Os 25 melhores filmes de 2020

2020 foi um grande e longo filme de terror. No meio de uma pandemia e nossas tantas crises pessoais que se iniciaram, a arte veio para ser nosso suporte. Ainda que os cinemas tenham sido fechados e mesmo quando reabertos, optamos por não ir, os filmes ainda estiveram presentes em nossas vidas. Alguns poucos vistos na tela grande, outros em plataformas de streaming ou VOD. Foi um ano que consegui assistir bastante coisa e por isso esta lista é tão especial, porque resume bem tudo o que descobri de melhor.

Os filmes que seleciono aqui foram lançados no Brasil entre janeiro e dezembro de 2020. Espero que gostem dos selecionados e caso não tenham visto algum, já deixo aqui como dicas a serem achadas também.

Menções honrosas: “Host” entregou um terror refinado mesmo com um baixíssimo orçamento e merece destaque. Sacha Baron Cohen foi gênio e fez de “Borat: Fita de Cinema Seguinte” uma sequência incrível e superior ao original. “On The Rocks” foi um belíssimo e cativante retorno de Sofia Coppola ao cinema e a animação “Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica” foi mais um divertido e emocionante acerto da Pixar.

25. O Homem Invisível
de Leigh Whannell | EUA

“O Homem Invisível” é a prova de que remakes não precisam seguir à risca a matéria original. É possível se ter um olhar diferente sobre o mesmo universo e o longa de Leigh Whannell teve essa ousadia de propor algo diferente do que já existia. O terror está ali, a tensão e a protagonista tentando escapar do homem que ninguém vê. A obra, com muita perspicácia, reformula a ideia e traz temas muito atuais para dentro da história. Elisabeth Moss está ótima.

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24. O Diabo de Cada Dia
de Antonio Campos | EUA

Filmes que se vendem pelo grande elenco geralmente dão muito errado. Felizmente, “O Diabo de Cada Dia” acerta ao não tentar se manter pelas boas atuações e sim na boa trama que ali é construída e na profundidade de cada indivíduo retratado. O longa de Antonio Campos revela essa sociedade grotesca que tem como base o fanatismo religioso e como uma pequena ideia apresentada lá no início se desenrola modificando a história de diversos personagens. É inteligente, bem desenvolvido e me lembrou muito o cinema dos anos 90, o que é um baita de um elogio.

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23. A Assistente
de Kitty Green | EUA

“A Assistente” é um filme simples, pequeno, mas de uma importância e relevância gigantesca no cenário atual. Vinda de uma carreira em documentários, a diretora Kitty Green faz um aqui um recorte poderoso sobre os bastidores do entretenimento que deram origem à movimentos como o #metoo. Através de uma protagonista ingenua, defendida muito bem por Julia Garner, somos colocados para dentro de um ambiente tóxico de trabalho, onde o assédio sexual existe e todos fingem não ver. É assustadoramente possível e um discurso que precisava ser dito.

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22. O Preço da Verdade – Dark Waters
de Todd Haynes | EUA

Sob o comando do cultuado Todd Haynes, o longa é baseado em um caso real, onde um advogado (Mark Ruffalo, em ótima performance), especializado em meio ambiente, entra na justiça contra uma poderosa corporação que despejava resíduos químicos no abastecimento de água de uma região. Indo muito além do simples “filme denúncia”, temos aqui uma produção fantástica e um diretor atento aos detalhes, que preza pela qualidade de sua história assim como pelo poder de suas imagens. O roteiro é excepcional e nos deixa completamente abismados por seus assustadores desdobramentos.

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21. Luce
de Julius Onah | EUA

Adaptação de uma peça teatral, “Luce” é um poderoso thriller psicológico que narra a conflituosa relação entre quatro personagens centrais. É o tipo de filme que cresce lentamente, que inicia com uma problemática pequena mas que acaba ganhando proporções cada vez mais assustadoras. Lento na medida, a obra caminha como se uma bomba pudesse explodir a cada instante. A complexidade de cada personagem permite que a trama siga por caminhos imprevisíveis e torne este provocativo embate – de racismo em um ambiente escolar – em uma experiência intensa e reveladora.

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20. Professor Polvo
de James Reed, Pippa Ehrlich | EUA, Singapura

Nunca pensei que eu poderia chorar vendo um filme sobre um polvo, mas esta deslumbrante produção da Netflix me permitiu isso. O documentário nos mostra a emocionante aventura de um cineasta em uma floresta subaquática da África do Sul, onde desenvolve uma inusitada relação de amizade com um polvo. O filme nos faz desvendar ao seu lado os mistérios daquele mundo tão desconhecido e nos fazer refletir sobre o milagre que é a natureza. Sobre o milagre que é a vida. Sobre o quão grande e poderoso é o ato de existir.

