Alien na máxima potência

Nunca escondi meu apreço por “Alien” e, de tempos em tempos, gosto de revisitar o clássico de 1979. Sou um grande fã de tudo o que Ridley Scott construiu naquele filme, então toda vez que uma sequência é anunciada, fico em um misto de animação e receio de que o legado do original possa ser comprometido. Afinal, nem mesmo Scott conseguiu bons resultados com as duas prequels que lançou. No entanto, nas mãos de Fede Alvarez, especialista no universo do terror, a franquia ganha novo fôlego. Ele revitaliza a saga e resgata o que ela teve de melhor.

Situado cronologicamente entre o primeiro e o segundo filme, “Alien Romulus” acompanha um grupo de jovens colonos que, em busca de uma vida melhor, acabam descobrindo uma estação espacial abandonada. Naturalmente, eles não estarão sozinhos e terão que lutar pela sobrevivência. A premissa é simples, mas funciona bem. Fede Alvarez consegue equilibrar a tensão claustrofóbica e psicológica do clássico de 79 com a ação frenética que James Cameron entregou em 1986.

“Alien Romulus” é a renovação que a franquia precisava, trazendo novidades e um alívio após tantos fracassos. Embora seja um filme de estúdio, criado para atender à demanda e cheio de fan service, finalmente temos um roteiro que respeita as criações do original e explora o universo de “Alien” na máxima potência. O resultado é um thriller de ficção científica repleto de boas ideias, que mantém a tensão do começo ao fim. É sombrio, intenso e, em vários momentos, aterrorizante.

O filme encontra soluções criativas para manter o terror, não se limitando apenas à criatura em si. O uso inovador da gravidade e do ácido concentrado, além da tensão provocada pela ambiguidade dos protagonistas, enriquece a experiência. Também se destaca pelo uso de efeitos práticos, além do som e da trilha sonora, que tornam a experiência ainda mais imersiva e impactante.

No entanto, assim como os filmes anteriores, este deixa a desejar no que diz respeito ao grupo de personagens. Exceto pela boa interação entre os protagonistas Rain e o sintético Andy, interpretados de maneira sólida por Cailee Spaeny e David Johnson, o restante do elenco soa descartável, o que enfraquece a jornada.

Com suas naves sujas e futurismo retrô, além de impressionantes sequências de terror, Fede Alvarez acerta na nostalgia enquanto cativa um novo público. Ao contrário de muitos reboots e continuações de clássicos que Hollywood tem produzido, “Alien Romulus” não se contenta em ser apenas uma homenagem. É inventivo, brutal e se distancia da cópia. Embora não seja perfeito, é definitivamente a sequência que melhor captura a essência do original e o melhor a explorar as possibilidades desse universo.

NOTA: 8,5

País de origem: EUA
Ano: 2024
Duração: 119 minutos
Diretor: Fede Alvarez
Roteiro: Fede Alvarez, Rodo Sayagues
Elenco: Cailee Spaeny, David Jonsson, Archie Renaux, Isabela Merced, Spike Fearn, Aileen Wu

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