Os 25 melhores filmes de 2021

2021 acabou (já faz um tempinho) e como de costume aqui no blog, venho apresentar meus filmes favoritos do ano.

A pandemia ainda segue e desde 2020 estamos encontrando novas formas de nos conectarmos ao cinema. Grande parte desses filmes não chegaram à tela grande e o streaming se mostrou uma alternativa ainda muito relevante no nosso dia a dia, assim como o serviço de video on demand (VOD). Isso, por outro lado, acabou fazendo com que algumas obras passassem completamente despercebidas pelo público. Venho, então, de certa forma, com o intuito de destacar algumas produções que merecem mais atenção. 

Foi um ano que consegui assistir muita coisa e espero ter feito uma seleção justa. Lembrando que seleciono aqui apenas os filmes lançados entre janeiro e dezembro de 2021 aqui no Brasil. Espero que gostem dos selecionados e caso não tenham visto algum, já deixo aqui como dicas a serem achadas também.

Menções honrosas: Denis Villeneuve teve a ousadia de dar vida ao complexo universo de “Duna” e entregou um filme majestoso. Experimento musical de Leos Carax, “Annette” foge de qualquer obviedade do gênero. “Não Olhe Para Cima” conseguiu reunir um elenco estelar em uma sátira brilhante de Adam McKay. Fazer boa comédia é para poucos e por isso “Duas Tias Loucas de Férias” merece destaque.

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25. Em um Bairro de Nova York
de Jon M. Chu | EUA

“Em Um Bairro de Nova York” revitaliza com êxito o musical na tela grande. Fazia tempo em que não víamos um filme do gênero desta grandiosidade, que mais parece um milagre de como o diretor Jon M.Chu conseguiu encaixar tudo em uma única produção. É aquela obra que explode, que grita e nos faz querer sair dançando por aí. O hip-hop, em uma interessante mescla com salsa e bolero, atinge instantes de glória. Mais do que falar sobre sonhos, a música aqui vem como um manifesto político (e poético) contra essa marginalização de comunidades imigrantes nos Estados Unidos. Um filme que tem uma energia inesgotável, que vibra, que pulsa em cada pequeno detalhe.

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24. Judas e o Messias Negro
de Shaka King | EUA

Com uma trama que se inicia lá no final da década de 60, o longa traz grandes reflexões sobre desigualdade social, racismo e sobre a corajosa luta dos negros ao longo dos anos. “Judas e o Messias Negro”  traz uma estrutura já comum no cinema, a do infiltrado que se fascina por seu alvo. Ainda assim, o roteiro empolga e costura um suspense hipnotizante, principalmente pelas ótimas atuações do elenco e pela complexidade de sentimentos entregues ali. Uma história triste, revoltante e que causa um grande impacto em nós.

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23. A Filha Perdida
de Maggie Gyllenhaal | EUA

Estreia na direção da atriz Maggie Gyllenhaal, “A Filha Perdida” é uma adaptação do elogiado livro de Elena Ferrante. Lançado pela Netflix, o texto do filme é potente, foge da obviedade e ecoa em nossa mente, justamente porque ficamos remoendo tudo aquilo que não é claramente exposto. A obra acerta ao construir personagens complexas e em nenhum momento busca justificar suas ações ou julgar qualquer movimento questionável. Vem com coragem para discutir o peso da maternidade e esses sentimentos tão velados pela sociedade. As atrizes estão incríveis e o roteiro cria o palco para todas elas brilharem.

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22. O Esquadrão Suicida
de James Gun | EUA

Uma sequência de “Esquadrão Suicida” parecia o caminho mais tolo a ser seguido. É então que o projeto cai nas mãos certas e James Gunn reinicia com vigor a franquia, entregando um produto autêntico e extremamente eficiente. Não é apenas muito prazeroso de assistir como também comprova a esperteza de seu criador. Traz estilo sim, mas o grande acerto aqui se encontra no texto, que sabe dosar o humor, a dramaticidade e, principalmente, sabe como valorizar seus bons personagens. Encontramos aqui uma obra revigorante e feita de muito coração. A mais bela surpresa do ano e uma aula necessária de como conduzir um filme de super-herói.

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21. 007 – Sem Tempo para Morrer
de Cary Fukunaga | Reino Unido

Depois de quinze anos na pele de James Bond, Daniel Craig se despede neste filme que encerra com grande êxito os capítulos comandados pelo ator. Temos aqui uma obra que não descansa, que está sempre seguindo uma nova direção e jamais perdendo a empolgação ou nosso interesse. A relação entre todos os personagens é sempre muito bem conduzida pelo roteiro, que sabe dosar humor, seriedade e sentimentalismo. Uma bela homenagem ao querido agente secreto, que respeita sua trajetória e, principalmente, respeita o público que esteve ao seu lado nesses últimos anos.

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20. Amor e Monstros
de Michael Matthews | EUA

Como é prazeroso encontrar “Amor e Monstros” em pleno 2021. Sua pureza chega a ser nostálgica, estampando um sorriso tonto em meu rosto durante seus minutos. Roteiro esperto, personagens carismáticos e belas mensagens. O filme é, basicamente, sobre um jovem (Dylan O’Brien) que, em um mundo pós-apocalíptico dominado por monstros, decide traçar uma perigosa jornada para encontrar a namorada. Uma bela aventura à moda antiga e muito maior do que parece ser ou do que pretende ser. Um produto raro e um tanto quanto especial.

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19. Luca
de Enrico Casarosa | EUA

Os filmes da Pixar possuem um certo poder. Mesmo quando assumem a simplicidade, conseguem extrair algo grande dali e transbordam. Com “Luca” não é diferente. O protagonista é uma criatura marinha que consegue se passar por humano quando sai do mar e, assim, vai viver como um garoto comum, se camuflando na multidão e apagando sua própria identidade. O poder desta nova animação é usar de uma ideia tão simples para construir uma metáfora brilhante sobre homoafetividade. É uma trama sobre aceitação, respeito e entender que tudo bem ser diferente dos outros. É uma mensagem muito necessária e que pode trazer um impacto muito positivo para as crianças, além de dialogar com muitos adultos que enfrentaram essas tantas lutas na infância. 

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18. Loucos por Justiça
de Anders Thomas Jensen | Dinamarca

Uma grata surpresa de 2021, “Loucos por Justiça” vai muito além da história de luto e vingança do qual tão bem já conhecemos. É uma obra bem amarrada, que se mostra, aos poucos, bastante sensível. A grande graça aqui é acompanhar a relação de um grupo de homens comuns buscando por justiça. O roteiro é brilhante, esperto e navega bem por diversos gêneros. Ao fim, emociona sutilmente ao falar sobre esses laços de amizade e como eles revelam a imprevisibilidade milagrosa da vida.

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17. Mais Que Especiais
de Olivier Nakache, Éric Toledano | França

Inspirado em uma história real, o filme nos revela com sensibilidade a história real de dois homens que criaram duas organizações sem fins lucrativos para abrigar e dar assistência a pessoas com transtornos autistas severos. Interessante como a obra usa de uma narrativa de investigação para decifrar um ato de bondade, de altruísmo. As batalhas diárias vividas pelos protagonistas são mostradas em tom documental e comovem pela honestidade, construindo uma teia de afeto e de transformações milagrosas. “Mais Que Especiais”, ao fim, soa como uma bela celebração à vida, a apostar no próximo, a lutar pela inclusão do outro. Emociona porque fala com verdade, porque tem coração presente em cada instante.

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16. Raya e o Último Dragão
de Carlos López Estrada, Don Hall | EUA

Mais do que uma experiência agradável e empolgante, a animação da Disney traz reflexões necessárias. A trama coloca uma jovem guerreira em uma aventura para salvar sua comunidade e encanta pelo carisma dos personagens e pelo texto que está sempre trazendo elementos novos para a narrativa. “Raya e o Último Dragão” vem para nos lembrar sobre o quanto perdemos quando desistimos do mundo, quando não depositamos fé no próximo. Um voto de confiança é necessário porque ele traz poder, ele transforma e nos permite evoluir.

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15. Deserto Particular
de Aly Muritiba | Brasil

O grande filme nacional do ano, “Deserto Particular” entrega uma delicada história de amor no tempo dos desafetos. A trama envolve um policial que atravessa o país para encontrar uma mulher que só conhecia virtualmente. Esse encontro cara a cara desencadeia uma série de frustrações, medos e revela uma imensa necessidade do contato, de toque. Uma obra poética, sensível e que diz muito em seu silêncio. Emociona porque cria identificação, porque é cru e real. Porque é extremamente humano.

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14. Palmer
de Fisher Stevens | EUA

A obra se mostra bastante necessária ao nosso tempo ao falar de um tema um tanto quanto tabu ainda hoje: a homossexualidade na infância. O filme narra o interessante encontro entre um ex-presidiário (Justin Timberlake) e um pequeno garoto rejeitado por ser quem é. Belo a forma como o roteiro vai construindo essa relação, emocionando de forma honesta e arrebatadora. Não vem com discursos prontos sobre redenção, segundas chances ou sobre ser quem você deseja ser. As situações são apresentadas e se desenvolvem de forma natural, sem parecer pedante ou didáticas. Comove porque não clama por isso e porque é respeitoso o suficiente para tratar de temas delicados da maneira como precisávamos ouvir. “Palmer” é, acima de tudo, um filme gentil, terno e acolhedor.

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13. Bela Vingança
de Emerald Fennell | EUA

Uma obra que causa um extremo desconforto e que não é de fácil digestão. Carey Mulligan está incrível em cena e aqui ela dá vida à Cassandra, uma mulher misteriosa que frequenta bares à noite e se finge de bêbada para atacar homens assediadores que exploram a vulnerabilidade da mulher nessas condições. O roteiro é inteligente e sai constantemente do lugar comum ao falar sobre vingança e reformula por completo filmes que já abordaram o mesmo tema. Ao mesmo tempo em que é acidamente sedutor e divertido,  “Promising Young Woman” entrega um material doloroso, cruel e impactante.

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12. O Último Duelo
de Ridley Scott | Reino Unido

Com direção de Ridley Scott, a obra investiga o último julgamento travado por um duelo mortal na França. Apesar de ser um filme medieval, a trama é bastante atual ao falar sobre uma mulher vai contra toda a sociedade quando ela decide expor um caso abuso sexual. O filme se divide em três capítulos e retoma os mesmos eventos para revelar as diferentes perspectivas dos três personagens centrais. O texto é bastante crítico ao apontar que, ao fim, mesmo quando é a palavra de uma mulher que está em jogo, tudo é sobre a honra e glória dos homens, sobre a postura deles diante dos outros. E isso dói de assistir.

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11. First Cow
de Kelly Reichardt | EUA

Que experiência boa é ver “First Cow”. A diretora Kelly Reichardt entrega um produto especial e digno de apreciação. Ela narra com bastante carinho uma história de amizade entre dois homens em uma era de descobertas nos Estados Unidos de 1820. Sem pretensão, a trama estampa um sorriso em nosso rosto e encanta pela trajetória desses personagens.  “First Cow” é um conto tocante sobre pessoas tentando vencer na vida. É simples, contemplativo, envolvente e cativante.

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10. Tick, Tick… Boom!
de Lin-Manuel Miranda | EUA

Com “tick, tick…BOOM!”, Lin-Manuel Miranda faz sua declaração de amor aos musicais, enquanto homenageia seu grande ídolo, Jonathan Larson, a mente brilhante por trás de “Rent”. É uma obra especial e, ao mesmo tempo, dolorosa, porque Larson é a personificação dos sonhos, mas também da efemeridade da vida. Como é fácil ter 30 anos e se ver ali na tela. Mais do que os dramas de um artista frustrado, o longa é um retrato poderoso dessa geração ansiosa. Que teme não ter o tempo necessário, teme não conquistar quando todos ao redor estão desfrutando do sucesso. Andrew Garfield está incrível e rapidamente nos faz abraçar esses seus anseios e nos emociona.

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9. No Ritmo do Coração
de Sian Heder | Canadá

O francês “A Família Bélier” é ótimo sim, mas não deixa de ser surpreendente o fato desse remake ter dado tão certo. O longa conquista pela sensibilidade ao narrar a história de uma jovem (Emilia Jones) que fica dividida entre viver o grande sonho de sua vida e cuidar da família, onde todos são surdos. É forte esse dilema enfrentado pela protagonista porque nunca depende de decisões fáceis. Seguir seu sonho é quase como abandonar, rejeitar seu ninho. O roteiro é belíssimo e avança por essas nuances com delicadeza e sem frear essa capacidade de nos fazer chorar. “O Ritmo do Coração” é lindo e atinge nosso coração com força.

