Os 15 melhores atores coadjuvantes do ano

Continuando com as listas de melhores atuações de 2020, retorno para revelar as minhas interpretações masculinas favoritas em papéis coadjuvantes. Foi difícil fechar em apenas 15 nomes porque tivemos diversos atores que mereciam estar aqui.

As atuações elegíveis para a lista foram aquelas que estiveram presentes em obras lançadas no Brasil de janeiro a dezembro do ano passado. Espero que gostem dos selecionados e, caso não tenham visto algum desses filmes, deixo aqui como belas dicas a serem descobertas.

15. Dan Stevens
(Festival Eurovision da Canção)

Ainda que a comédia da Netflix “Festival Eurovision da Canção” tenha seu charme devido aos protagonistas vividos por Rachel McAdams e Will Ferrell, quem brilha mesmo é Dan Stevens. Sua presença é rápida, mas boa demais para passar despercebida. Na pele do cantor russo Alexander Lemtov, Dan entrega um show de carisma e comédia. Sua performance no palco é simplesmente impagável.

14. John Lithgow
(O Escândalo)

Mesmo escondido em muita maquiagem, o ator John Lithgow dá uma belo show em “O Escândalo”. Ele literalmente desaparece como o chefão da Fox News, Roger Ailes. É um personagem difícil de digerir, que causa nojo e espanto. Ainda assim, é muito bom ver um ator veterano com tamanha coragem de se entregar dessa forma.

13. Harry Melling
(O Diabo de Cada Dia)

Harry Melling trabalhou bastante em 2020, por isso é tão surpreendente cada aparição dele ao longo do ano. São personas diferentes e ele se renova em cada uma delas. Como um fanático religioso, Harry surge assustador aqui. Sua entrega é admirável e torna grande um personagem pequeno ali na trama.

12. Bill Burr
(A Arte de Ser Adulto)

O comediante Bill Burr finalmente ganha uma boa chance no cinema. Como o pai solteiro Ray Bishop que acaba conquistando a mãe do protagonista, ele traz vida ao filme. É uma presença marcante dentro da história e um personagem que vai crescendo ali. Sua dinâmica com os atores Pete Davidson e Marisa Tomei é deliciosa.

11. Sacha Baron Cohen
(Os 7 de Chicago)

É sempre surpreendente ver até onde o ator britânico Sacha Baron Cohen é capaz de chegar. É chocante como ele se transforma de um papel para outro e por isso merece estar na lista. Sua presença no drama de tribunal “Os 7 de Chicago” é incrível, trilhando bem entre a comédia e o drama.

10. Taika Waititi
(Jojo Rabbit)

“Jojo Rabbit” é uma comédia bastante ousada e Taika Waititi merece reconhecimento por dirigir, escrever e ainda atuar (e ser incrível em todas essas funções). Aqui ele tem a difícil missão de ser uma versão infantilidade e cômica de Hitler. As chances disso dar errado eram enormes, mas que funcionam devido seu grande carisma e competência como ator.

9. Alessandro Nivola
(A Arte da Autodefesa)

Na pele de um carismático sensei que domina as artes do karate, Alessandro Nivola rouba a cena no surpreendente “A Arte da Autodefesa”. Nunca sabemos ao certo seu caráter e as coisas que ele é capaz de fazer. Por isso nos deixa tão intrigados e hipnotizados por sua presença. Diverte com o humor negro do roteiro, mas também nos deixa um tanto quanto assustados.

8. David Thewlis
(Eu Estou Pensando em Acabar com Tudo)

Assim como sua parceira de cena, Toni Collette, David Thewlis nos causa repulsa na pele do pai do protagonista. São instantes bizarros no drama de Charlie Kaufman, mas que ele domina, adentra com perfeição a este jogo de cena estranhíssimo e divertido. Envelhecendo de um instante para o outro, sua presença se torna cada vez mais esquisita e desesperadora. Ótimo poder ter um ator de seu calibri para dar vida a algo tão louco quanto isso.

7. Tim Blake Nelson
(Luta por Justiça)

Ainda que a produção e divulgação de “Luta Por Justiça” foque nas ótimas presenças de Jamie Foxx, Michael B.Jordan e Brie Larson, o longa acaba surpreendendo por outra atuação que ninguém estava esperando, a do veterano Tim Blake Nelson. É uma passagem rápida mas de grande relevância na trama. Seu sotaque, seu jeitão único de se expressar. Belíssima surpresa.

