Crítica | Louca Obsessão

Fanatismo doentio

O cinema sempre teve apreço pelas obras de Stephen King e “Louca Obsessão” entra para o seleto grupo das melhores adaptações já feitas. É aquele thriller que funciona, que nos mantém atentos a cada instante. Me encontrei rindo de nervoso, tenso ao me colocar no papel do protagonista e na situação improvável em que ele se mete. Aqui, um famoso escritor, Paul Sheldon (interpretado por James Caan), após sofrer um acidente de carro, é socorrido por Annie, uma ex-enfermeira que se diz ser sua fã número um. Ela, que cuida da saúde do escritor em uma casa isolada, passa a ter estranhas atitudes quando descobre que sua personagem favorita irá morrer em seu próximo livro, o torturando para que ele reverta essa história.

É curioso como a trama de “Louca Obsessão” parece fazer ainda mais sentido atualmente, mais de 30 anos de seu lançamento. Hoje, grupos se manifestam com ódio nas redes sociais quando seus personagens e histórias favoritas não são desenvolvidas como gostariam. É então que os grandes estúdios sempre acabam caindo naquele fan service, para que a audiência – fiscal de adaptações – não saia decepcionada. Claro, Annie é uma versão distorcida e exagerada desse público rigoroso, mas deixa explícito o quanto esse fanatismo pode ser doentio.

Kathy Bates, que venceu o Oscar por sua interpretação, está fantástica. É uma personagem complexa, intrigante e que ela domina com maestria. Caan também está ótimo aqui. Esse embate entre os dois chega a ser eletrizante, porque sempre esperamos pelo pior e nunca sabemos o quão bizarro tudo ainda pode se tornar.

Lá pelos anos 80 e 90, o diretor Rob Reiner tinha a mão boa e deixou registrado alguns clássicos do cinema. Ele também é responsável por filmes como “Conta Comigo”, “Harry e Sally” e “A Princesa Prometida”. Aqui, ele construiu uma outra obra atemporal, tão bem conduzida e insanamente divertida. Reiner, que sempre entendeu bem dos comfort movies, entregou um terror de altíssima qualidade. Seja pela excelente montagem, pela trilha e, principalmente, pelas grandes atuações…não há como desgrudar os olhos e não vibrar até o fim.

NOTA: 9,5

País de origem: EUA
Ano: 1990
Título original: Misery
Duração: 107minutos
Disponível: Prime Video
Diretor: Rob Reiner
Roteiro: William Goldman
Elenco: Kathy Bates, James Caan, Lauren Bacall