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8. Cruella
de Craig Gillespie | EUA

“Cruella” é um acontecimento. Alcança um nível tão alto de qualidade que torna todos os outros live-actions da Disney menos interessantes. É tudo o que os anteriores tentaram mas não conseguiram ser. Esse tem vida própria e não se contenta em ser apenas um favor confortável aos fãs. O filme tem como intuito mostrar os eventos antes daqueles que conhecemos em “101 Dálmatas” e a peculiar ascensão de sua adorável vilã. O filme, que tem excelente ritmo, é uma experiência revigorante de vingança, moda e punk.  “Cruella” é inventivo, tem personalidade e uma energia que vibra. Um espetáculo a ser apreciado.

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7. Nove Dias
de Edson Oda | EUA

Aquele tipo de filme com o poder de nos acolher e nos abraçar. A obra nos leva para uma realidade mística, onde um homem (Winston Duke) precisa entrevistar algumas almas durante nove dias para decidir qual delas é digna de viver. Sua trama nos faz pensar muito em nossa existência aqui na Terra e sobre o quanto somos peculiares a nossa forma. “Nove Dias” encanta pelas situações que narra e pela sensibilidade de falar sobre a vida. Nos toca porque fala diretamente com nosso coração e nos relembra o milagre que é estar aqui.

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6. Ataque dos Cães
de Jane Campion | Reino Unido, Austrália, Nova Zelândia

Com “Ataque dos Cães”, a renomada Jane Campion vem para contestar o faroeste e dar voz a sentimentos não explorados dentro do gênero em uma obra contemplativa e silenciosa. O filme nos mostra o embate entre um cowboy amargurado (Benedict Cumberbatch) e a nova família que seu irmão tenta construir. Quando as ações dos personagens nunca são claras, o longa se transforma em um suspense enigmático e estranhamente convidativo. As emoções são expressadas em pequenas ações, em detalhes e olhares. É assim que a obra se torna quase que uma experiência sensorial, porque nada vem de forma expositiva, mas ainda assim nos golpeia com força.

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5. Quo Vadis, Aida?
de Jasmila Žbanic | Bósnia e Herzegovina

“Quo Vadis, Aida?” é um drama que mexe com os nervos do público, sendo difícil sair ileso por tudo o que nos apresenta. A trama acontece nos anos 90, quando o exército Sérvio invade as fronteiras da Bósnia e nossa corajosa protagonista, dentro de um campo de refugiados, se desdobra para tentar proteger sua família. Temos aqui um filme devastador, dilacerante e que nos faz sentir a impotência diante de um genocídio. É sufocante, tenso e nos deixa sem chão ao fim. Como cinema, um exercício narrativo primoroso, repleto de sensações e que facilmente nos causa impacto.

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4. Val
de Ting Poo, Leo Scott | EUA

“Val” me acertou em cheio. Me fez sentir algo que nenhuma outra obra do ano me fez sentir. Com uma dor profunda no peito, terminei de vê-lo sem estruturas. O documentário nasce para ser uma cinebiografia do ator Val Kilmer, mas vai muito além daquela trajetória que já conhecemos de fama, ascensão e fracasso. Impressiona pelo imenso acervo e como registro de uma história, nos permite mergulhar na intimidade do ator, nas suas mais dolorosas lembranças. É o registro do tempo, do envelhecimento, das perdas. Do ídolo rejeitado. A obra distorce essa visão que temos dele e emociona ao falar sobre o homem que viveu por sua paixão pelo cinema, sobre o homem que viveu uma ilusão, que respira ainda hoje por seus sonhos.

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3. Druk – Mais uma Rodada
de Thomas Vinterberg | Dinamarca

Quatro amigos e professores, vivendo pela inércia da rotina, decidem provar uma tese de que, ao ingerirem uma quantidade específica de álcool todos os dias, se tornariam mais confiantes em suas ações. São homens de meia idade buscando esse renascimento, se reconectando com a juventude que deixaram para trás. O cineasta Thomas Vinterberg cria aqui uma obra ousada, que caminha por rumos delicados. Ele sabe como conduzir esse discurso sem cair em um campo perigoso e irresponsável, entregando um produto elegante, divertido e sutilmente comovente. Vinterberg faz um filme festivo quando teve uma grande perda em sua vida pessoal. “Druk” é seu grito de dor, sua força, sua razão de ainda estar em pé.

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2. Nomadland
de Chloé Zhao | EUA

Existe uma linha tênue que separa o documental e a ficção no cinema de Chloé Zhao. Em “Nomadland”, ela faz um registo bastante íntimo sobre a vida nômade através do singelo olhar de Fern, brilhantemente interpretada por Frances McDormand, que após enfrentar um colapso econômico em sua cidade, traça uma jornada sem destino pelos Estados Unidos. Ela é a soma de muitas conversas, encontros e ciclos que nunca se fecham. A diretora realiza um filme único e especial, que nos toca, nos fazendo viver, durante seus belos minutos, essa vida que não é nossa. Aqui tudo é história, tudo é sentimento e tudo é real. “Nomadland” é imenso.

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1. Meu Pai
de Florian Zeller | EUA, França, Reino Unido

Tenho uma relação muito pessoal com “Meu Pai”, porque parte dos dramas narrados aqui eu vivo dentro de casa. Por isso é um filme que me atingiu com muita força, porque aqueles tantos sentimentos fazem sentido para mim. A obra nos coloca para dentro de um apartamento, onde vemos de perto a difícil relação entre uma filha (Olivia Colman) e seu pai (Anthony Hopkins), que enfrenta o doloroso processo de perda de memória. O texto é honesto e nos conforta ao falar, com extrema precisão, sobre o Alzheimer. Me senti acolhido, compreendido talvez. É brilhante como o roteiro encontra para ilustrar essa confusão do pai. Nos coloca dentro de sua mente e nos faz duvidar junto com ele, sentindo essa mágoa por não ter mais controle de tudo o que muda, o que se altera, o que se apaga. “Meu Pai” nos choca porque nos lembra deste processo inevitável que é envelhecer e como isso, às vezes, pode ser cruel e solitário.

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E para você? Qual o melhor filme de 2021?

As 20 melhores cenas de 2021

Com mais um ano que se encerra, venho aqui no blog fazer aquela retrospectiva básica de tudo o que houve melhor no cinema. É assim que venho revelar as minhas cenas favoritas de 2021.

A ideia desse post é destacar 20 instantes que mais me marcaram, seja por um diálogo, uma atuação, seja pela direção primorosa que tiveram. Lembrando que os filmes elegíveis para a lista eram apenas aqueles lançados entre janeiro e dezembro do ano passado, aqui no Brasil, no cinema, streaming ou VOD.

Espero que gostem das selecionadas e caso lembrarem de outra cena que merecia estar aqui, deixem nos comentários.

[CONTÉM SPOILERS NOS TEXTOS]

20. Dança no túmulo
“Verão de 85” | direção: François Ozon

A história de amor de François Ozon tem vários momentos românticos, mas segue uma narrativa bem trágica. Depois da morte de sua grande paixão, o jovem Alexis, quase como se libertando do luto e desse peso que carrega, dança em sua homenagem em cima de seu túmulo. Ao som de “Sailing” de Rod Stewart, a cena é um lindo ode aos anos 80 e uma bela despedida desse casal que tinha tudo para dar certo.

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19. Lanchonete
“Coquetel Explosivo” | direção: Navot Papushado

O filme “Coquetel Explosivo” tem várias cenas de ação caprichadas, mas a melhor delas, felizmente, ficou para o final. O combate entre as “bibliotecárias” contra a gangue rival é revigorante e um espetáculo visual divertidíssimo. A música “It’s All Over Now Baby Blue” se encaixa perfeitamente na sequência. É sangue, slow motion e atrizes maravilhosas dando o sangue ali na porrada.

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18. Mav1s
“Amor e Monstros” | direção: Michael Matthews

Uma das grandes qualidades de “Amor e Monstros” é valorizar suas pausas e entender que elas são fundamentais para entendermos seus personagens. Em um momento muito doce que serve de grande ruptura ali na ação do filme, o protagonista (Dylan O’Brien) se depara com a robô Mav1s. Depois de uma conversa sincera, o rosto dela se transforma em uma tela, onde o jovem aventureiro consegue ver sua mãe, tendo finalmente a chance de se despedir. É um momento comovente, que termina de forma ainda mais agradável, quando águas-vivas flutuantes surgem no céu e Mav1s decide tocar “Stand By Me”.

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17. Musical da gaivota
“Duas Tias Loucas de Férias” | direção: Josh Greenbaum

Eu poderia fazer uma lista especial só das melhores cenas de “Duas Tias Loucas de Férias”. Escolho essa porque ela é um show bizarro e nonsense e representa muito bem o que o filme é. Na sequência, assistimos ao agente secreto Edgar, interpretado por Jamie Dornan (surpreendentemente divertido), fazendo o seu aleatório número musical após sentir seu coração partido pela vilã vivida por Kristen Wiig. Ele dança na praia, faz pirueta, rasga a camisa e tudo o que não faz o menor sentido. Uma delícia (em todos os sentidos).

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16. So May We Start
“Annette” | direção: Leos Carax

“”Annette” é um experimento audacioso dos músicos da banda Sparks. Nada nesse filme surge de forma óbvia e a primeira cena é o cartão de visitas dessa insana viagem. É metalinguagem pura, onde os próprios roteiristas do filme fazem um número musical – “So May We Start” -, ao lado dos atores, dando a largada inicial. Um prólogo nada convencional.

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15. A Guardiã de Ta Lo
“Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis” | direção: Destin Cretton

A cena em questão nos revela a chegada de Xu Wenwu (Tony Leung), pai do nosso herói Shang Chi, no Reino místico de Ta Lo. Ele, que usa dez pulseiras poderosas, entra em combate com a bela guardiã do local. Existe um nítido interesse amoroso entre os dois, o que torna a cena surpreendentemente poética no meio de uma produção da Marvel. É bonito esse contraste de efeitos especiais com os delicados movimentos das artes marciais. Funcionou e ficou incrível de se ver.

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14. Te convido a passear
“Nove Dias” | direção: Edson Oda

“Nove Dias”, dirigido pelo brasileiro Edson Oda, é poesia pura. Na trama existe uma série de avaliações entre algumas almas para que as vencedoras recebam o direito de descer à Terra e viver. As que falham, ganham o direito de escolher uma experiência humana jamais vivida. Aqui, a personagem escolhe andar de bicicleta pelas ruas da cidade, ouvindo uma música lenta em seu fone de ouvido. Em uma vibe “Show de Trumam”, eles constroem o cenário perfeito para que aquele desejo se torne possível. É bonito e singelo demais.

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13. Fuga de Arlequina
“O Esquadrão Suicida” | direção: James Gunn

“O Esquadrão Suicida” veio para se redimir dos erros cometidos em 2016. O que a gente não esperava era encontrar um filme tão divertido e bom de se ver. Em um dos melhores instantes, a personagem Arlequina, vivida com muita leveza e graça por Margot Robbie, escapa após ter sido aprisionada. A sequência foi gravada em quatro dias e é um espetáculo! Depois de roubar as chaves somente com as pernas em um movimento acrobático, ela sai metralhando a todos. Muitas cores e flores surgem ao seu fundo em uma estética de brilhar os olhos. Ficou legal demais isso.

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12. Aline
“All Hands on Deck” | direção: Guillaume Brac

“Aline” é uma canção clássica francesa do músico Christophe lançada nos anos 60. Apesar de bastante popular, não me recordo de tê-la visto em uma cena tão gostosa como essa. Aqui, dois jovens que se conheceram durante um período de férias no sul da França, decidem cantar a canção em um karaokê. A cena nos encanta porque é um momento doce entre eles, mas principalmente porque sabemos que ela marca o fim e a despedida do sonho em que viveram juntos.

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11. 96.000
“Em um Bairro de Nova York” | direção: Jon M. Chu

Os números musicais de “Em Um Bairro de Nova York” são deslumbrantes e de uma energia admirável. Tem alma, barulho e ritmo que nos levam para dentro das cenas. No dia da revelação de um altíssimo prêmio na loteria, todos os moradores daquele agitado bairro vão passar uma tarde na piscina. Ali, eles cantam sobre seus sonhos e tudo o que 96 mil dólares poderiam comprar. Um instante divertido, com movimentos absurdos, muito bem captados pelo diretor e pela ágil montagem. A canção é ótima também e só engrandece esse instante dinâmico e incrivelmente bem coreografadas.

