As 20 melhores cenas de 2021

Com mais um ano que se encerra, venho aqui no blog fazer aquela retrospectiva básica de tudo o que houve melhor no cinema. É assim que venho revelar as minhas cenas favoritas de 2021.

A ideia desse post é destacar 20 instantes que mais me marcaram, seja por um diálogo, uma atuação, seja pela direção primorosa que tiveram. Lembrando que os filmes elegíveis para a lista eram apenas aqueles lançados entre janeiro e dezembro do ano passado, aqui no Brasil, no cinema, streaming ou VOD.

Espero que gostem das selecionadas e caso lembrarem de outra cena que merecia estar aqui, deixem nos comentários.

[CONTÉM SPOILERS NOS TEXTOS]

20. Dança no túmulo
“Verão de 85” | direção: François Ozon

A história de amor de François Ozon tem vários momentos românticos, mas segue uma narrativa bem trágica. Depois da morte de sua grande paixão, o jovem Alexis, quase como se libertando do luto e desse peso que carrega, dança em sua homenagem em cima de seu túmulo. Ao som de “Sailing” de Rod Stewart, a cena é um lindo ode aos anos 80 e uma bela despedida desse casal que tinha tudo para dar certo.

.

19. Lanchonete
“Coquetel Explosivo” | direção: Navot Papushado

O filme “Coquetel Explosivo” tem várias cenas de ação caprichadas, mas a melhor delas, felizmente, ficou para o final. O combate entre as “bibliotecárias” contra a gangue rival é revigorante e um espetáculo visual divertidíssimo. A música “It’s All Over Now Baby Blue” se encaixa perfeitamente na sequência. É sangue, slow motion e atrizes maravilhosas dando o sangue ali na porrada.

.

18. Mav1s
“Amor e Monstros” | direção: Michael Matthews

Uma das grandes qualidades de “Amor e Monstros” é valorizar suas pausas e entender que elas são fundamentais para entendermos seus personagens. Em um momento muito doce que serve de grande ruptura ali na ação do filme, o protagonista (Dylan O’Brien) se depara com a robô Mav1s. Depois de uma conversa sincera, o rosto dela se transforma em uma tela, onde o jovem aventureiro consegue ver sua mãe, tendo finalmente a chance de se despedir. É um momento comovente, que termina de forma ainda mais agradável, quando águas-vivas flutuantes surgem no céu e Mav1s decide tocar “Stand By Me”.

.

17. Musical da gaivota
“Duas Tias Loucas de Férias” | direção: Josh Greenbaum

Eu poderia fazer uma lista especial só das melhores cenas de “Duas Tias Loucas de Férias”. Escolho essa porque ela é um show bizarro e nonsense e representa muito bem o que o filme é. Na sequência, assistimos ao agente secreto Edgar, interpretado por Jamie Dornan (surpreendentemente divertido), fazendo o seu aleatório número musical após sentir seu coração partido pela vilã vivida por Kristen Wiig. Ele dança na praia, faz pirueta, rasga a camisa e tudo o que não faz o menor sentido. Uma delícia (em todos os sentidos).

.

16. So May We Start
“Annette” | direção: Leos Carax

“”Annette” é um experimento audacioso dos músicos da banda Sparks. Nada nesse filme surge de forma óbvia e a primeira cena é o cartão de visitas dessa insana viagem. É metalinguagem pura, onde os próprios roteiristas do filme fazem um número musical – “So May We Start” -, ao lado dos atores, dando a largada inicial. Um prólogo nada convencional.

.

15. A Guardiã de Ta Lo
“Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis” | direção: Destin Cretton

A cena em questão nos revela a chegada de Xu Wenwu (Tony Leung), pai do nosso herói Shang Chi, no Reino místico de Ta Lo. Ele, que usa dez pulseiras poderosas, entra em combate com a bela guardiã do local. Existe um nítido interesse amoroso entre os dois, o que torna a cena surpreendentemente poética no meio de uma produção da Marvel. É bonito esse contraste de efeitos especiais com os delicados movimentos das artes marciais. Funcionou e ficou incrível de se ver.

.

14. Te convido a passear
“Nove Dias” | direção: Edson Oda

“Nove Dias”, dirigido pelo brasileiro Edson Oda, é poesia pura. Na trama existe uma série de avaliações entre algumas almas para que as vencedoras recebam o direito de descer à Terra e viver. As que falham, ganham o direito de escolher uma experiência humana jamais vivida. Aqui, a personagem escolhe andar de bicicleta pelas ruas da cidade, ouvindo uma música lenta em seu fone de ouvido. Em uma vibe “Show de Trumam”, eles constroem o cenário perfeito para que aquele desejo se torne possível. É bonito e singelo demais.

