o ingênuo discurso motivacional de mike flanagan

Baseado em um conto de Stephen King e dirigido por Mike Flanagan, A Vida de Chuck parecia ter todos os ingredientes para se tornar um grande filme. As expectativas aumentaram ainda mais após conquistar o Prêmio do Público no Festival de Toronto no ano passado. No entanto, termino de vê-lo sem entender como conseguiu chegar a um festival de cinema. O que se apresenta como uma experiência profunda e comovente, revela-se apenas constrangedora.

“A Vida de Chuck” é dividido em 3 atos e com uma cronologia inversa, iniciando com a morte de nosso protagonista e seguindo até sua infância. Nesta jornada de uma vida toda, a obra busca refletir sobre os encontros milagrosos, aprendizados e como todos nós somos feitos de multidões. É uma proposta promissora, mas que naufraga sob o peso de sua própria pretensão.

Embora o texto se esforce muito para encontrar em suas metáforas e analogias a complexidade da vida, infelizmente, acaba se perdendo na verborragia e em diálogos que se assemelham a uma literatura barata que poderíamos encontrar no setor de autoajuda. Os personagens estão sempre dispostos a deixar algum ensinamento valioso, como coachs que trabalham em tempo integral. Desta forma, a enxurrada de frases de efeito causam um impacto contrário ao desejado. É superficial, extremamente piegas e dolorosamente cringe. 

Entretanto, existem sim alguns raros instantes graciosos, principalmente aqueles que envolvem dança. Impossível não ficar vidrado pela sequência em que Tom Hiddleston empresta todo o seu carisma e gingado. É bonito de ver. O primeiro segmento, que se aproxima muito de uma distopia, onde o fim do mundo é anunciado, também tem seu valor e charme. 

Mike Flanagan é um diretor que sempre me deixa em dúvida. Consigo reconhecer certa sensibilidade em sua assinatura, mas suas obras geralmente vêm acompanhadas de um discurso familiar excessivamente ingênuo, algo que se repete aqui. Para piorar, tudo é embalado em uma estética opaca e sem vida, completamente desconectada de uma história que, ironicamente, clama por vitalidade. Poderia ter sido interessante vê-lo longe do terror, se ele não entregasse algo tão antiquado.

The Life of Chuck é tudo o que eu não esperava de um filme que passou por um grande Festival. Um produto pobre, que causa vergonha alheia na sua tentativa falha de ser profundo e inspirador. Saí da sessão decepcionado. Esperei por muito tempo e, no fim, encontrei apenas uma longa palestra de autoajuda disfarçada de cinema, feita sob medida para virar recorte motivacional em redes sociais.

NOTA: 5,5

País de origem: EUA
Ano: 202
4
Título Original: The Life of Chuck
Duração: 111 minutos
Diretor: Mike Flanagan
Roteiro: Mike Flanagan
Elenco: Tom Hiddleston, Benjamin Pajak, Mia Sara, Mark Hamill, Chiwetel Ejiofor, Karen Gillan, Annalise Basso

Deixe uma resposta