforto e que não é de fácil digestão. Carey Mulligan está incrível em cena e aqui ela dá vida à Cassandra, uma mulher misteriosa que frequenta bares à noite e se finge de bêbada para atacar homens assediadores que exploram a vulnerabilidade da mulher nessas condições. O roteiro é inteligente e sai constantemente do lugar comum ao falar sobre vingança e reformula por completo filmes que já abordaram o mesmo tema. Ao mesmo tempo em que é acidamente sedutor e divertido,  “Promising Young Woman” entrega um material doloroso, cruel e impactante.

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12. O Último Duelo
de Ridley Scott | Reino Unido

Com direção de Ridley Scott, a obra investiga o último julgamento travado por um duelo mortal na França. Apesar de ser um filme medieval, a trama é bastante atual ao falar sobre uma mulher vai contra toda a sociedade quando ela decide expor um caso abuso sexual. O filme se divide em três capítulos e retoma os mesmos eventos para revelar as diferentes perspectivas dos três personagens centrais. O texto é bastante crítico ao apontar que, ao fim, mesmo quando é a palavra de uma mulher que está em jogo, tudo é sobre a honra e glória dos homens, sobre a postura deles diante dos outros. E isso dói de assistir.

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11. First Cow
de Kelly Reichardt | EUA

Que experiência boa é ver “First Cow”. A diretora Kelly Reichardt entrega um produto especial e digno de apreciação. Ela narra com bastante carinho uma história de amizade entre dois homens em uma era de descobertas nos Estados Unidos de 1820. Sem pretensão, a trama estampa um sorriso em nosso rosto e encanta pela trajetória desses personagens.  “First Cow” é um conto tocante sobre pessoas tentando vencer na vida. É simples, contemplativo, envolvente e cativante.

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10. Tick, Tick… Boom!
de Lin-Manuel Miranda | EUA

Com “tick, tick…BOOM!”, Lin-Manuel Miranda faz sua declaração de amor aos musicais, enquanto homenageia seu grande ídolo, Jonathan Larson, a mente brilhante por trás de “Rent”. É uma obra especial e, ao mesmo tempo, dolorosa, porque Larson é a personificação dos sonhos, mas também da efemeridade da vida. Como é fácil ter 30 anos e se ver ali na tela. Mais do que os dramas de um artista frustrado, o longa é um retrato poderoso dessa geração ansiosa. Que teme não ter o tempo necessário, teme não conquistar quando todos ao redor estão desfrutando do sucesso. Andrew Garfield está incrível e rapidamente nos faz abraçar esses seus anseios e nos emociona.

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9. No Ritmo do Coração
de Sian Heder | Canadá

O francês “A Família Bélier” é ótimo sim, mas não deixa de ser surpreendente o fato desse remake ter dado tão certo. O longa conquista pela sensibilidade ao narrar a história de uma jovem (Emilia Jones) que fica dividida entre viver o grande sonho de sua vida e cuidar da família, onde todos são surdos. É forte esse dilema enfrentado pela protagonista porque nunca depende de decisões fáceis. Seguir seu sonho é quase como abandonar, rejeitar seu ninho. O roteiro é belíssimo e avança por essas nuances com delicadeza e sem frear essa capacidade de nos fazer chorar. “O Ritmo do Coração” é lindo e atinge nosso coração com força.

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8. Cruella
de Craig Gillespie | EUA

“Cruella” é um acontecimento. Alcança um nível tão alto de qualidade que torna todos os outros live-actions da Disney menos interessantes. É tudo o que os anteriores tentaram mas não conseguiram ser. Esse tem vida própria e não se contenta em ser apenas um favor confortável aos fãs. O filme tem como intuito mostrar os eventos antes daqueles que conhecemos em “101 Dálmatas” e a peculiar ascensão de sua adorável vilã. O filme, que tem excelente ritmo, é uma experiência revigorante de vingança, moda e punk.  “Cruella” é inventivo, tem personalidade e uma energia que vibra. Um espetáculo a ser apreciado.