.

13. Fuga de Arlequina
“O Esquadrão Suicida” | direção: James Gunn

“O Esquadrão Suicida” veio para se redimir dos erros cometidos em 2016. O que a gente não esperava era encontrar um filme tão divertido e bom de se ver. Em um dos melhores instantes, a personagem Arlequina, vivida com muita leveza e graça por Margot Robbie, escapa após ter sido aprisionada. A sequência foi gravada em quatro dias e é um espetáculo! Depois de roubar as chaves somente com as pernas em um movimento acrobático, ela sai metralhando a todos. Muitas cores e flores surgem ao seu fundo em uma estética de brilhar os olhos. Ficou legal demais isso.

.

12. Aline
“All Hands on Deck” | direção: Guillaume Brac

“Aline” é uma canção clássica francesa do músico Christophe lançada nos anos 60. Apesar de bastante popular, não me recordo de tê-la visto em uma cena tão gostosa como essa. Aqui, dois jovens que se conheceram durante um período de férias no sul da França, decidem cantar a canção em um karaokê. A cena nos encanta porque é um momento doce entre eles, mas principalmente porque sabemos que ela marca o fim e a despedida do sonho em que viveram juntos.

.

11. 96.000
“Em um Bairro de Nova York” | direção: Jon M. Chu

Os números musicais de “Em Um Bairro de Nova York” são deslumbrantes e de uma energia admirável. Tem alma, barulho e ritmo que nos levam para dentro das cenas. No dia da revelação de um altíssimo prêmio na loteria, todos os moradores daquele agitado bairro vão passar uma tarde na piscina. Ali, eles cantam sobre seus sonhos e tudo o que 96 mil dólares poderiam comprar. Um instante divertido, com movimentos absurdos, muito bem captados pelo diretor e pela ágil montagem. A canção é ótima também e só engrandece esse instante dinâmico e incrivelmente bem coreografadas.

.

10. Boho Days
“Tick, Tick… Boom!” | direção: Lin-Manuel Miranda

Mais uma cena musical para a lista! “Boho Days” é uma das canções mais simples de “Tick, tick…BOOM!” e ainda assim, sob o comando de ninguém menos que o gênio Lin-Manuel Miranda, temos uma sequência tão adorável de se ver. Há algo de espontâneo que contagia aqui, onde em uma reunião entre amigos em um apartamento apertado, todos os boêmios cantam para celebrar o simples fato de estarem ali juntos. O único defeito é ser curta demais, poderia ver longos minutos sem reclamar de tão gostoso que foi.

.

9. Monólogo no deserto
“Nove Dias” | direção: Edson Oda

Difícil não sentir o impacto pelo final de “Nove Dias”. É tão poético que nos atinge em cheio, vai lá no nosso peito e nos abraça. Quando Emma, personagem de Zazie Beetz, é rejeitada na prova das almas, o entrevistador Will decide compensá-la realizando seu sonho, que nada mais é que vê-lo recitando seu monólogo da época em que era um jovem ator esperançoso na Terra. A cena é longa e o ator Winston Duke se entrega a um texto tão sensível. É ele resgatando sua fome de viver, de sentir-se humano novamente.

.

8. Cuba
“007 – Sem Tempo para Morrer” | direção: Cary Fukunaga

Eu poderia fazer um abaixo-assinado por ter me sentido traído com a pequena participação de Ana de Armas no novo “007”. Ela merecia um filme só pra ela e sua Paloma. São cerca de 10 minutos em que ela fica em cena e consegue ser a melhor coisa do filme todo. E isso é um grande elogio porque o filme é incrível. Ela surge sedutora e carismática como uma agente que ajuda James em sua missão em Cuba. Que momento!! Eu poderia assistir no looping.

.

7. Buscando oxigênio
“Passageiro Acidental” | direção: Joe Penna

O sci-fi espacial da Netflix tem muitos pontos negativos sim, mas se teve um momento que acertou em cheio foi nesse. Quando dois tripulantes da nave precisam sair para fora e buscar um tanque de oxigênio é adrenalina pura. Poucas vezes nesse ano eu fiquei sem ar e uma delas foi aqui. A cena é lenta e acontece quase que em tempo real, nos mantendo atentos a cada passo dado por eles. É um instante silencioso, o que nos deixa imensamente tensos, principalmente porque a vida dos personagens está totalmente dependendo dessa busca.

