Ícone do site Pseudo crítico

Crítica | Clube da Luta para Meninas

Bem menos ácido do que acredita ser

Já posso afirmar que esse foi um dos meus maiores tombos de 2023. Houve uma comoção tão grande do público em cima desse lançamento. E eu me incluo nisso, principalmente porque eu acreditava, inocentemente, que encontraria algo próximo do que “Booksmart” foi há quatro anos atrás. Infelizmente, em termos de qualidade, são duas obras muito distantes. Minha alta expectativa também veio por se tratar do novo projeto de Emma Seligman ao lado de Rachel Sennott, que vieram do excelente “Shiva Baby”. É um segundo passo bem torto, com muito potencial e pouca entrega. 

Acredito que o que há de mais mágico nessa produção – e o que me chamou a atenção desde sua divulgação – é essa atmosfera nostálgica. Emma Seligman resgata o cinema teen dos anos 2000, mas subverte o gênero ao colocar a frente de seus temas justamente aquilo que antes não havia espaço ou que era tratado em completo escárnio: a homossexualidade. A produção se reinventa também ao ter um olhar feminino sobre as desventuras do colégio, trazendo um novo viés para temas como identidade, despertar sexual e sororidade. As duas protagonistas, PJ e Josie, são estudantes não populares do ensino médio que decidem criar um clube de luta feminino para se aproximarem de garotas gostosas e finalmente transarem.

Apesar do texto tratar tudo com muita ironia e exagero, eles pesam a mão nos absurdos, ficando tudo muito over, principalmente nos minutos finais. O roteiro não é muito consistente sobre esse universo que deseja narrar e quando abraça o bizarro – com direito a violência e sangue – parece pertencer a outro filme, soando sempre desconexo e revelando o quão frágil é todo o seu conceito e proposta. Nem mesmo as atuações parecem fazer parte do mesmo conjunto. Enquanto Rachel Sennott e Nicholas Galitzine se jogam para a caricatura, temos uma Havana Rose Liu discreta, inesperadamente sensível e que acaba sendo o grande destaque aqui. 

Penso que “Bottoms” se esforça bastante para fazer o que “Barbie” fez com muito mais destreza, se utilizando de estereótipos e absurdos para provocar tudo aquilo que a sociedade não soube lidar com naturalidade. A diferença é que aqui falta um bom roteiro – e bom humor também – para fazer esse jogo dar certo, soando pretensioso e bem menos ácido e inteligente do que acredita ser. No fim, é tão vazio, tolo e previsível quanto o gênero que pretende atacar.

NOTA: 6

País de origem: EUA
Título original: Bottoms
Ano: 2023
Duração: 92 minutos
Diretor: Emma Seligman
Roteiro: Emma Seligman, Rachel Sennott
Elenco: Rachel Sennott, Ayo Edebiri, Ruby Cruz, Havana Rose Liu, Nicholas Galitzine

Sair da versão mobile