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7. Nove Dias
de Edson Oda | EUA

Aquele tipo de filme com o poder de nos acolher e nos abraçar. A obra nos leva para uma realidade mística, onde um homem (Winston Duke) precisa entrevistar algumas almas durante nove dias para decidir qual delas é digna de viver. Sua trama nos faz pensar muito em nossa existência aqui na Terra e sobre o quanto somos peculiares a nossa forma. “Nove Dias” encanta pelas situações que narra e pela sensibilidade de falar sobre a vida. Nos toca porque fala diretamente com nosso coração e nos relembra o milagre que é estar aqui.

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6. Ataque dos Cães
de Jane Campion | Reino Unido, Austrália, Nova Zelândia

Com “Ataque dos Cães”, a renomada Jane Campion vem para contestar o faroeste e dar voz a sentimentos não explorados dentro do gênero em uma obra contemplativa e silenciosa. O filme nos mostra o embate entre um cowboy amargurado (Benedict Cumberbatch) e a nova família que seu irmão tenta construir. Quando as ações dos personagens nunca são claras, o longa se transforma em um suspense enigmático e estranhamente convidativo. As emoções são expressadas em pequenas ações, em detalhes e olhares. É assim que a obra se torna quase que uma experiência sensorial, porque nada vem de forma expositiva, mas ainda assim nos golpeia com força.

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5. Quo Vadis, Aida?
de Jasmila Žbanic | Bósnia e Herzegovina

“Quo Vadis, Aida?” é um drama que mexe com os nervos do público, sendo difícil sair ileso por tudo o que nos apresenta. A trama acontece nos anos 90, quando o exército Sérvio invade as fronteiras da Bósnia e nossa corajosa protagonista, dentro de um campo de refugiados, se desdobra para tentar proteger sua família. Temos aqui um filme devastador, dilacerante e que nos faz sentir a impotência diante de um genocídio. É sufocante, tenso e nos deixa sem chão ao fim. Como cinema, um exercício narrativo primoroso, repleto de sensações e que facilmente nos causa impacto.

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4. Val
de Ting Poo, Leo Scott | EUA

“Val” me acertou em cheio. Me fez sentir algo que nenhuma outra obra do ano me fez sentir. Com uma dor profunda no peito, terminei de vê-lo sem estruturas. O documentário nasce para ser uma cinebiografia do ator Val Kilmer, mas vai muito além daquela trajetória que já conhecemos de fama, ascensão e fracasso. Impressiona pelo imenso acervo e como registro de uma história, nos permite mergulhar na intimidade do ator, nas suas mais dolorosas lembranças. É o registro do tempo, do envelhecimento, das perdas. Do ídolo rejeitado. A obra distorce essa visão que temos dele e emociona ao falar sobre o homem que viveu por sua paixão pelo cinema, sobre o homem que viveu uma ilusão, que respira ainda hoje por seus sonhos.

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3. Druk – Mais uma Rodada
de Thomas Vinterberg | Dinamarca

Quatro amigos e professores, vivendo pela inércia da rotina, decidem provar uma tese de que, ao ingerirem uma quantidade específica de álcool todos os dias, se tornariam mais confiantes em suas ações. São homens de meia idade buscando esse renascimento, se reconectando com a juventude que deixaram para trás. O cineasta Thomas Vinterberg cria aqui uma obra ousada, que caminha por rumos delicados. Ele sabe como conduzir esse discurso sem cair em um campo perigoso e irresponsável, entregando um produto elegante, divertido e sutilmente comovente. Vinterberg faz um filme festivo quando teve uma grande perda em sua vida pessoal. “Druk” é seu grito de dor, sua força, sua razão de ainda estar em pé.