6. Bill Camp
(O Preço da Verdade – Dark Waters)

Bill Camp é aquele ator fantástico que sempre está presente nos filmes mas pouco nos damos conta. Por isso sua atuação em “Dark Waters” me chamou tanta a atenção e me fez percebê-lo em outras produções. Ele é um coadjuvante de ouro, que enriquece os bons discursos do filme e nos convence na pele de um caipira que busca por justiça.

5. Bill Murray
(On The Rocks)

Murray é figura marcante na filmografia de Sofia Coppola e sua presença em “On The Rocks” prova que esta parceria ainda tem seu charme. Na pele de um pai canastrão, o ator brilha em cena. É divertido, carismático e funciona muito bem ao lado da protagonista de Rashida Jones. Apesar da comicidade, ele traz humanidade ao personagem.

4. Jamie Foxx
(Luta por Justiça)

“Luta Pela Justiça” traz um discurso forte sobre como o sistema carcerário persegue os negros, nos revelando a dolorosa trajetória de homens que buscam por defesa mesmo quando não sou ouvidos. Jamie Foxx dá vida a Walter, que durante anos esteve preso injustamente. É cruel todo caminho percorrido por seu forte personagem e Foxx assume essa responsabilidade de dar voz a tantas histórias como esta. Sua presença é gigante e emociona.

3. Tom Hanks
(Um Lindo Dia na Vizinhança)

O apresentador infantil norte-americano Fred Rogers é o objeto de estudo de “Um Lindo Dia na Vizinhança”. É um ser intrigante e que ganha vida nas mãos de Tom Hanks. É aquele tipo de papel que não faria sentido na pele de outro ator. Acreditamos em seus discursos de bondade e em suas atitudes tão inspiradoras. Hanks sai de sua linha conforto e desenvolve na tela um personagem único.

2. Paul Raci
(O Som do Silêncio)

Por essa grande atuação acredito que ninguém esperava. O palco era de Riz Ahmed, que também está ótimo em cena, mas Paul Raci se mostra um coadjuvante a altura. Conhecedor da linguagem de sinais, é fantástico assistir as tantas formas em que o ator se expressa em cena. Há solidariedade e compaixão em seu olhar. Há sentimento em cada palavra e em cada movimento que gesticula. O momento final em que ele se mostra decepcionado com o protagonista é gigante.

1. Willem Dafoe
(O Farol)

Lista de melhores do ano sem Willem Dafoe não é a mesma. Nos últimos anos, o ator tem se envolvido em projetos bem interessantes e “O Farol” deu a chance para o ator entregar uma atuação poderosa. Mesmo com anos de carreira, ele ainda nos surpreende, ainda tem uma camada não desvendada. E esta é a grandeza do seu trabalho. O embate do ator com Robert Pattinson é poderoso.

As 20 melhores cenas de 2020

Como todo ano que passa, gosto de relembrar e reunir tudo o que teve de bom durante os doze meses que se passaram. É assim que chego agora com o post de “Melhores Cenas” de 2020, revelando meus momentos favoritos que tive o prazer de ver no cinema.

Selecionei os 20 instantes que mais me marcaram, seja por um diálogo, uma atuação, seja pela direção primorosa que tiveram. Lembrando que os filmes selecionáveis eram apenas aqueles lançados no Brasil de janeiro a dezembro, seja na tela grande ou VOD.

Espero que gostem das escolhas e caso lembrarem de outra cena que vale destacar, deixem nos comentários.

[CONTÉM SPOILERS NOS TEXTOS]

20. Oceano
“Soul” | Direção: Pete Docter

Na reta final de “Soul”, o protagonista consegue conquistar todos os sonhos e se vê diante de um novo dilema: “É só isso? O que mais acontece”? A cena em questão é quando a líder da banda de jazz lhe diz uma bela passagem sobre como somos tão obcecados por nossos propósitos e sobre como vamos sempre querer algo além do que já temos. Somos insaciáveis.

19. Parque de diversão
“Aves de Rapina” | Direção: Cathy Yan

“Aves de Rapina” traz uma energia contagiante dos desenhos animados através de seu ritmo e visual. A batalha final é incrivelmente bem orquestrada, divertida, colorida e sintetiza bem este poder da obra em criar algo simples e eficaz. Nossas heroínas enfrentam os vilões em um parque temático e o resultado é deslumbrante.

