Os 25 melhores filmes de 2021

2021 acabou (já faz um tempinho) e como de costume aqui no blog, venho apresentar meus filmes favoritos do ano.

A pandemia ainda segue e desde 2020 estamos encontrando novas formas de nos conectarmos ao cinema. Grande parte desses filmes não chegaram à tela grande e o streaming se mostrou uma alternativa ainda muito relevante no nosso dia a dia, assim como o serviço de video on demand (VOD). Isso, por outro lado, acabou fazendo com que algumas obras passassem completamente despercebidas pelo público. Venho, então, de certa forma, com o intuito de destacar algumas produções que merecem mais atenção. 

Foi um ano que consegui assistir muita coisa e espero ter feito uma seleção justa. Lembrando que seleciono aqui apenas os filmes lançados entre janeiro e dezembro de 2021 aqui no Brasil. Espero que gostem dos selecionados e caso não tenham visto algum, já deixo aqui como dicas a serem achadas também.

Menções honrosas: Denis Villeneuve teve a ousadia de dar vida ao complexo universo de “Duna” e entregou um filme majestoso. Experimento musical de Leos Carax, “Annette” foge de qualquer obviedade do gênero. “Não Olhe Para Cima” conseguiu reunir um elenco estelar em uma sátira brilhante de Adam McKay. Fazer boa comédia é para poucos e por isso “Duas Tias Loucas de Férias” merece destaque.

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25. Em um Bairro de Nova York
de Jon M. Chu | EUA

“Em Um Bairro de Nova York” revitaliza com êxito o musical na tela grande. Fazia tempo em que não víamos um filme do gênero desta grandiosidade, que mais parece um milagre de como o diretor Jon M.Chu conseguiu encaixar tudo em uma única produção. É aquela obra que explode, que grita e nos faz querer sair dançando por aí. O hip-hop, em uma interessante mescla com salsa e bolero, atinge instantes de glória. Mais do que falar sobre sonhos, a música aqui vem como um manifesto político (e poético) contra essa marginalização de comunidades imigrantes nos Estados Unidos. Um filme que tem uma energia inesgotável, que vibra, que pulsa em cada pequeno detalhe.

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24. Judas e o Messias Negro
de Shaka King | EUA

Com uma trama que se inicia lá no final da década de 60, o longa traz grandes reflexões sobre desigualdade social, racismo e sobre a corajosa luta dos negros ao longo dos anos. “Judas e o Messias Negro”  traz uma estrutura já comum no cinema, a do infiltrado que se fascina por seu alvo. Ainda assim, o roteiro empolga e costura um suspense hipnotizante, principalmente pelas ótimas atuações do elenco e pela complexidade de sentimentos entregues ali. Uma história triste, revoltante e que causa um grande impacto em nós.

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23. A Filha Perdida
de Maggie Gyllenhaal | EUA

Estreia na direção da atriz Maggie Gyllenhaal, “A Filha Perdida” é uma adaptação do elogiado livro de Elena Ferrante. Lançado pela Netflix, o texto do filme é potente, foge da obviedade e ecoa em nossa mente, justamente porque ficamos remoendo tudo aquilo que não é claramente exposto. A obra acerta ao construir personagens complexas e em nenhum momento busca justificar suas ações ou julgar qualquer movimento questionável. Vem com coragem para discutir o peso da maternidade e esses sentimentos tão velados pela sociedade. As atrizes estão incríveis e o roteiro cria o palco para todas elas brilharem.

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22. O Esquadrão Suicida
de James Gun | EUA

Uma sequência de “Esquadrão Suicida” parecia o caminho mais tolo a ser seguido. É então que o projeto cai nas mãos certas e James Gunn reinicia com vigor a franquia, entregando um produto autêntico e extremamente eficiente. Não é apenas muito prazeroso de assistir como também comprova a esperteza de seu criador. Traz estilo sim, mas o grande acerto aqui se encontra no texto, que sabe dosar o humor, a dramaticidade e, principalmente, sabe como valorizar seus bons personagens. Encontramos aqui uma obra revigorante e feita de muito coração. A mais bela surpresa do ano e uma aula necessária de como conduzir um filme de super-herói.

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21. 007 – Sem Tempo para Morrer
de Cary Fukunaga | Reino Unido

Depois de quinze anos na pele de James Bond, Daniel Craig se despede neste filme que encerra com grande êxito os capítulos comandados pelo ator. Temos aqui uma obra que não descansa, que está sempre seguindo uma nova direção e jamais perdendo a empolgação ou nosso interesse. A relação entre todos os personagens é sempre muito bem conduzida pelo roteiro, que sabe dosar humor, seriedade e sentimentalismo. Uma bela homenagem ao querido agente secreto, que respeita sua trajetória e, principalmente, respeita o público que esteve ao seu lado nesses últimos anos.

