Ícone do site Pseudo crítico

Crítica | Wicked

orgulho de ser musical

Em um ano em que o cinema teve vergonha de ser musical (e as equipes de marketing se viram obrigadas a esconder isso do público), ver “Wicked” na tela grande é como um grande presente. O filme celebra o gênero e tem imenso orgulho de ser exatamente o que é. Ele surge quase como uma homenagem aos fãs que tanto aguardaram pela adaptação, encantando principalmente por deixar evidente, a cada instante, o quanto foi feito por pessoas que realmente amam esse universo.

Grande sucesso da Broadway, a peça de “Wicked” estreou em 2003, baseada no mundo criado por L. Frank Baum em “O Mágico de Oz”. A história narra a amizade improvável entre Elphaba, a Bruxa Má do Oeste, e Glinda, a Bruxa Boa do Sul. Tudo na produção é encantador e mágico, o que faz esta adaptação ser digna da longa espera. As protagonistas ganham vida nas mãos de Cynthia Erivo e Ariana Grande, que juntas em cena se tornam uma verdadeira potência. Potência de voz, talento e carisma. É evidente a paixão que ambas têm pelo projeto, o que torna tudo ainda mais especial. São duas personagens com personalidades completamente opostas, sendo extremamente divertido acompanhar a evolução desta relação e como elas se unem para desafiar a gravidade. 

A decisão de dividir essa jornada em dois capítulos, no entanto, têm seus prós e contras. Embora permita um desenvolvimento mais completo da história, também fica claro que foi uma escolha megalomaníaca, nem sempre necessária. A trama, que é simples e previsível, acaba se estendendo demais nas suas 2 horas e 40 minutos de duração. A maior decepção, porém, é o final atropelado. A virada épica de Elphaba, por exemplo, é exagerada e resolvida de forma genérica.

O diretor Jon M.Chu traz dinamismo e nos mantém atentos do começo ao fim. Jamais tem vergonha do espalhafatoso e do ridículo. Uma pena, porém, quando suas escolhas estéticas nem sempre valorizam a direção de arte, visto que toda a construção de cenários e utilização de efeitos práticos somem na imagem. Isso ocorre principalmente pela opção de um visual mais realista, com cores pouco saturadas, sem brilho. A sequência da biblioteca é um exemplo claro disso: existe uma arquitetura fantástica, mas é mal explorada com sua câmera desfocada e o branco estourado ao fundo. E todo o mágico universo de Oz está sempre apagado, criando uma sensação de artificialidade comum aos blockbusters atuais. 

Ainda que eu goste das canções, sinto falta de sequências mais explosivas. Tenho a sensação de não ter tido nenhum número musical realmente impactante, com grandiosas coreografias. São corretos e cheios de boas intenções, mas falta um tempero a mais. No entanto, não posso deixar de exaltar o talento de todos os envolvidos. O elenco todo está muito bem entrosado e Cynthia e Ariana elevam o nível de qualquer cena. A adição de Jonathan Bailey funciona muito bem também. 

Cynthia Erivo faz de “Wicked” o palco que ela sempre mereceu. Sua entrega impressiona e o fato de termos uma atriz preta no papel principal torna os discursos do filme ainda mais poderosos. Ariana Grande surpreende ao adotar um estilo vocal completamente diferente daquele que conhecemos dela como estrela pop. Ela renasce como Glinda e eu simplesmente não consigo imaginar uma outra atriz a fazer este papel. O show é delas e saímos do filme maravilhados por tudo o que elas fazem aqui. Diferente dos tantos musicais fajutos que temos visto por aí, este tem orgulho de ser o que é, me fazendo lembrar do porquê gosto tanto do gênero. Me divertiu, me emocionou e me fez querer cantar junto.

NOTA: 8,0

País de origem: EUA
Ano: 2024
Duração: 160 minutos
Diretor: Jon M.Chu
Roteiro: Winnie Holzman, Dana Fox
Elenco: Cynthia Erivo, Ariana Grande, Jonathan Bailey, Michelle Yeoh, Jeff Goldblum, Peter Dinklage, Bowen Yang

Sair da versão mobile