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10. Boho Days
“Tick, Tick… Boom!” | direção: Lin-Manuel Miranda

Mais uma cena musical para a lista! “Boho Days” é uma das canções mais simples de “Tick, tick…BOOM!” e ainda assim, sob o comando de ninguém menos que o gênio Lin-Manuel Miranda, temos uma sequência tão adorável de se ver. Há algo de espontâneo que contagia aqui, onde em uma reunião entre amigos em um apartamento apertado, todos os boêmios cantam para celebrar o simples fato de estarem ali juntos. O único defeito é ser curta demais, poderia ver longos minutos sem reclamar de tão gostoso que foi.

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9. Monólogo no deserto
“Nove Dias” | direção: Edson Oda

Difícil não sentir o impacto pelo final de “Nove Dias”. É tão poético que nos atinge em cheio, vai lá no nosso peito e nos abraça. Quando Emma, personagem de Zazie Beetz, é rejeitada na prova das almas, o entrevistador Will decide compensá-la realizando seu sonho, que nada mais é que vê-lo recitando seu monólogo da época em que era um jovem ator esperançoso na Terra. A cena é longa e o ator Winston Duke se entrega a um texto tão sensível. É ele resgatando sua fome de viver, de sentir-se humano novamente.

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8. Cuba
“007 – Sem Tempo para Morrer” | direção: Cary Fukunaga

Eu poderia fazer um abaixo-assinado por ter me sentido traído com a pequena participação de Ana de Armas no novo “007”. Ela merecia um filme só pra ela e sua Paloma. São cerca de 10 minutos em que ela fica em cena e consegue ser a melhor coisa do filme todo. E isso é um grande elogio porque o filme é incrível. Ela surge sedutora e carismática como uma agente que ajuda James em sua missão em Cuba. Que momento!! Eu poderia assistir no looping.

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7. Buscando oxigênio
“Passageiro Acidental” | direção: Joe Penna

O sci-fi espacial da Netflix tem muitos pontos negativos sim, mas se teve um momento que acertou em cheio foi nesse. Quando dois tripulantes da nave precisam sair para fora e buscar um tanque de oxigênio é adrenalina pura. Poucas vezes nesse ano eu fiquei sem ar e uma delas foi aqui. A cena é lenta e acontece quase que em tempo real, nos mantendo atentos a cada passo dado por eles. É um instante silencioso, o que nos deixa imensamente tensos, principalmente porque a vida dos personagens está totalmente dependendo dessa busca.

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6. O duelo
“O Último Duelo” | direção: Ridley Scott

A prova maior de que aquele Ridley Scott que conhecemos de “Gladiador” ainda vive. Toda a trama caminha para esse momento e ele é simplesmente épico. Tão bom quanto o filme todo merecia. Os dois cavaleiros duelam naquele que ficou conhecido como o último duelo até a morte ocorrido na França. Sabemos que um dos personagens principais irá morrer e isso definirá a “justiça”. É tenso e de tirar o fôlego. Incrivelmente bem filmada, ficamos vibrando por cada movimento. Scott foi, finalmente, um gênio novamente.

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5. Prisão
“Maligno” | direção: James Wan

“Maligno” nos presenteou com a revelação mais inesperada e divertida do ano. Uma reviravolta brilhante e que acontece em uma cena de deixar qualquer um boquiaberto. No instante em que finalmente descobrimos quem é Gabriel e o que atormenta a protagonista, ela está em uma prisão e permite que seu lado maligno se manifeste. Gabriel toma conta de sua consciência e vimos uma luta bizarríssima e violenta. Visualmente chocante, James Wan entrega um espetáculo de terror corporal aqui.

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4. Parada solicitada
“Anônimo” | direção: Ilya Naishuller

Bob Odenkirk interpreta um pacato pai de família que nunca revida as injustiças que vê ao seu redor. Eis que sua libertação acontece quando um grupo de homens passam a incomodar uma jovem dentro de um ônibus. Ele se irrita com aquilo e decide dar início a uma nova versão de si mesmo, espancando sem dó todos que cruzam seu caminho. Uma cena extremamente violenta, explícita e muito bem editada.

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3. Eu sou um revolucionário
“Judas e o Messias Negro” | direção: Shaka King

Esse diálogo deu a Daniel Kaluuya seu Oscar de Melhor Ator Coadjuvante. É de arrepiar quando acompanhamos o discurso fervoroso de Fred Hampton, líder dos Panteras Negras. Ele grita sobre ser um revolucionário e o quanto ele busca por uma virada na sociedade, uma vida justa para aqueles tão segregados. É chocante sua entrega ali, onde acreditamos na força e poder de suas palavras.

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2. O parto
“Pieces of a Woman” | direção: Kornél Mundruczó

Vanessa Kirby interpreta Martha, uma mulher que perde o filho logo após o parto. Nos primeiros 30 minutos, o diretor Kornél Mundruczó se dedica a mostrar esse momento desesperador, de nascimento e morte. E são minutos dilacerantes. A cena desse parto é forte, real e a opção de desse registro ser feita em um plano sequência foi certeira. Acompanhamos de perto todos os sentimentos daquela mulher aflita. Vanessa se doa por completo aqui, entregando uma atuação magistral.

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1. What a life
“Druk – Mais uma Rodada” | direção: Thomas Vinterberg

Thomas Vinterberg encerra sua obra com o mesmo gosto de um bom drink. Nos deixa entusiasmados pela beleza e força daquela cena, mas simultaneamente, deixa também um gosto amargo ao fim. Depois de perder um de seus amigos mais próximos pela bebida, o professor Martin (Mads Mikkelsen) celebra alcoolizado ao lado dos alunos. Ele dança freneticamente ao som de “What a Life”, com seus passos de ballet que relembram sua juventude. É sua celebração à vida. Ainda que seja um instante fascinante, essa alegria que “Druk” finaliza é um tanto quanto irônica. Ficamos felizes naquele minuto, mas não sabemos a dor que aquilo trará no amanhã. Genial!

Retrospectiva 2021: os destaques do ano

2021 marcou quase que uma retomada no cinema. A pandemia ainda segue, mas as salas voltaram a revelar números mais expressivos. Filmes como “Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa” e “007 – Sem Tempo Para Morrer” fizeram uma movimentação que há tempos não se via. Claro, filmes de super-heróis acabam tendo muito peso nesse momento delicado, pois são eles, ainda, o grande chamariz. A Marvel veio com força com filmes como “Viúva Negra” e obras que iniciaram sua tão aguardada “fase 4” como “Eternos”, “Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis” e o já citado Miranha. A DC foi mais discreta, mas acertou em cheio com “O Esquadrão Suicida”.

O Oscar, no início do ano, como sempre, dá a largada dos principais lançamentos do ano. “Nomadland”, “Meu Pai”, “Bela Vingança” e “Judas e o Messias Negro” foram os grandes destaques. A Disney também foi fundamental ao trazer animações de altíssimo nível como “Luca”, “Raya e o Último Dragão” e o mais recente, “Encanto”.

Por falar nisso, a plataforma da ratazana mercenária não foi muito bem, com poucas produções originais relevantes, diferentes da Netflix que chegou com tudo com alguns dos melhores filmes do ano como “Pieces of a Woman”, “Não Olhe Para Cima” e “A Filha Perdida”. A HBO Max, por sua vez, foi uma ótima adição nessa concorrência. A chegada da plataforma se provou necessária, ainda mais quando torna acessível títulos que acabaram de sair do cinema. É um passo e tanto. Prime Video, seguiu tímido. De qualquer forma, essas opções de streaming se tornaram ainda mais presentes na vida do cinéfilo.

Além da presença massiva do streaming em nossas vidas, outra coisa que marcou o ano foram os reboots e sequência de clássicos do cinema. Uma falta de originalidade, carência de novas ideias e uma forma de apelar para a nostalgia do público. Foi assim que tivemos o retorno de “Matrix”, “Halloween”, “Ghostbusters”, “Space Jam” e “A Lenda de Candyman”, além de sequências que ninguém pediu como “Invocação do Mal 3”, “O Homem nas Trevas 2”, “Um Lugar Silencioso – Parte II”.

2021 também marcou a volta triunfal dos musicais. “Tick, Tick…Boom”, “Em Um Bairro de Nova York”, “Amor, Sublime Amor”, “Querido Evan Hansen”, “Annette” e “Todos Estão Falando Sobre Jamie” provaram que foi o ano desse gênero. O faroeste também teve uma bela de uma reformulada com filmes como “First Cow”, “Nomadland”, “Cry Macho”, “Vingança e Castigo” e um dos melhores do ano: “Ataque dos Cães”.

Também tivemos retornos de cineastas consagrados como James Wan (Maligno), M.Night Shyamalan (Tempo), Wes Anderson (A Crônica Francesa), Denis Villeneuve (Duna) e Ridley Scott com a dobradinha “Casa Gucci” e “O Último Duelo”, além de Spielberg e Jane Campion em obras já citadas.

Tendo tudo isso em mente, venho aqui para enaltecer as produções que tivemos durante esse 2021. Criei uma premiação fictícia, reunindo em 16 categorias técnicas, filmes que merecem destaque e que acredito que foram os melhores em cada uma delas. Selecionei apenas filmes lançados no Brasil entre janeiro e dezembro aqui no Brasil, no cinema, streaming e VOD. Espero que gostem.

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1. Druk – Mais uma Rodada
2. Bela Vingança
3. Loucos por Justiça
4. Annette
5. Duas Tias Loucas de Férias
6. Falsos Milionários

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1. Meu Pai
2. Ataque dos Cães
3. A Filha Perdida
4. O Último Duelo
5. No Ritmo do Coração
6. Tick, Tick…Boom!

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1. Raya e o Último Dragão
2. Luca
3. A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas
4. Din e o Dragão Genial
5. Encanto
6. A Jornada de Vivo

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1. Duna
2. Nomadland
3. Ataque dos Cães
4. A Crônica Francesa
5. First Cow
6. Amor, Sublime Amor

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1. Duna
2. Pinóquio
3. A Crônica Francesa
4. A Vida Extraordinária de David Copperfield
5. Meu Pai
6. Cruella

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1. Cruella
2. Duna
3. A Vida Extraordinária de David Copperfield
4. Amor, Sublime Amor
5. O Último Duelo
6. Noite Passada em Soho

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1. Pinóquio
2. Duna
3. Casa Gucci
4. Maligno
5. O Esquadrão Suicida
6. Cruella

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1. Godzilla vs Kong
2. Duna
3. Free Guy: Assumindo o Controle
4. Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis
5. Amor e Monstros
6. O Esquadrão Suicida

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1. Duna
2. Godzilla vs Kong
3. 007 – Sem Tempo Para Morrer
4. Um Lugar Silencioso – Parte II
5. Finch
6. Tick, Tick…Boom!

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1. Meu Pai
2. Noite Passada em Soho
3. 007 – Sem Tempo Para Morrer
4. O Último Duelo
5. Tick, Tick…Boom!
6. Em um Bairro de Nova York

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1. Antonio Pinto (Nove Dias)
2. Gustavo Santaolalla (Finch)
3. Emile Mosseri (Minari)
4. Jonny Greenwood (Ataque dos Cães)
5. Kris Bowers (King Richard)
6. Nicholas Britell (Não Olhe para Cima)

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1. Second Nature (Não Olhe para Cima)
2. Guns Go Bang (Vingança e Castigo)
3. Redemption (Palmer)
4. So May We Start (Annette)
5. My Own Drum (A Jornada de Vivo)
6. Dos Oruguitas (Encanto)

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1. Ataque dos Cães
2. A Filha Perdida
3. Vingança e Castigo
4. No Ritmo do Coração
5. Não Olhe para Cima
6. Uma Noite em Miami

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1. Emilia Jones (No Ritmo do Coração)
2. Rachel Zegler (Amor, Sublime Amor)
3. Filippo Scotti (A Mão de Deus)
4. Fred Hechinger (A Mulher na Janela)
5. Rachel Sennott (Shiva Baby)
6. Adarsh Gourav (O Tigre Branco)

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1. Maggie Gyllenhaal (A Filha Perdida)
2. Florian Zeller (Meu Pai)
3. Nia DaCosta (Passando dos Limites / A Lenda de Candyman)
4. Emerald Fennell (Bela Vingança)
5. Edson Oda (Nove Dias)
6. Lin-Manuel Miranda (Tick, Tick… Boom!)
7. Benjamin Cleary (O Canto do Cisne)
8. Emma Seligman (Shiva Baby)
9. Rebecca Hall (Identidade)

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1. Chloé Zhao (Nomadland)
2. Jane Campion (Ataque dos Cães)
3. Thomas Vinterberg (Druk – Mais uma Rodada)
4. Paolo Sorrentino (A Mão de Deus)
5. Ridley Scott (O Último Duelo)
6. Kelly Reichardt (First Cow)
7. Kornél Mundruczó (Pieces of a Woman)
8. Jasmila Žbanić (Quo Vadis, Aida?)
9. Leos Carax (Annette)

Os 15 melhores atores de 2021

As listas de melhores atuações do cinema em 2021 continuam e agora retorno para revelar minhas atuações masculinas favoritas. Preciso confessar, foi uma lista difícil de finalizar. Foi um ano que tivemos papéis desafiadores e marcantes. Infelizmente acabei deixando alguns nomes incríveis de fora para fechar 15 colocações.