.

6. O duelo
“O Último Duelo” | direção: Ridley Scott

A prova maior de que aquele Ridley Scott que conhecemos de “Gladiador” ainda vive. Toda a trama caminha para esse momento e ele é simplesmente épico. Tão bom quanto o filme todo merecia. Os dois cavaleiros duelam naquele que ficou conhecido como o último duelo até a morte ocorrido na França. Sabemos que um dos personagens principais irá morrer e isso definirá a “justiça”. É tenso e de tirar o fôlego. Incrivelmente bem filmada, ficamos vibrando por cada movimento. Scott foi, finalmente, um gênio novamente.

.

5. Prisão
“Maligno” | direção: James Wan

“Maligno” nos presenteou com a revelação mais inesperada e divertida do ano. Uma reviravolta brilhante e que acontece em uma cena de deixar qualquer um boquiaberto. No instante em que finalmente descobrimos quem é Gabriel e o que atormenta a protagonista, ela está em uma prisão e permite que seu lado maligno se manifeste. Gabriel toma conta de sua consciência e vimos uma luta bizarríssima e violenta. Visualmente chocante, James Wan entrega um espetáculo de terror corporal aqui.

.

4. Parada solicitada
“Anônimo” | direção: Ilya Naishuller

Bob Odenkirk interpreta um pacato pai de família que nunca revida as injustiças que vê ao seu redor. Eis que sua libertação acontece quando um grupo de homens passam a incomodar uma jovem dentro de um ônibus. Ele se irrita com aquilo e decide dar início a uma nova versão de si mesmo, espancando sem dó todos que cruzam seu caminho. Uma cena extremamente violenta, explícita e muito bem editada.

.

3. Eu sou um revolucionário
“Judas e o Messias Negro” | direção: Shaka King

Esse diálogo deu a Daniel Kaluuya seu Oscar de Melhor Ator Coadjuvante. É de arrepiar quando acompanhamos o discurso fervoroso de Fred Hampton, líder dos Panteras Negras. Ele grita sobre ser um revolucionário e o quanto ele busca por uma virada na sociedade, uma vida justa para aqueles tão segregados. É chocante sua entrega ali, onde acreditamos na força e poder de suas palavras.

.

2. O parto
“Pieces of a Woman” | direção: Kornél Mundruczó

Vanessa Kirby interpreta Martha, uma mulher que perde o filho logo após o parto. Nos primeiros 30 minutos, o diretor Kornél Mundruczó se dedica a mostrar esse momento desesperador, de nascimento e morte. E são minutos dilacerantes. A cena desse parto é forte, real e a opção de desse registro ser feita em um plano sequência foi certeira. Acompanhamos de perto todos os sentimentos daquela mulher aflita. Vanessa se doa por completo aqui, entregando uma atuação magistral.

.

1. What a life
“Druk – Mais uma Rodada” | direção: Thomas Vinterberg

Thomas Vinterberg encerra sua obra com o mesmo gosto de um bom drink. Nos deixa entusiasmados pela beleza e força daquela cena, mas simultaneamente, deixa também um gosto amargo ao fim. Depois de perder um de seus amigos mais próximos pela bebida, o professor Martin (Mads Mikkelsen) celebra alcoolizado ao lado dos alunos. Ele dança freneticamente ao som de “What a Life”, com seus passos de ballet que relembram sua juventude. É sua celebração à vida. Ainda que seja um instante fascinante, essa alegria que “Druk” finaliza é um tanto quanto irônica. Ficamos felizes naquele minuto, mas não sabemos a dor que aquilo trará no amanhã. Genial!

Retrospectiva 2021: os destaques do ano

2021 marcou quase que uma retomada no cinema. A pandemia ainda segue, mas as salas voltaram a revelar números mais expressivos. Filmes como “Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa” e “007 – Sem Tempo Para Morrer” fizeram uma movimentação que há tempos não se via. Claro, filmes de super-heróis acabam tendo muito peso nesse momento delicado, pois são eles, ainda, o grande chamariz. A Marvel veio com força com filmes como “Viúva Negra” e obras que iniciaram sua tão aguardada “fase 4” como “Eternos”, “Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis” e o já citado Miranha. A DC foi mais discreta, mas acertou em cheio com “O Esquadrão Suicida”.

O Oscar, no início do ano, como sempre, dá a largada dos principais lançamentos do ano. “Nomadland”, “Meu Pai”, “Bela Vingança” e “Judas e o Messias Negro” foram os grandes destaques. A Disney também foi fundamental ao trazer animações de altíssimo nível como “Luca”, “Raya e o Último Dragão” e o mais recente, “Encanto”.

