belo e sensível, mas um filme que já vimos antes
Crescer sendo homossexual costuma ser um processo profundamente solitário. Durante muito tempo, faltaram-nos referências no cinema, na TV ou até mesmo ao nosso redor. Como aprender a se aceitar quando não existe um espelho que reflita quem somos? Em Corações Jovens, o protagonista vive exatamente esse dilema, Um adolescente em formação tentando decifrar sentimentos intensos sem ter exemplos que o orientem.
Por décadas, fomos acostumados a ver romances homoafetivos restritos a narrativas trágicas. Nos últimos anos, porém, esse cenário começou a se transformar. Corações Jovens, produção belga-holandesa, surge como mais um adorável exemplar de uma história LGBT luminosa, que aposta na ternura e na esperança. É um passo necessário e capaz de tocar um público carente de perspectivas mais positivas.
A trama acompanha Elias, de 14 anos, que descobre seus primeiros sentimentos amorosos com a chegada de Alexander, o novo vizinho. A experiência, no entanto, desperta nele uma confusão crescente. Além de não compreender a força dessa paixão repentina, ele não sabe como expressá-la para amigos e familiares.
Este conflito pode parecer simples à primeira vista, mas é altamente identificável. É comovente perceber como ele se angustia, mesmo estando cercado por pessoas dispostas a acolhê-lo.
A cena em que Elias se abre com a mãe dentro do carro é especialmente poderosa. O diálogo carrega um peso enorme justamente por nos recordar da carga emocional desnecessária que tantos jovens suportam. É doloroso assistir alguém tão novo acreditar que amar implica culpa. Vale destacar a atuação sensível de Lou Goossens, que transmite muito apenas com o olhar.
Ainda assim, embora reconheça a relevância de narrativas como a de Corações Jovens, sinto que o filme acaba repetindo uma estrutura já bastante familiar. Há uma sensação constante de déjà-vu, como se a história evitasse se arriscar além do que já foi explorado em outras obras.
É inegável seu encanto e delicadeza, mas permanece numa zona demasiadamente confortável, sem oferecer um olhar realmente novo sobre seus personagens ou conflitos. Ao menos, a direção de Anthony Schatteman se mostra segura e cuidadosa, entregando sequências visualmente belíssimas.
NOTA: 7,5
País de origem: Bélgica, Holanda
Ano: 2024
Título Original: Young Hearts / Jungle Herzen
Duração: 97 minutos
Diretor: Anthony Schatteman
Roteiro: Anthony Schatteman
Elenco: Lou Goossens, Marius De Saeger, Geert Van Rampelberg, Emilie De Roo
