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Crítica | Maestro

O nítido desespero por um prêmio

Bradley Cooper se arrisca a dirigir seu segundo longa-metragem, depois da boa repercussão de “Nasce Uma Estrela”. Ainda no campo da música, ele retorna nesta cinebiografia de Leonard Bernstein, renomado e premiado compositor norte-americano. É difícil compreender, no entanto, o que na vida deste homem fascinou o diretor. Com “Maestro”, ele sai atirando para todos os lados, metendo os pés pelas mãos e não conseguindo abraçar nada. O que vemos, então, é um produto vazio, feito unicamente para abocanhar prêmios.

O filme inicia-se quando Leonard dá seu primeiro grande passo como regente de uma orquestra. Acompanhamos sua ascensão e sua sede por devorar o mundo. Se na profissão, ele não se prendia a fazer uma única coisa, estando presente no teatro, cinema e TV, em sua vida pessoal, ele negava qualquer tipo de limitação ou rótulo. Era um ser livre e intenso. Mesmo assim, seu caminho cruza com o de Felicia Montealegre (Carey Mulligan), com quem se casa e vive uma união de altos e baixos.

“Maestro” romantiza demais toda essa trajetória. Evita se aprofundar na complexidade deste casal, investigado superficialmente as compulsões e até mesmo a bissexualidade de Leonard. Ele é irresponsável com as pessoas que o cercam, mas o filme prefere vender isso como apenas “ele não tem culpa, ele é só um homem que ama demais”. Esse medo do risco e a incerteza do que focar, pincelando diversas situações mas nunca saindo da sugestão, tornam a obra desinteressante e até mesmo confusa. Há algo de curioso neste protagonista, mas nunca temos acesso e, infelizmente, terminamos de assistir sem saber exatamente quem ele foi. A grande habilidade desse roteiro é ser verborrágico e ainda assim conseguir expressar absolutamente nada,

Existe aqui uma direção inquieta. Enquanto no começo do filme, os movimentos rápidos da câmera transformam a vida de Leonard em um teatro musical, o fazendo navegar pela própria vida como se estivesse em um palco. Ao decorrer, porém, esse caos vai se dissolvendo e nunca se decide o que quer ser. Bradley Cooper se esforça demais para mostrar que é um cineasta sério. Ele tenta de tudo um pouco, agarrando qualquer chance para suplicar o seu Oscar. Rigoroso em cada passo, há um preciosismo técnico na medida para inflar o próprio ego.

É assim que “Maestro” acaba por ser um grande equívoco, porque o diretor não está interessado em seu protagonista e no que ele tem a dizer. Aliás, mal se esforça para decifrá-lo. Ele está, exclusivamente, interessado nos prêmios que pode vencer ao interpretá-lo. Tanto Bradley como Mulligan estão ótimos sim, mas sinto muita dificuldade em apreciar atuações tão friamente calculadas para ser um Oscar bait. Tudo no filme me sugere isso. Não há autenticidade, honestidade e muito menos sentimento. Tudo está ali milimetricamente pensado para parecer esplêndido. E nunca é.

NOTA: 6

País de origem: EUA
Título original: Maestro
Ano: 2023
Duração: 129 minutos
Diretor: Bradley Cooper
Roteiro: Josh Singer, Bradley Cooper
Elenco: Bradley Cooper, Carey Mulligan, Matt Bomer, Maya Hawke, Sarah Silverman

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