Sem freio

A Sony Pictures Animation parece ter, finalmente, se encontrado. Três anos depois do lançamento do vencedor do Oscar, “Homem-Aranha no Aranhaverso”, o estúdio retorna com uma produção tão inventiva quanto, reforçando uma bela identidade. Um primor de animação 3D, que mistura traços bidimensionais, excesso de cores e uma edição ágil, capaz de manter a atenção dos pequenos e garantir o riso dos mais crescidos. É aquele filmão pipoca para a família toda, bem intencionado e divertido.

Em “A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas” somos apresentados a uma família disfuncional através dos olhos da jovem talentosa Katie, que tem uma relação difícil com seu pai. Antes que ela inicie os estudos na faculdade, seus pais decidem reunir a família pela última vez em uma viagem. No entanto, acontece a revolução das máquinas, que ao ganharem vida, decidem expulsar os humanos do planeta. É então que os Mitchells se tornam a única salvação da humanidade.

Katie sonha em ser cineasta e a grande sacada da produção é fazer desta aventura como se tivesse a assinatura dela, com seus rabiscos invadindo as cenas e memes como parte da edição. Tudo isso traz uma atmosfera bastante atual e exige dos criadores extrema criatividade. Por outro lado, esse exagero de informação por segundo o torna megalomaníaco, sendo difícil, às vezes, de acompanhar o raciocínio.

É assim que “A Família Mitchell” peca pelo excesso. A longa duração, inclusive, que poderia dar mais espaço para a construção da trama é lotada de cenas ininterruptas de ação. E isso cansa. Vemos uma família fugindo das máquinas e isso nunca gera algum debate além do velho discurso “não seja normal” e da força da família unida. Falta introduzir essa relação dos humanos com a tecnologia e o quanto isso, de fato, afetava as relações. Essa base dada pelo roteiro é muito simplória, colocando as máquinas ali como meros vilões, sem jamais explorar a força desse tema. É um campo rico, mas o filme sempre opta pelo humor barato de memes, gritarias e coisas sendo esmagadas. No fim, tudo não passa de uma justificativa para uma ação desenfreada. A trama nos é apresentada em uma velocidade tão absurda que se torna impossível criar algum envolvimento ou identificação com que nos revela.

É uma diversão fácil que vale ver com a família sim! Um belo trabalho de animação e que apesar de ter me frustrado diante do hype que nasceu, também me deixou curioso pelos próximos passos do estúdio. Vale a pena, mas é muito abaixo dessa “obra-prima instantânea” que estão pintando por aí.

NOTA: 7,5

País de origem: EUA
Ano: 2021
Título original: The Mitchells vs. the Machines
Disponível: Netflix
Duração: 110 minutos
Diretor: Jeff Row, Michael Rianda
Roteiro: Jeff Row, Michael Rianda
Elenco: Abbi Jacobson, Danny McBride, Maya Rudolph, Olivia Colman

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