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19. Nunca, Raramente, Às Vezes, Sempre
de Eliza Hittman | EUA, Reino Unido, Irlanda do Norte

Requer muita coragem debater sobre aborto por ser um tema ainda muito tabu em nossa sociedade. “Nunca, Raramente, Às Vezes, Sempre” revela de forma crua, sutil e arrebatadora a jornada de uma jovem que, para interromper uma gravidez indesejada, decide ir até Nova York realizar um aborto. É um caminho lento, silencioso, mas de uma força esmagadora. A diretora Eliza Hittman traz uma abordagem bastante naturalista e próxima ao documental, através de um roteiro que foge de explicações óbvias ou julgamentos.

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18. As Ondas
de Trey Edward Shults | EUA

Ao narrar a dolorosa jornada de uma família norte-americana, corrompida por eventos trágicos, o diretor Trey Edward Shults constrói uma obra imersiva, intensa e cheia de excessos. A produção nos lança na velocidade de uma onda, turbulenta e cruel ao início até que se encontra a estabilidade. É desta forma que somos apresentados basicamente a dois filmes dentro de um. Quase como o lado A e lado B de um disco de vinil, logo que sempre somos guiados pelas batidas das músicas. “As Ondas” tem um ritmo alucinante, o que torna seus minutos em uma experiência sem igual e prazerosa.

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17. Queen & Slim
de Melina Matsoukas | EUA

Mais do que uma bem-vinda releitura de Bonnie e Clyde e aquela velha história do casal que foge após cometer um crime, “Queen & Slim” usa desta simples premissa para revelar um debate poderoso sobre a luta e resistência negra. O filme, incrivelmente comandado pela diretora Melina Matsoukas, diz muito sobre como essa estrutura racista, ainda que velada em nossa sociedade, transforma as interações humanas. É um belo e corajoso recorte, ilustrado em um deslumbrante road movie.

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16. Uma Vida Oculta
de Terrence Malick | Alemanha, EUA, Reino Unido, Irlanda do Norte

Retorno à boa forma do cineasta Terrence Malick, o longa narra a emocionante jornada de um soldado desertor austríaco na Segunda Guerra Mundial, que ao negar-se a lutar ao lado de Hitler, se torna fugitivo dentro de seu próprio país. É um cinema ainda bastante contemplativo, poético, reflexivo. Que nos faz mergulhar pelos pensamentos e pelas crises existenciais de seus personagens. Através de belas palavras de um texto extremamente delicado, conhecemos o íntimo de seu bravo protagonista. Sua garra, seus sonhos destruídos, sua dor e suas crenças.

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15. Bem-Vindo à Chechênia
de David France | EUA

“Bem-Vindo à Chechênia” é um soco doloroso. Documentário extremamente urgente e necessário sobre a perseguição sofrida pelos LGBTs em território russo. Acompanhamos um grupo de ativistas tentando encontrar abrigo e fuga para jovens que foram brutalmente torturados. Todos os relatos são assustadores principalmente porque há provas desses tantos crimes. Porque os criminosos têm nomes e endereços, mas ainda assim as autoridades do país se negam a reconhecer essas atrocidades. Como filme denúncia é um grande passo para o cinema também, por conseguir aplicar o deepfake na face daqueles que não podem falar. Justamente por isso é lindo e inspirador o instante em que um deles ganha finalmente um rosto na tela, quando ele passa a ser voz que ousa defender toda sua comunidade.

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14. Má Educação
de Cory Finley | EUA

“Má Educação” nos revela o maior caso real de corrupção já existente em uma escola pública nos Estados Unidos. O escândalo verídico ganha vida através de um roteiro esperto, que foge dos clichês de investigação jornalística e aposta na desconstrução do herói, aqui muito bem defendido por Hugh Jackman. É um personagem carismático e ao mesmo tempo uma grande incógnita. Um filme empolgante, bem construído e que enaltece cada ótimo desdobramento que tem em mãos. Se no começo mal sabemos onde a produção quer chegar, ao seu fim, estamos em choque pelo quão longe ela chegou. Simples, inteligente e fantástico.

