Os 15 melhores atores coadjuvantes de 2021

Retomando aqui com as listas de melhores do cinema em 2021, venho para revelar minhas atuações masculinas favoritas em papéis coadjuvantes.

Mesmo com personagens menores em cena, esses atores se destacaram e merecem esse reconhecimento! Espero que gostem dos selecionados e deixem nos comentários os favoritos de vocês.

Lembrando que selecionei atuações apenas de filmes lançados entre janeiro e dezembro de 2021 aqui no Brasil, no cinema ou VOD, independente do lançamento em seus respectivos países de origem.

15. Mike Faist
(Amor, Sublime Amor)

Confesso que não gosto de muita coisa em “Amor, Sublime Amor”, nem no original e nem nesse remake. Ainda assim, algo me chamou bastante atenção aqui…a presença de Mike Faist. Ator novato, ele simplesmente preenche as cenas em que faz parte. Com voz potente e uma postura segura diante da câmera, ele faz de Riff, o líder dos Jets, um outro grande espetáculo no meio do musical.

14. Jon Bernthal
(King Richard: Criando Campeãs)

Jon é uma figura curiosa no cinema. Revelação na série “The Walking Dead”, o ator consegue realizar transformações notáveis em cada novo papel. Como o treinador de tênis Rick Macci no drama “King Richard”, o ator cria uma persona divertida, entusiasmada e bastante real. Sua entrada no filme é tão positiva que parece que o faz ganhar mais fôlego.

13. Orion Lee
(First Cow)

“First Cow” é uma obra permeada por sensibilidade e sutileza. Orion Lee faz parte desse universo construído pela diretora e entrega uma atuação contida, mas extremamente humana e terna. Na pele de um chinês fugitivo, que passa a roubar ingredientes para vender bolos fritos, ele nos faz torcer por ele mesmo diante de seus equívocos.

12. Colman Domingo
(Zola)

Colman Domingo tem crescido bastante nesses últimos anos e conseguido papéis cada vez mais desafiadores. Em “Zola”, ele encara um cafetão malandro e de caráter duvidoso, mas sua performance tem charme e passa uma verdade, por vezes, assustadora. Um grande ator que, espero, seja mais reconhecido daqui para frente.

11. Robin de Jesús
(Tick, Tick… Boom!)

“Tick, tick…BOOM!” é um relato desses jovens adultos esperançosos pelo sucesso, mas que sempre se trombam com o fracasso. Robin de Jesús poderia ser apenas o “melhor amigo do protagonista”, mas felizmente o roteiro lhe permite brilhar nesse musical pulsante. Um dos melhores discursos da obra vem dele, quando revela o que é ser jovem e estar com Aids, quando tudo o que não tem é tempo para sonhar. É um instante poderoso e o ator entrega tudo ali.

10. Richard Jenkins
(Falsos Milionários)

Como um pai problemático e trambiqueiro, o veterano Richard Jenkins brilha. O ator entra na bizarrice proposta pela diretora e roteirista Miranda July, e faz deste personagem odiável um ser carismático e até mesmo divertido de assistir. Tudo muito excêntrico, mas estranhamente adorável. Richard é um baita ator sempre.

9. Rodrigo Santoro
(7 Prisioneiros)

Uma das transformações mais surpreendentes do ano foi a de Rodrigo Santoro como o antagonista de “7 Prisioneiros”, drama nacional da Netflix. Ele dá vida para Luca, um chefe rigoroso de um ferro velho que passa a controlar um sistema de tráfico humano. Um personagem assustador, que incomoda, mas ainda assim o ator consegue trazer camadas e torná-lo humano aos nossos olhos.

8. Troy Kotsur
(No Ritmo do Coração)

Troy Kotsur é um ator surdo e isso torna sua presença no belíssimo “No Ritmo do Coração” extremamente necessária. Talvez um ator não surdo para esse papel, buscaria uma dramaticidade forçada, mas aqui ele encontra o tom certo para dar vida ao patriarca da família principal. Extremamente espontâneo, carismático e doce, Troy constrói um personagem adorável e muito honesto.

7. Nikolaj Lie Kaas
(Loucos por Justiça)

Sabe quando você assiste a um filme e você não consegue imaginar aquele ator sendo diferente daquele personagem? Por não conhecer Nikolaj Lie Kaas nada me tirava a ideia de que ele fosse exatamente aquilo, extrema naturalidade que ele encontra para viver o introspectivo e calculista Otto. A verdade é que o ator dinamarquês é extremamente diferente daquilo, o que me deixou espantado. Uma transformação tão genuína e tão real.

6. Michael Stuhlbarg
(Shirley)

O verdadeiro camaleão. Michael é daqueles atores que renascem a cada novo filme. Aqui ele interpreta o marido tóxico da escritora Shirley Jackson, no potente thriller “Shirley”. Sua presença traz incômodo e uma estranha sensação de perigo. Como sempre, fantástica atuação.