Essas foram as minhas favoritas! Deixem nos comentários o ator que mais te chamou a atenção durante esses doze meses. Lembrando que selecionei atuações apenas de filmes lançados entre janeiro e dezembro de 2021 aqui no Brasil, no cinema ou VOD, independente do lançamento em seus respectivos países de origem.

15. Anthony Ramos
(Em um Bairro de Nova York)

Parte do elenco da peça de grande sucesso “Hamilton”, Anthony retoma sua parceria com o músico e roteirista Lin-Manuel Miranda no musical “Em Um Bairro de Nova York”. Protagonista, ele é quem dá o tom da obra. Tem uma energia que pulsa, que vibra a cada cena. Tem paixão e uma força inesgotável. Como o sonhador Usnavi, ele encanta, porque tudo o que fala sai diretamente do coração.

14. Leonardo DiCaprio
(Não Olhe para Cima)

Falo com tranquilidade que esse é um dos menores papéis da carreira irretocável de Leonardo DiCaprio. E essa é a maior prova de sua genialidade como ator. Porque mesmo dividindo o peso da narrativa com outros atores brilhantes, ele não decepciona e entrega seu melhor. O cientista Randall poderia cair na caricatura fácil, mas o ator constrói na tela uma figura interessante e divertida, mesmo que a comédia nunca tenha sido sua praia.

13. John Magaro
(First Cow)

Apesar de ter alguns papéis em filmes e séries de TV de sucesso, John não é um ator muito conhecido. O coloco aqui porque, confesso, só me dei conta que era ele nos créditos finais. Ainda que seja uma atuação bastante contida, sem qualquer tipo de afetação, ele se transforma. É bela sua composição, surgindo com sensibilidade ao dar vida para um personagem tão simples e ingênuo.

12. Kingsley Ben-Adir
(Uma Noite em Miami)

Uma das atuações mais subestimadas de 2021. Dar vida para figuras históricas é sempre um desafio e Kingsley surpreende demais como o ativista Malcolm X. Os personagens de “Uma Noite em Miami” vivem um momento decisivo na luta pelos direitos civis da comunidade negra norte-americana. Existe dor na fala de Malcolm, angústia e um sentimento de urgência, de pressa por ver uma mudança na sociedade. O ator traz verdade a esses tantos discursos de liberdade e esperança. Fala com verdade e nos comove.

11. Winston Duke
(Nove Dias)

Sem dúvidas, uma das atuações que mais me surpreendeu. Winston Duke é uma revelação recente, mas até então ele esteve envolvido em filmes de herói e papéis mais cômicos. Que surpresa vê-lo tão entregue a um personagem mais dramático, sem qualquer resquício de suas outras interpretações. A última cena é extremamente poética e, através de um monólogo intenso, ele prova sua força como ator.

10. Adam Driver
(Annette)

Adam Driver vive um momento bom na carreira. Não sou muito fã do ator e nem o acho tão incrível como muitos falam, mas aqui em “Annette” eu tive que dar o braço a torcer. Completamente entregue nesse musical controverso, ele tem uma série de diálogos intermináveis e bastante desafiadores. É um papel difícil e ele convence em todas as camadas que revela.

9. Will Smith
(King Richard: Criando Campeãs)

Tenho preguiça dessa fissura do ator por papéis com discursos motivacionais, mas a verdade é que Will está muito seguro em cena e transmite muita honestidade na pele de Richard Williams, pai e treinador de suas filhas tenistas. Seja por sua postura, seu sotaque, é nítido ver o quanto ele precisou se transformar pelo papel, o quanto ele queria entregar o melhor.

8. Jude Law
(O Refúgio)

Não tão reconhecido como merecia, Jude teve uma bela passagem no drama “O Refúgio”. Seu personagem é um homem de negócios ambicioso, que vai, aos poucos, se afundando em suas frustrações, em seus sonhos não realizados. Ele convence ao compor esse indivíduo desprezível mas ao mesmo tempo amargurado, triste pelo vazio de uma vida que ele nunca terá. Excelente.

7. Lakeith Stanfield
(Judas e o Messias Negro)

Lakeith é um jovem ator que se transforma a cada novo papel. Muito bom ver como ele deposita tanta garra e tanta verdade em seu personagem. Na pele de William O’Neal, o infiltrado no grupo revolucionário dos Panteras Negras, ele desenha na tela um ser complexo, que trai seus iguais por liberdade. Nunca sabemos o que há na mente daquele homem, que nos assusta, mas também nos causa empatia, nos faz compreender sua dor.

6. Andrew Garfield
(Tick, Tick… Boom!)

“Tick, Tick…BOOM!” é uma grande homenagem aos musicais e à mente de Jonathan Larson, dramaturgo que revolucionou o teatro nos anos 90. Andrew deu uma virada drástica em sua carreira com esse papel, provando de vez aquilo que estranhamente as pessoas tinham dúvida. Extremamente talentoso e versátil, ele entrega alma para Larson, canta com o coração e traz muita honestidade a este jovem ansioso e sonhador.

5. Mahershala Ali
(O Canto do Cisne)

Você aceitaria ser clonado e deixar com que sua cópia ocupe o espaço que hoje você ocupa em sua vida? Esse é o dilema vivido por Cameron, que aceita essa alternativa quando descobre sofrer de uma doença terminal. É um personagem forte e que Mahershala domina por completo. Essas dúvidas e receios que o rodeiam, somado a dor de ter que se despedir de quem ama. O ator faz tudo com muita sensibilidade e emociona.

4. Leonardo Sbaraglia
(Coração Errante)

Leonardo Sbaraglia entrega aqui uma das minhas atuações favoritas do ano. Ele incorpora por completo o personagem, comovendo tamanha honestidade que imprime em cada cena. Santiago é um retrato amargo do homem gay que envelhece solitário, sempre com o medo da rejeição. Nos causa desconforto, riso nervoso, mas também nos faz sofrer ao seu lado, sentir essa paixão que vibra na forma como ele conduz sua vida. Ele se desnuda e expõe suas fragilidades e inseguranças. Que trabalho lindo!

3. Mads Mikkelsen
(Druk – Mais uma Rodada)

Mads é um dos atores mais queridos da atualidade e aqui ele prova, mais uma vez, do porquê é sempre tão bom vê-lo atuando. Ele interpreta Martin, um professor desiludido com a vida que passa a ingerir uma quantidade mínima de álcool todos os dias para ter mais tesão de viver. Dono de um carisma imenso, ele diverte aqui, mas sem esquecer de revelar a densidade de seu personagem, desse vazio existencial que sente.

2. Anthony Hopkins
(Meu Pai)

É muito comum que atores veteranos, às vezes, acabam acionando o piloto automático para encarar certos filmes. O próprio Hopkins, de vez em quando, aceita umas bombas na carreira. Sim, precisamos aceitar também que é raro bons personagens para atores mais velhos e é triste esse cenário, ainda mais quando talentos desse calibre acabam sumindo. Pensando em tudo isso, como é lindo ver um papel tão bem escrito para um veterano, que claramente foi escrito para ele. Como é bom ver um profissional tão experiente e ainda assim, tão aberto a viver algo novo, a revelar uma faceta que desconhecíamos. Sim, isso foi possível, e Anthony Hopkins entregou uma das atuações mais impressionantes do ano. Seu personagem tem Alzheimer e se perde no próprio universo. Um retrato honesto, necessário e responsável sobre um assunto tão delicado. É real e nos toca profundamente.

1. Benedict Cumberbatch
(Ataque dos Cães)

Phil, brilhantemente interpretado por Benedict Cumberbatch, é um grande personagem. Um dos mais complexos e fascinantes do cinema recente, eu arriscaria dizer. O Cowboy amargurado, ríspido, solitário, mas também uma incógnita que nos fascina. Quando “Ataque dos Cães” termina, ficamos revisitando seus passos, encontrando razões para sua violência, para sua fragilidade. É um ser que nos provoca, que nos causa ódio assim como também nos causa uma certa comoção. Benedict está absurdo aqui, traduzindo com muito cuidado todos esses sentimentos. Um trabalho riquíssimo de composição, que facilmente será lembrado nos próximos anos.

As 15 melhores atrizes de 2021

Seguindo com a retrospectiva aqui na página, retorno para revelar uma das listas que mais gosto de fazer e, por isso, venho com muita empolgação apresentar a minha seleção de melhores atrizes de 2021. Durante esses doze meses, tivemos alguns retornos marcantes de veteranas e revelações de jovens atrizes promissoras. Com essas personagens incríveis, elas encontraram a chance perfeita de brilharem em cena.

Seleciono aqui as 15 performances que mais me chamaram a atenção. Espero que gostem da lista! Lembrando que foram elegíveis apenas aquelas que estiveram em filmes lançados entre janeiro e dezembro de 2021 aqui no Brasil, no cinema, streaming ou VOD.

Deixe nos comentários qual foi a sua favorita!

15. Rosamund Pike
(Eu Me Importo)

Arriscaria dizer que Marla Grayson foi umas das personagens mais marcantes do ano. Pilantra, ela ganha vida às custas de velhinhos indefesos. Entre o trágico e o cômico, o filme nos faz amar essa mulher detestável, chegando ao ponto de torcermos por ela, mesmo quando julgamos suas ações tão questionáveis. Rosamund sabe trilhar por essas nuances com perfeição, entregando uma anti-heroína divertidíssima, sagaz e provocativa.

14. Emma Stone
(Cruella)

Muito difícil reviver uma personagem tão icônica, ainda mais quando ela já foi vivida por ninguém menos que Glenn Close. Stone encara o desafio e constrói algo único, à sua forma. A atriz tem um brilho a mais, algo que preenche a tela. Seja por seu imenso carisma, seja por sua incrível habilidade de caminhar pela comédia e drama. Stone é gigante e impressiona a cada novo papel. Podia ter dado muito errado, mas ela faz dar certo, muito mais certo do que qualquer um poderia imaginar.

13. Jodie Foster
(O Mauritano)

Jodie Foster é aquela atriz de poucas aparições. Por algumas vezes, fica anos sem retornar para um papel. Mas quando esse retorno acontece, temos então um grande evento. Ela segura tão bem as cenas e tem uma presença tão forte. Acreditamos no poder de sua personagem, na coragem de ir contra todo um sistema, de apostar na bondade do outro. Como advogada de defesa Nancy Hollander, a atriz domina e nos comove.

12. Elisabeth Moss
(Shirley)

Na pele da escritora Shirley Jackson, Elisabeth Moss entrega mais uma potente atuação em sua carreira. Ela tem sido um dos nomes mais fortes do cinema e da TV atual e fico feliz por esse momento de grande reconhecimento em que vive. Tem algo de muito poderoso em sua presença, dizendo muito com seus olhares, com sua postura. Sua personagem é bastante excêntrica e a atriz revela uma imensidão de sentimentos com suas tantas expressões.

11. Tessa Thompson
(Identidade)

Existem papéis que clamam por um Oscar. Que aos gritos e expressões, uma atriz suplica por uma premiação. Existem, por outro lado, aquelas performances contidas, que parecem pequenas, mas são tão grandes. Tão necessárias. Tessa Thompson surpreende no papel de Irene, essa mulher que enfrenta tantas dúvidas e tantos dilemas como mulher negra nos Estados Unidos da década de 20. É uma personagem belíssima, complexa, elegante, e a atriz se entrega com muita honestidade.

10. Rebecca Hall
(A Casa Sombria)

O terror é um gênero que sempre acaba revelando boas interpretações, no entanto, infelizmente, muitos ainda o subestimam, visto, por exemplo, que quase nunca alcançam premiações importantes. É assim que pouco se falou sobre a fantástica atuação de Rebecca Hall em “A Casa Sombria”. É belo o que a atriz faz de sua personagem, Beth, que vivendo do luto após perder o marido, se lança a um universo assombroso, se afundando no medo e abraçando sua dor. Emociona.