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13. Você Não Estava Aqui
de Ken Loach | Bélgica, França, Reino Unido, Irlanda do Norte

“Você Não Estava Aqui” é mais um bom registro naturalista do britânico Ken Loach, que aqui causa impacto por suas grandes reflexões. Se aproxima do documentário ao falar da relação do homem com sua jornada de trabalho e nesta falsa sensação de liberdade que a “uberização” atual nos vende. No filme, uma empresa de entregas tenta motivar seus funcionários a serem empreendedores. O roteiro investiga o impacto que isso tem na vida de uma família e choca pela veracidade dos fatos. Um recorte preciso, honesto e bastante sensível.

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12. A Sun
de Mong-Hong Chung | Taiwan

Produção taiwanesa que acompanha uma família destruída por dois eventos trágicos. Esta é a base de uma história poderosa e emocionante, que ganha desdobramentos cada vez mais interessantes. O roteiro é brilhante e nos mantém presos, cativados por seus bons personagens e pela batalha interna que cada um constrói ali. É lindo como tudo flui com a mesma naturalidade da vida. A perda, a dor, a superação. Tudo guiado por um ato de bondade ou uma vontade de recomeçar. Uma jornada que envolve perdão, empatia, redenção e jamais narra isso de maneira óbvia ou de fáceis conclusões.

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11. Transtorno Explosivo
de Nora Fingscheidt | Alemanha

Intenso drama alemão, o longa nos conta a conturbada jornada de Benni, uma garota de apenas nove anos que vive em lares adotivos devido seu comportamento explosivo e seus surtos de raiva. É poderosa toda a construção da obra que nos deixa imersos neste universo único e violento no qual vive a protagonista, incrivelmente defendida pela jovem Helena Zengel. As cenas em que ela é doce ou tenta impressionar os outros por medo da solidão são de cortar o coração. Um registro potente e corajoso de uma infância incomum, que nos destrói e ao mesmo tempo nos encanta pela sensibilidade. É forte e dilacerante.

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10. Corpus Christi
de Jan Komasa | Polônia

“Corpus Christi”, que chegou a ser indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, questiona a hipocrisia dos cidadãos de bem que pregam uma religião. A trama é bastante curiosa e nos intriga, nos levando a acompanhar a inusitada jornada de Daniel, um jovem problemático vindo de um reformatório, que se passa por padre de uma paróquia em um pequeno e conservador vilarejo. Existe coragem nos belos discursos da obra, que vem não para questionar a fé ou diminuir o valor do cristianismo. Vem para indagar, nos fazer olhar para a farsa. Não a farsa do jovem que se faz de padre, mas da farsa que vemos todos os dias, da de pessoas que usam da fé como discurso de ódio. Desta “religião” sem nenhum senso de bondade, igualdade e perdão.

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9. The 40-Year-Old Version
de Radha Black | EUA

Facilmente uma das produções mais interessantes que a Netflix lançou em 2020. Estreia de Radha Blank na direção, que imprime, em seu fascinante texto, sua luta diária como mulher, preta e artista. Ela se coloca como protagonista da própria história – da escritora de 40 anos que nunca teve espaço para realizar sua arte – e faz de “The 40-Year-Old Version” o seu grande manifesto. De forma ousada e sincera, ela aponta uma ferida antiga dentro do cinema, onde o preto apenas tem espaço para ilustrar uma pobreza estereotipada e servir de troféu para histórias de brancos salvadores. Ela traz humor em seu relato, sem jamais diminuir o impacto de seu poderoso e necessário discurso. Um filme brilhante que, definitivamente, precisava existir.

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8. Belle Époque
de Nicolas Bedos | França

“Belle Époque” é o filme que 2020 precisava. Comédia francesa leve e incrivelmente apaixonante de Nicolas Bedos, que narra a divertida história de um senhor que contrata uma empresa que o permite reviver o dia mais especial de sua vida: quando ele conheceu sua esposa. É uma produção leve, mágica, imensamente encantadora, que nos causa fascínio ao transitar entre passado e presente, entre realidade e ficção. “Belle Époque” é poesia aos saudosistas que nesta reencenação do começo de uma história de amor, nos faz pensar em como criamos expectativas em uma relação baseados na perfeição do início. Somos tolos ao buscar no outro aquilo que um dia foi. Um conto criativo que faz bem demais ao coração.

