Crítica: The 40-Year-Old Version

A voz da mulher preta

Comédia premiada no Festival de Sundance, “The 40-Year-Old Version” é facilmente uma das produções mais interessantes que a Netflix lançou recentemente. Esta é a estreia de Radha Blank na direção, que entrega aqui algo extremamente pessoal, imprimindo, em seu fascinante texto, sua luta diária como mulher, preta e artista. Ela se coloca como protagonista da própria história e traz honestidade em cada um de seus fortes relatos.

Filmada em preto e branco, a obra faz um recorte na vida de Radha que, próxima de completa 40 anos, começa a refletir sobre o rumo de sua carreira como escritora, que mesmo tendo vencido um importante prêmio da literatura – aos 30 anos – nunca teve, de fato, espaço para realizar sua arte. O longa narra este momento em que ela busca por renascimento e, principalmente, ter finalmente sua voz ouvida. “The 40-Year-Old Version” é o manifesto desta grande mulher. De forma ousada e sincera, Radha aponta uma ferida antiga dentro da arte, seja no cinema, seja no teatro, onde o preto apenas tem espaço para ilustrar uma pobreza estereotipada e servir de troféu para histórias de brancos salvadores. Ela traz humor em seu relato, sem jamais diminuir o impacto de seu poderoso e necessário discurso.

Debute na direção, Blank entrega um produto fascinante, bem conduzido. Seus discursos transbordam naturalidade e encanta ao colocar em cena, instantes tão prazerosos de assistir, guiados por personagens tão carismáticos. Um filme brilhante que, definitivamente, precisava existir.

NOTA: 9

  • Duração: 129 minutos
    Disponível: Netflix
    Roteiro: Radha Blank
    Direção: Radha Blank
    Elenco: Radha Blank, Peter Y. Kim, Reed Birney