17 filmes realistas sobre relacionamentos

Confesso que sempre gostei de ver filmes de romance. Até mesmo as comédias românticas…nunca neguei. No entanto, não são todos os títulos que representam muito bem a realidade e quando isso acontece a experiência acaba sendo ainda melhor. Pensando nisso, pensei em fazer esta lista com 17 obras que me marcaram justamente por trazerem uma visão mais honesta sobre relacionamentos, por evitar firulas e um romantismo desnecessário. Filmes que falaram a verdade, por mais dolorosa que seja. Filmes que conseguimos olhar para tela e nos ver ali, representados.

17. Celeste e Jesse Para Sempre (2012)

O filme acompanha a vida de Jesse (Andy Samberg) e Celeste (Rashida Jones) que decidem, após um longo tempo juntos, se separar. No entanto, são mais do que um simples casal, eles são melhores amigos e por isso decidem fazer esta separação amigavelmente. O filme encanta pela naturalidade com que trata essa situação tão delicada e aos poucos vamos percebendo que este rompimento não está sendo fácil para nenhum dos dois. É gostoso de acompanhar essa cumplicidade entre eles, mas ao mesmo tempo é triste ver o quanto um completa o outro, mesmo que ambos nunca estejam no mesmo caminho, seguindo os mesmo passos.

16. Apenas uma Vez (2006)

Não existe aqui um romance explícito, na verdade só me dei conta do que realmente acontece na trama depois de rever a obra. E quando nos damos conta é um pouco doloroso sim. O filme pode ter outras interpretações, mas ao meu ver, “Apenas Uma Vez” diz muito sobre as chances que perdemos quando se trata de relacionamentos, sobre tudo aquilo que muitas vezes deixamos de falar. Sobre aquele momento rápido e intenso que vivemos ao lado de alguém e logo se apaga, logo se torna passado.

15. Me Chame Pelo Seu Nome (2017)

Apesar de se tratar de uma realidade muito distante da nossa, a história de Elio e Oliver representa a história de muitas pessoas. Aquele amor de verão, que é tão intenso quanto verdadeiro. Aquela paixão não correspondida da forma como queríamos e a busca por encontrar uma pessoa que se doa tanto quanto nos doamos a ela. É aquela famosa parte que falta mas que não está tão preparada para nós. O instante final do filme é um soco na alma porque nos vemos ali, naquele olhar distante e devastado de Timothée Chalamet. “Me Chame Pelo Seu Nome” também revela, de forma bastante singela, uma fase de amadurecimento e em como aquele primeiro grande envolvimento com outra pessoa nos molda para experiências futuras.

14. Eu Estava Justamente Pensando em Você (2014)

Passado, presente e futuro. Um universo paralelo ou apenas um sonho. Mesmo que nunca seja claro como a história acontece, o filme é muito honesto ao mostrar a convivência entre duas pessoas. A espontaneidade das conversas aleatórias, as discussões acaloradas sem razão alguma para acontecer. Do início aventureiro, passando pelo amor intenso do desenvolver até o caótico término. Todas as fases que o casal enfrenta é fácil se identificar porque são reais e são verdadeiras em cada sentimento.

13. Azul é a Cor Mais Quente (2013)

Baseado em uma graphic novel, acompanhamos ao longo de vários anos o relacionamento entre duas garotas extremamente apaixonadas uma pela outra, Adèle (Adèle Exarchopoulos) e Emma (Léa Seydoux). O filme alcança um nível de realismo muito grande justamente por mostrar esta evolução das duas, em como esta relação as transforma em outras pessoas, mais agressivas, mais complexas. O filme também fala desta obsessão e como a simples possibilidade de um rompimento as destroem, deste medo que ambas sentem de viver uma sem a outra.

12. Blue Jay (2016)

“Blue Jay” nos revela o reencontro de um casal que não está mais junto. Em um final de semana, entre diálogos incrivelmente espontâneos, eles relembram a vida que dividiam. É lindo porque as lembranças deles são tão naturais que poderiam ser as lembranças de qualquer outro casal. As risadas, as lágrimas e toda a triste farsa que eles inventam como se ainda vivessem juntos, tudo nos encanta porque é honesto demais.