18. Nobody Knows I’m Here
“Ninguém Sabe Que Estou Aqui” | Direção: Gaspar Antillo

Neste momento, o roteiro nos permite, finalmente, entender o conturbado passado de nosso protagonista recluso. Em um programa de TV e com as câmeras desligadas, ele abre seu coração através de sua música, a belíssima “Nobody Knows I’m Here“. Ele se expõe e se permite viver daquilo que ele tanto negou, mesmo que por pouquíssimos minutos.

17. Dançando na Chuva
“Babenco” | Direção: Bárbara Paz

No documentário sobre o fim da vida do diretor Héctor Babenco, o próprio desenhou o que seria a última cena perfeita para este registro. A diretora e sua esposa Bárbara Paz se entrega a um belíssimo e singelo número musical, nua e na chuva. É um momento libertador e poético.

16. O resumo de Olaf
“Frozen 2” | Direção: Jennifer Lee, Chris Buck

“Frozen 2” é, sem querer fazer trocadilhos infames, uma animação fria. Embora entregue uma sequência sem graça, ao menos fomos presenteados com o instante em que Olaf, rodeado por novos personagens, decide contar toda a trajetória de Anna e Elsa, fazendo um divertidíssimo resumo de tudo o que aconteceu no primeiro filme.

15. 4 de julho
“Mulher-Maravilha 1984” | Direção: Patty Jenkins

Patty Jenkins realiza em “Mulher Maravilha 1984” um filme de herói com inúmeras pausas e respiro. Em um desses instantes, Diana (Gal Gadot) e Steve (Chris Pine) sobrevoam Londres em uma noite iluminada pelos fogos de 4 de Julho. É bonito não apenas pelo visual mas, principalmente, porque Jenkins traz um pouco de si ali e sua singela homenagem a seu pai, que foi um combatente de guerra e aviador.

14. Coca-Cola
“A Voz Suprema do Blues” | Direção: George C.Wolfe

Ma Rainey era conhecida por seu comportamento difícil nas gravações de seus discos. Na pele da irreparável Viola Davis, é um momento icônico dentro do filme quando, cansada de cantar, surta ao descobrir que não há Coca-Cola no local, interrompendo o trabalho de todos para que pudessem comprar sua bebida favorita.

13. Filtro
“Host” | Direção: Rob Savage

Mesmo com baixo orçamento, o terror “Host” não nos poupou de belas sequências. Na cena em questão, uma das garotas caminha pela casa para averiguar os sons estranhos que ouve e aponta o celular para enxergar, no entanto, sem querer, ativa um filtro engraçadinho, que para o nosso desespero, reconhece uma face assustadora em sua sala.

12. O legado
“Queen & Slim” | Direção: Melina Matsoukas

Uma das cenas mais impactantes do ano. No maior clima Bonnie e Clyde, o casal protagonista (Daniel Kaluuya e Jodie Turner-Smith) chega ao fim da linha depois de uma longa fuga. Eles trocam belas palavras enquanto são cercados por policiais que, violentamente, atiram e os dois morrem ensanguentados no chão de uma pista de avião.

11. A dança da vida
“Estou Pensando em Acabar com Tudo” | Direção: Charlie Kaufman

A viagem de Charlie Kaufman alcança o ápice neste deslumbrante e inventivo instante, que mais parece um sonho dentro do filme. Antes de compreendermos a verdadeira identidade de nosso protagonista, ele assiste o show da sua própria vida através de um número musical.

10. Restaurante
“O Homem Invisível” | Direção: Leigh Whannell

Quando todos passam a duvidar de sua sanidade, Cecília (Elizabeth Moss) convida sua irmã para jantar em um restaurante. Buscando sua última chance de ser compreendida, ela é surpreendida por uma faca “voadora”, que mata sua irmã em sua frente. Obra de seu perseguidor invisível, que logo encaixa a faca em suas mãos, a fazendo parecer criminosa.

9. Rodovia
“Tenet” | Direção: Christopher Nolan

Difícil escolher o melhor momento de “Tenet”. Mesmo que eu não goste tanto do filme, as sequências de ação, comandadas por Christopher Nolan, são soberbas. Em uma de suas missões, o Protagonista (John David Washington) se vê preso em uma perseguição em plena rodovia. Um instante eletrizante.