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2. Nomadland
de Chloé Zhao | EUA

Existe uma linha tênue que separa o documental e a ficção no cinema de Chloé Zhao. Em “Nomadland”, ela faz um registo bastante íntimo sobre a vida nômade através do singelo olhar de Fern, brilhantemente interpretada por Frances McDormand, que após enfrentar um colapso econômico em sua cidade, traça uma jornada sem destino pelos Estados Unidos. Ela é a soma de muitas conversas, encontros e ciclos que nunca se fecham. A diretora realiza um filme único e especial, que nos toca, nos fazendo viver, durante seus belos minutos, essa vida que não é nossa. Aqui tudo é história, tudo é sentimento e tudo é real. “Nomadland” é imenso.

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1. Meu Pai
de Florian Zeller | EUA, França, Reino Unido

Tenho uma relação muito pessoal com “Meu Pai”, porque parte dos dramas narrados aqui eu vivo dentro de casa. Por isso é um filme que me atingiu com muita força, porque aqueles tantos sentimentos fazem sentido para mim. A obra nos coloca para dentro de um apartamento, onde vemos de perto a difícil relação entre uma filha (Olivia Colman) e seu pai (Anthony Hopkins), que enfrenta o doloroso processo de perda de memória. O texto é honesto e nos conforta ao falar, com extrema precisão, sobre o Alzheimer. Me senti acolhido, compreendido talvez. É brilhante como o roteiro encontra para ilustrar essa confusão do pai. Nos coloca dentro de sua mente e nos faz duvidar junto com ele, sentindo essa mágoa por não ter mais controle de tudo o que muda, o que se altera, o que se apaga. “Meu Pai” nos choca porque nos lembra deste processo inevitável que é envelhecer e como isso, às vezes, pode ser cruel e solitário.

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E para você? Qual o melhor filme de 2021?

Os 15 melhores atores coadjuvantes de 2021

Retomando aqui com as listas de melhores do cinema em 2021, venho para revelar minhas atuações masculinas favoritas em papéis coadjuvantes.

Mesmo com personagens menores em cena, esses atores se destacaram e merecem esse reconhecimento! Espero que gostem dos selecionados e deixem nos comentários os favoritos de vocês.

Lembrando que selecionei atuações apenas de filmes lançados entre janeiro e dezembro de 2021 aqui no Brasil, no cinema ou VOD, independente do lançamento em seus respectivos países de origem.

15. Mike Faist
(Amor, Sublime Amor)

Confesso que não gosto de muita coisa em “Amor, Sublime Amor”, nem no original e nem nesse remake. Ainda assim, algo me chamou bastante atenção aqui…a presença de Mike Faist. Ator novato, ele simplesmente preenche as cenas em que faz parte. Com voz potente e uma postura segura diante da câmera, ele faz de Riff, o líder dos Jets, um outro grande espetáculo no meio do musical.

14. Jon Bernthal
(King Richard: Criando Campeãs)

Jon é uma figura curiosa no cinema. Revelação na série “The Walking Dead”, o ator consegue realizar transformações notáveis em cada novo papel. Como o treinador de tênis Rick Macci no drama “King Richard”, o ator cria uma persona divertida, entusiasmada e bastante real. Sua entrada no filme é tão positiva que parece que o faz ganhar mais fôlego.

13. Orion Lee
(First Cow)

“First Cow” é uma obra permeada por sensibilidade e sutileza. Orion Lee faz parte desse universo construído pela diretora e entrega uma atuação contida, mas extremamente humana e terna. Na pele de um chinês fugitivo, que passa a roubar ingredientes para vender bolos fritos, ele nos faz torcer por ele mesmo diante de seus equívocos.

12. Colman Domingo
(Zola)

Colman Domingo tem crescido bastante nesses últimos anos e conseguido papéis cada vez mais desafiadores. Em “Zola”, ele encara um cafetão malandro e de caráter duvidoso, mas sua performance tem charme e passa uma verdade, por vezes, assustadora. Um grande ator que, espero, seja mais reconhecido daqui para frente.