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7. A Arte de Ser Adulto
de Judd Apatow | EUA

Comédia agridoce de Judd Apatow, o longa dá palco para o jovem comediante Pete Davidson expor sobre sua jornada peculiar e sua dor pessoal. O roteiro é impecável e usa do humor para relatar algo melancólico, emocionando mesmo quando não tem pretensão. A trama narra o amadurecimento tardio de um homem de vinte e quatro anos, que não vê qualquer sinal de perspectiva em sua vida depois de perder o pai. A obra causa uma incômoda e rápida identificação com essa frustração de envelhecer. É fácil criar empatia por este sentimento de fracasso quando se chega à fase adulta, quando se tem a mesma idade daqueles que estão vencendo. Confesso que senti uma conexão muito grande com tudo o que vi e fiquei devastado por toda a honestidade e sentimentos expostos. Nem sempre a comédia tem esse poder. Mas essa não é uma comédia qualquer e esse não é um filme qualquer.

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6. 1917
de Sam Mendes | EUA, Reino Unido, Irlanda do Norte

Guerra já foi tema de muitos filmes no cinema e é interessante quando surge uma obra que tem algo novo a mostrar. “1917” facilmente se destaca neste subgênero e merece reconhecimento por suas tantas qualidades técnicas. Um trabalho de produção admirável, que resgata um período histórico com precisão e nos faz viver, durante seus belos minutos, o desespero em estar na pele de seu protagonista, vivendo sob o caos e a tensão de tudo aquilo. O novo longa de Sam Mendes é uma experiência sem igual, imersiva, angustiante e extremamente bem realizada. A opção por gravar suas ações em um quase que ininterrupto plano sequência, torna tudo ainda mais fascinante de assistir. É um deleite visual e um exercício narrativo e cinematográfico altamente ousado.

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5. Soul
de Pete Docter | EUA

Sem dúvidas, a melhor animação da Pixar desde “Divertida Mente”. É um momento muito especial para o estúdio, que entrega aqui o que há de melhor em suas criações. Um filme visualmente belíssimo, onde todas as cenas causam impacto, tamanha perfeição e deslumbre que alcança. Ao narrar a divertida jornada de Joe que vai parar no mundo das almas, “Soul” acaba sendo um lembrete sensível de que nossa existência vai além da conquista de um propósito, de uma habilidade. De que nossos sonhos é que nos impulsiona, mas não é o todo. Uma produção inventiva, original e o mais importante, feita de coração.

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4. Jojo Rabbit
de Taika Waititi | Alemanha, EUA

Uma obra que se propõe a ser uma sátira anti-ódio e acaba sendo um produto extremamente atual, que facilmente dialoga com os novos tempos. Ao revelar os horrores da guerra e da Alemanha ocupada pelos Nazistas através do olhar inocente de uma criança, o longa além de ganhar uma deliciosa liberdade narrativa, nos faz refletir sobre nossa realidade e como tantos discursos de ódio infundados são reproduzidos facilmente em nome de uma doutrina ou de um fanatismo cego a um líder. O diretor e roteirista Taika Waititi acerta a mão e realiza um trabalho bastante original, mágico, surpreendentemente triste e doce.

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3. Joias Brutas
de Ben e Josh Safdie | EUA

“Joias Brutas” é uma surpresa em muitos aspectos. Vai além do que esperamos de um filme e muito além do que esperamos de Adam Sandler, que entrega aqui a melhor atuação de sua carreira. Pelo olhar do endividado Howard, somos levados a um turbilhão de emoções nesta sua saga de sobrevivência em um mundo onde todos querem devorá-lo. É assim que este novo trabalho dos irmãos Safdie se torna pura catarse e ataca nossa ansiedade. Cada segundo parece ter uma informação nova e a todo instante o universo que cria parece virar de ponta cabeça. É eletrizante, intenso, verborrágico e nos faz rir no meio de suas tantas tragédias. Um filme único e revigorante.

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2. O Som do Silêncio
de Darius Marder | EUA

Belíssima revelação de Darius Marder na direção, ele entrega um filme poderoso, íntimo, milagroso até, eu diria. Seu cinema transcende e alcança instantes de uma emoção indescritível. Ele nos apresenta à Ruben, o baterista que, ao perder a audição, mergulha em uma maré de incertezas, atormentado pelo silêncio que parece arruinar seu futuro. Um obra inquietante que permite ao ator Riz Ahmed entregar a mais potente e comovente atuação do ano. “O Som do Silêncio” é um conto poderoso sobre adaptação e sobre como é da natureza humana este dom de se moldar a uma nova circunstância. É sobre ouvir o que há dentro de nós e como não há barulho mais ensurdecedor que esse. Eu senti a dor, a angústia, o medo, o aperto no peito. Encontrei aqui uma das experiências mais incríveis que tive vendo um filme este ano.

