Ícone do site Pseudo crítico

Crítica | Speak No Evil

hipnotizante e brutal

Fazia tempo que este estava na minha lista, mas optei por aguardar seu lançamento oficial no Brasil, mas isso nunca ocorreu. É mais uma daquelas obras incríveis que se perdem no limbo e nunca temos acesso de forma legal. Mas ainda bem que fui atrás porque me deparei com uma experiência insana, estranhamento empolgante e impactante. Terror dinamarquês que, definitivamente, se destaca no gênero e posso afirmar que é um dos melhores que vi recentemente. Como americano não sabe ler legenda, em breve teremos um remake desnecessário estrelado por James McAvoy.

A tensão em “Speak no Evil” vai sendo construída aos poucos. Mesmo quando, aparentemente, nada está acontecendo, sentimos um desconforto que nos alerta de que algo ruim se aproxima. Seja pela trilha, seja pelos acontecimentos e atitudes dos personagens, me vi sendo engolido pela obra. Extremamente hipnotizado por cada ação. O diretor Christian Tafdrup conduz muito bem essa narrativa de suspense e nos golpeia fortemente ao seu final. A experiência se torna ainda melhor se você não souber do que se trata a obra, porque o baque vem.

Ao início, o filme nos apresenta o começo de uma amizade promissora. Bjørn e Louise são dinamarqueses e conhecem um casal holandês durante uma viagem. Logo são convidados por eles a passarem um final de semana idílico em um agradável chalé. A possibilidade de fugir da rotina os fascina e eles decidem embarcar nessa, mesmo conhecendo tão pouco aquelas pessoas. No entanto, uma sequência de atitudes bizarras dos novos amigos os fazem questionar se realmente estão seguros por ali.

Por vários momentos, Bjørn se desconecta de si mesmo. Como se permitisse, por alguns rápidos segundos, escapar da realidade que não o contempla. É nitidamente um homem frustrado com a própria vida, que se vê obrigado a agir de determinadas formas. Seguindo um padrão, seguindo normas para se encaixar, sempre disposto a ser bem visto pelo julgamento alheio. Disposto a fazer coisas que odeia para ser visto como um bom pai, um bom marido, um bom hóspede. O herói, aquele que “não fala o mal” e que se permite viver constantemente sob as ordens dos outros. Mais do que apenas uma vítima do acaso, ele é a vítima que passivamente deixa acontecer.

A forma como “Speak no Evil” vai fluindo é bastante empolgante, mesmo em sua calmaria. Seu universo causa desconforto, mal estar, mas é tão fascinante, que se torna difícil desgrudar os olhos da tela. Tudo ocorre em seu devido tempo e o roteiro sabe a hora certa de revelar seus bons mistérios. O final é altamente angustiante, desesperador e nos traz uma sensação de impotência que nos dilacera. Original e ousado, temos aqui um ótimo terror que merece ser descoberto.

NOTA: 9,5

País de origem: Dinamarca
Ano: 2022
Duração: 97 minutos
Diretor: Christian Tafdrup
Roteiro: Christian Tafdrup
, Mads Tafdrup
Elenco: Morten Burian, Sidsel Siem Koch, Fedja van Huêt, Karina Smulders

Sair da versão mobile