11. Robin de Jesús
(Tick, Tick… Boom!)

“Tick, tick…BOOM!” é um relato desses jovens adultos esperançosos pelo sucesso, mas que sempre se trombam com o fracasso. Robin de Jesús poderia ser apenas o “melhor amigo do protagonista”, mas felizmente o roteiro lhe permite brilhar nesse musical pulsante. Um dos melhores discursos da obra vem dele, quando revela o que é ser jovem e estar com Aids, quando tudo o que não tem é tempo para sonhar. É um instante poderoso e o ator entrega tudo ali.

10. Richard Jenkins
(Falsos Milionários)

Como um pai problemático e trambiqueiro, o veterano Richard Jenkins brilha. O ator entra na bizarrice proposta pela diretora e roteirista Miranda July, e faz deste personagem odiável um ser carismático e até mesmo divertido de assistir. Tudo muito excêntrico, mas estranhamente adorável. Richard é um baita ator sempre.

9. Rodrigo Santoro
(7 Prisioneiros)

Uma das transformações mais surpreendentes do ano foi a de Rodrigo Santoro como o antagonista de “7 Prisioneiros”, drama nacional da Netflix. Ele dá vida para Luca, um chefe rigoroso de um ferro velho que passa a controlar um sistema de tráfico humano. Um personagem assustador, que incomoda, mas ainda assim o ator consegue trazer camadas e torná-lo humano aos nossos olhos.

8. Troy Kotsur
(No Ritmo do Coração)

Troy Kotsur é um ator surdo e isso torna sua presença no belíssimo “No Ritmo do Coração” extremamente necessária. Talvez um ator não surdo para esse papel, buscaria uma dramaticidade forçada, mas aqui ele encontra o tom certo para dar vida ao patriarca da família principal. Extremamente espontâneo, carismático e doce, Troy constrói um personagem adorável e muito honesto.

7. Nikolaj Lie Kaas
(Loucos por Justiça)

Sabe quando você assiste a um filme e você não consegue imaginar aquele ator sendo diferente daquele personagem? Por não conhecer Nikolaj Lie Kaas nada me tirava a ideia de que ele fosse exatamente aquilo, extrema naturalidade que ele encontra para viver o introspectivo e calculista Otto. A verdade é que o ator dinamarquês é extremamente diferente daquilo, o que me deixou espantado. Uma transformação tão genuína e tão real.

6. Michael Stuhlbarg
(Shirley)

O verdadeiro camaleão. Michael é daqueles atores que renascem a cada novo filme. Aqui ele interpreta o marido tóxico da escritora Shirley Jackson, no potente thriller “Shirley”. Sua presença traz incômodo e uma estranha sensação de perigo. Como sempre, fantástica atuação.

5. Leslie Odom Jr.
(Uma Noite em Miami)

Vivendo o cantor e compositor Sam Cooke, Leslie não apenas surpreende por sua bela voz, como também por sua potente interpretação. É uma entrega muito honesta e feita de muito coração. Isso é tão nítido que nós, o público, sentimos do lado de cá. O instante final em que ele canta na televisão em uma época chave da revolução cultural norte-americana, é tão sutil e ao mesmo tempo tão grandiosa, tão cheia de verdade.

4. David Strathairn
(Nomadland)

“Nomadland” é um filme que mistura realidade e ficção e isso requer um cuidado muito grande dos atores. David nunca foi muito reconhecido, mas merecia e sua presença aqui é mais uma prova disso. Ele transmite tanta naturalidade como Dave, o homem que cruza o caminho solitário da protagonista, que facilmente acreditamos que aquele homem vive aquela vida, exatamente daquela forma. O ator traz verdade e muito sentimento em cena.

3. Tahar Rahim
(O Mauritano)

Um personagem difícil e Tahar encontra o tom certo para viver o mauritano Mohamedou Slahi, que viveu durante quatorze anos encarcerado em Guantánamo sem ter cometido crime algum. É uma trajetória dolorosa e o ator nos carrega ao seu lado, nos faz vivenciar dessa dor, dessa constante angústia, mas sem jamais deixar de lado seu carisma e sua esperança de um dia ser livre.

