Antes de tudo, preciso reforçar que esta lista não é uma verdade absoluta. Cinema é experiência e gosto pessoal. Então talvez o seu filme favorito não esteja aqui e está tudo bem.
Sempre que posso, estou divulgando ou comentando sobre o cinema brasileiro. Ainda existe muito preconceito com o nosso audiovisual e uma crença de que só fazem o mesmo filme ou que trabalham com os mesmos temas. Este pensamento é extremamente equivocado e quando olho para as grandes obras realizadas neste ano, para mim fica claro o quão rica e fascinante é a nossa produção.
A verdade é que 2025 reafirmou a potência do cinema brasileiro. E digo isso, não apenas pelo forte (e importante) reconhecimento internacional, mas pela pluralidade e qualidade do que foi entregue.
Entre gêneros, linguagens e olhares muito diferentes entre si, nossa produção mostrou o quanto está viva. Esses filmes que selecionei são apenas um recorte de um ano riquíssimo. Claro que existem muitos outros títulos que mereciam entrar aqui, mas resumi em apenas 10 para registrar os meus favoritos.
Qual foi o seu filme nacional favorito?
10. Manas
de Marianna Brennand
Manas se mostra uma obra necessária ao denunciar o ciclo de abuso e violência contra jovens meninas no Pará. Em um registro próximo do documental, o longa constrói uma narrativa assustadora e urgente, que nos sufoca ao acompanhar sua forte protagonista, vivida com enorme potência por Jamilli Correa.
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09. Cyclone
de Flávia Castro
O filme mergulha na São Paulo do início do século XX para levantar um debate que, infelizmente, segue muito atual. Cyclone é um recorte perturbador sobre como as mulheres não são donas do próprio corpo e nem de suas próprias escolhas. Um drama conduzido com rigor, sem romantizações, sustentado por um texto denso e muito rico.
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08. A Melhor Mãe do Mundo
de Anna Muylaert
Arrisco dizer que este é o melhor filme de Anna Muylaert desde Que Horas Ela Volta?. A obra emociona ao narrar a história de uma mãe que cria um universo lúdico para proteger os filhos da dura realidade das ruas. A Melhor Mãe do Mundo constrói um retrato poderoso de tantas mulheres, equilibrando com precisão o peso do drama e a doçura das relações.
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07. A Natureza das Coisas Invisíveis
de Rafaela Camelo
Ao abordar a morte e o luto a partir da perspectiva de duas crianças, A Natureza das Coisas Invisíveis surpreende ao oferecer um olhar pouco usual sobre o tema, filtrado pela inocência de quem ainda está descobrindo a vida. Os diálogos são extremamente naturais e capturam com precisão a espontaneidade dessas vivências. Um filme sensível, delicado e profundamente singelo.
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06. Homem com H
de Esmir Filho
Em uma época de evidente saturação das cinebiografias, encontrar Homem com H foi um verdadeiro respiro. Ainda que não escape totalmente da cartilha do gênero, o filme consegue, mesmo dentro dessas limitações, entregar emoção e honestidade. Jesuíta Barbosa vai muito além da imitação e constrói uma atuação marcante, carregada de verdade.
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05. Baby
de Marcelo Caetano
Não me lembro da última vez em que São Paulo foi cenário de uma obra tão interessante e tão bem filmada. Após o ótimo Corpo Elétrico, o diretor retorna com um filme ainda mais completo. Há muita paixão, afeto e sensibilidade nesta história sobre os encontros inesperados da vida e dessas pessoas que surgem de repente e se tornam fundamentais para nossa jornada. É também um filme sexy, ousado e uma representação muito autêntica da homossexualidade.
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04. Kasa Branca
de Luciano Vidigal
O filme apresenta uma nova visão da favela. Ao fugir dos clichês da miséria, da violência e da criminalidade, Luciano Vidigal compreende esse espaço como algo muito mais amplo do que tradicionalmente foi retratado no cinema e na TV. Ali também cabem afeto, amizade e diversidade. O resultado é um filme simples na forma, mas de um coração imenso.
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03. O Agente Secreto
de Kleber Mendonça Filho
O Agente Secreto nos deixou tomados por um imenso orgulho. Kleber Mendonça Filho reafirma sua posição como um dos grandes diretores brasileiros ao realizar uma obra necessária, cheia de estilo, pirraça, sarcasmo e provocação. O filme fala das feridas ainda não cicatrizadas da ditadura e desse passado trucidador que continua a assombrar a memória do país. Um filmaço que mereceu todo o prestígio recebido.
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02. Os Enforcados
de Fernando Coimbra
Os Enforcados mistura tragédia e humor ácido em um thriller repleto de boas referências e reviravoltas certeiras. Nada nos prepara para o impacto do que é apresentado aqui. É um golpe violento, audacioso e extremamente sagaz. Uma daquelas produções que não permitem que o espectador saia ileso. Forte, inteligente e uma prova de que o cinema brasileiro pode alcançar níveis grandiosos.
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01. Oeste Outra Vez
de Erico Rassi
É sempre refrescante ver o cinema nacional bem-sucedido ao transitar por diferentes gêneros. Oeste Outra Vez é um excelente faroeste contemporâneo que, a partir de seus vastos e áridos cenários, investiga a frágil e atual realidade masculina. Nada em cena é óbvio. Nem mesmo um simples jogo de sinuca. Erico Rassi constrói uma obra singular, que me fez sair da sessão maravilhado. Um estudo fascinante sobre solidão, abandono e o ciclo de violência perpetuado pelos homens.
