um bom reencontro, 28 anos depois

“Extermínio”, lançado em 2002, redefiniu o conceito de zumbis no cinema. Agora, 28 anos depois, o diretor Danny Boyle retorna ao universo da franquia ao lado do roteirista Alex Garland. O que torna este novo projeto tão instigante é justamente o reencontro da dupla. Afinal, somente eles poderiam resgatar esse mundo com tamanha autenticidade. O resultado é um terror potente, visceral e, surpreendentemente, carregado de emoção.

Em “A Evolução”, somos apresentados a uma nova história, com outros personagens. Passadas quase três décadas desde o surto inicial, o vírus continua a se espalhar, e uma comunidade sobrevive em quarentena em uma ilha isolada. Logo no início, conhecemos Spike (Alfie Williams), um garoto de apenas doze anos que acaba de atingir a idade para sair dos muros protetores e encarar os perigos do mundo exterior. Com o apoio do pai (Aaron Taylor-Johnson), que lhe ensina técnicas de sobrevivência, ele inicia essa jornada. No entanto, ao descobrir a existência de um médico no Continente, Spike elabora um novo plano: enfrentar os horrores que dominam a terra devastada na esperança de salvar sua mãe (Jodie Comer), gravemente doente.

É justamente nessa conexão entre mãe e filho que reside a alma do filme. Mais do que cenas sanguinolentas e tensão constante, há espaço para sensibilidade. A trama foca no amadurecimento precoce de um jovem que precisa desafiar um mundo marcado pela morte para proteger aquilo que mais ama. Alfie, ainda inexperiente, sustenta bem o protagonismo, enquanto Jodie Comer entrega uma atuação marcante e comovente.

Diferente do que se poderia esperar, o longa não se apoia tanto em referências diretas aos capítulos anteriores. Funciona mais como um recomeço, sugerindo os primeiros passos de uma nova franquia. No entanto, algumas escolhas narrativas deixam a desejar. A figura paterna, por exemplo, é deixada de lado repentinamente e a transformação do protagonista em herói destemido soa um tanto apressada. A história se desenvolve em blocos, à medida que novos personagens vão sendo introduzidos. Porém, nem tudo flui no mesmo tom e certos trechos acabam arrastados, dando a sensação de uma narrativa que, por vezes, se perde. O maior problema, ainda assim, está no desfecho. O final causa mais estranhamento do que impacto, destoando do restante da obra e deixando uma impressão confusa e amarga.

Todavia, é inegável que trata-se de um produto ousado, que se distancia dessa zona de conforto existente na grande maioria das sequências. Se em 2002, Danny Boyle trouxe uma estética suja, crua e dotada de personalidade, aqui ele volta a surpreender. Filmado com iPhone, ele alcança um resultado impressionante e muito bem orquestrado. A montagem ágil, auxiliada pelo ótimo som e uma trilha sonora cativante assinada pela banda escocesa Young Fathers, nos mantém completamente imersos neste seu universo. Sempre bom ver um veterano em boa forma e ainda aberto a ressignificar seu próprio trabalho. 

Mesmo inserido em uma estrutura mais próxima do cinema blockbuster, Boyle mantém o espírito do cinema independente vivo. “Extermínio: A Evolução” representa um retorno marcante do cineasta ao gênero e um novo passo para as narrativas sobre zumbis. Ele honra o legado iniciado há 28 anos e estabelece um novo padrão de qualidade. Apesar das incertezas quanto aos próximos capítulos, esta obra entrega uma experiência violenta, emocionante e intensa.

NOTA: 8,0

País de origem: EUA, Reino Unido, Irlanda do Norte
Ano: 2025

Título Original: 28 Years Later
Duração: 115 minutos
Diretor: Danny Boyle
Roteiro: Alex Garland
Elenco: Alfie Williams, Jodie Comer, Ralph Fiennes, Aaron Taylor-Johnson, Edvin Ryding

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