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1. Retrato de Uma Jovem em Chamas
de Céline Sciamma | França

“Retrato de Uma Jovem em Chamas” é uma preciosa obra de arte. Um trabalho que alcança um nível de perfeição extremo, que nos deixa sem palavras ao seu fim e encantados por todas as belas decisões que ali foram tomadas. Somos levados à França do século 18 e na belíssima relação entre duas mulheres, a pintora e seu objeto de estudo, sua musa. É lindo quando, deste ato puro de observação entre as duas personagens, nasce uma história de amor. É assim que a diretora Céline Sciamma constrói um filme altamente contemplativo, encontrando beleza nos detalhes. Por fim, me senti completamente emocionado pela forma com que tudo foi guiado, pela sensibilidade de traduzir sentimentos tão puros. Como as imagens, visualmente tão poderosas, as sensações que a produção nos permite sentir ecoa dentro de nós. Lindo, apaixonante, a obra de arte que 2020 precisava. É imbatível. O melhor filme do ano.

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Crítica: Retrato de Uma Jovem em Chamas

A beleza dos detalhes

O cinema da francesa Céline Sciamma sempre tentou desvendar, com extrema sensibilidade, o universo feminino e questões interessantes como identidade e gênero. “Retrato de Uma Jovem em Chamas” é mais do que uma preciosidade em sua filmografia. É sua mais completa obra de arte. É o seu produto definitivo. Um trabalho que alcança um nível de perfeição extremo, que nos deixa sem palavras ao seu fim e encantados por todas as belas decisões que ali foram tomadas.

Somos levados à França do século 18, quando a pintora Marianne (Noémie Merlant) é contratada para fazer o retrato de Héloïse (Adèle Haenel), uma jovem que está prestes a ter um casamento forçado. A grande questão é que ela não pode saber que será pintada e por isso, Marianne surge com o pretexto de ser uma companheira de caminhadas. São, então, nesses instantes que as duas passam juntas que ela passa a capturar os detalhes de sua nova musa. Ao decorrer dos dias, ambas se tornam confidentes e se entregam a paixão que logo nasce ali.

“Senti na solidão a liberdade que você falou.
Senti também sua ausência.”

Para pintar seu quadro, a protagonista precisa, sigilosamente, aprender os traços de Héloïse, os contornos e sua mais verdadeira essência. Desta forma, a diretora constrói uma obra altamente contemplativa, encontrando beleza nos detalhes, nos corpos e principalmente nos olhares. As duas estão sempre se olhando, inteiramente. Buscando entender as falas de seus corpos, os significados de cada postura. É lindo quando, deste ato puro de observação, nasce uma história de amor. Neste estudo íntimo de olhar e entender o próximo, sem julgamentos, sem receios, vivendo na necessidade de ser a expansão daquela existência. De ser parte uma da outra. Mais do que as lembranças de como elas se apaixonaram, o filme se propõe a ser o conto de como aquele quadro foi realizado. A memória daquele registo íntimo. O registro de um sentimento que somente elas viveram, somente elas sentiram. E não há nada mais poético que isso.

Céline Sciamma entrega um produto elegante, pausado e que encontra fascínio nesta observação. E como é gratificante para nós, enquanto público, desfrutar de cada instante que ela constrói. Das mais belas paisagens aos cenários cuidadosamente montados. Tudo ali nos remete a uma pintura. Os figurinos, a iluminação, a posição que encontra suas personagens. É um deleite para os olhos e um presente para a alma. A escolha por não ter uma trilha instrumental dá ainda mais voz e destaque para seus elementos cênicos.

“Retrato de Uma Jovem em Chamas” é um convite à apreciarmos a beleza dos detalhes. Aceitamos com facilidade porque é um prazer grande demais vivenciar o que o diretora tem a nos oferecer. Que bom quando histórias de mulheres são contadas por uma mulher, que as compreende e expõe esse universo da forma mais honesta possível. Por fim, me senti completamente emocionado pela forma com que tudo foi guiado, pela sensibilidade de traduzir sentimentos tão puros. Assim como as imagens, visualmente tão poderosas, as sensações que o filme nos permite sentir ecoa dentro de nós. Lindo, apaixonante, a obra de arte que 2020 precisava.

NOTA: 10

  • País de origem: França
    Título original: Portrait de la Jeune Fille en Feu
    Ano: 2019
    Duração: 120 minutos
    Distribuidor: Supo Mungam Films
    Diretor: Céline Sciamma
    Roteiro: Céline Sciamma
    Elenco: Noémie Merlant
    , Adèle Haenel, Valeria Golino, Luàna Bajrami