Crítica: Corações Batendo Alto

Onde o coração pulsa mais forte.

Lançado no Festival de Sundance, onde fez bastante sucesso, o longa é dirigido por Brett Haley que já havia emocionado com o singelo “I’ll See You in My Dreams” (2015) estrelado pela veterana Blythe Danner, que aqui volta como coadjuvante. Há algo muito similar entre suas obras. Ele conta histórias simples, mas as conta com o coração. É cheio de ternura as relações existentes em suas narrativas e “Corações Batendo Alto” não é diferente. Ao falar sobre a eminente despedida entre um pai e sua filha, o filme parece não se esforçar para dramatizar tudo aquilo. A comoção já vem intrínseca em cada pequeno ato, em cada diálogo e em cada abraço dado. E neste caso, em todas as canções que embalam a trama.

Frank Fisher (Nick Offerman) é um pai solteiro que está prestes a dizer adeus para duas coisas muito importantes em sua vida: sua loja de discos falida e sua filha, Sam (Kiersey Clemons), que decidiu estudar em outra cidade. Neste momento de tantas rupturas, ele resolve apostar em seu passado – onde tinha uma banda com sua falecida esposa – e em uma brincadeira, grava uma música com Sam e a insere no Spotify. O que ninguém esperava é que a canção acaba fazendo um certo sucesso e esta se torna a chance dele tê-la finalmente por perto.

“Corações Batendo Alto” é um filme muito adorável, preciso dizer. Um feel good movie que, de fato, torna nossos corações aquecidos durante seus belos minutos. É gostoso demais se aventurar por essa descoberta musical entre pai e filha e como ele usa isso para estar mais perto dela. Este medo de estar distante somado a crise que enfrenta por não visualizar um futuro em que não faça algo na qual não sinta paixão. Por fim, a obra acaba falando muito sobre os nossos próprios receios e desperta fácil esta identificação em nós. O medo de apostar em algo e dar errado, o medo de não fazer o que se ama apenas por ter uma “vida que deu certo”. Mais do que a música, o que também une esses dois personagens é que ambos se encontram neste ponto em que o futuro é incerto. E mais do que saber o que impulsiona o coração de cada um, entendem que é preciso coragem para seguir onde a batida é mais forte. Outro ponto muito interessante no roteiro é como a homossexualidade da protagonista é tratada. Vem de forma natural, assim como deveria ser. Não é ponto central da história e ainda assim é mostrado com bastante sensibilidade pelo texto.

Nick Offerman e Kiersey Clemons estão ótimos e é sempre bom vê-los em cena. Fica ainda melhor quando somos surpreendidos por seu grupo de coadjuvantes que incluem nomes como Ted Danson, Sasha Lane, Blythe Danner e a sempre maravilhosa Toni Collette. Vale ainda por desfrutar das ótimas canções como “Hearts Beat Loud” e “Blink (One Million Miles)”. Nos últimos instantes, a protagonista traz uma inusitada lembrança de “Titanic” e o momento em que a banda toca quando o navio está afundando. Talvez a música realmente tenha esse poder. Nos fortalecer quando nada parece dar certo. Pelo menos é essa a sensação que o filme nos deixa. Termino de vê-lo inspirado, com vontade de sair cantando suas canções e acreditar que tudo vai dar certo no fim.

NOTA: 8,5

  • País de origem: EUA
    Ano: 2018
    Duração: 97 minutos
    Título original: Hearts Beat Loud
    Distribuidor: –
    Diretor: Brett Haley
    Roteiro: Brett Haley
    Elenco: Kiersey Clemons, Nick Offerman, Ted Danson, Sasha Lane, Toni Collette, Blythe Danner