11. Dois Lados do Amor (2013)

O mais interessante nesse filme é que ele foi dividido em duas partes, então temos a chance de ver a mesma história pelo olhar da mulher (Jessica Chastain) e do homem (James McAvoy). A obra mostra a vida de um casal que se separou após um trágico acontecimento. É emocionante e triste porque ao seu decorrer vamos tendo acesso às boas lembranças que eles tiveram e é sempre um baque ver o que eles eram e no que eles se transformaram anos depois, o que o amor fez com eles e o quanto um significa para o outro.

10. Ponte Aérea (2014)

Filme nacional com Letícia Colin e Caio Blat, vemos um casal tentando se manter juntos apesar da distância. Mais do que debater esta dificuldade, o longa acerta ao falar sobre as relações líquidas e sobre esta facilidade que temos em descartar o que há pouco tempo nos preenchia. “Ponte Aérea” também mostra como duas pessoas nem sempre caminham juntas mesmo quando estão em um relacionamento. A distância aqui acaba sendo apenas um detalhe, porque mesmo quando estão perto, os dois personagens nunca estão no mesmo passo, não possuem os mesmos anseios e planos. Se amam, mas de alguma forma natural, estão sempre distantes.

09. Weekend (2012)

Leve e descompromissado, “Weekend” é muito real em sua proposta de mostrar dois homens que se conhecem e vivem uma história de amor com prazo de validade já marcado. Entre festas, bebidas e novos amigos, os dois vão vivendo sem saber como o fim poderia os afetar. A naturalidade das cenas o faz parecer um documentário sobre as relações modernas.

08. Antes do Adeus (2014)

Dirigido pelo ator Chris Evans – que também protagoniza ao lado da bela Alice Eve – “Antes do Adeus” é um delicioso achado. O filme mostra as últimas horas que dois desconhecidos viveram em uma noite em Nova York. Entre diálogos espontâneos e discussões sobre a vida, passado, futuro e relacionamentos de cada um, nos apegamos aqueles dois indivíduos e torcemos para que algo de bom aconteça com eles. A obra, também, de certa forma é um relato intimista sobre essas pessoas que surgem, de repente, em nossas vidas e se tornam inesperadamente tão importantes.

07. Antes do Amanhecer (1995)

Toda a Trilogia do Amanhecer (1995 – 2013) merecia estar nesta lista, mas vou citar apenas o primeiro capítulo aqui. O momento em que Jesse (Ethan Hawke) e Celine (Julie Delpy) se conhecem e vivem um breve romance na Europa. O grande acerto do filme são os diálogos e como um vai conhecendo o outro e se apaixonando ao decorrer da viagem. É apaixonante este encontro e muito sincero em cada palavra pronunciada.

06. Loucamente Apaixonados (2011)

Esse é um daqueles filmes adoráveis de se ver, que mostra com muita sensibilidade o começo de um namoro. No entanto, quanto mais a obra vai se aprofundando na vida do casal, que vivem em países diferentes, mais vamos sofrendo junto com eles. A cena final é dolorosa, porque é quando nos damos conta o tudo o que os dois enfrentaram juntos e tudo o que eles perderam no fim.

05. Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças (2004)

Mais do que ter um dos roteiros mais geniais desse século, o filme escrito por Charlie Kaufman fala tão bem sobre relacionamentos, sobre a dor de perder alguém e sobre aquele desconforto de ter que viver com as lembranças de uma época que não volta mais. A obra brinca justamente com essa ideia de como seria se pudéssemos ter a chance de apagar todos os momentos em que vivemos ao lado daquela pessoa que amávamos. O resultado de tudo isso é soberbo e apesar das “viagens” da trama, sabemos e sentimos o quanto tudo aquilo é real. A cena em que Joel (Jim Carrey) e Clementine (Kate Winslet) se reencontram no final e se encaram no corredor é poderosa. Quando, enfim, aceitam os defeitos um do outro e aceitam que a vida a dois pode ser uma grande e fodida desgraça e…tudo bem que seja assim.

04. Closer: Perto Demais (2004)

“Closer” é um filme de romance que apaga todo o glamour de estar com alguém. É agressivo em suas ações e palavras. Seus personagens estão sempre feridos e ferindo uns aos outros. São quatro indivíduos que se cruzam e conhecemos um período em que se envolvem emocionalmente, entre traições e inúmeras mentiras. A obra, no fim, fala muito sobre confiança, sobre amar alguém a ponto de não querer saber todas as suas verdades, porque honestidade é bom mas muitas vezes machuca.