9. Carey Mulligan
(Bela Vingança)

Cassandra é uma incógnita que nos seduz a acompanhar suas armadilhas no thriller “Bela Vingança”. Ela tem um passado misterioso, mas dedica seu tempo atacando homens assediadores que exploram a vulnerabilidade da mulher. Sem dúvida alguma, umas das personagens mais insanas e complexas que passou por nós em 2021. Que bom que esse papel caiu nas mãos de Carey, que há tempos andava sumida. Este é seu retorno triunfal e a prova de que ela merece estar no topo.

8. Carrie Coon
(O Refúgio)

Carrie Coon tem bastante prestígio na TV e, aos poucos, tem conquistado o cinema. Como Allison, uma mulher que tem seus desejos silenciados pelas altas ambições do marido, ela entrega uma performance bastante segura, nos afundando junto com sua personagem, sentindo suas dores e seu medo diante de um ambiente que não se adapta. Sua transformação em cena é brilhante e nos fascina.

7. Jodie Comer
(O Último Duelo)

Um dos melhores roteiros de 2021, que merece destaque por ter dado voz a uma personagem tão interessante. Marguerite, que no século XIV, foi vitima de um estupro, traça uma batalha para acusar seu agressor em um ato de extrema coragem. Jodie Comer surpreende por ser novata no cinema, entregando uma atuação de alguém com muita experiência. Ela domina aquele espaço com sua presença, sua força e garra, mas sem esconder suas fragilidades, seu medo de não ser ouvida, de ser julgada.

6. Zhou Dongyu
(Dias Melhores)

Zhou Dongyu tem em mãos um papel extremamente forte. Desde o início, ela precisa estar entregue a emoções muito intensas, isso porque sua personagem sofre bullying na escola. É tudo bastante pesado em cena e a atriz se entrega com força, sempre muito honesta, nos comovendo em sua dolorosa jornada e nos levando a acompanhá-la a um turbilhão de sentimentos.

5. Andra Day
(Estados Unidos vs. Billie Holiday)

Fiquei bastante surpreso por ver a cantora Andra Day tão entregue no cinema. Não é uma personagem fácil e ela encara o desafio com tanta garra e verdade. Aqui ela dá vida à Billie Holiday e a tumultuada carreira de uma das maiores cantoras e compositoras da história da música. Como é lindo ver o quanto ela se doa e se transforma para esse papel. Andra brilha porque se joga de corpo e alma.

4. Frances McDormand
(Nomadland)

A beleza de ver Frances McDormand aqui é poder presenciar sua naturalidade em cena. Ela se despe por completo em um papel tão singelo, tão honesto, tão real. Como Fern, uma mulher que traça uma jornada sem destino em sua Van e se mantendo em empregos temporários como uma nômade moderna, ela nos faz esquecer que estamos diante de uma interpretação. Ela vive aquilo e nós acreditamos. Sua personagem é adorável e nos faz querer abraçá-la a cada instante.

3. Vanessa Kirby
(Pieces of a Woman)

Um dos papéis mais fortes do ano e uma das atuações mais surpreendentes também. Ainda com um currículo curto no cinema, a atriz britânica Vanessa Kirby entregou, talvez, o que muitas atrizes não conseguiram em uma longa carreira. É uma entrega fascinante, que choca, que nos faz sentir o peso e a dor que é existir para sua personagem. Martha é uma mulher que precisa se manter forte depois de perder o próprio filho no parto. Uma jornada sensível, difícil e ela demonstra total domínio.

2. Jasna Đuričić
(Quo Vadis, Aida?)

Fortíssima protagonista de “Quo Vadis, Aida?”, a atriz sérvia Jasna Đuričić nos faz perder o fôlego, tamanha honestidade que imprime nas cenas. Acreditamos naquela realidade apresentada e em sua personagem que, no meio de uma invasão militar em seu país, precisa correr contra o tempo para salvar sua família. É angustiante e desesperador tudo o que vemos ali e a atriz carrega muito sentimento dentro de si. Há garra e coragem para proteger quem ama, mas há também medo e pavor diante da violência que presencia.

1. Olivia Colman
(A Filha Perdida)

Olivia Colman é uma atriz a ser estudada. Carreira longa no cinema e na TV, ela parece que foi redescoberta nos últimos anos. De uns tempos para cá, ótimos papéis chegaram em suas mãos, caindo na graça do público e dos críticos. Tem algo fascinante que é difícil de descrever em sua persona. Ela tem um brilho, uma força rara. Poucas atrizes sabem tão bem trilhar da comédia para o drama como ela. Olivia dá vida a um texto fantástico e traz vida para “A Filha Perdida”. Sua personagem Leda é extremamente complexa e somente um talento como o dela poderia tornar esse filme possível. Olivia Colman é um acontecimento, a joia mais preciosa do cinema atual.

Os 15 melhores atores coadjuvantes de 2021

Retomando aqui com as listas de melhores do cinema em 2021, venho para revelar minhas atuações masculinas favoritas em papéis coadjuvantes.

Mesmo com personagens menores em cena, esses atores se destacaram e merecem esse reconhecimento! Espero que gostem dos selecionados e deixem nos comentários os favoritos de vocês.

Lembrando que selecionei atuações apenas de filmes lançados entre janeiro e dezembro de 2021 aqui no Brasil, no cinema ou VOD, independente do lançamento em seus respectivos países de origem.

15. Mike Faist
(Amor, Sublime Amor)

Confesso que não gosto de muita coisa em “Amor, Sublime Amor”, nem no original e nem nesse remake. Ainda assim, algo me chamou bastante atenção aqui…a presença de Mike Faist. Ator novato, ele simplesmente preenche as cenas em que faz parte. Com voz potente e uma postura segura diante da câmera, ele faz de Riff, o líder dos Jets, um outro grande espetáculo no meio do musical.

14. Jon Bernthal
(King Richard: Criando Campeãs)

Jon é uma figura curiosa no cinema. Revelação na série “The Walking Dead”, o ator consegue realizar transformações notáveis em cada novo papel. Como o treinador de tênis Rick Macci no drama “King Richard”, o ator cria uma persona divertida, entusiasmada e bastante real. Sua entrada no filme é tão positiva que parece que o faz ganhar mais fôlego.

13. Orion Lee
(First Cow)

“First Cow” é uma obra permeada por sensibilidade e sutileza. Orion Lee faz parte desse universo construído pela diretora e entrega uma atuação contida, mas extremamente humana e terna. Na pele de um chinês fugitivo, que passa a roubar ingredientes para vender bolos fritos, ele nos faz torcer por ele mesmo diante de seus equívocos.

12. Colman Domingo
(Zola)

Colman Domingo tem crescido bastante nesses últimos anos e conseguido papéis cada vez mais desafiadores. Em “Zola”, ele encara um cafetão malandro e de caráter duvidoso, mas sua performance tem charme e passa uma verdade, por vezes, assustadora. Um grande ator que, espero, seja mais reconhecido daqui para frente.

11. Robin de Jesús
(Tick, Tick… Boom!)

“Tick, tick…BOOM!” é um relato desses jovens adultos esperançosos pelo sucesso, mas que sempre se trombam com o fracasso. Robin de Jesús poderia ser apenas o “melhor amigo do protagonista”, mas felizmente o roteiro lhe permite brilhar nesse musical pulsante. Um dos melhores discursos da obra vem dele, quando revela o que é ser jovem e estar com Aids, quando tudo o que não tem é tempo para sonhar. É um instante poderoso e o ator entrega tudo ali.

10. Richard Jenkins
(Falsos Milionários)

Como um pai problemático e trambiqueiro, o veterano Richard Jenkins brilha. O ator entra na bizarrice proposta pela diretora e roteirista Miranda July, e faz deste personagem odiável um ser carismático e até mesmo divertido de assistir. Tudo muito excêntrico, mas estranhamente adorável. Richard é um baita ator sempre.

9. Rodrigo Santoro
(7 Prisioneiros)

Uma das transformações mais surpreendentes do ano foi a de Rodrigo Santoro como o antagonista de “7 Prisioneiros”, drama nacional da Netflix. Ele dá vida para Luca, um chefe rigoroso de um ferro velho que passa a controlar um sistema de tráfico humano. Um personagem assustador, que incomoda, mas ainda assim o ator consegue trazer camadas e torná-lo humano aos nossos olhos.

8. Troy Kotsur
(No Ritmo do Coração)

Troy Kotsur é um ator surdo e isso torna sua presença no belíssimo “No Ritmo do Coração” extremamente necessária. Talvez um ator não surdo para esse papel, buscaria uma dramaticidade forçada, mas aqui ele encontra o tom certo para dar vida ao patriarca da família principal. Extremamente espontâneo, carismático e doce, Troy constrói um personagem adorável e muito honesto.

7. Nikolaj Lie Kaas
(Loucos por Justiça)

Sabe quando você assiste a um filme e você não consegue imaginar aquele ator sendo diferente daquele personagem? Por não conhecer Nikolaj Lie Kaas nada me tirava a ideia de que ele fosse exatamente aquilo, extrema naturalidade que ele encontra para viver o introspectivo e calculista Otto. A verdade é que o ator dinamarquês é extremamente diferente daquilo, o que me deixou espantado. Uma transformação tão genuína e tão real.

6. Michael Stuhlbarg
(Shirley)

O verdadeiro camaleão. Michael é daqueles atores que renascem a cada novo filme. Aqui ele interpreta o marido tóxico da escritora Shirley Jackson, no potente thriller “Shirley”. Sua presença traz incômodo e uma estranha sensação de perigo. Como sempre, fantástica atuação.

5. Leslie Odom Jr.
(Uma Noite em Miami)

Vivendo o cantor e compositor Sam Cooke, Leslie não apenas surpreende por sua bela voz, como também por sua potente interpretação. É uma entrega muito honesta e feita de muito coração. Isso é tão nítido que nós, o público, sentimos do lado de cá. O instante final em que ele canta na televisão em uma época chave da revolução cultural norte-americana, é tão sutil e ao mesmo tempo tão grandiosa, tão cheia de verdade.

4. David Strathairn
(Nomadland)

“Nomadland” é um filme que mistura realidade e ficção e isso requer um cuidado muito grande dos atores. David nunca foi muito reconhecido, mas merecia e sua presença aqui é mais uma prova disso. Ele transmite tanta naturalidade como Dave, o homem que cruza o caminho solitário da protagonista, que facilmente acreditamos que aquele homem vive aquela vida, exatamente daquela forma. O ator traz verdade e muito sentimento em cena.

3. Tahar Rahim
(O Mauritano)

Um personagem difícil e Tahar encontra o tom certo para viver o mauritano Mohamedou Slahi, que viveu durante quatorze anos encarcerado em Guantánamo sem ter cometido crime algum. É uma trajetória dolorosa e o ator nos carrega ao seu lado, nos faz vivenciar dessa dor, dessa constante angústia, mas sem jamais deixar de lado seu carisma e sua esperança de um dia ser livre.

2. Kodi Smit-McPhee
(Ataque dos Cães)

Em “Ataque dos Cães” vemos um embate silencioso entre três personagens centrais. Essa dinâmica cria quase que um thriller psicológico que se sustenta não apenas do belíssimo roteiro como também das grandes atuações. O jovem Kodi Smit-McPhee surpreende porque esse é seu primeiro papel mais desafiador de sua carreira e ele se doa por completo. Enigmático, sua performance nos hipnotiza e ao final compreendemos o quão gigante ele foi.

1. Daniel Kaluuya
(Judas e o Messias Negro)

Na pele de Fred Hampton, líder dos Panteras Negras, Daniel entrega sua mais potente atuação. Existe garra e força quando ele precisa se impor, mas o ator também nunca esconde as fragilidades do personagem. O instante de seu monólogo “eu sou um revolucionário” é de arrepiar. Intenso e cheio de honestidade, o ator entrega a grande atuação masculina do ano em um papel coadjuvante.

As 15 melhores atrizes coadjuvantes de 2021

2021 acabou e estou aqui para fazer uma retrospectiva do que teve de melhor no mundo do cinema. Nos próximos dias, revelarei algumas listas com os meus favoritos em algumas categorias. Começo, então, com as melhores atuações femininas em papéis coadjuvantes.