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20. Amor e Monstros
de Michael Matthews | EUA

Como é prazeroso encontrar “Amor e Monstros” em pleno 2021. Sua pureza chega a ser nostálgica, estampando um sorriso tonto em meu rosto durante seus minutos. Roteiro esperto, personagens carismáticos e belas mensagens. O filme é, basicamente, sobre um jovem (Dylan O’Brien) que, em um mundo pós-apocalíptico dominado por monstros, decide traçar uma perigosa jornada para encontrar a namorada. Uma bela aventura à moda antiga e muito maior do que parece ser ou do que pretende ser. Um produto raro e um tanto quanto especial.

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19. Luca
de Enrico Casarosa | EUA

Os filmes da Pixar possuem um certo poder. Mesmo quando assumem a simplicidade, conseguem extrair algo grande dali e transbordam. Com “Luca” não é diferente. O protagonista é uma criatura marinha que consegue se passar por humano quando sai do mar e, assim, vai viver como um garoto comum, se camuflando na multidão e apagando sua própria identidade. O poder desta nova animação é usar de uma ideia tão simples para construir uma metáfora brilhante sobre homoafetividade. É uma trama sobre aceitação, respeito e entender que tudo bem ser diferente dos outros. É uma mensagem muito necessária e que pode trazer um impacto muito positivo para as crianças, além de dialogar com muitos adultos que enfrentaram essas tantas lutas na infância. 

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18. Loucos por Justiça
de Anders Thomas Jensen | Dinamarca

Uma grata surpresa de 2021, “Loucos por Justiça” vai muito além da história de luto e vingança do qual tão bem já conhecemos. É uma obra bem amarrada, que se mostra, aos poucos, bastante sensível. A grande graça aqui é acompanhar a relação de um grupo de homens comuns buscando por justiça. O roteiro é brilhante, esperto e navega bem por diversos gêneros. Ao fim, emociona sutilmente ao falar sobre esses laços de amizade e como eles revelam a imprevisibilidade milagrosa da vida.

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17. Mais Que Especiais
de Olivier Nakache, Éric Toledano | França

Inspirado em uma história real, o filme nos revela com sensibilidade a história real de dois homens que criaram duas organizações sem fins lucrativos para abrigar e dar assistência a pessoas com transtornos autistas severos. Interessante como a obra usa de uma narrativa de investigação para decifrar um ato de bondade, de altruísmo. As batalhas diárias vividas pelos protagonistas são mostradas em tom documental e comovem pela honestidade, construindo uma teia de afeto e de transformações milagrosas. “Mais Que Especiais”, ao fim, soa como uma bela celebração à vida, a apostar no próximo, a lutar pela inclusão do outro. Emociona porque fala com verdade, porque tem coração presente em cada instante.

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16. Raya e o Último Dragão
de Carlos López Estrada, Don Hall | EUA

Mais do que uma experiência agradável e empolgante, a animação da Disney traz reflexões necessárias. A trama coloca uma jovem guerreira em uma aventura para salvar sua comunidade e encanta pelo carisma dos personagens e pelo texto que está sempre trazendo elementos novos para a narrativa. “Raya e o Último Dragão” vem para nos lembrar sobre o quanto perdemos quando desistimos do mundo, quando não depositamos fé no próximo. Um voto de confiança é necessário porque ele traz poder, ele transforma e nos permite evoluir.

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15. Deserto Particular
de Aly Muritiba | Brasil

O grande filme nacional do ano, “Deserto Particular” entrega uma delicada história de amor no tempo dos desafetos. A trama envolve um policial que atravessa o país para encontrar uma mulher que só conhecia virtualmente. Esse encontro cara a cara desencadeia uma série de frustrações, medos e revela uma imensa necessidade do contato, de toque. Uma obra poética, sensível e que diz muito em seu silêncio. Emociona porque cria identificação, porque é cru e real. Porque é extremamente humano.

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14. Palmer
de Fisher Stevens | EUA

A obra se mostra bastante necessária ao nosso tempo ao falar de um tema um tanto quanto tabu ainda hoje: a homossexualidade na infância. O filme narra o interessante encontro entre um ex-presidiário (Justin Timberlake) e um pequeno garoto rejeitado por ser quem é. Belo a forma como o roteiro vai construindo essa relação, emocionando de forma honesta e arrebatadora. Não vem com discursos prontos sobre redenção, segundas chances ou sobre ser quem você deseja ser. As situações são apresentadas e se desenvolvem de forma natural, sem parecer pedante ou didáticas. Comove porque não clama por isso e porque é respeitoso o suficiente para tratar de temas delicados da maneira como precisávamos ouvir. “Palmer” é, acima de tudo, um filme gentil, terno e acolhedor.