5. Leslie Odom Jr.
(Uma Noite em Miami)

Vivendo o cantor e compositor Sam Cooke, Leslie não apenas surpreende por sua bela voz, como também por sua potente interpretação. É uma entrega muito honesta e feita de muito coração. Isso é tão nítido que nós, o público, sentimos do lado de cá. O instante final em que ele canta na televisão em uma época chave da revolução cultural norte-americana, é tão sutil e ao mesmo tempo tão grandiosa, tão cheia de verdade.

4. David Strathairn
(Nomadland)

“Nomadland” é um filme que mistura realidade e ficção e isso requer um cuidado muito grande dos atores. David nunca foi muito reconhecido, mas merecia e sua presença aqui é mais uma prova disso. Ele transmite tanta naturalidade como Dave, o homem que cruza o caminho solitário da protagonista, que facilmente acreditamos que aquele homem vive aquela vida, exatamente daquela forma. O ator traz verdade e muito sentimento em cena.

3. Tahar Rahim
(O Mauritano)

Um personagem difícil e Tahar encontra o tom certo para viver o mauritano Mohamedou Slahi, que viveu durante quatorze anos encarcerado em Guantánamo sem ter cometido crime algum. É uma trajetória dolorosa e o ator nos carrega ao seu lado, nos faz vivenciar dessa dor, dessa constante angústia, mas sem jamais deixar de lado seu carisma e sua esperança de um dia ser livre.

2. Kodi Smit-McPhee
(Ataque dos Cães)

Em “Ataque dos Cães” vemos um embate silencioso entre três personagens centrais. Essa dinâmica cria quase que um thriller psicológico que se sustenta não apenas do belíssimo roteiro como também das grandes atuações. O jovem Kodi Smit-McPhee surpreende porque esse é seu primeiro papel mais desafiador de sua carreira e ele se doa por completo. Enigmático, sua performance nos hipnotiza e ao final compreendemos o quão gigante ele foi.

1. Daniel Kaluuya
(Judas e o Messias Negro)

Na pele de Fred Hampton, líder dos Panteras Negras, Daniel entrega sua mais potente atuação. Existe garra e força quando ele precisa se impor, mas o ator também nunca esconde as fragilidades do personagem. O instante de seu monólogo “eu sou um revolucionário” é de arrepiar. Intenso e cheio de honestidade, o ator entrega a grande atuação masculina do ano em um papel coadjuvante.

As 15 melhores atrizes coadjuvantes de 2021

2021 acabou e estou aqui para fazer uma retrospectiva do que teve de melhor no mundo do cinema. Nos próximos dias, revelarei algumas listas com os meus favoritos em algumas categorias. Começo, então, com as melhores atuações femininas em papéis coadjuvantes.

Durante esses meses, algumas atrizes se destacaram e entregaram performances dignas de atenção. Listo as 15 que acredito que foram as melhores. Lembrando que foram elegíveis apenas os filmes lançados entre janeiro e dezembro de 2021 aqui no Brasil, no cinema ou VOD. Espero que gostem das selecionadas e deixem nos comentários a que você mais gostou.

15. Laura Benanti
(Quanto Vale?)

No drama da Netflix “Quanto Vale?”, vemos uma série de depoimentos bastante honestos sobre pessoas que perderam entes queridos na tragédia do 11 de setembro. Laura Benanti vem para dar voz à uma mulher que perdeu o marido e, no meio de seu luto, acaba descobrindo uma traição. É uma personagem pequena ali, mas vem com tanta verdade e sensibilidade que por vezes esquecemos ser uma atuação. Acerta o tom e jamais cai na dramaticidade forçada.

14. Tracee Ellis Ross
(A Batida Perfeita)

Dona de um carisma imenso, Tracee é a alma dessa despretensiosa comédia musical. Aqui ela faz uma cantora de renome, Grace Davis, que precisa reerguer a carreira e produzir algo novo depois de anos estagnada. A atriz traz humor e uma boa dose de honestidade também. Tem força em cena e ainda canta muito bem.

13. Gina Rodriguez
(Falsos Milionários)

Outra rainha do carisma é Gina Rodriguez. É incrível esse poder que a atriz tem de roubar atenção. Na comédia esquisitíssima (e brilhante) “Falsos Milionários”, ela dá vida para uma trambiqueira extrovertida. Melanie, sua personagem, traz luz à obra e nos seduz a acompanhar sua divertida jornada. Gina está encantadora.

12. Ellen Burstyn
(Pieces of a Woman)

A palavra de uma mãe, muitas vezes, tem um peso enorme em nossas decisões. A presença de Ellen Burstyn como mãe da protagonista que acaba de perder o próprio filho é forte, porque suas palavras tem poder, chegando ao ponto de até mesmo ser cruel. A veterana encara com força essa personagem e nos causa incômodo, justamente porque é tão humana, tão real.