Durante esses meses, algumas atrizes se destacaram e entregaram performances dignas de atenção. Listo as 15 que acredito que foram as melhores. Lembrando que foram elegíveis apenas os filmes lançados entre janeiro e dezembro de 2021 aqui no Brasil, no cinema ou VOD. Espero que gostem das selecionadas e deixem nos comentários a que você mais gostou.

15. Laura Benanti
(Quanto Vale?)

No drama da Netflix “Quanto Vale?”, vemos uma série de depoimentos bastante honestos sobre pessoas que perderam entes queridos na tragédia do 11 de setembro. Laura Benanti vem para dar voz à uma mulher que perdeu o marido e, no meio de seu luto, acaba descobrindo uma traição. É uma personagem pequena ali, mas vem com tanta verdade e sensibilidade que por vezes esquecemos ser uma atuação. Acerta o tom e jamais cai na dramaticidade forçada.

14. Tracee Ellis Ross
(A Batida Perfeita)

Dona de um carisma imenso, Tracee é a alma dessa despretensiosa comédia musical. Aqui ela faz uma cantora de renome, Grace Davis, que precisa reerguer a carreira e produzir algo novo depois de anos estagnada. A atriz traz humor e uma boa dose de honestidade também. Tem força em cena e ainda canta muito bem.

13. Gina Rodriguez
(Falsos Milionários)

Outra rainha do carisma é Gina Rodriguez. É incrível esse poder que a atriz tem de roubar atenção. Na comédia esquisitíssima (e brilhante) “Falsos Milionários”, ela dá vida para uma trambiqueira extrovertida. Melanie, sua personagem, traz luz à obra e nos seduz a acompanhar sua divertida jornada. Gina está encantadora.

12. Ellen Burstyn
(Pieces of a Woman)

A palavra de uma mãe, muitas vezes, tem um peso enorme em nossas decisões. A presença de Ellen Burstyn como mãe da protagonista que acaba de perder o próprio filho é forte, porque suas palavras tem poder, chegando ao ponto de até mesmo ser cruel. A veterana encara com força essa personagem e nos causa incômodo, justamente porque é tão humana, tão real.

11. Danielle Deadwyler
(Vingança & Castigo)

Uma das mais belas surpresas desse ano, a jovem atriz Danielle Deadwyler encara um papel divertido e rouba a cena ao lado de um elenco de peso em “Vingança e Castigo”. Como Cuffee, uma mulher que se disfarça de homem e passa a fazer parte do bando para derrotar um impiedoso criminoso, a atriz constrói uma personagem misteriosa, cômica até e brilhantemente defendida por sua bela atuação.

10. Dianne Wiest
(Let Them All Talk)

O filme de Steven Soderbergh é bastante curioso por deixar seu elenco à vontade para improvisar, enquanto ele filma com seu iPhone. Todos os atores estão ótimos, mas é a veterana Dianne Wiest quem verdadeiramente brilha. Sua doçura e espontaneidade em cena encantam. Há um discurso inspirador quando ela diz sobre como todos ali são privilegiados por serem os últimos a verem as estrelas em seu estado natural. É o melhor momento do filme e o palco é todo dela.

9. Juno Temple
(Palmer)

Juno sempre foi uma atriz bastante subestimada. Não há nada que ela faça pela metade. Com um papel pequeno no drama “Palmer”, ela rouba a cena. Ela faz uma mãe problemática, que anos afastada do próprio filho, retorna para tê-lo de volta. É uma personagem forte e ela engrandece o que poderia ser apenas uma participação.

8. Aunjanue Ellis
(King Richard: Criando Campeãs)

Como mãe de Serena e Venus Williams em “King Richard”, Aunjanue Ellis se mostra uma grande revelação. Tenho a sensação de que ela merecia mais espaço em cena, inclusive. Mas isso é só a prova do peso que ela tem ali. Seus diálogos são ótimos e muitas vezes acaba dizendo o que nós, enquanto público, gostaríamos de dizer. A atriz passa verdade e se destaca, mesmo quando o filme a diminui mais do que necessitava.

7. Jessie Buckley
(A Filha Perdida)

A versão mais jovem de Olivia Colman como Leda em “A Filha Perdida”. É através de suas expressões, sua postura, que compreendemos melhor a personagem no presente. Uma escolha certeira de elenco, que nos permite mergulhar na complexidade da protagonista. Jessie é uma atriz em ascensão e merece sucesso! Só tem a crescer.

6. Odessa Young
(Shirley)

Sempre bom quando encontramos jovens atrizes que se arriscam tanto, que aceitam o desafio de dar vida a personagens tão complexos. Odessa divide a cena com Elisabeth Moss e, mesmo com pouca experiência, chega a altura. Aqui ela interpreta uma jovem estudante que interrompe seus sonhos pelo marido e pelo filho que está para nascer, ao mesmo tempo em que passa a cuidar da escritora Shirley Jackson em um período de bloqueio criativo. Uma presença hipnotizante, que navega entre a sedução e medo, entre desejos e desilusões.

5. Emma Thompson
(Cruella)

Simplesmente saborosíssimo o embate entre Cruella com a Baronesa, vivida por Emma Thompson. Uma antagonista preciosa, divertida e extravagante. Fazia tempo que não via Thompson tão à vontade e tão renovada em cena. Seus trejeitos e sua acidez a tornam uma das personagens mais fascinantes que vi no ano. Foi bom demais assistir.

4. Olivia Colman
(Meu Pai)

Tenho uma relação muito pessoal com essa personagem, por viver algo parecido com ela. Existe doçura e paciência, mas também existe rancor, existe culpa. Cabe tudo isso dentro da Olivia e muito mais. Uma atriz gigante e que em pouquíssimos minutos consegue transmitir o indescritível. Como filha de um senhor com Alzheimer, ela traz muita verdade e emociona.

3. Ruth Negga
(Identidade)

Na pele de Clare, uma mulher negra que se passa por branca nos anos 20, Ruth entrega uma das mais belas atuações do ano. Sua presença é sutil, mas ainda assim hipnotizante e sedutora. Muito subestimada, ela nunca recebe a atenção que merece e aqui só comprova a força dela como atriz. Sempre contida e sempre grandiosa.

2. Youn Yuh-jung
(Minari)

A melhor avó que já tivemos! Vencedora do Oscar no começo de 2021, a atriz sul-coreana é fantástica e constrói uma personagem adorável em cena. Em “Minari”, ela passa a cuidar dos netos quando a família de sua filha se muda para os Estados Unidos. É uma relação linda essa que vai sendo narrada entre esse mulher tão experiente e extrovertida com seu neto David. Os dois juntos são o brilho desse drama morno.

1. Kirsten Dunst
(Ataque dos Cães)

Em “Ataque dos Cães”, a diretora e roteirista Jane Campion desenha na tela personagens enigmáticos e que nos causam certo fascínio. Como Rose, Kirsten Dunst alcança um patamar quase nunca alcançado em sua longa carreira como atriz. Esse embate furioso e silencioso entre ela e Phil, interpretado por Benedict Cumberbatch, só existe pela magnitude dos dois atores em cena. Há sensibilidade em sua entrega, nos causando empatia e também desespero. Um grande papel e uma atriz que, definitivamente, merecia mais reconhecimento.

M. Night Shyamalan: do pior ao melhor

Um gênio subestimado? Um diretor de apenas um acerto? Por muitos anos e até hoje as pessoas e a crítica tentam definir M.Night Shyamalan. Parece existir um peso em suas costas a cada novo lançamento. Algumas manchetes parecem já vir prontas: “O pior filme da carreira”, “O melhor desde O Sexto Sentido”, “O retorno às origens”. Seu primeiro grande sucesso foi lançado há mais de vinte anos e ainda assim existe muita expectativa sobre suas criações.

Confesso que sempre fui um defensor de Shyamalan. Ele acerta sempre? Claro que não. Já fez bombas? Sim, mais de uma vez. Mas também não entendo essa cobrança que nasceu desde quando queriam que ele fosse o novo Spielberg. Ele nunca foi o novo Spielberg e ele nunca tentou ser.

Admiro as escolhas do cineasta porque elas são corajosas, mesmo quando dão muito errado. Porque mesmo diante de tanta cobrança, ele nunca cedeu. Nunca tentou ser aquilo que todos esperam dele. Seguiu seu rumo próprio, sua linha de raciocínio e até hoje se manteve relevante. Isso é para poucos. Nem todo criador sobrevive.

Aproveitando que recentemente foi aniversário do diretor (dia 6 de agosto) e o lançamento do filme “Tempo”, venho aqui para fazer aquele famigerado ranking, listando todos os seus títulos, do pior ao melhor (que bem, este vocês já conhecem).

E para você? Qual o melhor filme do Shyamalan?

14. Praying with Anger (1992)

O filme de estreia de M.Night Shyamalan, que escreve, dirige, produz e atua como protagonista. Tem tons autobiográficos ao narrar a jornada de um jovem indiano naturalizado nos Estados Unidos. É caseirão, feito com baixíssimo orçamento. Mais difícil de assistir e mais difícil compará-lo com suas outras produções porque funciona quase como um experimento inicial do diretor.

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13. O Último Mestre do Ar (2010)

Adaptação da aclamada série animada “Avatar”. O resultado final é bem fraco e me surpreende M.Night ter se envolvido nisso. A começar pela péssima escalação do elenco, que em nenhum momento respeita as origens de seus personagens. Uma aventura que não empolga, com roteiro apressado e sem jamais se aprofundar na riqueza da obra original.

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12. Vidro (2019)

Também não sei como essa ideia saiu do papel. Shyamalan parecia super empolgado em unir as tramas de “Fragmentado” com “Corpo Fechado”, mas infelizmente seguiu os piores caminhos possíveis. É ambicioso, mas tolo demais para ser levado a sério. Para piorar, um Bruce Willis no piloto automático que claramente não queria estar ali. James McAvoy se entrega e prova que merecia um filme melhor para seu bom personagem. Um universo curioso, mas infelizmente não soube como conduzir.

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11. Olhos Abertos (1998)

Com um olhar mais leve, temos uma obra bem sessão da tarde, que fala muito sobre crença e religião, temas que ele costuma abordar em sua filmografia. No entanto, é tudo tão ingênuo que fica difícil criar alguma conexão. Simpático, mas esquecível.

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10. Depois da Terra (2013)

Confesso que não acho de todo ruim essa ficção científica sentimental. Foca na relação entre pai e filho e consegue extrair algumas boas ideias dali, não muito óbvias. Infelizmente, a fraca presença de Jaden Smith diminui seu potencial como um todo. É difícil encontrar a emoção que o roteiro exige em sua performance, enfraquecendo seus discursos.

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9. Fim dos Tempos (2008)

Penso que se tivesse sido lançado hoje, talvez tenha sido melhor aceito. É um filme de terror que não se leva a sério, mas acabou não conquistando o público na época. Tem brilho e boa dose de ousadia nesse thriller apocalíptico. Infelizmente, as soluções que encontra ao fim são tolas, não causando o impacto que prometia. A fraca atuação de Mark Wahlberg também não ajuda.

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8. Tempo (2021)

O mais recente trabalho do diretor tem muito do que vimos em “Fim dos Tempos” e nesse body horror ao ar livre. Um espetáculo visual intrigante, colocando alguns personagens presos em uma praia onde o tempo corre acelerado. Suas ideias são boas e nos mantém atentos aos seus mistérios do começo ao fim. No entanto, peca quando decide deixar tudo extremamente explicado ao fim. Tudo se resolve na tela, não sobrando quase nada na mente do público assim que termina.

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7. A Visita (2015)

O filme mais cômico do diretor e o mais aterrorizante também. A visita de dois jovens para a casa de campo dos avós resulta em uma história tensa e de sequências de tirar o fôlego. A técnica do found footage é muito bem empregada aqui e nos faz mergulhar dentro da trama. A comicidade extrema, porém, às vezes atrapalha a experiência.

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6. Fragmentado (2016)

A produção que levou Hollywood a apostar novamente em Shyamalan, que havia se afundado nos anos anteriores. É um produto que revitaliza essa sua força como criador de histórias intensas e explora todo o potencial deste grande personagem que possui 23 personalidades. James McAvoy está soberbo e faz a brincadeira dar ainda mais certo.

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5. A Dama na Água (2006)

Curioso como em sua trama, um escritor revela uma obra incompreendida ao seu tempo, mas que faria mais sentido no futuro. Penso que “A Dama na Água” ainda possa encontrar seu público. Ainda possa ser reconhecido como um dos grandes filmes que ele já realizou. É o projeto mais íntimo de sua carreira, que fala sobre sua paixão por cinema e sua relação com seu filho, para quem contava contos de dormir. É sensível, belo e tem, nitidamente, muito coração.