Por falar nisso, a plataforma da ratazana mercenária não foi muito bem, com poucas produções originais relevantes, diferentes da Netflix que chegou com tudo com alguns dos melhores filmes do ano como “Pieces of a Woman”, “Não Olhe Para Cima” e “A Filha Perdida”. A HBO Max, por sua vez, foi uma ótima adição nessa concorrência. A chegada da plataforma se provou necessária, ainda mais quando torna acessível títulos que acabaram de sair do cinema. É um passo e tanto. Prime Video, seguiu tímido. De qualquer forma, essas opções de streaming se tornaram ainda mais presentes na vida do cinéfilo.

Além da presença massiva do streaming em nossas vidas, outra coisa que marcou o ano foram os reboots e sequência de clássicos do cinema. Uma falta de originalidade, carência de novas ideias e uma forma de apelar para a nostalgia do público. Foi assim que tivemos o retorno de “Matrix”, “Halloween”, “Ghostbusters”, “Space Jam” e “A Lenda de Candyman”, além de sequências que ninguém pediu como “Invocação do Mal 3”, “O Homem nas Trevas 2”, “Um Lugar Silencioso – Parte II”.

2021 também marcou a volta triunfal dos musicais. “Tick, Tick…Boom”, “Em Um Bairro de Nova York”, “Amor, Sublime Amor”, “Querido Evan Hansen”, “Annette” e “Todos Estão Falando Sobre Jamie” provaram que foi o ano desse gênero. O faroeste também teve uma bela de uma reformulada com filmes como “First Cow”, “Nomadland”, “Cry Macho”, “Vingança e Castigo” e um dos melhores do ano: “Ataque dos Cães”.

Também tivemos retornos de cineastas consagrados como James Wan (Maligno), M.Night Shyamalan (Tempo), Wes Anderson (A Crônica Francesa), Denis Villeneuve (Duna) e Ridley Scott com a dobradinha “Casa Gucci” e “O Último Duelo”, além de Spielberg e Jane Campion em obras já citadas.

Tendo tudo isso em mente, venho aqui para enaltecer as produções que tivemos durante esse 2021. Criei uma premiação fictícia, reunindo em 16 categorias técnicas, filmes que merecem destaque e que acredito que foram os melhores em cada uma delas. Selecionei apenas filmes lançados no Brasil entre janeiro e dezembro aqui no Brasil, no cinema, streaming e VOD. Espero que gostem.

.

1. Druk – Mais uma Rodada
2. Bela Vingança
3. Loucos por Justiça
4. Annette
5. Duas Tias Loucas de Férias
6. Falsos Milionários

.

1. Meu Pai
2. Ataque dos Cães
3. A Filha Perdida
4. O Último Duelo
5. No Ritmo do Coração
6. Tick, Tick…Boom!

.

1. Raya e o Último Dragão
2. Luca
3. A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas
4. Din e o Dragão Genial
5. Encanto
6. A Jornada de Vivo

.

1. Duna
2. Nomadland
3. Ataque dos Cães
4. A Crônica Francesa
5. First Cow
6. Amor, Sublime Amor

.

1. Duna
2. Pinóquio
3. A Crônica Francesa
4. A Vida Extraordinária de David Copperfield
5. Meu Pai
6. Cruella

.

1. Cruella
2. Duna
3. A Vida Extraordinária de David Copperfield
4. Amor, Sublime Amor
5. O Último Duelo
6. Noite Passada em Soho

.

1. Pinóquio
2. Duna
3. Casa Gucci
4. Maligno
5. O Esquadrão Suicida
6. Cruella

.

1. Godzilla vs Kong
2. Duna
3. Free Guy: Assumindo o Controle
4. Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis
5. Amor e Monstros
6. O Esquadrão Suicida

.

1. Duna
2. Godzilla vs Kong
3. 007 – Sem Tempo Para Morrer
4. Um Lugar Silencioso – Parte II
5. Finch
6. Tick, Tick…Boom!

.

1. Meu Pai
2. Noite Passada em Soho
3. 007 – Sem Tempo Para Morrer
4. O Último Duelo
5. Tick, Tick…Boom!
6. Em um Bairro de Nova York

.

1. Antonio Pinto (Nove Dias)
2. Gustavo Santaolalla (Finch)
3. Emile Mosseri (Minari)
4. Jonny Greenwood (Ataque dos Cães)
5. Kris Bowers (King Richard)
6. Nicholas Britell (Não Olhe para Cima)

.

