Os 15 melhores atores de 2021

As listas de melhores atuações do cinema em 2021 continuam e agora retorno para revelar minhas atuações masculinas favoritas. Preciso confessar, foi uma lista difícil de finalizar. Foi um ano que tivemos papéis desafiadores e marcantes. Infelizmente acabei deixando alguns nomes incríveis de fora para fechar 15 colocações.

Essas foram as minhas favoritas! Deixem nos comentários o ator que mais te chamou a atenção durante esses doze meses. Lembrando que selecionei atuações apenas de filmes lançados entre janeiro e dezembro de 2021 aqui no Brasil, no cinema ou VOD, independente do lançamento em seus respectivos países de origem.

15. Anthony Ramos
(Em um Bairro de Nova York)

Parte do elenco da peça de grande sucesso “Hamilton”, Anthony retoma sua parceria com o músico e roteirista Lin-Manuel Miranda no musical “Em Um Bairro de Nova York”. Protagonista, ele é quem dá o tom da obra. Tem uma energia que pulsa, que vibra a cada cena. Tem paixão e uma força inesgotável. Como o sonhador Usnavi, ele encanta, porque tudo o que fala sai diretamente do coração.

14. Leonardo DiCaprio
(Não Olhe para Cima)

Falo com tranquilidade que esse é um dos menores papéis da carreira irretocável de Leonardo DiCaprio. E essa é a maior prova de sua genialidade como ator. Porque mesmo dividindo o peso da narrativa com outros atores brilhantes, ele não decepciona e entrega seu melhor. O cientista Randall poderia cair na caricatura fácil, mas o ator constrói na tela uma figura interessante e divertida, mesmo que a comédia nunca tenha sido sua praia.

13. John Magaro
(First Cow)

Apesar de ter alguns papéis em filmes e séries de TV de sucesso, John não é um ator muito conhecido. O coloco aqui porque, confesso, só me dei conta que era ele nos créditos finais. Ainda que seja uma atuação bastante contida, sem qualquer tipo de afetação, ele se transforma. É bela sua composição, surgindo com sensibilidade ao dar vida para um personagem tão simples e ingênuo.

12. Kingsley Ben-Adir
(Uma Noite em Miami)

Uma das atuações mais subestimadas de 2021. Dar vida para figuras históricas é sempre um desafio e Kingsley surpreende demais como o ativista Malcolm X. Os personagens de “Uma Noite em Miami” vivem um momento decisivo na luta pelos direitos civis da comunidade negra norte-americana. Existe dor na fala de Malcolm, angústia e um sentimento de urgência, de pressa por ver uma mudança na sociedade. O ator traz verdade a esses tantos discursos de liberdade e esperança. Fala com verdade e nos comove.

11. Winston Duke
(Nove Dias)

Sem dúvidas, uma das atuações que mais me surpreendeu. Winston Duke é uma revelação recente, mas até então ele esteve envolvido em filmes de herói e papéis mais cômicos. Que surpresa vê-lo tão entregue a um personagem mais dramático, sem qualquer resquício de suas outras interpretações. A última cena é extremamente poética e, através de um monólogo intenso, ele prova sua força como ator.

10. Adam Driver
(Annette)

Adam Driver vive um momento bom na carreira. Não sou muito fã do ator e nem o acho tão incrível como muitos falam, mas aqui em “Annette” eu tive que dar o braço a torcer. Completamente entregue nesse musical controverso, ele tem uma série de diálogos intermináveis e bastante desafiadores. É um papel difícil e ele convence em todas as camadas que revela.

9. Will Smith
(King Richard: Criando Campeãs)

Tenho preguiça dessa fissura do ator por papéis com discursos motivacionais, mas a verdade é que Will está muito seguro em cena e transmite muita honestidade na pele de Richard Williams, pai e treinador de suas filhas tenistas. Seja por sua postura, seu sotaque, é nítido ver o quanto ele precisou se transformar pelo papel, o quanto ele queria entregar o melhor.