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13. Bela Vingança
de Emerald Fennell | EUA

Uma obra que causa um extremo desconforto e que não é de fácil digestão. Carey Mulligan está incrível em cena e aqui ela dá vida à Cassandra, uma mulher misteriosa que frequenta bares à noite e se finge de bêbada para atacar homens assediadores que exploram a vulnerabilidade da mulher nessas condições. O roteiro é inteligente e sai constantemente do lugar comum ao falar sobre vingança e reformula por completo filmes que já abordaram o mesmo tema. Ao mesmo tempo em que é acidamente sedutor e divertido,  “Promising Young Woman” entrega um material doloroso, cruel e impactante.

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12. O Último Duelo
de Ridley Scott | Reino Unido

Com direção de Ridley Scott, a obra investiga o último julgamento travado por um duelo mortal na França. Apesar de ser um filme medieval, a trama é bastante atual ao falar sobre uma mulher vai contra toda a sociedade quando ela decide expor um caso abuso sexual. O filme se divide em três capítulos e retoma os mesmos eventos para revelar as diferentes perspectivas dos três personagens centrais. O texto é bastante crítico ao apontar que, ao fim, mesmo quando é a palavra de uma mulher que está em jogo, tudo é sobre a honra e glória dos homens, sobre a postura deles diante dos outros. E isso dói de assistir.

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11. First Cow
de Kelly Reichardt | EUA

Que experiência boa é ver “First Cow”. A diretora Kelly Reichardt entrega um produto especial e digno de apreciação. Ela narra com bastante carinho uma história de amizade entre dois homens em uma era de descobertas nos Estados Unidos de 1820. Sem pretensão, a trama estampa um sorriso em nosso rosto e encanta pela trajetória desses personagens.  “First Cow” é um conto tocante sobre pessoas tentando vencer na vida. É simples, contemplativo, envolvente e cativante.

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10. Tick, Tick… Boom!
de Lin-Manuel Miranda | EUA

Com “tick, tick…BOOM!”, Lin-Manuel Miranda faz sua declaração de amor aos musicais, enquanto homenageia seu grande ídolo, Jonathan Larson, a mente brilhante por trás de “Rent”. É uma obra especial e, ao mesmo tempo, dolorosa, porque Larson é a personificação dos sonhos, mas também da efemeridade da vida. Como é fácil ter 30 anos e se ver ali na tela. Mais do que os dramas de um artista frustrado, o longa é um retrato poderoso dessa geração ansiosa. Que teme não ter o tempo necessário, teme não conquistar quando todos ao redor estão desfrutando do sucesso. Andrew Garfield está incrível e rapidamente nos faz abraçar esses seus anseios e nos emociona.

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9. No Ritmo do Coração
de Sian Heder | Canadá

O francês “A Família Bélier” é ótimo sim, mas não deixa de ser surpreendente o fato desse remake ter dado tão certo. O longa conquista pela sensibilidade ao narrar a história de uma jovem (Emilia Jones) que fica dividida entre viver o grande sonho de sua vida e cuidar da família, onde todos são surdos. É forte esse dilema enfrentado pela protagonista porque nunca depende de decisões fáceis. Seguir seu sonho é quase como abandonar, rejeitar seu ninho. O roteiro é belíssimo e avança por essas nuances com delicadeza e sem frear essa capacidade de nos fazer chorar. “O Ritmo do Coração” é lindo e atinge nosso coração com força.

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8. Cruella
de Craig Gillespie | EUA

“Cruella” é um acontecimento. Alcança um nível tão alto de qualidade que torna todos os outros live-actions da Disney menos interessantes. É tudo o que os anteriores tentaram mas não conseguiram ser. Esse tem vida própria e não se contenta em ser apenas um favor confortável aos fãs. O filme tem como intuito mostrar os eventos antes daqueles que conhecemos em “101 Dálmatas” e a peculiar ascensão de sua adorável vilã. O filme, que tem excelente ritmo, é uma experiência revigorante de vingança, moda e punk.  “Cruella” é inventivo, tem personalidade e uma energia que vibra. Um espetáculo a ser apreciado.

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7. Nove Dias
de Edson Oda | EUA

Aquele tipo de filme com o poder de nos acolher e nos abraçar. A obra nos leva para uma realidade mística, onde um homem (Winston Duke) precisa entrevistar algumas almas durante nove dias para decidir qual delas é digna de viver. Sua trama nos faz pensar muito em nossa existência aqui na Terra e sobre o quanto somos peculiares a nossa forma. “Nove Dias” encanta pelas situações que narra e pela sensibilidade de falar sobre a vida. Nos toca porque fala diretamente com nosso coração e nos relembra o milagre que é estar aqui.