03. Newness (2017)

É o filme mais real que vi nos últimos anos quando se trata de relacionamentos. A obra é desconfortavelmente atual e relata com muita honestidade como é dividir a vida com alguém no tempo das redes sociais e no tempo onde tudo é muito efêmero, rápido e descartável. É muito verdadeiro a história entre Gabi (Laia Costa) e Martin (Nicholas Hoult) e tudo o que eles vivem em cena. Desde o primeiro encontro até as intensas brigas e as soluções que criam para reacender a paixão que vão perdendo no meio do caminho. É muito fácil se identificar com tudo o que vemos aqui.

02. 500 Dias Com Ela (2009)

Apesar do humor e dos toques fantasiosos, poucos filmes falaram tão bem sobre o que é estar com alguém, sobre se apaixonar e principalmente, sobre romper. O filme trouxe um conceito interessante sobre expectativa e realidade e revelou, com bastante maturidade, que nem sempre a parte que encontramos é a parte que nos falta. Os protagonistas Tom (Joseph Gordon-Levitt) e Summer (Zooey Deschanel) se tornaram referência quando falamos de relação a dois justamente porque o filme é um retrato muito preciso dos tipos que existem dentro de um relacionamento. Você, com certeza, já foi ou ainda será Tom ou Summer.

01. Namorados Para Sempre (2010)

Um dos romances mais melancólicos já produzidos, o longa parece completamente descrente na vida a dois. Só há um único momento feliz na história dos personagens vividos por Michelle Williams e Ryan Gosling, o resto desta jornada é dolorosa, onde duas pessoas que tanto se amam se tornam tóxicas, cruéis e indispostas a tornarem aquela relação possível. É triste, mas infelizmente, um retrato muito real sobre relacionamentos.

Crítica: Um Mergulho no Passado

Passado, presente e futuro.

Inspirado no filme francês “La Piscine” de 1969, temos aqui uma versão ousada e bastante provocativa. Os atores se destacam em uma trama intrigante que envolve quatro personagens, vividos pelos britânicos Tilda Swinton e Ralph Fiennes, pela norte americana Dakota Johnson e pelo belga Matthias Schoenaerts. Gosto desses filmes que me lembram uma peça de teatro, que não permite que seus personagens escapem de seus limites muito bem demarcados, sendo obrigados e se enfrentarem dentro deste pequeno espaço. O cenário é uma província italiana, com belas paisagens e uma casa que abriga uma piscina. É nesta piscina que grandes eventos ocorrem, que sentimentos são expostos e algumas verdades são ditas.

Marianne Lane (Swinton) é uma famosa cantora de rock, que deixou seus anos dourados para trás e tenta viver tranquilamente com seu namorado (Schoenaerts). Seu novo estilo de vida pacato, porém, não convence seu ex, Harry (Fiennes), que resolve, sem aviso prévio, passar uns dias de descanso em sua casa, ao lado de sua recém descoberta filha (Johnson). O filme, então, narra os acontecimentos imprevisíveis destes dias intensos, onde as lembranças do passado retornam e os passos do futuro se tornam incertos.

Cada um dos dois lados de um EP possui seis canções. O roteiro faz aqui uma interessante analogia a isso, onde a protagonista, cantora de rock, teve sua vida amorosa dividida por dois homens, cada um com suas características, durante seis anos cada. E cada lado deste álbum possui seus altos e baixos e ambos representam uma vida completamente diferente. Marianne, então, precisa lidar, dentro de um espaço pequeno, com seu passado e presente. Neste sentido, é conflituoso todas essas relações, onde nos olhares e pequenos gestos parecem esconder toda uma história e inúmeras intenções não reveladas. Todos os personagens aqui são ambíguos e nada é claro o suficiente para qualquer tipo de julgamento. Seja do pai que trata a filha desconhecida com um certo desejo, seja da ninfeta que parece seduzir tudo aquilo que é proibido, seja do homem que não aceita o rumo que a vida de sua ex tomou. Nada exige resoluções fáceis e o roteiro brilha quando insere naturalidade e espontaneidade neste grupo de indivíduos, que age com uma certa felicidade sobre o momento atual, mas que nitidamente lutam por dentro por uma nova ruptura, uma mudança, um novo rumo que lhes tire de onde estão.