8. Jude Law
(O Refúgio)

Não tão reconhecido como merecia, Jude teve uma bela passagem no drama “O Refúgio”. Seu personagem é um homem de negócios ambicioso, que vai, aos poucos, se afundando em suas frustrações, em seus sonhos não realizados. Ele convence ao compor esse indivíduo desprezível mas ao mesmo tempo amargurado, triste pelo vazio de uma vida que ele nunca terá. Excelente.

7. Lakeith Stanfield
(Judas e o Messias Negro)

Lakeith é um jovem ator que se transforma a cada novo papel. Muito bom ver como ele deposita tanta garra e tanta verdade em seu personagem. Na pele de William O’Neal, o infiltrado no grupo revolucionário dos Panteras Negras, ele desenha na tela um ser complexo, que trai seus iguais por liberdade. Nunca sabemos o que há na mente daquele homem, que nos assusta, mas também nos causa empatia, nos faz compreender sua dor.

6. Andrew Garfield
(Tick, Tick… Boom!)

“Tick, Tick…BOOM!” é uma grande homenagem aos musicais e à mente de Jonathan Larson, dramaturgo que revolucionou o teatro nos anos 90. Andrew deu uma virada drástica em sua carreira com esse papel, provando de vez aquilo que estranhamente as pessoas tinham dúvida. Extremamente talentoso e versátil, ele entrega alma para Larson, canta com o coração e traz muita honestidade a este jovem ansioso e sonhador.

5. Mahershala Ali
(O Canto do Cisne)

Você aceitaria ser clonado e deixar com que sua cópia ocupe o espaço que hoje você ocupa em sua vida? Esse é o dilema vivido por Cameron, que aceita essa alternativa quando descobre sofrer de uma doença terminal. É um personagem forte e que Mahershala domina por completo. Essas dúvidas e receios que o rodeiam, somado a dor de ter que se despedir de quem ama. O ator faz tudo com muita sensibilidade e emociona.

4. Leonardo Sbaraglia
(Coração Errante)

Leonardo Sbaraglia entrega aqui uma das minhas atuações favoritas do ano. Ele incorpora por completo o personagem, comovendo tamanha honestidade que imprime em cada cena. Santiago é um retrato amargo do homem gay que envelhece solitário, sempre com o medo da rejeição. Nos causa desconforto, riso nervoso, mas também nos faz sofrer ao seu lado, sentir essa paixão que vibra na forma como ele conduz sua vida. Ele se desnuda e expõe suas fragilidades e inseguranças. Que trabalho lindo!

3. Mads Mikkelsen
(Druk – Mais uma Rodada)

Mads é um dos atores mais queridos da atualidade e aqui ele prova, mais uma vez, do porquê é sempre tão bom vê-lo atuando. Ele interpreta Martin, um professor desiludido com a vida que passa a ingerir uma quantidade mínima de álcool todos os dias para ter mais tesão de viver. Dono de um carisma imenso, ele diverte aqui, mas sem esquecer de revelar a densidade de seu personagem, desse vazio existencial que sente.

2. Anthony Hopkins
(Meu Pai)

É muito comum que atores veteranos, às vezes, acabam acionando o piloto automático para encarar certos filmes. O próprio Hopkins, de vez em quando, aceita umas bombas na carreira. Sim, precisamos aceitar também que é raro bons personagens para atores mais velhos e é triste esse cenário, ainda mais quando talentos desse calibre acabam sumindo. Pensando em tudo isso, como é lindo ver um papel tão bem escrito para um veterano, que claramente foi escrito para ele. Como é bom ver um profissional tão experiente e ainda assim, tão aberto a viver algo novo, a revelar uma faceta que desconhecíamos. Sim, isso foi possível, e Anthony Hopkins entregou uma das atuações mais impressionantes do ano. Seu personagem tem Alzheimer e se perde no próprio universo. Um retrato honesto, necessário e responsável sobre um assunto tão delicado. É real e nos toca profundamente.