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6. Ataque dos Cães
de Jane Campion | Reino Unido, Austrália, Nova Zelândia

Com “Ataque dos Cães”, a renomada Jane Campion vem para contestar o faroeste e dar voz a sentimentos não explorados dentro do gênero em uma obra contemplativa e silenciosa. O filme nos mostra o embate entre um cowboy amargurado (Benedict Cumberbatch) e a nova família que seu irmão tenta construir. Quando as ações dos personagens nunca são claras, o longa se transforma em um suspense enigmático e estranhamente convidativo. As emoções são expressadas em pequenas ações, em detalhes e olhares. É assim que a obra se torna quase que uma experiência sensorial, porque nada vem de forma expositiva, mas ainda assim nos golpeia com força.

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5. Quo Vadis, Aida?
de Jasmila Žbanic | Bósnia e Herzegovina

“Quo Vadis, Aida?” é um drama que mexe com os nervos do público, sendo difícil sair ileso por tudo o que nos apresenta. A trama acontece nos anos 90, quando o exército Sérvio invade as fronteiras da Bósnia e nossa corajosa protagonista, dentro de um campo de refugiados, se desdobra para tentar proteger sua família. Temos aqui um filme devastador, dilacerante e que nos faz sentir a impotência diante de um genocídio. É sufocante, tenso e nos deixa sem chão ao fim. Como cinema, um exercício narrativo primoroso, repleto de sensações e que facilmente nos causa impacto.

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4. Val
de Ting Poo, Leo Scott | EUA

“Val” me acertou em cheio. Me fez sentir algo que nenhuma outra obra do ano me fez sentir. Com uma dor profunda no peito, terminei de vê-lo sem estruturas. O documentário nasce para ser uma cinebiografia do ator Val Kilmer, mas vai muito além daquela trajetória que já conhecemos de fama, ascensão e fracasso. Impressiona pelo imenso acervo e como registro de uma história, nos permite mergulhar na intimidade do ator, nas suas mais dolorosas lembranças. É o registro do tempo, do envelhecimento, das perdas. Do ídolo rejeitado. A obra distorce essa visão que temos dele e emociona ao falar sobre o homem que viveu por sua paixão pelo cinema, sobre o homem que viveu uma ilusão, que respira ainda hoje por seus sonhos.

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3. Druk – Mais uma Rodada
de Thomas Vinterberg | Dinamarca

Quatro amigos e professores, vivendo pela inércia da rotina, decidem provar uma tese de que, ao ingerirem uma quantidade específica de álcool todos os dias, se tornariam mais confiantes em suas ações. São homens de meia idade buscando esse renascimento, se reconectando com a juventude que deixaram para trás. O cineasta Thomas Vinterberg cria aqui uma obra ousada, que caminha por rumos delicados. Ele sabe como conduzir esse discurso sem cair em um campo perigoso e irresponsável, entregando um produto elegante, divertido e sutilmente comovente. Vinterberg faz um filme festivo quando teve uma grande perda em sua vida pessoal. “Druk” é seu grito de dor, sua força, sua razão de ainda estar em pé.

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2. Nomadland
de Chloé Zhao | EUA

Existe uma linha tênue que separa o documental e a ficção no cinema de Chloé Zhao. Em “Nomadland”, ela faz um registo bastante íntimo sobre a vida nômade através do singelo olhar de Fern, brilhantemente interpretada por Frances McDormand, que após enfrentar um colapso econômico em sua cidade, traça uma jornada sem destino pelos Estados Unidos. Ela é a soma de muitas conversas, encontros e ciclos que nunca se fecham. A diretora realiza um filme único e especial, que nos toca, nos fazendo viver, durante seus belos minutos, essa vida que não é nossa. Aqui tudo é história, tudo é sentimento e tudo é real. “Nomadland” é imenso.

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1. Meu Pai
de Florian Zeller | EUA, França, Reino Unido

Tenho uma relação muito pessoal com “Meu Pai”, porque parte dos dramas narrados aqui eu vivo dentro de casa. Por isso é um filme que me atingiu com muita força, porque aqueles tantos sentimentos fazem sentido para mim. A obra nos coloca para dentro de um apartamento, onde vemos de perto a difícil relação entre uma filha (Olivia Colman) e seu pai (Anthony Hopkins), que enfrenta o doloroso processo de perda de memória. O texto é honesto e nos conforta ao falar, com extrema precisão, sobre o Alzheimer. Me senti acolhido, compreendido talvez. É brilhante como o roteiro encontra para ilustrar essa confusão do pai. Nos coloca dentro de sua mente e nos faz duvidar junto com ele, sentindo essa mágoa por não ter mais controle de tudo o que muda, o que se altera, o que se apaga. “Meu Pai” nos choca porque nos lembra deste processo inevitável que é envelhecer e como isso, às vezes, pode ser cruel e solitário.