O química entre os atores funciona e é um dos pontos fortes do filme. O elenco oferece atuações sólidas e se entregam a seus belos personagens. Dakota Johnson surpreende, aparece sexy e distinta de sua Anastasia de “50 tons” e isso é ótimo. Matthias Schoenaerts sempre introspectivo, mas não decepciona. No entanto, o palco é mesmo dos veteranos Ralph Fiennes e Tilda Swinton, que brilham, divertem e seduzem em cena. Aliás, todos eles se despem literalmente e o diretor revela seus corpos nus de forma natural, às vezes até impactante, mas sem glamour e que, de certa forma, é ousado por quebrar alguns tabus do cinema atual.

A Bigger Splash” foi o primeiro sinal de Luca Guadagnino, lançando posteriormente filmes como “Me Chame Pelo Seu Nome” e “Suspiria”. Aqui ele já prova ser um excepcional diretor e mesmo tendo um mãos uma trama tão simples – brilhantemente escrita, aliás – entrega sequências revigorantes e cheias de energia e personalidade. É sexy, insano, visceral. A cena em que Ralph Fiennes dança, enquanto escuta sua amada canção do Rolling Stones, sintetiza a força da obra. É um momento estranhamente memorável, que remete a liberdade dos bons musicais e encanta por ser tão vibrante.

NOTA: 8,5

  • País de origem: EUA, França, Itália
    Ano: 2015
    Duração: 125 minutos
    Título original: A Bigger Splash
    Distribuidor: –
    Diretor: Luca Guadagnino
    Roteiro: David Kajganich
    Elenco: Tilda Swinton, Ralph Fiennes, Matthias Schoenaerts, Dakota Johnson.

30 ótimos filmes com temática LGBT

Neste mês do Orgulho LGBT, nada mais justo do que fazer um compilado de várias obras com essa temática, tanto para indicar como para relembrar esses filmes incríveis que já passaram pelo cinema e, claro, para celebrar a diversidade! A ordem é apenas uma questão de organização, não significa que um é melhor, pior ou menos relevante que outro.

Alguns filmes falam sobre a descoberta, do processo de aceitação ou até mesmo do preconceito que os personagens enfrentam. No fim, acredito que muitos deles querem dizer uma única coisa e esta é a real beleza dessas produções: a de que todos merecem uma história de amor, independente do gênero ou da opção sexual.

30. Imagine Eu e Você
de Ol Parker / 2005 / Reino Unido

De longe, até parece um filme leve e açucarado. No entanto, se olharmos para trás, perceberemos o quão a frente do seu tempo foi. Falar sobre um relacionamento entre duas mulheres não era nada comum na época e eles resolveram falar sobre isso em uma obra familiar, doce…uma comédia romântica pura. É uma proposta ousada e deu muito certo, ainda que poucas pessoas o conheçam. É lindo e muito gostoso de assistir.

29. Má Educação
de Pedro Almodóvar / 2003 / Espanha

A filmografia do cineasta Pedro Almodóvar sempre teve espaço para histórias de mulheres e para o público LGBT. É muito comum ver em seus filmes personagens homossexuais e mesmo com seus exageros narrativos, ele sempre deu voz para debater questões de gênero e todos os tipos de relações. “Má Educação” é uma de suas obras mais surpreendentes e coloca o ator Gael García Bernal em um dos papéis mais provocantes e interessantes de sua carreira. Há muita metalinguagem envolvida, então sempre há dúvidas sobre o que de fato acontece em cena, o que é real ou imaginação.

28. Jonas
de Christophe Charrier / 2018 / França

Lançado pela Netflix aqui no Brasil, o filme mergulha nas lembranças dolorosas de um jovem homossexual que tenta seguir em frente após eventos que o traumatizaram. Em dois tempos, acompanhamos sua fase adulta e, adolescente, quando descobre um grande amor. É muito sensível ao falar sobre a descoberta e sobre como esta paixão definiu toda a vida do protagonista.

27. Weeekend
de Andrew Haigh / 2012 / Reino Unido

Leve e descompromissado, “Weekend” é muito real em sua proposta de mostrar dois homens que se conhecem e vivem uma história de amor com prazo de validade já marcado. Entre festas, bebidas e novos amigos, os dois vão vivendo sem saber como o fim poderia os afetar. A naturalidade das cenas o faz parecer um documentário sobre as relações modernas.