1. Benedict Cumberbatch
(Ataque dos Cães)

Phil, brilhantemente interpretado por Benedict Cumberbatch, é um grande personagem. Um dos mais complexos e fascinantes do cinema recente, eu arriscaria dizer. O Cowboy amargurado, ríspido, solitário, mas também uma incógnita que nos fascina. Quando “Ataque dos Cães” termina, ficamos revisitando seus passos, encontrando razões para sua violência, para sua fragilidade. É um ser que nos provoca, que nos causa ódio assim como também nos causa uma certa comoção. Benedict está absurdo aqui, traduzindo com muito cuidado todos esses sentimentos. Um trabalho riquíssimo de composição, que facilmente será lembrado nos próximos anos.

Os 15 melhores atores coadjuvantes de 2021

Retomando aqui com as listas de melhores do cinema em 2021, venho para revelar minhas atuações masculinas favoritas em papéis coadjuvantes.

Mesmo com personagens menores em cena, esses atores se destacaram e merecem esse reconhecimento! Espero que gostem dos selecionados e deixem nos comentários os favoritos de vocês.

Lembrando que selecionei atuações apenas de filmes lançados entre janeiro e dezembro de 2021 aqui no Brasil, no cinema ou VOD, independente do lançamento em seus respectivos países de origem.

15. Mike Faist
(Amor, Sublime Amor)

Confesso que não gosto de muita coisa em “Amor, Sublime Amor”, nem no original e nem nesse remake. Ainda assim, algo me chamou bastante atenção aqui…a presença de Mike Faist. Ator novato, ele simplesmente preenche as cenas em que faz parte. Com voz potente e uma postura segura diante da câmera, ele faz de Riff, o líder dos Jets, um outro grande espetáculo no meio do musical.

14. Jon Bernthal
(King Richard: Criando Campeãs)

Jon é uma figura curiosa no cinema. Revelação na série “The Walking Dead”, o ator consegue realizar transformações notáveis em cada novo papel. Como o treinador de tênis Rick Macci no drama “King Richard”, o ator cria uma persona divertida, entusiasmada e bastante real. Sua entrada no filme é tão positiva que parece que o faz ganhar mais fôlego.

13. Orion Lee
(First Cow)

“First Cow” é uma obra permeada por sensibilidade e sutileza. Orion Lee faz parte desse universo construído pela diretora e entrega uma atuação contida, mas extremamente humana e terna. Na pele de um chinês fugitivo, que passa a roubar ingredientes para vender bolos fritos, ele nos faz torcer por ele mesmo diante de seus equívocos.

12. Colman Domingo
(Zola)

Colman Domingo tem crescido bastante nesses últimos anos e conseguido papéis cada vez mais desafiadores. Em “Zola”, ele encara um cafetão malandro e de caráter duvidoso, mas sua performance tem charme e passa uma verdade, por vezes, assustadora. Um grande ator que, espero, seja mais reconhecido daqui para frente.

11. Robin de Jesús
(Tick, Tick… Boom!)

“Tick, tick…BOOM!” é um relato desses jovens adultos esperançosos pelo sucesso, mas que sempre se trombam com o fracasso. Robin de Jesús poderia ser apenas o “melhor amigo do protagonista”, mas felizmente o roteiro lhe permite brilhar nesse musical pulsante. Um dos melhores discursos da obra vem dele, quando revela o que é ser jovem e estar com Aids, quando tudo o que não tem é tempo para sonhar. É um instante poderoso e o ator entrega tudo ali.

10. Richard Jenkins
(Falsos Milionários)

Como um pai problemático e trambiqueiro, o veterano Richard Jenkins brilha. O ator entra na bizarrice proposta pela diretora e roteirista Miranda July, e faz deste personagem odiável um ser carismático e até mesmo divertido de assistir. Tudo muito excêntrico, mas estranhamente adorável. Richard é um baita ator sempre.