2. Kodi Smit-McPhee
(Ataque dos Cães)

Em “Ataque dos Cães” vemos um embate silencioso entre três personagens centrais. Essa dinâmica cria quase que um thriller psicológico que se sustenta não apenas do belíssimo roteiro como também das grandes atuações. O jovem Kodi Smit-McPhee surpreende porque esse é seu primeiro papel mais desafiador de sua carreira e ele se doa por completo. Enigmático, sua performance nos hipnotiza e ao final compreendemos o quão gigante ele foi.

1. Daniel Kaluuya
(Judas e o Messias Negro)

Na pele de Fred Hampton, líder dos Panteras Negras, Daniel entrega sua mais potente atuação. Existe garra e força quando ele precisa se impor, mas o ator também nunca esconde as fragilidades do personagem. O instante de seu monólogo “eu sou um revolucionário” é de arrepiar. Intenso e cheio de honestidade, o ator entrega a grande atuação masculina do ano em um papel coadjuvante.

Crítica: Loucos por Justiça

A imprevisibilidade milagrosa da vida

Uma grata surpresa de 2021, “Loucos por Justiça” vai muito além da história de luto e vingança do qual tão bem já conhecemos. É uma obra bem amarrada, que se revela, aos poucos, uma sensível e surpreendente dramédia.

A trama gira em torno de coincidências e como nossa jornada é impulsionada por atos improváveis. É curioso como, ao centro de tudo isso, está Otto (Nikolaj Lie Kaas), um homem que trabalha com estatísticas e cálculos de probabilidade. Após estar no exato vagão colidido de um trem que deixa algumas vítimas, ele se coloca na missão de provar que tudo aquilo não foi um acidente e tudo teve uma razão para acontecer. É então que ele entra em contato com Markus (Mads Mikkelsen), que perdeu a esposa nesse mesmo trem e decide ir atrás de vingança, seguindo os cálculos precisos de Otto, convictos de se tratar de uma ação extremista de uma gangue.

A grande graça da obra é acompanhar a evolução dessas relações tão improváveis, de um grupo de homens comuns buscando por justiça. O humor é dosado, mas diverte nessa jornada insanamente intrigante. O roteiro do renomado Anders Thomas Jensen (Em Um Mundo Melhor, Depois do Casamento) é esperto e navega bem por diversos gêneros. Fala, também, com bastante sensibilidade sobre luto, ao colocar em ação esses personagens solitários, que perderam alguém e buscam, no meio do caos, uma razão, uma pessoa a ser punida. É sempre mais fácil quando temos alguém a atribuir uma culpa e não viver com o fardo do “tinha que ser assim”, “aconteceu porque tinha que acontecer”.

Tem muita sintonia esse elenco que faz tudo ser ainda mais agradável de se acompanhar. Mads é dono de um carisma imenso, mesmo quando surge tão carrancudo. Sua presença tem força, sempre. Os coadjuvantes são incríveis também, se destacando o brilho de Nikolaj Lie Kaas, que emociona na pele do desajustado Otto. Esse homem que usa de seus estudos e dados para se certificar de que nem tudo é por acaso, que nem todo acidente é uma simples coincidência. Ao fim, no entanto, esses laços de amizade que se fortalecem revelam a imprevisibilidade milagrosa que a vida pode ser, um evento do destino que reúne pessoas tão distantes no mesmo rumo. Encontrar a lógica na vida pode ser um ato desgastante. Mesmo que liguemos todos os pontos, nada fará sentido. Nunca fará.

NOTA: 9,0

País de origem: Dinamarca
Ano: 2020
Título original: Retfærdighedens Ryttere / Riders of Justice
Duração: 116 minutos
Diretor: Anders Thomas Jensen
Roteiro: Anders Thomas Jensen
Elenco: Mads Mikkelsen, Nikolaj Lie Kaas, Andrea Heick Gadeberg, Nicolas Bro, Gustav Lindh