26. Rafiki
de Wanuri Kahiu / 2018 / Quênia

Releitura moderna do clássico “Romeu e Julieta”, esse romance queniano traz uma leveza adorável ao narrar os desencontros entre duas garotas que, além de viverem em uma região conservadora, seus pais são grandes inimigos políticos. Cheio de cores, romance e um clichê que a gente tanto ama assistir.

25. The Normal Heart
de Ryan Murphy / 2014 / EUA

Apesar de não ter chegado nos cinemas, o filme com produção da HBO é tão incrível que merece estar na lista. Com direção de Ryan Murphy, o longa conta a história real de um ativista que luta pela cura da AIDS enquanto seu próprio parceiro enfrenta a doença. Com atuações marcantes de Matt Bomer, Mark Ruffalo e Julia Roberts, somos surpreendidos por uma trama pesada, dolorosa e intensamente comovente.

24. Tomboy
de Céline Sciamma / 2011 / França

Produção francesa traz a curiosa jornada de uma criança trans. A menina que se identifica como garoto e precisa enfrentar o dia a dia ao lado de novos amigos causa uma certa tensão, devido o segredo que o protagonista carrega consigo e essa vida dupla que decide viver. No entanto, encanta por essa noção que tem sobre si e deste processo de amadurecimento que precisa encarar. É, definitivamente, um dos filmes mais relevantes sobre o assunto.

23. Queda Livre
de Stephan Lacant / 2013 / Alemanha

Aquele filme que torcemos demais para o casal principal dar certo! No filme, dois policiais se apaixonam e lutam contra este sentimento, não apenas pela profissão que seguem e que jamais seriam aceitos mas, também, porque um deles é casado com uma mulher. É bonito como é mostrado essa descoberta dos dois, como aquela troca de olhares acaba se transformando em uma paixão intensa. Boatos de que teria sequência, mas nunca mais tive notícias.

22. Pecado da Carne
de Haim Tabakman / 2009 / Israel

Filme israelense sobre um homem que trabalha em um açougue e passa a ser discriminado por passar muito tempo com seu jovem empregado. Os dois vivem um romance proibido dentro de um bairro ortodoxo de Jerusalém. É o tipo de trama triste de ser ver por nos lembrar dessas histórias de amor que não são possíveis mas ao mesmo tempo encanta por revelar esses dois homens que lutam para estarem juntos.

21. Selvagem
de Camille Vidal-Naquet  / 2018 / França

“Selvagem” revela a vida de um jovem que mora na rua e ganha a vida sendo prostituto. Vira os dias em baladas e em casas de clientes, pessoas desconhecidas com quem divide todo sua intensidade e tesão. A obra mostra sua rotina sem muita censura, nos colocando bem próximo da intimidade do protagonista e suas tantas noites de sexo. Há bastante nudez aqui, reveladas por um olhar naturalista e sem muito glamour, o que torna o produto bastante provocativo e impactante.

20. Direito de Amar
de Tom Ford / 2009 / EUA

Com uma direção deslumbrante de Tom Ford, “Direito de Amar” traz Colin Firth na pele de um professor que, abalado pela morte de seu marido, decide cometer um suicídio, porém, antes, acaba se envolvendo com um de seus alunos. Se trata de uma obra fascinante sobre este homem que, em um momento de fraqueza, acaba redescobrindo razões para viver. Um filme sexy, sensível e lindamente filmado.

19. Girl
de Lukas Dhont / 2019 / Bélgica

Lançado aqui no Brasil pela Netflix, o longa belga faz um recorte doloroso na vida de uma garota trans, que enquanto luta para ser aceita em uma rigorosa escola de balé, precisa enfrentar a ansiedade que sente diante da mudança definitiva de gênero. É uma obra complexa, sensível e muito honesta em cada sentimento exposto.

18. E Então Nós Dançamos
de Levan Akin / 2019 / Geórgia

Para aqueles que gostam de filmes que exploram o universo da dança e uma boa história LGBT. A trama gira em torno de um dançarino que se apaixona por seu grande rival no palco e esta luta interna que ele trava dentro de si mesmo, por se apaixonar profundamente e por viver em um ambiente extremamente conservador que jamais aceitaria este romance. Um filme doce, apaixonante e que nos encanta da primeira à última cena.