9. Rodrigo Santoro
(7 Prisioneiros)

Uma das transformações mais surpreendentes do ano foi a de Rodrigo Santoro como o antagonista de “7 Prisioneiros”, drama nacional da Netflix. Ele dá vida para Luca, um chefe rigoroso de um ferro velho que passa a controlar um sistema de tráfico humano. Um personagem assustador, que incomoda, mas ainda assim o ator consegue trazer camadas e torná-lo humano aos nossos olhos.

8. Troy Kotsur
(No Ritmo do Coração)

Troy Kotsur é um ator surdo e isso torna sua presença no belíssimo “No Ritmo do Coração” extremamente necessária. Talvez um ator não surdo para esse papel, buscaria uma dramaticidade forçada, mas aqui ele encontra o tom certo para dar vida ao patriarca da família principal. Extremamente espontâneo, carismático e doce, Troy constrói um personagem adorável e muito honesto.

7. Nikolaj Lie Kaas
(Loucos por Justiça)

Sabe quando você assiste a um filme e você não consegue imaginar aquele ator sendo diferente daquele personagem? Por não conhecer Nikolaj Lie Kaas nada me tirava a ideia de que ele fosse exatamente aquilo, extrema naturalidade que ele encontra para viver o introspectivo e calculista Otto. A verdade é que o ator dinamarquês é extremamente diferente daquilo, o que me deixou espantado. Uma transformação tão genuína e tão real.

6. Michael Stuhlbarg
(Shirley)

O verdadeiro camaleão. Michael é daqueles atores que renascem a cada novo filme. Aqui ele interpreta o marido tóxico da escritora Shirley Jackson, no potente thriller “Shirley”. Sua presença traz incômodo e uma estranha sensação de perigo. Como sempre, fantástica atuação.

5. Leslie Odom Jr.
(Uma Noite em Miami)

Vivendo o cantor e compositor Sam Cooke, Leslie não apenas surpreende por sua bela voz, como também por sua potente interpretação. É uma entrega muito honesta e feita de muito coração. Isso é tão nítido que nós, o público, sentimos do lado de cá. O instante final em que ele canta na televisão em uma época chave da revolução cultural norte-americana, é tão sutil e ao mesmo tempo tão grandiosa, tão cheia de verdade.

4. David Strathairn
(Nomadland)

“Nomadland” é um filme que mistura realidade e ficção e isso requer um cuidado muito grande dos atores. David nunca foi muito reconhecido, mas merecia e sua presença aqui é mais uma prova disso. Ele transmite tanta naturalidade como Dave, o homem que cruza o caminho solitário da protagonista, que facilmente acreditamos que aquele homem vive aquela vida, exatamente daquela forma. O ator traz verdade e muito sentimento em cena.

3. Tahar Rahim
(O Mauritano)

Um personagem difícil e Tahar encontra o tom certo para viver o mauritano Mohamedou Slahi, que viveu durante quatorze anos encarcerado em Guantánamo sem ter cometido crime algum. É uma trajetória dolorosa e o ator nos carrega ao seu lado, nos faz vivenciar dessa dor, dessa constante angústia, mas sem jamais deixar de lado seu carisma e sua esperança de um dia ser livre.

2. Kodi Smit-McPhee
(Ataque dos Cães)

Em “Ataque dos Cães” vemos um embate silencioso entre três personagens centrais. Essa dinâmica cria quase que um thriller psicológico que se sustenta não apenas do belíssimo roteiro como também das grandes atuações. O jovem Kodi Smit-McPhee surpreende porque esse é seu primeiro papel mais desafiador de sua carreira e ele se doa por completo. Enigmático, sua performance nos hipnotiza e ao final compreendemos o quão gigante ele foi.

1. Daniel Kaluuya
(Judas e o Messias Negro)

Na pele de Fred Hampton, líder dos Panteras Negras, Daniel entrega sua mais potente atuação. Existe garra e força quando ele precisa se impor, mas o ator também nunca esconde as fragilidades do personagem. O instante de seu monólogo “eu sou um revolucionário” é de arrepiar. Intenso e cheio de honestidade, o ator entrega a grande atuação masculina do ano em um papel coadjuvante.