Um novo (e necessário) recomeço
Fazia muito tempo que eu não assistia a um filme da Marvel nos cinemas. Nos últimos anos, o estúdio entrou em uma fase difícil, cujas produções já não conseguiam mais me envolver. Ainda que sem grandes pretensões, “Thunderbolts” soa como um novo (e necessário) recomeço.
Diferente das produções anteriores da Marvel, “Thunderbolts” tenta se aprofundar nos dilemas de seus personagens. Mais do que um grupo de heróis desajustados reunidos por um objetivo em comum, o filme nos apresenta figuras quebradas, tentando lidar com dores e traumas. A narração inicial de Yelena, excelente protagonista vivida por Florence Pugh, estabelece com eficácia esse novo cenário, despertando empatia imediata. Confesso que, por um breve momento, quase comprei completamente essa proposta. Ela funciona bem no início, mas infelizmente o roteiro é frágil demais para sustentar essa densidade até o fim.

Em certo ponto, a personagem interpretada por Julia Louis-Dreyfus solta uma frase que resume bem a ideia do longa: “Boas intenções sem poder são apenas uma opinião.” O problema é que boas intenções sem um roteiro sólido também não passam disso. Elas não causam efeito, não transformam. A Marvel até ensaia uma abordagem mais madura ao tratar de temas como depressão e a escuridão emocional de seus anti-heróis, mas o resultado acaba sendo de uma profundidade superficial. O argumento está presente, mas o desenvolvimento carece de substância, recaindo em diálogos óbvios e um tanto piegas.
Ainda assim, seria injusto ignorar o esforço de “Thunderbolts” em fugir das fórmulas desgastadas que a Marvel vinha repetindo. É um filme que funciona de forma mais autônoma, sem a obrigação de se encaixar nos moldes narrativos do estúdio. Demonstra maior cuidado com o desenvolvimento dos personagens e suas relações, priorizando isso em detrimento da ação grandiosa e artificial de costume.
O elenco é um dos grandes trunfos da produção, com destaque para Florence Pugh. A atriz equilibra fragilidade e força, entregando uma performance carismática e com ótima química com os demais personagens.
No fim das contas, “Thunderbolts” me entreteve e me deu a sensação de que a Marvel, enfim, respira novos ares (se tirassem o humor infantilizado, teria sido ainda melhor). Acredito que estamos diante de uma tentativa real de renovação. E isso é promissor. No entanto, ainda falta peso, personalidade e uma voz autoral mais clara. James Gunn já provou, tanto em “Guardiões da Galáxia” quanto em “O Esquadrão Suicida” (2021), que é possível aliar emoção, irreverência e profundidade com muito mais segurança. A obra está longe de ser perfeita, mas finalmente representa um passo na direção certa e, só por isso, já torna-se digno de destaque.
NOTA: 7,0

País de origem: EUA
Ano: 2025
Título Original: Thunderbolts*
Duração: 126 minutos
Diretor: Jake Schreier
Roteiro: Eric Pearson, Joanna Calo
Elenco: Florence Pugh, Lewis Pullman, Wyatt Russell, Hannah John-Kamen, Sebastian Stan, David Harbour, Julia Louis-Dreyfus