17. Uma Casa no Fim do Mundo
de Michael Mayer / 2004 / EUA

Aquele filme confortável, gostoso de assistir, com linguagem acessível e que traz naturalidade a temas tabu. O longa debate homossexulidade e bissexualidade em uma história doce e cativante. Na trama, acompanhamos e excêntrica jornada de um homem adoravelmente enigmático, que acaba se relacionando com seu melhor amigo e uma espirituosa mulher que entra em suas vidas.

16. Tangerine
de Sean Baker / 2015 / EUA

Filmado com Iphone, “Tangerine” é uma experiência cinematográfica única e que revelou, na época, o talento do diretor Sean Baker. A obra acompanha a vida de duas prostitutas transexuais e as batalhas diárias que enfrentam enquanto trabalham nas ruas. É um produto exuberante, energético e cheio de afeto. Há muito humor também, que surge naturalmente diante de um texto livre de improvisos.

15. Corações de Pedra
de Guðmundur Arnar Guðmundsson / 2016 / Islândia

É bastante delicado falar sobre a homossexualidade na infância e “Corações de Pedra” faz isso com extrema sensibilidade e responsabilidade. Na trama, dois garotos que vivem inseridos em uma sociedade conservadora e bruta, começam a entender a própria sexualidade. O filme questiona o quão doloroso é silenciar e repreender a verdade de uma criança. Além das boas intenções, a obra surpreende pela técnica, entregando sequências visualmente deslumbrantes.

14. Praia do Futuro
de Karim Aïnouz / 2014 / Brasil, Alemanha

Filme nacional que colocou o ator Wagner Moura em um dos papéis mais ousados de sua carreira. Se trata de alguns recortes na vida de dois homens que vivem um relacionamento conturbado ao longo de vários anos. Com texto poético, há muito sentimento nas entrelinhas e nem todo detalhe da relação é exposto na tela. É um filme que fala muito sobre solidão, sobre fuga, sobre fugir para se encontrar. Uma obra fascinante.

13. Me Chame Pelo Seu Nome
de Luca Guadagnino / 2017 / EUA, Itália

O diretor Luca Guadagnino traz toda a elegância do cinema italiano para revelar o momento de descoberta do jovem Elio, interpretado por um inspirado Timothée Chalamet, e sua relação com um homem mais velho. É muito delicado cada gesto e cada ato desse filme. A excitação do início de um romance, a liberdade da juventude, a necessidade de se ter alguém nos braços. Somos invadidos por tudo isso e por inúmeros sentimentos que somente um roteiro tão impecável poderia nos proporcionar. É lindo, é comovente e incrivelmente prazeroso de se ver e sentir.

12. A Criada
de Park Chan-Wook / 2016 / Coréia do Sul

Filme sul coreano do renomado Park Chan-Wook (OldBoy), temos aqui uma história mirabolante envolvendo um vigarista, uma criada e uma herdeira. Original e inteligente, o longa surpreende por suas tantas reviravoltas e por suas provocantes cenas de sexo. Um produto deslumbrante, brilhantemente bem escrito e realizado.

11. Hoje eu Quero Voltar Sozinho
de Daniel Ribeiro / 2014 / Brasil

No cenário nacional, é uma das produções mais conhecidas sobre o tema. E mais importantes também. O romance entre um jovem cego e um garoto novo na escola é de uma sensibilidade absurda. Além de toda a nostalgia que traz com aquela liberdade da adolescência em um período de amadurecimento, o filme trata a relação dos dois garotos de forma cativante e delicada. É apaixonante e nos faz terminar de vê-lo querendo viver um grande amor por aí.

10. Maurice
de James Ivory / 1987 / Reino Unido

Dois homens que vivem na alta sociedade britânica do século XiX se apaixonam. É incrível como um filme lá da década de 80 conseguiu falar sobre amor entre dois homens de maneira tão delicada e natural. A obra, claro, diz muito sobre o conservadorismo da época e como esta paixão é constantemente silenciada para que seus protagonistas sejam aceitos. Lindo e com um final de aquecer o coração.

09. Fim do Século
de Lucio Castro / 2019 / Argentina

O filme diz muito sobre as chances perdidas, sobre as histórias que não vivemos. Acompanhamos os encontros de dois homens em Barcelona, em eventos separados por 20 anos. A história nos questiona o que teria sido da vida deles se tivessem ficados juntos. É muito natural os diálogos, as situações e faz um retrato muito honesto sobre ser gay na era digital.