8. Tour pela cidade
“A Vastidão da Noite” | Direção: Andrew Patterson

Belíssima produção de baixo orçamento, a ficção científica do estreante Andrew Patterson encanta pelo hipnotizante plano sequência, quando sua câmera caminha por toda a cidade onde a trama ocorre, passeando pelas ruas escuras, os bosques, entrando e saindo em uma escola onde acontece um jogo de esporte, até voltar ao seu ponto de origem. É lindo de ver.

7. Com que frequência?
“Nunca, Raramente, Às Vezes, Sempre” | Direção: Eliza Hittman

Depois de viajar para Nova York ao lado de sua prima para realizar um aborto, a jovem Autumm (Sidney Flanigan) é submetida a uma série de perguntas bem pessoais antes de realizar o procedimento. Nesse momento conhecemos um pouco mais sobre este universo recluso de dor e assédio que a personagem havia enfrentado em sua vida. É uma sequência poderosa, dilacerante.

6. Confronto reverso
“Tenet” | Direção: Christopher Nolan

A produção de “Tenet” choca pela forma como exploraram visualmente este “universo reverso”. Na batalha final, soldados entram em combate em um terreno vasto e precisam lidar com a nova forma de tempo que ali é aplicada. Estruturas são reconstruídas e explosões são engolidas para dentro da terra. O resultado é empolgante de se assistir. A boa edição e trilha enaltecem as boas escolhas de Nolan.

5. Corrida contra o tempo
“1917” | Direção: Sam Mendes

Outro filme difícil de escolher um só momento é “1917”. Seleciono este que, para mim, é impecável e revela o poder da direção do veterano Sam Mendes. Em seu hipnotizante plano sequência, acompanhamos o soldado escapando da trincheira lotada em pleno combate para chegar a tempo de dar suas informações valiosas. Ele precisa desviar de explosões, tiros e soldados que correm pela sobrevivência. É chocante a qualidade desta cena, assustando pelo realismo que alcança.

4. Em chamas
“Retrato de Uma Jovem em Chamas” | Direção: Céline Sciamma

A cena que dá nome ao filme e ao quadro de uma bela história de amor. Quando Héloïse (Adèle Haenel) e Marianne (Noémie Merlant) visitam uma comunidade afastada de mulheres, elas cantam em volta de uma fogueira na escuridão da noite. Héloïse caminha perto do fogo e a pintora observa de longe o vestido de sua amada em chamas. Um instante simbólico e de uma beleza hipnotizante.

3. O som de dentro
“O Som do Silêncio” | Direção: Darius Marder

Existe uma beleza imensurável nesta cena que faltam palavras para descrever. É o momento final de uma jornada repleta de perdas, angústia e, principalmente, de recomeços, adaptação. É o fim e começo para Ruben (Riz Ahmed) que depois de realizar a cirurgia para recuperar sua audição, nota que os novos sons que assimila não são mais os mesmos. Ele finalmente se liberta de sua inquietação, senta, observa a cidade e o silêncio que a nova vida pode ter.

2. Cidade em ruínas
“1917” | Direção: Sam Mendes

Algumas vezes o cinema alcança seu estado mais primoroso. Aquele momento em que você assiste e tem a certeza de aquilo é arte e foi construído na mais perfeita condição. Seja pelo belo trabalho de Sam Mendes, Roger Deakins, Thomas Newman e toda a equipe de som. O instante em que o soldado caminha por uma cidade em ruínas é impecável. Fugindo dos sons que o assombram, avista ainda sinalizadores que explodem na noite. “1917” é uma aula de cinema e esta cena representa bem esta ideia.

1. A dança da liberdade
“Jojo Rabbit” | Direção: Taika Waititi

“Qual a primeira coisa que você fará quando for livre”? Pergunta Jojo (Roman Griffin Davis) à sua nova amiga judia Elsa (Thomasin Mckenzie) durante a ocupação nazista na Alemanha. Quando chega o fim da ditadura, ela caminha pela rua, finalmente, livre. Os dois amigos se olham e realizam aquele antigo desejo: dançar! Ao som de “Heroes” de David Bowie, temos aqui a melhor cena de 2020. Comovente, fofa e boa demais de se ver.