Um desfecho apressado, raso e sem desenvolvimento
Wicked: Parte II chega com muito mais hype que o anterior, embora ofereça algo consideravelmente inferior. É um filme que já chega cansado. As melhores canções e a melhor parte da história já foram apresentadas. E pior, o ápice já passou. O que vemos aqui é um longo e frágil epílogo.
Tento ser bastante compreensível com o fato de que muitos dos problemas desta segunda parte vem da obra original, no entanto, me frustra perceber que, mesmo dividindo em dois filmes (ambos com mais de 2h), o roteiro não foi capaz de desenvolver bem absolutamente nenhuma trama. A equipe não aproveita o tempo extra para explorar as situações com mais atenção e profundidade, o que resulta em um desfecho apressado e pouco claro.

O filme tenta provocar emoção, mas não cria espaço para que as motivações e transformações dos personagens ganhem consistência. As mudanças acontecem de uma cena para outra, sem permitir que o público absorva ou desfrute de suas viradas.
A produção jamais consegue usar dos números musicais a seu favor. Enquanto poderia aproveitar esses instantes para desenhar os saltos temporais e dar mais credibilidade à trama, eles surgem sem energia, quase como momentos de interrupção e sem a habilidade de construir algo sólido. Pior quando tudo o que é cantado é tão monótono. E infelizmente, não aproveita das canções inéditas para injetar a vitalidade que falta nas demais.
Parte importante da narrativa do segundo ato, também é muito fraco o elo que tenta estabelecer com a história do O Mágico de Oz. Quem não tem o conhecimento prévio do universo de L. Frank Baum, pouco irá entender os fatos ocorridos no final. Tudo é posto como um remendo mal costurado, principalmente porque quando colocamos as histórias paralelas, elas não ocorrem no mesmo passo.
A forma como o visual é trabalhado surpreende negativamente. A fotografia jamais realça a qualidade do design e de tudo o que eles construíram para os cenários e locações. As cores apagadas drenam a vitalidade das cenas e reforçam uma busca incompreensível de um mundo fantástico por uma estética realista.
Com antagonistas sem presença e um casal que não transmite química, resta destacar apenas a força das atuações de Cynthia Erivo e Ariana Grande, que novamente oferecem interpretações vocais impressionantes. O mesmo não pode ser dito do desempenho de Michelle Yeoh, que permanece aquém do esperado.
NOTA: 6,5

País de origem: EUA
Ano: 2025
Duração: 138 minutos
Diretor: Jon M. Chu
Roteiro: Winnie Holzman, Dana Fox
Elenco: Cynthia Erivo, Ariana Grande, Jonathan Bailey, Jeff Goldblum, Michelle Yeoh