08. Rocketman
de Dexter Fletcher / 2019 / Reino Unido

Belíssimo musical que conta a trajetória de excessos de Elton John. Visualmente criativo, temos aqui uma produção que, diferentemente de outras cinebiografias, não esconde a verdade de seu protagonista. Pelo contrário, tem orgulho de suas escolhas e entrega sentimento e beleza a todas elas. O filme diz muito sobre como o cantor lutou a vida inteira por ser aceito e emociona por esses relatos.

07. Com Amor, Simon
de Greg Berlanti / 2017 / EUA

Leve, teen e despretensioso. “Com Amor, Simon” poderia até ser um simples filme de sessão da tarde se o recado dele não fosse tão poderoso e tão necessário. Ao falar sobre um jovem que vive atormentado por guardar o segredo de sua homossexualidade, a obra acaba por dar, sem grandes pretensões, um enorme passo. Isso porque o cinema comercial nunca ousou colocar um protagonista gay em uma trama romântica e otimista. Uma obra que inspira porque conversa com aqueles que querem ouvir, porque é um sinal que evoluímos.

06. Orgulho e Esperança
de Matthew Warchus / 2015 / Reino Unido

O filme acompanha a união de duas minorias da sociedade: os homossexuais e os mineiros. A junção entre aqueles que só tinham compaixão e solidariedade com um grupo de preconceituosos e conservadores é brilhante. Diverte com seu delicioso humor britânico e personagens extremamente cativantes. É lindo do começo ao fim, necessário e inspirador!

05. Moonlight – Sob a Luz do Luar
de Barry Jenkins / 2016 / EUA

O vencedor do Oscar de Melhor Filme 2017 é forte, denso e marcante. Dividido em três partes, acompanhamos a dolorosa jornada de Chiron, um homem preto da periferia que desde criança enfrentou a humilhação por ser quem é e, ao longos anos, precisou assumir seus verdadeiros desejos. Com direção impecável de Barry Jenkins, temos um produto visualmente impactante e algumas cenas que ficam na memória.

04. Antes do Anoitecer
de Julian Schnabel / 2000 / EUA

O filme narra a dolorosa jornada do autor cubano Reinaldo Arenas, em uma excepcional interpretação de Javier Bardem, desde sua infância pobre, aos anos em que foi perseguido e torturado pelo Regime de Fidel Castro por ser homossexual, até ser exilado em território norte-americano. Um retrato poderoso e angustiante sobre uma vida cheia de repressão e que nos faz refletir sobre a luta e resistência daqueles que vieram antes de nós.

03. C.R.A.Z.Y. – Loucos de Amor
de Jean-Marc Vallée / 2006 / Canadá

Esse filme me marcou de formas que nem consigo descrever. Início da carreira do, hoje renomado, Jean-Marc Vallée (Big Little Lies), o longa canadense narra a extraordinária jornada de Zachary, desde seu nascimento até seu renascimento, anos depois, quando finalmente aceitou quem era. É curioso as referências religiosas, ainda mais vindo de um protagonista que tem uma certa simpatia pelo diabo. As músicas, as cenas, o brilhante roteiro que guia cada acontecimento com muito vigor e um delicioso toque de fantasia. É tudo incrível de ser ver e sentir.

02. Retrato de Uma Jovem em Chamas
de Céline Sciamma  / 2019 / França

Um dos mais belos filmes que tivemos o prazer de ver neste ano, “Retrato de Uma Jovem em Chamas” revela a história de amor de duas mulheres no século 18. Íntimo, sensível e extremamente apaixonante. Cada cena parece uma pintura e facilmente nos encantamos pela trama e por esta jornada tão sentimental, tão poética.

01. O Segredo de Brokeback Mountain
de Ang Lee / 2005 / EUA

Virou um clássico. Fato. O encontro entre dois cowboys no meio de uma região distante marcou o cinema. Se trata de um dos mais belos trabalhos do diretor Ang Lee, que revelou uma das histórias de amor mais dolorosas. É triste a trajetória dos protagonistas e desse amor impossível que vivem. Heath Ledger e Jake Gyllenhaal estão fantásticos. Há muita química entre os dois atores que se entregam à seus belos papéis.