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4. Corpo Fechado (2000)

Um dos precursores dos filmes de super-heróis. Ainda assim, veio com uma abordagem completamente nova e jamais vista até hoje. Ele humaniza essa figura do homem comum que, de repente, descobre ter super poderes. É bastante delicado a forma como narra essa jornada, impressionando pela excelente construção de sua trama e seus bons personagens.

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3. Sinais (2002)

Confesso que gosto bastante de filmes sobre alienígenas e “Sinais” foi, definitivamente, um dos melhores já realizados sobre a temática. É incrível como Shyamalan vai construindo a tensão, cena após cena, e ao mesmo tempo consegue dar vida a seus personagens e neste belíssimo conto sobre luto e traumas familiares. Tudo se encaixa ao fim e é lindo de ver como tudo funciona.

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2. A Vila (2004)

Uma obra-prima do terror contemporâneo. Subestimado por muitos, “A Vila” reúne o que há de melhor em Shyamalan. Boas ideias, a atmosfera tensa, o final brilhante e a comovente condução dos personagens. É fantástica toda a ambientação do filme, suas boas metáforas e as tantas reflexões que conseguimos tirar dali. Emociona pela belíssima trajetória da protagonista, que cega, precisa atravessar uma floresta habitada por monstros para salvar aquele que ama. Bryce Dallas Howard está impecável.

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1. O Sexto Sentido (1999)

Dizer que este é o melhor momento de M.Night Shyamalan é chover no molhado, eu sei. Foi um dos primeiros filmes que assisti e tive aquele real impacto. Quando senti o poder do cinema, finalmente. Vi e revi inúmeras vezes e ainda assim O Sexto Sentido trouxe algo novo e sempre vai trazer. Vai sobreviver ao tempo como os grandes clássicos sobrevivem. Temos aqui umas das reviravoltas mais sensacionais de toda a história. Não apenas porque surpreende, mas principalmente porque emociona, porque nos toca.

Os 9 melhores filmes originais da Netflix em 2020

No meio de muita produção duvidosa, a Netflix conseguiu entregar alguns filmes realmente bons em 2020. Em um período em que quase não tivemos lançamentos na tela grande, a gigante do streaming nos permitiu ter acesso a novidades e manter acesa aquelas boas discussões sobre cinema.

“Mank”, “Os 7 de Chicago”, “A Voz Suprema do Blues” tem suas qualidades, mas vou deixar os Oscar Baits de fora aqui. Espero que gostem dos selecionados e deixo aqui como dicas para assistir, caso não tenham visto algum.

Menções honrosas: Tempo de Caça, A Caminho da Lua, Ninguém Sabe Que Estou Aqui, Ya No Estoy Aquí, Seu Nome Gravado em Mim.

9. A Trincheira Infinita
de Jon Garaño, Aitor Arregi, José M. Goenaga | Espanha

Quando uma Guerra Civil explode na Espanha, um homem, por medo de represálias das autoridades, decide viver escondido dentro da própria casa. É um relato forte, emocionante e um registro assustador de uma época, de muitas histórias. A produção é incrível e nos faz mergulhar nos sentimentos dos protagonistas ao longo de vários anos, vivendo pelo medo e pela dor de existir e não poder ver o lado de fora.

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8. Tigertail
de Alan Yang | EUA

A singela história de uma vida. “Tigertail” mergulha nas lembranças de um imigrante taiwanês que, para ter uma vida melhor, abandonou seu grande amor e sua família para viver em Nova York. O longa revela essa experiência bastante íntima de um imigrante, cheia de perdas e danos, com muita sensibilidade. Emociona nesse relato da busca por um sonho que nunca se alcança.

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7. Happy Old Year
de Nawapol Thamrongrattanarit | Tailândia

O filme acompanha a história de uma mulher que se depara com inúmeras lembranças de sua vida ao decidir descartar inúmeros objetos de sua casa. E nesta atividade de reviver o passado para seguir em frente, ela decide ir atrás do ex-namorado com quem nunca teve um fim digno. Simples, original e bastante delicado.

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6. Você Nem Imagina
de Alice Wu | EUA

As comédias românticas teen da Netflix parecem seguir uma fórmula. Justamente por isso foi tão bom encontrar “Você Nem Imagina”, que tem como base uma série de clichês do gênero mas inova na condução, entregando um texto maduro e bastante sensível.

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5. O Que Ficou Para Trás
de Remi Weekes | Reino Unido, Irlanda do Norte

Uma outra grande surpresa que surgiu no catálogo em 2020 foi “O Que Ficou Para Trás”, terror psicológico britânico que foge das fórmulas ao narrar a jornada de um casal de imigrantes recomeçando a vida na Inglaterra. Sem distinguir o que é pesado e realidade, eles são confrontados pelos fantasmas do passado. É instigante, inteligente e muito bem realizado.

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4. O Diabo de Cada Dia
de Antonio Campos | EUA

Com um elenco fantástico, o filme narra inúmeras histórias e personagens que vão se cruzando ao longo do tempo e tem como base o rancor, o medo e a obsessão religiosa. O roteiro é brilhante e caminha respeitando cada trama e seus belos desdobramentos.

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3. A Sun
de Mong-Hong Chung | Taiwan

Drama taiwanês bastante emocionante. O filme revela a dor de uma família depois de dois eventos trágicos e como eles tiveram que sobreviver. Apesar da longa duração, o longa tem bom ritmo e encanta pela delicadeza ao falar sobre redenção, perdão e recomeços.

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2. The 40-Year-Old Version
de Radha Blank | EUA

Primeiro filme escrito e dirigido por Radha Blank, “The Forty-Year-Old Version” é uma bela surpresa. Como mulher preta, ela entrega aqui seu grande manifesto e sua insatisfação de envelhecer no meio artístico e os tantos percalços que precisa enfrentar. É um discurso bastante íntimo e revelador, bastante necessário.

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1. Joias Brutas
de Josh Safdie, Ben Safdie | EUA

Foi lá no começo do ano quando a Netflix lançou essa preciosidade. Dificilmente ela lançaria algo a altura ou melhor que “Joias Brutas”. Dirigido pelos irmãos Safdies (Bom Comportamento), o longa coloca Adam Sandler ao avesso e revela a mais potente atuação de sua carreira. É um filme revigorante, inquietante, que nos faz rir de nervoso e nos faz vibrar pela insana trajetória de seu brilhante protagonista.

Os 25 melhores filmes de 2020

2020 foi um grande e longo filme de terror. No meio de uma pandemia e nossas tantas crises pessoais que se iniciaram, a arte veio para ser nosso suporte. Ainda que os cinemas tenham sido fechados e mesmo quando reabertos, optamos por não ir, os filmes ainda estiveram presentes em nossas vidas. Alguns poucos vistos na tela grande, outros em plataformas de streaming ou VOD. Foi um ano que consegui assistir bastante coisa e por isso esta lista é tão especial, porque resume bem tudo o que descobri de melhor.

Os filmes que seleciono aqui foram lançados no Brasil entre janeiro e dezembro de 2020. Espero que gostem dos selecionados e caso não tenham visto algum, já deixo aqui como dicas a serem achadas também.

Menções honrosas: “Host” entregou um terror refinado mesmo com um baixíssimo orçamento e merece destaque. Sacha Baron Cohen foi gênio e fez de “Borat: Fita de Cinema Seguinte” uma sequência incrível e superior ao original. “On The Rocks” foi um belíssimo e cativante retorno de Sofia Coppola ao cinema e a animação “Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica” foi mais um divertido e emocionante acerto da Pixar.

25. O Homem Invisível
de Leigh Whannell | EUA

“O Homem Invisível” é a prova de que remakes não precisam seguir à risca a matéria original. É possível se ter um olhar diferente sobre o mesmo universo e o longa de Leigh Whannell teve essa ousadia de propor algo diferente do que já existia. O terror está ali, a tensão e a protagonista tentando escapar do homem que ninguém vê. A obra, com muita perspicácia, reformula a ideia e traz temas muito atuais para dentro da história. Elisabeth Moss está ótima.

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24. O Diabo de Cada Dia
de Antonio Campos | EUA

Filmes que se vendem pelo grande elenco geralmente dão muito errado. Felizmente, “O Diabo de Cada Dia” acerta ao não tentar se manter pelas boas atuações e sim na boa trama que ali é construída e na profundidade de cada indivíduo retratado. O longa de Antonio Campos revela essa sociedade grotesca que tem como base o fanatismo religioso e como uma pequena ideia apresentada lá no início se desenrola modificando a história de diversos personagens. É inteligente, bem desenvolvido e me lembrou muito o cinema dos anos 90, o que é um baita de um elogio.

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23. A Assistente
de Kitty Green | EUA

“A Assistente” é um filme simples, pequeno, mas de uma importância e relevância gigantesca no cenário atual. Vinda de uma carreira em documentários, a diretora Kitty Green faz um aqui um recorte poderoso sobre os bastidores do entretenimento que deram origem à movimentos como o #metoo. Através de uma protagonista ingenua, defendida muito bem por Julia Garner, somos colocados para dentro de um ambiente tóxico de trabalho, onde o assédio sexual existe e todos fingem não ver. É assustadoramente possível e um discurso que precisava ser dito.

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22. O Preço da Verdade – Dark Waters
de Todd Haynes | EUA

Sob o comando do cultuado Todd Haynes, o longa é baseado em um caso real, onde um advogado (Mark Ruffalo, em ótima performance), especializado em meio ambiente, entra na justiça contra uma poderosa corporação que despejava resíduos químicos no abastecimento de água de uma região. Indo muito além do simples “filme denúncia”, temos aqui uma produção fantástica e um diretor atento aos detalhes, que preza pela qualidade de sua história assim como pelo poder de suas imagens. O roteiro é excepcional e nos deixa completamente abismados por seus assustadores desdobramentos.

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21. Luce
de Julius Onah | EUA

Adaptação de uma peça teatral, “Luce” é um poderoso thriller psicológico que narra a conflituosa relação entre quatro personagens centrais. É o tipo de filme que cresce lentamente, que inicia com uma problemática pequena mas que acaba ganhando proporções cada vez mais assustadoras. Lento na medida, a obra caminha como se uma bomba pudesse explodir a cada instante. A complexidade de cada personagem permite que a trama siga por caminhos imprevisíveis e torne este provocativo embate – de racismo em um ambiente escolar – em uma experiência intensa e reveladora.

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20. Professor Polvo
de James Reed, Pippa Ehrlich | EUA, Singapura

Nunca pensei que eu poderia chorar vendo um filme sobre um polvo, mas esta deslumbrante produção da Netflix me permitiu isso. O documentário nos mostra a emocionante aventura de um cineasta em uma floresta subaquática da África do Sul, onde desenvolve uma inusitada relação de amizade com um polvo. O filme nos faz desvendar ao seu lado os mistérios daquele mundo tão desconhecido e nos fazer refletir sobre o milagre que é a natureza. Sobre o milagre que é a vida. Sobre o quão grande e poderoso é o ato de existir.

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19. Nunca, Raramente, Às Vezes, Sempre
de Eliza Hittman | EUA, Reino Unido, Irlanda do Norte

Requer muita coragem debater sobre aborto por ser um tema ainda muito tabu em nossa sociedade. “Nunca, Raramente, Às Vezes, Sempre” revela de forma crua, sutil e arrebatadora a jornada de uma jovem que, para interromper uma gravidez indesejada, decide ir até Nova York realizar um aborto. É um caminho lento, silencioso, mas de uma força esmagadora. A diretora Eliza Hittman traz uma abordagem bastante naturalista e próxima ao documental, através de um roteiro que foge de explicações óbvias ou julgamentos.

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18. As Ondas
de Trey Edward Shults | EUA

Ao narrar a dolorosa jornada de uma família norte-americana, corrompida por eventos trágicos, o diretor Trey Edward Shults constrói uma obra imersiva, intensa e cheia de excessos. A produção nos lança na velocidade de uma onda, turbulenta e cruel ao início até que se encontra a estabilidade. É desta forma que somos apresentados basicamente a dois filmes dentro de um. Quase como o lado A e lado B de um disco de vinil, logo que sempre somos guiados pelas batidas das músicas. “As Ondas” tem um ritmo alucinante, o que torna seus minutos em uma experiência sem igual e prazerosa.