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E para você? Qual o melhor filme de 2021?

Os 25 melhores filmes de 2020

2020 foi um grande e longo filme de terror. No meio de uma pandemia e nossas tantas crises pessoais que se iniciaram, a arte veio para ser nosso suporte. Ainda que os cinemas tenham sido fechados e mesmo quando reabertos, optamos por não ir, os filmes ainda estiveram presentes em nossas vidas. Alguns poucos vistos na tela grande, outros em plataformas de streaming ou VOD. Foi um ano que consegui assistir bastante coisa e por isso esta lista é tão especial, porque resume bem tudo o que descobri de melhor.

Os filmes que seleciono aqui foram lançados no Brasil entre janeiro e dezembro de 2020. Espero que gostem dos selecionados e caso não tenham visto algum, já deixo aqui como dicas a serem achadas também.

Menções honrosas: “Host” entregou um terror refinado mesmo com um baixíssimo orçamento e merece destaque. Sacha Baron Cohen foi gênio e fez de “Borat: Fita de Cinema Seguinte” uma sequência incrível e superior ao original. “On The Rocks” foi um belíssimo e cativante retorno de Sofia Coppola ao cinema e a animação “Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica” foi mais um divertido e emocionante acerto da Pixar.

25. O Homem Invisível
de Leigh Whannell | EUA

“O Homem Invisível” é a prova de que remakes não precisam seguir à risca a matéria original. É possível se ter um olhar diferente sobre o mesmo universo e o longa de Leigh Whannell teve essa ousadia de propor algo diferente do que já existia. O terror está ali, a tensão e a protagonista tentando escapar do homem que ninguém vê. A obra, com muita perspicácia, reformula a ideia e traz temas muito atuais para dentro da história. Elisabeth Moss está ótima.

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24. O Diabo de Cada Dia
de Antonio Campos | EUA

Filmes que se vendem pelo grande elenco geralmente dão muito errado. Felizmente, “O Diabo de Cada Dia” acerta ao não tentar se manter pelas boas atuações e sim na boa trama que ali é construída e na profundidade de cada indivíduo retratado. O longa de Antonio Campos revela essa sociedade grotesca que tem como base o fanatismo religioso e como uma pequena ideia apresentada lá no início se desenrola modificando a história de diversos personagens. É inteligente, bem desenvolvido e me lembrou muito o cinema dos anos 90, o que é um baita de um elogio.

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23. A Assistente
de Kitty Green | EUA

“A Assistente” é um filme simples, pequeno, mas de uma importância e relevância gigantesca no cenário atual. Vinda de uma carreira em documentários, a diretora Kitty Green faz um aqui um recorte poderoso sobre os bastidores do entretenimento que deram origem à movimentos como o #metoo. Através de uma protagonista ingenua, defendida muito bem por Julia Garner, somos colocados para dentro de um ambiente tóxico de trabalho, onde o assédio sexual existe e todos fingem não ver. É assustadoramente possível e um discurso que precisava ser dito.

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22. O Preço da Verdade – Dark Waters
de Todd Haynes | EUA

Sob o comando do cultuado Todd Haynes, o longa é baseado em um caso real, onde um advogado (Mark Ruffalo, em ótima performance), especializado em meio ambiente, entra na justiça contra uma poderosa corporação que despejava resíduos químicos no abastecimento de água de uma região. Indo muito além do simples “filme denúncia”, temos aqui uma produção fantástica e um diretor atento aos detalhes, que preza pela qualidade de sua história assim como pelo poder de suas imagens. O roteiro é excepcional e nos deixa completamente abismados por seus assustadores desdobramentos.

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21. Luce
de Julius Onah | EUA

Adaptação de uma peça teatral, “Luce” é um poderoso thriller psicológico que narra a conflituosa relação entre quatro personagens centrais. É o tipo de filme que cresce lentamente, que inicia com uma problemática pequena mas que acaba ganhando proporções cada vez mais assustadoras. Lento na medida, a obra caminha como se uma bomba pudesse explodir a cada instante. A complexidade de cada personagem permite que a trama siga por caminhos imprevisíveis e torne este provocativo embate – de racismo em um ambiente escolar – em uma experiência intensa e reveladora.

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20. Professor Polvo
de James Reed, Pippa Ehrlich | EUA, Singapura

Nunca pensei que eu poderia chorar vendo um filme sobre um polvo, mas esta deslumbrante produção da Netflix me permitiu isso. O documentário nos mostra a emocionante aventura de um cineasta em uma floresta subaquática da África do Sul, onde desenvolve uma inusitada relação de amizade com um polvo. O filme nos faz desvendar ao seu lado os mistérios daquele mundo tão desconhecido e nos fazer refletir sobre o milagre que é a natureza. Sobre o milagre que é a vida. Sobre o quão grande e poderoso é o ato de existir.

