Crítica: Belle Époque

A beleza dos inícios

“Belle Époque” é o filme que eu precisava e nem sabia. Comédia francesa leve e incrivelmente apaixonante, que marca o retorno de Nicolas Bedos como roteirista e diretor depois do excelente “Monsieur e Madame Adelman”.

A trama tem um toque mágico e facilmente nos leva para uma viagem encantadora e de boas reflexões. Somos apresentados a uma empresa que, através de riquíssimos cenários e uma reconstituição histórica, permite que seus clientes vivam a época específica que desejarem. É assim que conhecemos Victor, um senhor desiludido, que escolhe reviver o ano de 74, no dia exato em que conheceu o grande amor de sua vida. Este encontro do protagonista com o passado é emocionante, nostálgico e nos faz abraçar suas lembranças como se fossem nossas. Há algo de Show de Truman e essa reconstrução da vida, mas neste caso o personagem tem total consciência do que acontece e opta por viver aquele instante que o fez tão completo, tão feliz.

A produção é deslumbrante e causa fascínio ao transitar entre passado e presente, entre realidade e ficção. O roteiro é brilhante e acerta ao envolver tantos universos ao mesmo tempo.

“Belle Époque” é poesia aos saudosistas. Se o cinema é a arte que nos permite sonhar acordados, Nicolas Bedos nos presenteia, mais uma vez, com um universo mágico, tão belo quanto um sonho que não queremos despertar. E nesta reencenação do começo de uma história de amor – que no futuro perdeu-se o encanto – a obra nos faz pensar sobre como ficamos presos ao início quando se trata de uma relação. Os inícios são sempre os melhores e criamos a ilusão, presos em uma falsa expectativa, de que a perfeição daqueles instantes se prolongarão. Precisamos nos desprender disso, encontrar a beleza no hoje, com todas as suas falhas, caso contrário, ficaríamos trancados nas nossas lembranças, buscando no outro aquilo que um dia foi. A gente muda e a nossa forma de amar também.

NOTA: 9

  • País de origem: França
    Ano: 2019
    Título Original: La Belle Epoque
    Duração: 115 minutos
    Diretor: Nicolas Bedos
    Roteiro: Nicolas Bedos
    Elenco: Daniel Auteuil, Doria Tillier, Guillaume Canet, Fanny Ardant