1. Second Nature (Não Olhe para Cima)
2. Guns Go Bang (Vingança e Castigo)
3. Redemption (Palmer)
4. So May We Start (Annette)
5. My Own Drum (A Jornada de Vivo)
6. Dos Oruguitas (Encanto)

.

1. Ataque dos Cães
2. A Filha Perdida
3. Vingança e Castigo
4. No Ritmo do Coração
5. Não Olhe para Cima
6. Uma Noite em Miami

.

1. Emilia Jones (No Ritmo do Coração)
2. Rachel Zegler (Amor, Sublime Amor)
3. Filippo Scotti (A Mão de Deus)
4. Fred Hechinger (A Mulher na Janela)
5. Rachel Sennott (Shiva Baby)
6. Adarsh Gourav (O Tigre Branco)

.

1. Maggie Gyllenhaal (A Filha Perdida)
2. Florian Zeller (Meu Pai)
3. Nia DaCosta (Passando dos Limites / A Lenda de Candyman)
4. Emerald Fennell (Bela Vingança)
5. Edson Oda (Nove Dias)
6. Lin-Manuel Miranda (Tick, Tick… Boom!)
7. Benjamin Cleary (O Canto do Cisne)
8. Emma Seligman (Shiva Baby)
9. Rebecca Hall (Identidade)

.

1. Chloé Zhao (Nomadland)
2. Jane Campion (Ataque dos Cães)
3. Thomas Vinterberg (Druk – Mais uma Rodada)
4. Paolo Sorrentino (A Mão de Deus)
5. Ridley Scott (O Último Duelo)
6. Kelly Reichardt (First Cow)
7. Kornél Mundruczó (Pieces of a Woman)
8. Jasmila Žbanić (Quo Vadis, Aida?)
9. Leos Carax (Annette)

Crítica: Druk – Mais Uma Rodada

Uma dose diária de vida

Apesar de ter vencido o Oscar de Melhor Filme Internacional no Oscar, fui sem grandes expectativas, talvez porque a premissa não tenha me agradado. Mas aí aconteceu que encontrei uma obra muito diferente do que esperava, maior do que eu esperava. “Druk” me preencheu.

Quatro amigos e professores, vivendo pela inércia da rotina, decidem provar uma tese de que, ao ingerir uma quantidade específica de álcool todos os dias, se tornariam mais bem sucedidos, mais confiantes em suas ações. A partir deste inusitado experimento, Martin (Mads Mikkelsen), em meio a suas crises da meia idade, renasce, buscando se reconectar com a vida e com a juventude que deixou para trás.

O cineasta Thomas Vinterberg cria aqui uma obra ousada, que caminha por rumos delicados. Sem endemonizar o álcool e sem ignorar o lado maléfico do ato, ela encena uma revigorante celebração da vida. Saiba beber com moderação, mas viva o máximo que puder. Ele sabe como conduzir esse discurso sem cair em um campo perigoso e irresponsável, entregando um produto elegante, divertido e sutilmente comovente. É um dos projetos mais pessoais da carreira do diretor e que ganha um tom ainda mais sensível pela triste história por trás dele. Vinterberg faz um filme festivo quando perdeu o mais precioso que é sua filha. “Druk” é seu grito, sua força, sua razão de ainda estar em pé.

O roteiro é fantástico e nos convida a cada passo. É interessante como cada capítulo da tese escrita pelos amigos se torna um capítulo à parte no filme. Desta forma, há uma dinâmica muito bem conduzida pelo diretor, que nos instiga a ficar, a querer ver a conclusão dessa loucura. Somando a isso, Mads Mikkelsen é imensamente carismático e nos traz ao seu lado nesta jornada libertadora. A obra, que se inicia com um grupo de jovens se divertindo, nos faz a todo tempo nos questionar em qual fase da vida desistimos desse parque de diversões, quando foi que decidimos sermos tão sóbrios, tão descrentes. A cena final é gigante! Nos faz querer dançar por aí, acreditar mais em nós mesmos. Uma bela celebração aos dias que nos restam.

NOTA: 9,5

  • País de origem: Dinamarca
    Ano: 2020
    Título original: Druk
    Duração: 117 minutos
    Diretor: Thomas Vinterberg
    Roteiro: Thomas Vinterberg, Tobias Lindholm
    Elenco: Mads Mikkelsen, Lars Ranthe, Magnus Millang, Thomas Bo Larsen