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19. Nunca, Raramente, Às Vezes, Sempre
de Eliza Hittman | EUA, Reino Unido, Irlanda do Norte

Requer muita coragem debater sobre aborto por ser um tema ainda muito tabu em nossa sociedade. “Nunca, Raramente, Às Vezes, Sempre” revela de forma crua, sutil e arrebatadora a jornada de uma jovem que, para interromper uma gravidez indesejada, decide ir até Nova York realizar um aborto. É um caminho lento, silencioso, mas de uma força esmagadora. A diretora Eliza Hittman traz uma abordagem bastante naturalista e próxima ao documental, através de um roteiro que foge de explicações óbvias ou julgamentos.

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18. As Ondas
de Trey Edward Shults | EUA

Ao narrar a dolorosa jornada de uma família norte-americana, corrompida por eventos trágicos, o diretor Trey Edward Shults constrói uma obra imersiva, intensa e cheia de excessos. A produção nos lança na velocidade de uma onda, turbulenta e cruel ao início até que se encontra a estabilidade. É desta forma que somos apresentados basicamente a dois filmes dentro de um. Quase como o lado A e lado B de um disco de vinil, logo que sempre somos guiados pelas batidas das músicas. “As Ondas” tem um ritmo alucinante, o que torna seus minutos em uma experiência sem igual e prazerosa.

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17. Queen & Slim
de Melina Matsoukas | EUA

Mais do que uma bem-vinda releitura de Bonnie e Clyde e aquela velha história do casal que foge após cometer um crime, “Queen & Slim” usa desta simples premissa para revelar um debate poderoso sobre a luta e resistência negra. O filme, incrivelmente comandado pela diretora Melina Matsoukas, diz muito sobre como essa estrutura racista, ainda que velada em nossa sociedade, transforma as interações humanas. É um belo e corajoso recorte, ilustrado em um deslumbrante road movie.

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16. Uma Vida Oculta
de Terrence Malick | Alemanha, EUA, Reino Unido, Irlanda do Norte

Retorno à boa forma do cineasta Terrence Malick, o longa narra a emocionante jornada de um soldado desertor austríaco na Segunda Guerra Mundial, que ao negar-se a lutar ao lado de Hitler, se torna fugitivo dentro de seu próprio país. É um cinema ainda bastante contemplativo, poético, reflexivo. Que nos faz mergulhar pelos pensamentos e pelas crises existenciais de seus personagens. Através de belas palavras de um texto extremamente delicado, conhecemos o íntimo de seu bravo protagonista. Sua garra, seus sonhos destruídos, sua dor e suas crenças.

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15. Bem-Vindo à Chechênia
de David France | EUA

“Bem-Vindo à Chechênia” é um soco doloroso. Documentário extremamente urgente e necessário sobre a perseguição sofrida pelos LGBTs em território russo. Acompanhamos um grupo de ativistas tentando encontrar abrigo e fuga para jovens que foram brutalmente torturados. Todos os relatos são assustadores principalmente porque há provas desses tantos crimes. Porque os criminosos têm nomes e endereços, mas ainda assim as autoridades do país se negam a reconhecer essas atrocidades. Como filme denúncia é um grande passo para o cinema também, por conseguir aplicar o deepfake na face daqueles que não podem falar. Justamente por isso é lindo e inspirador o instante em que um deles ganha finalmente um rosto na tela, quando ele passa a ser voz que ousa defender toda sua comunidade.

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14. Má Educação
de Cory Finley | EUA

“Má Educação” nos revela o maior caso real de corrupção já existente em uma escola pública nos Estados Unidos. O escândalo verídico ganha vida através de um roteiro esperto, que foge dos clichês de investigação jornalística e aposta na desconstrução do herói, aqui muito bem defendido por Hugh Jackman. É um personagem carismático e ao mesmo tempo uma grande incógnita. Um filme empolgante, bem construído e que enaltece cada ótimo desdobramento que tem em mãos. Se no começo mal sabemos onde a produção quer chegar, ao seu fim, estamos em choque pelo quão longe ela chegou. Simples, inteligente e fantástico.

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13. Você Não Estava Aqui
de Ken Loach | Bélgica, França, Reino Unido, Irlanda do Norte

“Você Não Estava Aqui” é mais um bom registro naturalista do britânico Ken Loach, que aqui causa impacto por suas grandes reflexões. Se aproxima do documentário ao falar da relação do homem com sua jornada de trabalho e nesta falsa sensação de liberdade que a “uberização” atual nos vende. No filme, uma empresa de entregas tenta motivar seus funcionários a serem empreendedores. O roteiro investiga o impacto que isso tem na vida de uma família e choca pela veracidade dos fatos. Um recorte preciso, honesto e bastante sensível.

