Não tão mágico como pretende ser
Nos últimos anos, tem se tornado recorrente esses filmes de origem que ninguém pediu. Eles selecionam um personagem e tentam criar uma história para mostrar “como tudo começou”. Apesar de estar animado por ver este no cinema, principalmente por ter as mãos de Paul King, responsável por “Paddington”, o filme em nenhum momento se mostra necessário. Além de entregar pouco, muito pouco, não consigo fazer conexão alguma com aquele Willy Wonka icônico de Gene Wilder e nem naquele excêntrico universo. Muito pelo contrário, temos aqui uma obra natalina genérica, que se apropria de um nome marcante, mas que não tem a menor intenção de fazer jus a ele.
Nesta versão, Wonka é um jovem sonhador e ingênuo que, devido a um infortúnio, une forças com seus novos amigos para vender chocolates através de seus truques e habilidades fantásticas. Confesso que fiquei bem frustrado com a trama principalmente porque ela mal avança e tudo o que desenvolve para justificar a criação da Fábrica de Chocolate é bem pobre. Todos os coadjuvantes que fazem parte desta trajetória são fracos e não se destacam. O brilho se concentra unicamente em um carismático Timothée Chalamet, que está muito bem como protagonista, inclusive quando solta a voz.
Gosto muito de musicais e, apesar de discordar, até entendo eles terem escondido isso da divulgação do filme, mas só prova o quanto falta coragem nessa produção. Como se o próprio marketing não apostasse no filme da forma como ele é. Admiro o gênero e sinto que “Wonka” evita ser musical demais para não afastar seu público, o que é uma pena. É tudo muito sutil, acanhado. As canções nunca explodem e as sequências jamais alcançam o potencial que tinham. Algumas músicas, inclusive, são até boas, mas as apresentações não. Os efeitos visuais são fracos também, tornando muitas cenas ainda menos potentes.
“Wonka” é mais um desses filmes de origem que não precisavam ser feitos. Pouco tem interesse pela obra original e pouco se esforça para criar algo marcante. Nada, infelizmente, é tão mágico quanto pretende ser, nem tão grande quanto poderia ter sido. Uma produção que não aposta no público. Por achar que não gostamos de musicais e por achar que não saberíamos lidar, hoje, com um personagem como Willy Wonka. Ao invés disso, se limita ao básico, voando baixo demais para uma obra que deveria celebrar a infinitude da imaginação.
NOTA: 6,0
País de origem: EUA
Ano: 2023
Duração: 116 minutos
Diretor: Paul King
Roteiro: Paul King, Simon Rich
Elenco: Timothée Chalamet, Calah Lane,Keegan-Michael Key, Hugh Grant,Olivia Colman