11. Danielle Deadwyler
(Vingança & Castigo)

Uma das mais belas surpresas desse ano, a jovem atriz Danielle Deadwyler encara um papel divertido e rouba a cena ao lado de um elenco de peso em “Vingança e Castigo”. Como Cuffee, uma mulher que se disfarça de homem e passa a fazer parte do bando para derrotar um impiedoso criminoso, a atriz constrói uma personagem misteriosa, cômica até e brilhantemente defendida por sua bela atuação.

10. Dianne Wiest
(Let Them All Talk)

O filme de Steven Soderbergh é bastante curioso por deixar seu elenco à vontade para improvisar, enquanto ele filma com seu iPhone. Todos os atores estão ótimos, mas é a veterana Dianne Wiest quem verdadeiramente brilha. Sua doçura e espontaneidade em cena encantam. Há um discurso inspirador quando ela diz sobre como todos ali são privilegiados por serem os últimos a verem as estrelas em seu estado natural. É o melhor momento do filme e o palco é todo dela.

9. Juno Temple
(Palmer)

Juno sempre foi uma atriz bastante subestimada. Não há nada que ela faça pela metade. Com um papel pequeno no drama “Palmer”, ela rouba a cena. Ela faz uma mãe problemática, que anos afastada do próprio filho, retorna para tê-lo de volta. É uma personagem forte e ela engrandece o que poderia ser apenas uma participação.

8. Aunjanue Ellis
(King Richard: Criando Campeãs)

Como mãe de Serena e Venus Williams em “King Richard”, Aunjanue Ellis se mostra uma grande revelação. Tenho a sensação de que ela merecia mais espaço em cena, inclusive. Mas isso é só a prova do peso que ela tem ali. Seus diálogos são ótimos e muitas vezes acaba dizendo o que nós, enquanto público, gostaríamos de dizer. A atriz passa verdade e se destaca, mesmo quando o filme a diminui mais do que necessitava.

7. Jessie Buckley
(A Filha Perdida)

A versão mais jovem de Olivia Colman como Leda em “A Filha Perdida”. É através de suas expressões, sua postura, que compreendemos melhor a personagem no presente. Uma escolha certeira de elenco, que nos permite mergulhar na complexidade da protagonista. Jessie é uma atriz em ascensão e merece sucesso! Só tem a crescer.

6. Odessa Young
(Shirley)

Sempre bom quando encontramos jovens atrizes que se arriscam tanto, que aceitam o desafio de dar vida a personagens tão complexos. Odessa divide a cena com Elisabeth Moss e, mesmo com pouca experiência, chega a altura. Aqui ela interpreta uma jovem estudante que interrompe seus sonhos pelo marido e pelo filho que está para nascer, ao mesmo tempo em que passa a cuidar da escritora Shirley Jackson em um período de bloqueio criativo. Uma presença hipnotizante, que navega entre a sedução e medo, entre desejos e desilusões.

5. Emma Thompson
(Cruella)

Simplesmente saborosíssimo o embate entre Cruella com a Baronesa, vivida por Emma Thompson. Uma antagonista preciosa, divertida e extravagante. Fazia tempo que não via Thompson tão à vontade e tão renovada em cena. Seus trejeitos e sua acidez a tornam uma das personagens mais fascinantes que vi no ano. Foi bom demais assistir.

4. Olivia Colman
(Meu Pai)

Tenho uma relação muito pessoal com essa personagem, por viver algo parecido com ela. Existe doçura e paciência, mas também existe rancor, existe culpa. Cabe tudo isso dentro da Olivia e muito mais. Uma atriz gigante e que em pouquíssimos minutos consegue transmitir o indescritível. Como filha de um senhor com Alzheimer, ela traz muita verdade e emociona.

3. Ruth Negga
(Identidade)

Na pele de Clare, uma mulher negra que se passa por branca nos anos 20, Ruth entrega uma das mais belas atuações do ano. Sua presença é sutil, mas ainda assim hipnotizante e sedutora. Muito subestimada, ela nunca recebe a atenção que merece e aqui só comprova a força dela como atriz. Sempre contida e sempre grandiosa.

2. Youn Yuh-jung
(Minari)

A melhor avó que já tivemos! Vencedora do Oscar no começo de 2021, a atriz sul-coreana é fantástica e constrói uma personagem adorável em cena. Em “Minari”, ela passa a cuidar dos netos quando a família de sua filha se muda para os Estados Unidos. É uma relação linda essa que vai sendo narrada entre esse mulher tão experiente e extrovertida com seu neto David. Os dois juntos são o brilho desse drama morno.

1. Kirsten Dunst
(Ataque dos Cães)

Em “Ataque dos Cães”, a diretora e roteirista Jane Campion desenha na tela personagens enigmáticos e que nos causam certo fascínio. Como Rose, Kirsten Dunst alcança um patamar quase nunca alcançado em sua longa carreira como atriz. Esse embate furioso e silencioso entre ela e Phil, interpretado por Benedict Cumberbatch, só existe pela magnitude dos dois atores em cena. Há sensibilidade em sua entrega, nos causando empatia e também desespero. Um grande papel e uma atriz que, definitivamente, merecia mais reconhecimento.