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12. A Sun
de Mong-Hong Chung | Taiwan

Produção taiwanesa que acompanha uma família destruída por dois eventos trágicos. Esta é a base de uma história poderosa e emocionante, que ganha desdobramentos cada vez mais interessantes. O roteiro é brilhante e nos mantém presos, cativados por seus bons personagens e pela batalha interna que cada um constrói ali. É lindo como tudo flui com a mesma naturalidade da vida. A perda, a dor, a superação. Tudo guiado por um ato de bondade ou uma vontade de recomeçar. Uma jornada que envolve perdão, empatia, redenção e jamais narra isso de maneira óbvia ou de fáceis conclusões.

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11. Transtorno Explosivo
de Nora Fingscheidt | Alemanha

Intenso drama alemão, o longa nos conta a conturbada jornada de Benni, uma garota de apenas nove anos que vive em lares adotivos devido seu comportamento explosivo e seus surtos de raiva. É poderosa toda a construção da obra que nos deixa imersos neste universo único e violento no qual vive a protagonista, incrivelmente defendida pela jovem Helena Zengel. As cenas em que ela é doce ou tenta impressionar os outros por medo da solidão são de cortar o coração. Um registro potente e corajoso de uma infância incomum, que nos destrói e ao mesmo tempo nos encanta pela sensibilidade. É forte e dilacerante.

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10. Corpus Christi
de Jan Komasa | Polônia

“Corpus Christi”, que chegou a ser indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, questiona a hipocrisia dos cidadãos de bem que pregam uma religião. A trama é bastante curiosa e nos intriga, nos levando a acompanhar a inusitada jornada de Daniel, um jovem problemático vindo de um reformatório, que se passa por padre de uma paróquia em um pequeno e conservador vilarejo. Existe coragem nos belos discursos da obra, que vem não para questionar a fé ou diminuir o valor do cristianismo. Vem para indagar, nos fazer olhar para a farsa. Não a farsa do jovem que se faz de padre, mas da farsa que vemos todos os dias, da de pessoas que usam da fé como discurso de ódio. Desta “religião” sem nenhum senso de bondade, igualdade e perdão.

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9. The 40-Year-Old Version
de Radha Black | EUA

Facilmente uma das produções mais interessantes que a Netflix lançou em 2020. Estreia de Radha Blank na direção, que imprime, em seu fascinante texto, sua luta diária como mulher, preta e artista. Ela se coloca como protagonista da própria história – da escritora de 40 anos que nunca teve espaço para realizar sua arte – e faz de “The 40-Year-Old Version” o seu grande manifesto. De forma ousada e sincera, ela aponta uma ferida antiga dentro do cinema, onde o preto apenas tem espaço para ilustrar uma pobreza estereotipada e servir de troféu para histórias de brancos salvadores. Ela traz humor em seu relato, sem jamais diminuir o impacto de seu poderoso e necessário discurso. Um filme brilhante que, definitivamente, precisava existir.

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8. Belle Époque
de Nicolas Bedos | França

“Belle Époque” é o filme que 2020 precisava. Comédia francesa leve e incrivelmente apaixonante de Nicolas Bedos, que narra a divertida história de um senhor que contrata uma empresa que o permite reviver o dia mais especial de sua vida: quando ele conheceu sua esposa. É uma produção leve, mágica, imensamente encantadora, que nos causa fascínio ao transitar entre passado e presente, entre realidade e ficção. “Belle Époque” é poesia aos saudosistas que nesta reencenação do começo de uma história de amor, nos faz pensar em como criamos expectativas em uma relação baseados na perfeição do início. Somos tolos ao buscar no outro aquilo que um dia foi. Um conto criativo que faz bem demais ao coração.

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7. A Arte de Ser Adulto
de Judd Apatow | EUA

Comédia agridoce de Judd Apatow, o longa dá palco para o jovem comediante Pete Davidson expor sobre sua jornada peculiar e sua dor pessoal. O roteiro é impecável e usa do humor para relatar algo melancólico, emocionando mesmo quando não tem pretensão. A trama narra o amadurecimento tardio de um homem de vinte e quatro anos, que não vê qualquer sinal de perspectiva em sua vida depois de perder o pai. A obra causa uma incômoda e rápida identificação com essa frustração de envelhecer. É fácil criar empatia por este sentimento de fracasso quando se chega à fase adulta, quando se tem a mesma idade daqueles que estão vencendo. Confesso que senti uma conexão muito grande com tudo o que vi e fiquei devastado por toda a honestidade e sentimentos expostos. Nem sempre a comédia tem esse poder. Mas essa não é uma comédia qualquer e esse não é um filme qualquer.