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17. Queen & Slim
de Melina Matsoukas | EUA

Mais do que uma bem-vinda releitura de Bonnie e Clyde e aquela velha história do casal que foge após cometer um crime, “Queen & Slim” usa desta simples premissa para revelar um debate poderoso sobre a luta e resistência negra. O filme, incrivelmente comandado pela diretora Melina Matsoukas, diz muito sobre como essa estrutura racista, ainda que velada em nossa sociedade, transforma as interações humanas. É um belo e corajoso recorte, ilustrado em um deslumbrante road movie.

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16. Uma Vida Oculta
de Terrence Malick | Alemanha, EUA, Reino Unido, Irlanda do Norte

Retorno à boa forma do cineasta Terrence Malick, o longa narra a emocionante jornada de um soldado desertor austríaco na Segunda Guerra Mundial, que ao negar-se a lutar ao lado de Hitler, se torna fugitivo dentro de seu próprio país. É um cinema ainda bastante contemplativo, poético, reflexivo. Que nos faz mergulhar pelos pensamentos e pelas crises existenciais de seus personagens. Através de belas palavras de um texto extremamente delicado, conhecemos o íntimo de seu bravo protagonista. Sua garra, seus sonhos destruídos, sua dor e suas crenças.

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15. Bem-Vindo à Chechênia
de David France | EUA

“Bem-Vindo à Chechênia” é um soco doloroso. Documentário extremamente urgente e necessário sobre a perseguição sofrida pelos LGBTs em território russo. Acompanhamos um grupo de ativistas tentando encontrar abrigo e fuga para jovens que foram brutalmente torturados. Todos os relatos são assustadores principalmente porque há provas desses tantos crimes. Porque os criminosos têm nomes e endereços, mas ainda assim as autoridades do país se negam a reconhecer essas atrocidades. Como filme denúncia é um grande passo para o cinema também, por conseguir aplicar o deepfake na face daqueles que não podem falar. Justamente por isso é lindo e inspirador o instante em que um deles ganha finalmente um rosto na tela, quando ele passa a ser voz que ousa defender toda sua comunidade.

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14. Má Educação
de Cory Finley | EUA

“Má Educação” nos revela o maior caso real de corrupção já existente em uma escola pública nos Estados Unidos. O escândalo verídico ganha vida através de um roteiro esperto, que foge dos clichês de investigação jornalística e aposta na desconstrução do herói, aqui muito bem defendido por Hugh Jackman. É um personagem carismático e ao mesmo tempo uma grande incógnita. Um filme empolgante, bem construído e que enaltece cada ótimo desdobramento que tem em mãos. Se no começo mal sabemos onde a produção quer chegar, ao seu fim, estamos em choque pelo quão longe ela chegou. Simples, inteligente e fantástico.

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13. Você Não Estava Aqui
de Ken Loach | Bélgica, França, Reino Unido, Irlanda do Norte

“Você Não Estava Aqui” é mais um bom registro naturalista do britânico Ken Loach, que aqui causa impacto por suas grandes reflexões. Se aproxima do documentário ao falar da relação do homem com sua jornada de trabalho e nesta falsa sensação de liberdade que a “uberização” atual nos vende. No filme, uma empresa de entregas tenta motivar seus funcionários a serem empreendedores. O roteiro investiga o impacto que isso tem na vida de uma família e choca pela veracidade dos fatos. Um recorte preciso, honesto e bastante sensível.

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12. A Sun
de Mong-Hong Chung | Taiwan

Produção taiwanesa que acompanha uma família destruída por dois eventos trágicos. Esta é a base de uma história poderosa e emocionante, que ganha desdobramentos cada vez mais interessantes. O roteiro é brilhante e nos mantém presos, cativados por seus bons personagens e pela batalha interna que cada um constrói ali. É lindo como tudo flui com a mesma naturalidade da vida. A perda, a dor, a superação. Tudo guiado por um ato de bondade ou uma vontade de recomeçar. Uma jornada que envolve perdão, empatia, redenção e jamais narra isso de maneira óbvia ou de fáceis conclusões.

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11. Transtorno Explosivo
de Nora Fingscheidt | Alemanha

Intenso drama alemão, o longa nos conta a conturbada jornada de Benni, uma garota de apenas nove anos que vive em lares adotivos devido seu comportamento explosivo e seus surtos de raiva. É poderosa toda a construção da obra que nos deixa imersos neste universo único e violento no qual vive a protagonista, incrivelmente defendida pela jovem Helena Zengel. As cenas em que ela é doce ou tenta impressionar os outros por medo da solidão são de cortar o coração. Um registro potente e corajoso de uma infância incomum, que nos destrói e ao mesmo tempo nos encanta pela sensibilidade. É forte e dilacerante.

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10. Corpus Christi
de Jan Komasa | Polônia

“Corpus Christi”, que chegou a ser indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, questiona a hipocrisia dos cidadãos de bem que pregam uma religião. A trama é bastante curiosa e nos intriga, nos levando a acompanhar a inusitada jornada de Daniel, um jovem problemático vindo de um reformatório, que se passa por padre de uma paróquia em um pequeno e conservador vilarejo. Existe coragem nos belos discursos da obra, que vem não para questionar a fé ou diminuir o valor do cristianismo. Vem para indagar, nos fazer olhar para a farsa. Não a farsa do jovem que se faz de padre, mas da farsa que vemos todos os dias, da de pessoas que usam da fé como discurso de ódio. Desta “religião” sem nenhum senso de bondade, igualdade e perdão.

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9. The 40-Year-Old Version
de Radha Black | EUA

Facilmente uma das produções mais interessantes que a Netflix lançou em 2020. Estreia de Radha Blank na direção, que imprime, em seu fascinante texto, sua luta diária como mulher, preta e artista. Ela se coloca como protagonista da própria história – da escritora de 40 anos que nunca teve espaço para realizar sua arte – e faz de “The 40-Year-Old Version” o seu grande manifesto. De forma ousada e sincera, ela aponta uma ferida antiga dentro do cinema, onde o preto apenas tem espaço para ilustrar uma pobreza estereotipada e servir de troféu para histórias de brancos salvadores. Ela traz humor em seu relato, sem jamais diminuir o impacto de seu poderoso e necessário discurso. Um filme brilhante que, definitivamente, precisava existir.

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8. Belle Époque
de Nicolas Bedos | França

“Belle Époque” é o filme que 2020 precisava. Comédia francesa leve e incrivelmente apaixonante de Nicolas Bedos, que narra a divertida história de um senhor que contrata uma empresa que o permite reviver o dia mais especial de sua vida: quando ele conheceu sua esposa. É uma produção leve, mágica, imensamente encantadora, que nos causa fascínio ao transitar entre passado e presente, entre realidade e ficção. “Belle Époque” é poesia aos saudosistas que nesta reencenação do começo de uma história de amor, nos faz pensar em como criamos expectativas em uma relação baseados na perfeição do início. Somos tolos ao buscar no outro aquilo que um dia foi. Um conto criativo que faz bem demais ao coração.

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7. A Arte de Ser Adulto
de Judd Apatow | EUA

Comédia agridoce de Judd Apatow, o longa dá palco para o jovem comediante Pete Davidson expor sobre sua jornada peculiar e sua dor pessoal. O roteiro é impecável e usa do humor para relatar algo melancólico, emocionando mesmo quando não tem pretensão. A trama narra o amadurecimento tardio de um homem de vinte e quatro anos, que não vê qualquer sinal de perspectiva em sua vida depois de perder o pai. A obra causa uma incômoda e rápida identificação com essa frustração de envelhecer. É fácil criar empatia por este sentimento de fracasso quando se chega à fase adulta, quando se tem a mesma idade daqueles que estão vencendo. Confesso que senti uma conexão muito grande com tudo o que vi e fiquei devastado por toda a honestidade e sentimentos expostos. Nem sempre a comédia tem esse poder. Mas essa não é uma comédia qualquer e esse não é um filme qualquer.

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6. 1917
de Sam Mendes | EUA, Reino Unido, Irlanda do Norte

Guerra já foi tema de muitos filmes no cinema e é interessante quando surge uma obra que tem algo novo a mostrar. “1917” facilmente se destaca neste subgênero e merece reconhecimento por suas tantas qualidades técnicas. Um trabalho de produção admirável, que resgata um período histórico com precisão e nos faz viver, durante seus belos minutos, o desespero em estar na pele de seu protagonista, vivendo sob o caos e a tensão de tudo aquilo. O novo longa de Sam Mendes é uma experiência sem igual, imersiva, angustiante e extremamente bem realizada. A opção por gravar suas ações em um quase que ininterrupto plano sequência, torna tudo ainda mais fascinante de assistir. É um deleite visual e um exercício narrativo e cinematográfico altamente ousado.

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5. Soul
de Pete Docter | EUA

Sem dúvidas, a melhor animação da Pixar desde “Divertida Mente”. É um momento muito especial para o estúdio, que entrega aqui o que há de melhor em suas criações. Um filme visualmente belíssimo, onde todas as cenas causam impacto, tamanha perfeição e deslumbre que alcança. Ao narrar a divertida jornada de Joe que vai parar no mundo das almas, “Soul” acaba sendo um lembrete sensível de que nossa existência vai além da conquista de um propósito, de uma habilidade. De que nossos sonhos é que nos impulsiona, mas não é o todo. Uma produção inventiva, original e o mais importante, feita de coração.

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4. Jojo Rabbit
de Taika Waititi | Alemanha, EUA

Uma obra que se propõe a ser uma sátira anti-ódio e acaba sendo um produto extremamente atual, que facilmente dialoga com os novos tempos. Ao revelar os horrores da guerra e da Alemanha ocupada pelos Nazistas através do olhar inocente de uma criança, o longa além de ganhar uma deliciosa liberdade narrativa, nos faz refletir sobre nossa realidade e como tantos discursos de ódio infundados são reproduzidos facilmente em nome de uma doutrina ou de um fanatismo cego a um líder. O diretor e roteirista Taika Waititi acerta a mão e realiza um trabalho bastante original, mágico, surpreendentemente triste e doce.

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3. Joias Brutas
de Ben e Josh Safdie | EUA

“Joias Brutas” é uma surpresa em muitos aspectos. Vai além do que esperamos de um filme e muito além do que esperamos de Adam Sandler, que entrega aqui a melhor atuação de sua carreira. Pelo olhar do endividado Howard, somos levados a um turbilhão de emoções nesta sua saga de sobrevivência em um mundo onde todos querem devorá-lo. É assim que este novo trabalho dos irmãos Safdie se torna pura catarse e ataca nossa ansiedade. Cada segundo parece ter uma informação nova e a todo instante o universo que cria parece virar de ponta cabeça. É eletrizante, intenso, verborrágico e nos faz rir no meio de suas tantas tragédias. Um filme único e revigorante.

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2. O Som do Silêncio
de Darius Marder | EUA

Belíssima revelação de Darius Marder na direção, ele entrega um filme poderoso, íntimo, milagroso até, eu diria. Seu cinema transcende e alcança instantes de uma emoção indescritível. Ele nos apresenta à Ruben, o baterista que, ao perder a audição, mergulha em uma maré de incertezas, atormentado pelo silêncio que parece arruinar seu futuro. Um obra inquietante que permite ao ator Riz Ahmed entregar a mais potente e comovente atuação do ano. “O Som do Silêncio” é um conto poderoso sobre adaptação e sobre como é da natureza humana este dom de se moldar a uma nova circunstância. É sobre ouvir o que há dentro de nós e como não há barulho mais ensurdecedor que esse. Eu senti a dor, a angústia, o medo, o aperto no peito. Encontrei aqui uma das experiências mais incríveis que tive vendo um filme este ano.

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1. Retrato de Uma Jovem em Chamas
de Céline Sciamma | França

“Retrato de Uma Jovem em Chamas” é uma preciosa obra de arte. Um trabalho que alcança um nível de perfeição extremo, que nos deixa sem palavras ao seu fim e encantados por todas as belas decisões que ali foram tomadas. Somos levados à França do século 18 e na belíssima relação entre duas mulheres, a pintora e seu objeto de estudo, sua musa. É lindo quando, deste ato puro de observação entre as duas personagens, nasce uma história de amor. É assim que a diretora Céline Sciamma constrói um filme altamente contemplativo, encontrando beleza nos detalhes. Por fim, me senti completamente emocionado pela forma com que tudo foi guiado, pela sensibilidade de traduzir sentimentos tão puros. Como as imagens, visualmente tão poderosas, as sensações que a produção nos permite sentir ecoa dentro de nós. Lindo, apaixonante, a obra de arte que 2020 precisava. É imbatível. O melhor filme do ano.

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E para você? Qual o melhor filme de 2020?