A garota em chamas

Após ser aclamado em Hollywood ao realizar “Jackie”, o diretor Pablo Larraín retorna ao Chile para mais um grande trabalho em sua carreira. Em “Ema”, ao mesmo tempo em que prove, mais uma vez, seu talento por trás das câmeras, também se mostra um profissional inquietante, que se nega às fórmulas e não tem receio do experimental. É ousado em sua forma, buscando através de imagens poderosas expor sentimentos, por vezes, indecifráveis. A grande força, porém, está na construção de sua forte protagonista, que exala sensualidade, enigma e nos deixa apreensivos sobre quem, de fato, ela é e quais seriam exatamente seus planos. 

Ema (Mariana Di Girolamo) é a garota em chamas. Assim como fogo, ela atrai e causa fascínio. Assim como fogo, ela destrói, corrói, deixa impacto. O roteiro, lentamente, nos vai adentrando à sua conturbada vida e vamos buscando, nas pistas que deixa, o que realmente aconteceu para o que caos a dominasse. Dançarina, ela mantém um relacionamento bastante tóxico com o líder da Companhia, Gastón, vivido por Gael García Bernal. Ela passa a viver uma grande desgraça e a ser mal vista por todos ao seu redor quando decide devolver o filho que havia adotado. Tentamos, então, investigar quais seriam as razões para tal atitude e as razões que a motiva seguir em frente, se jogando a inúmeras tentações e encontrando no sexo, no tesão, na perversidade e nos movimentos da dança, expulsar os tantos traumas que a incendeia. 

É nessas dúvidas que “Ema” nos fisga e é no domínio que Pablo Larraín tem sobre as imagens que ficamos completamente imersos e hipnotizados por este seu universo. Existe intensidade em cada instante do longa, vibração, energia. Nas cores, nos cortes, nos movimentos. Um filme expressivo, inquieto e que busca, através desses elementos, expor diversas sensações. Nas belas locações à poderosa trilha sonora. Tudo ajuda para embarcamos nessa viagem sensorial. Causa estranheza, também, o que é bom. O que há dentro da protagonista é complexo, existem camadas e o roteiro não nos poupa de expor o que há de melhor e pior nela. Bom, então, poder ver a entrega de Mariana Di Girolamo, defendendo uma personagem tão explosiva e enigmática. Mesmo que em um papel coadjuvante aqui, é sempre um prazer ver Gael García Bernal em cena. 

Pablo Larraín é um diretor em constante movimento, sempre se redescobrindo, sempre encontrando formas novas de contar uma história. “Ema” é um belíssimo exercício narrativo e visual e prova essa ousadia dele de se reinventar enquanto cineasta. O discurso da obra se enfraquece, porém, quando no final ele decide expor demais, praticamente resumindo todos os passos dado pela protagonista, duvidando da inteligente do público, quando a explicação já estava clara na imagem. Ainda assim, não deixa de causar impacto, fechando bem as lacunas que estava deixando pelo caminho. 

NOTA: 7,5

  • País de origem: Chile
    Ano: 2019
    Duração: 107 minutos
    Distribuidor: Imovision
    Diretor: Pablo Larraín
    Roteiro: Alejandro Moreno, Guillermo Calderón
    Elenco: Mariana Di Girolamo, Gael Garcia Bernal

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