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6. 1917
de Sam Mendes | EUA, Reino Unido, Irlanda do Norte

Guerra já foi tema de muitos filmes no cinema e é interessante quando surge uma obra que tem algo novo a mostrar. “1917” facilmente se destaca neste subgênero e merece reconhecimento por suas tantas qualidades técnicas. Um trabalho de produção admirável, que resgata um período histórico com precisão e nos faz viver, durante seus belos minutos, o desespero em estar na pele de seu protagonista, vivendo sob o caos e a tensão de tudo aquilo. O novo longa de Sam Mendes é uma experiência sem igual, imersiva, angustiante e extremamente bem realizada. A opção por gravar suas ações em um quase que ininterrupto plano sequência, torna tudo ainda mais fascinante de assistir. É um deleite visual e um exercício narrativo e cinematográfico altamente ousado.

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5. Soul
de Pete Docter | EUA

Sem dúvidas, a melhor animação da Pixar desde “Divertida Mente”. É um momento muito especial para o estúdio, que entrega aqui o que há de melhor em suas criações. Um filme visualmente belíssimo, onde todas as cenas causam impacto, tamanha perfeição e deslumbre que alcança. Ao narrar a divertida jornada de Joe que vai parar no mundo das almas, “Soul” acaba sendo um lembrete sensível de que nossa existência vai além da conquista de um propósito, de uma habilidade. De que nossos sonhos é que nos impulsiona, mas não é o todo. Uma produção inventiva, original e o mais importante, feita de coração.

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4. Jojo Rabbit
de Taika Waititi | Alemanha, EUA

Uma obra que se propõe a ser uma sátira anti-ódio e acaba sendo um produto extremamente atual, que facilmente dialoga com os novos tempos. Ao revelar os horrores da guerra e da Alemanha ocupada pelos Nazistas através do olhar inocente de uma criança, o longa além de ganhar uma deliciosa liberdade narrativa, nos faz refletir sobre nossa realidade e como tantos discursos de ódio infundados são reproduzidos facilmente em nome de uma doutrina ou de um fanatismo cego a um líder. O diretor e roteirista Taika Waititi acerta a mão e realiza um trabalho bastante original, mágico, surpreendentemente triste e doce.

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3. Joias Brutas
de Ben e Josh Safdie | EUA

“Joias Brutas” é uma surpresa em muitos aspectos. Vai além do que esperamos de um filme e muito além do que esperamos de Adam Sandler, que entrega aqui a melhor atuação de sua carreira. Pelo olhar do endividado Howard, somos levados a um turbilhão de emoções nesta sua saga de sobrevivência em um mundo onde todos querem devorá-lo. É assim que este novo trabalho dos irmãos Safdie se torna pura catarse e ataca nossa ansiedade. Cada segundo parece ter uma informação nova e a todo instante o universo que cria parece virar de ponta cabeça. É eletrizante, intenso, verborrágico e nos faz rir no meio de suas tantas tragédias. Um filme único e revigorante.

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2. O Som do Silêncio
de Darius Marder | EUA

Belíssima revelação de Darius Marder na direção, ele entrega um filme poderoso, íntimo, milagroso até, eu diria. Seu cinema transcende e alcança instantes de uma emoção indescritível. Ele nos apresenta à Ruben, o baterista que, ao perder a audição, mergulha em uma maré de incertezas, atormentado pelo silêncio que parece arruinar seu futuro. Um obra inquietante que permite ao ator Riz Ahmed entregar a mais potente e comovente atuação do ano. “O Som do Silêncio” é um conto poderoso sobre adaptação e sobre como é da natureza humana este dom de se moldar a uma nova circunstância. É sobre ouvir o que há dentro de nós e como não há barulho mais ensurdecedor que esse. Eu senti a dor, a angústia, o medo, o aperto no peito. Encontrei aqui uma das experiências mais incríveis que tive vendo um filme este ano.

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1. Retrato de Uma Jovem em Chamas
de Céline Sciamma | França

“Retrato de Uma Jovem em Chamas” é uma preciosa obra de arte. Um trabalho que alcança um nível de perfeição extremo, que nos deixa sem palavras ao seu fim e encantados por todas as belas decisões que ali foram tomadas. Somos levados à França do século 18 e na belíssima relação entre duas mulheres, a pintora e seu objeto de estudo, sua musa. É lindo quando, deste ato puro de observação entre as duas personagens, nasce uma história de amor. É assim que a diretora Céline Sciamma constrói um filme altamente contemplativo, encontrando beleza nos detalhes. Por fim, me senti completamente emocionado pela forma com que tudo foi guiado, pela sensibilidade de traduzir sentimentos tão puros. Como as imagens, visualmente tão poderosas, as sensações que a produção nos permite sentir ecoa dentro de nós. Lindo, apaixonante, a obra de arte que 2020 precisava. É imbatível. O melhor filme do ano.

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E para você? Qual o melhor filme de 2020?